Me deixe amar você
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Se você gosta de um bom romance clichê (ou nem tão clichê) essa história está quentinha esperando você!
Caso alguém leia... Muito obrigada.
Então é isso, está decidido. Adeus, Nathaniel.
Peguei minhas chaves e caminhei em direção ao estacionamento. Mas de quem foi a ideia de discutir relacionamento numa praça de alimentação?! Que coisa mais burra de se fazer! De qualquer forma, já não importava mais, fosse do jeito que fosse, aquilo não tinha mais conserto porque perdera a base. Não vou fingir que não está doendo porque está, mas o que mais me dói é ter sido enganada e não a distância que se faz entre nós neste exato momento enquanto eu caminho para longe dele e, talvez, para mais perto de mim. O que me consola é saber que isso era inevitável, uma hora ou outra iria acontecer, pelo menos não sou eu a responsável por destruir o resto de sentimento que havia entre nós.
Coloco a mão na maçaneta a fim de girá-la e, de repente, ouço um gemido, rapidamente tiro a mão de lá, assustada com o barulho. Ele continua, procuro a origem do som e ao virar uma esquina do enorme estacionamento coberto do shopping me deparo com um homem encostado na parede extremamente machucado, os cortes desenham o rosto dele como se fossem rastros de borboletas, são irregulares, sua camiseta, que imagino um dia ter sido branca, agora está encharcada de sangue, e eu temo que seja o seu próprio sangue. Corro em direção a ele:
— Meu Deus, o que houve com você? – Digo assustada enquanto busco a fonte do sangramento. – Você está sangrando muito.
— Devia ter visto o outro cara – Ele responde em meio a uma risada e logo solta outro gemido de dor.
— Tente não falar – Peço a ele enquanto tiro meu casaco para pressionar o abdômen, ele tem um corte um pouco acima do umbigo e provavelmente vai ter que levar alguns pontos. – Venha, vou levar você para o hospital – Digo, ajudando-o a levantar.
Ele logo se esquiva de mim e cai no chão por não conseguir manter o equilíbrio, tento ajuda-lo e passo meu braço pela sua cintura.
— Ei, calma aí garota, nem sei o seu nome, me pague um drink primeiro e depois falamos disso – Responde rindo e gemendo, na sequência.
— Eu só quero levar você para o hospital, estou tentando ajudar. – Respondo.
— Eu não vou para hospital nenhum e não preciso da sua ajuda. – Disse se esquivando de mim de novo, eu observo o corte para ver se foi profundo e noto diversas tatuagens na área do peito e da barriga.
— Você pode pegar uma infecção se ficar aqui. – Tento convencê-lo.
— Se quer me ajudar, pode me dar uma carona. – Fala, impassível.
Pensei por um instante, ele estava machucado, não iria conseguir sair de lá sozinho, sem falar que a pessoa que o deixou assim podia voltar para terminar o que havia começado ou sei lá o que:
— Tudo bem, venha. – Me abaixei e passei novamente a mão pela sua cintura, ele, por sua vez, passou seu braço pelo meu pescoço e apoiou-se em mim. Abri a porta do banco carona e ajudei a sentá-lo lá, fechei a porta e fiz a volta rapidamente para dirigir o mais rápido possível temendo que o ferimento se agravasse, ele não parecia se importar muito com isso. Entrei no meu chevette 1993, liguei o carro e comecei a dirigir para fora do estacionamento:
— Então, para onde vamos? – Perguntei com as mãos firmes no volante.
— Para onde você quiser, gata. – Respondeu rindo.
— Isso não tem a menor graça, você não está com dor? – Perguntei o encarando.
— Mantenha os olhos na estrada, não queremos outro acidente. – Disso ele tem razão, mirei os outros carros que estavam na minha frente. – Continue em frente e vire a direta em dois quarteirões.
Ele continuou me guiando por cerca de 10 ou 12 minutos e então chegamos a uma construção de tijolos à vista, um prédio com janelas brancas e altas, acho que fiquei muito tempo analisando a arquitetura do lugar porque ele pigarreou e me encarou:
— Então, você vai me ajudar ou não? Estava tão ansiosa antes... – Falou enquanto me analisava. Abri a minha porta e fiz a volta no carro para ajudá-lo a sair:
— Aqui, pegue as chaves no meu bolso, por favor – Disse levantando o braço para me dar passagem, coloquei a mão em seus bolsos, parecia ter muitas coisas lá, menos uma chave – Ei, devagar aí, não precisa descer tanto, pelo menos espere até entrarmos em casa.
— Se você continuar com essas gracinhas vai ficar sozinho, tenha mais respeito por mim. – Exigi já irritada com as brincadeiras, quem ele pensa que é?! Eu estou ajudando ele e é assim que ele me agradece?
— Uhl, tudo bem, não precisa ficar tão esquentadinha, me perdoe se a senhorita não tem senso de humor – Disse tentando fazer uma reverência, mas apenas tentando pois teria caído na calçada se eu não o tivesse segurado. Saquei as chaves do bolso direito de seu jeans e caminhamos até a porta do seu apartamento, com uma mão em sua cintura e outra na chave, encaixei-a na fechadura, girei e empurrei. Logo que entramos avistei um sofá cinza, ajudei a deitá-lo no sofá e o encarei por alguns segundos:
— E o que você pretende fazer agora? Quer que eu chame alguém? – Perguntei com os braços cruzados.
— Não, eu posso cuidar de mim mesmo, isso vai passar.
— Não seja teimoso, precisamos limpar a ferida antes que infeccione – Disse, olhando pela casa em busca de um kit de primeiros socorros. – Você tem água oxigenada?
— O que você quer aqui? – Perguntou balançando a cabeça como se negasse o fato de eu ainda estar ali. O encarei, incrédula:
— Além de teimoso é extremamente mal-agradecido. Estou preocupada com você, um “obrigado” já é suficiente.
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