Me deixe amar você
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Se bem que, eu também não sabia o que estava fazendo ali, eu podia apenas ter dirigido para o hospital depois de tê-lo colocado no carro, mas por que só pensei nisso agora? Se eu for analisar bem a situação vou perceber que, na verdade, eu não deveria estar aqui, eu nem o conheço, e se ele me atacar?
— Desculpe, não estou acostumado com alguém me ajudar sem querer nada em troca. – Sentou-se com dificuldade interrompendo meus pensamentos que insistiam em desconfiar dele – Tem uma caixa vermelha na última prateleira da primeira porta – E apontou para um balcão na cozinha. Acho que ele percebeu que não conseguiria se virar sozinho, eu vou ajuda-lo, se ele tentar alguma coisa eu vou conseguir me defender.... Eu vejo muitos filmes de luta. Que tolice. Vou em frente, de qualquer forma.
Dei a volta na bancada que separava a sala da cozinha e me agachei em frente a porta branca, tomei a caixa em minhas mãos e voltei para junto dele:
— Quem disse que eu não vou querer nada em troca? – Tentei quebrar o gelo enquanto sentava sobre minhas pernas para abrir a caixa.
— Olha, ela sabe ser engraçada. – Me olhava de canto. – Você sabe o que está fazendo?
— Se ficar parado será mais fácil – Digo enquanto termino de rasgar o resto da camisa dele, uma vez que seria mais fácil que tirá-la dele. A boa notícia é que o corte não é profundo, umedeço uma gaze com soro fisiológico e pressiono contra o ferimento, ele resmunga alguma coisa sobre dor, procuro um analgésico na caixa, encontro:
— Você tem muitas coisas nessa caixa, isso parece acontecer muito com você – Brinco com ele.
— Você nem faz ideia – Responde, sério. O encaro um pouco assustada, quem é esse cara?
— Você podia me dizer o seu nome...
— Michael, meu nome é Michael.
— Bem, muito prazer, Michael, me chamo Jessica, é uma pena termos nos conhecido nestas circunstâncias – Respondo concentrada no curativo, tão concentrada que agora dou mais atenção às tatuagens que ele carrega no peito, não consigo saber se são várias amontoadas ou se é uma coisa só complexa demais para saber o que significa.
— Se não fosse nestas circunstâncias talvez não tivéssemos nos conhecido, Jessica – Olha profundamente em meus olhos, é engraçado como eu sinto uma ironia em cada palavra que sai da sua boca, como se estivesse, o tempo inteiro, me provocando. Ele se machuca e eu que sofro com a adrenalina.
Começo a analisar melhor o seu corpo, não havia percebido antes, mas Michael é muito bonito, na verdade, ele é quase tão alto quanto meu pai e quase tão forte quanto Nathaniel, falando nele, vai levar um tempo para ele parar de visitar meus pensamentos. Me sento ao lado de Michael no sofá e vou aproximando a gaze, seu rosto está envolto pelos seus cachos escuros, me lembra um pouco meu irmão quando era criança, ele não parece tão ameaçador olhando assim. Continuo limpando, chegando mais perto do nariz, dois olhos castanhos ferozes me encaram. Ok, agora ele parece um pouco ameaçador, mas é engraçado, até um pouco inconsequente da minha parte, que eu me sinta tentada a saber mais mesmo sentindo um possível perigo, até mesmo vendo, bem na minha frente. Constrangida, abaixo o olhar. Há um pequeno corte em sua boca, e sangue também. Passo meu polegar suavemente por seu lábio inferior, mais na intenção de estudar a pele do que limpar o sangue, creio. Ele segura meu pulso rapidamente e eu, por estar concentrada demais em sua fisionomia, me assusto. Ele me encara, de novo me provocando, pelo menos é assim que eu me sinto, desafiada. O que posso fazer? Não sei quanto tempo ficamos nos afrontando. Soltei minha mão, suavemente, sem tirar os olhos dos dele. Isso era uma competição de quem ficava mais tempo sem piscar? Pisquei, e no momento em que fechei os olhos ele se afastou, recostando-se no outro lado do sofá, mas continuou me analisando. Não gosto disso, mas por que, ainda assim, gosto?
— Se quer saber alguma coisa é só perguntar – Desponto, acho eu, que parecendo irritada, pois ele arqueou as sobrancelhas surpreso.
— O que você quer, Jessica? – Por que ele fica me olhando assim?
— Como assim, o que eu quero? – Pergunto, analisando-o também, esse é um jogo para dois.
Depois de uma pausa que pareceu infindável:
— Acho que você já me ajudou – Disse, trocando olhares comigo e com a porta pela qual tínhamos entrado.
Ele estava mesmo me mandando embora? Mas que cara de pau, mal-agradecido, egoísta, aproveitador! Ok, talvez não tudo isso, ou talvez um pouquinho de cada, mas ainda assim muito desagradável. Lancei a ele o meu melhor olhar de desprezo, levantei e sem dizer uma palavra, saí pela porta.
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