Me dê a sua mão...
14 Planos
Notas iniciais
***
O sorriso do menino foi aumentando cada vez mais, e Ana, sentindo seu rosto corar absurdamente mais do que antes, desviou o olhar novamente :
– Não fique brava, me perdoe!. Se desculpou o moreno. -Eu preciso de uma coisinha agora. Disse, atraindo o olhar curioso da ruiva.
– O que?. — perguntou e no mesmo instante o moreno roubou um beijo da menina, a surpreendendo completamente. Ela praguejou entre um sussurro e um sorriso escapou dos lábio do menino, tornando o beijo cada vez mais fundo. Ela não sentiu mais medo algum da montanha russa, e por um breve momento se perguntou se os planetas de desalinharam do sistema solar com esse beijo, esse pensamento a fez corar.
...
No dia seguinte, Tati se levantou da cama e cambaleou até o banheiro que possuía em seu quarto, se sentindo ainda com sono, adentrou o rosto na água gelada da pia e o secou rapidamente, voltando do mesmo modo até o quarto onde Ana mexia no seu computador :
– Como foi na montanha Russa? Você não me contou o porquê de ter saído de lá como um tomate de tão vermelha, até o Binho percebeu. Disse a morena, indignada com a atitude da amiga de não ter contado nada.
– Não houve nada demais, Tati. Mentiu, não tirando os olhos da tela do computador.
– Como assim nada de mais, ou o idiota do Thiago fez alguma coisa ou falou alguma coisa. Deduziu, se jogando na cama ao lado da amiga.
– É!. Respondeu a ruiva tão concentrada no que havia na tela que nem escutou o que a amiga havia dito.
– É?!. Respondeu Tati raivosa. — Você está me escutando?
– Claro que sim
– Então me diz o que falei antes de você responder.
– Oi? . Perguntou Ana, totalmente fora do assunto, Tati desligou o computador da menina e a mesma a olhou incrédula. — O que você pensa que fez?
– Nada!
– Nada? Tati! Eu estava fazendo um trabalho para meu pai. Repreendeu.
– Você não estava me escutando, o que mais eu faria?. Perguntou a morena se defendendo.
– Tudo bem.. pergunte de novo!. Disse a ruiva, tentando não mostrar sua raiva e se virando para a amiga. A mesma repetiu a pergunta. — Não houve nada de mais, apenas nos..
– Nos... ??. Reforçou Tati, incentivando a amiga a prosseguir.
– Nos... Beijamos!. Respondeu e pôs as mãos no rosto envergonhada.
– Isso não é motivo de vergonha!. Rebateu a morena se deitando ao lado da menina.
– Mas...
– Nada de mas, Ana. — Respondeu repreendendo a amiga. — Já está mais do que na hora de você corresponder à paixão do menino, isso pode te prejudicar muito no futuro! Entenda, já aconteceu comigo. Aconselhou Tati, dando um beijo na amiga e indo preparar o café da manhã de ambas.
...
Binho andava de um lado para o outro, não sabia como um homem poderia ser tão insuportavelmente mal, ele finalmente sentou no sofá e encarou o homem moreno com desgosto:
– Não adianta me olhar desse jeito, Binho. Respondeu Patrick, encarando o jovem com superioridade. — Você tem duas opções, ou colabora comigo, ou adeus a única pessoa que realmente faz parte da sua família.
– Você é um idiota!. Praticamente "cuspiu" as palavras. Ele sabia que não tinha escolhas, sua tia estava correndo perigo, e não tinha como abrir mão da única pessoa que realmente era da sua família.- E eu já disse, é Rubens para você!. Disse se levantando e caminhando em direção à escada.
–Pode ir, mas você sabe que não tem escolhas
–Eu sei... Tenho que... distrair a Tati. Suspirou baldo.- Não precisa me lembrar.
–Hum... Bom menino!.
...
Ana estava sentada na sua cama, depois de a mãe de Tati a ter trago de carro, ele estava pensativa, apreensiva e apaixonada, tão apaixonada que não tinha mais no que pensar além de Thiago, seus beijos, seus carinhos e tudo o que ele fazia. Ele exercia uma grande onda de nervosismo sobre a menina, e não tinha como negar que ele era tão bonito que não passava despercebido por nenhuma menina no Colégio. Isso não a deixava com raiva, mas também não a deixava tranquila, ver alguém não tirar os olhos do menino que você gosta não é nada prazeroso. Ela deitou na cama e deixou um suspiro escapar de sua boca, pensando no que Tati havia falado, " por que ficar apaixonar é tão... complicado? " pensou antes de ser interrompida pelo telefone tocando.
– Alô?
– Oi, Aninha, sou eu, tia Cinthia. Respondeu a mulher do outro lado da linha.
– Ah, oi.
– Tudo bem meu anjo?
– Tudo, Tia. E com você?
– Tudo sim, queria pedir um favor a você. Respondeu a moça, e como Ana ficou calada, ela prosseguiu.- Teria como você vir aqui em casa? É que eu tenho que sair e o Thiago está aqui, acho melhor você ficar aqui com ele do que ficar aí sozinha.
– Eu? ...Claro!
– Obrigada, Aninha. Disse a morena e logo desligou. Ana resolveu se aprontar, Cinthia sairia de casa daqui a 30 minutos, e ela só tinha esse tempo para se ajeitar. Como do lado de fora estava frio e chovendo, ela preferiu vestir uma calça legging Preta e uma blusa branca com um casaco por cima, fez um coque frouxo nos longos cabelos ruivos e olhou no relógio, ela estava 10 minutos atrasada :" Droga! ".Saiu apressada e atravessou a rua, a porta estava aberta, ela esperou ver Thiago ali sentado na mesa, mas não o viu. Lentamente foi subindo as escadas que levavam ao quarto do menino, deu uma leve batida na porta e obedeceu a voz do menino que dizia para ela entrar.
...
...
Antes de Cinthia ligar para Ana, a mulher e o filho estavam sentados na mesa, eles conversavam calmamente quando a morena tocou no assunto de Ana:
–Como ela está?
–Ela quem, mãe?. Perguntou Thiago, se fazendo de desentendido.
–Quem será, né. Respondeu cinicamente.- Ana, filho!
–A-Ana? Hum... Ela está bem. Respondeu desajeitado.- Eu acho.
–Eu a vi ontem, estava bem bonita quando passou por aqui , você não acha?
–É. Respondeu olhando para as mãos e quando se deu conta do que disse, arregalou os olhos logo em seguida.- Mãe!. Repreendeu o moreno enquanto Cinthia gargalhava.
–Você gosta dela. Deduziu a mulher, acertando em cheio e o menino corou.
–Claro que não. Mentiu.- Vamos mudar de assunto, eu queria..
–Nada disso, não adianta mentir , eu sei que você gosta dela, não adianta esconder de mim!. Respondeu enquanto chorava de tanto rir.
–Não acredito nisso, minha própria mãe rindo de mim, ah! me poupe disso. O menino arrastou a cadeira e se levantou indignado.- Deus!
–Me perdoe filho, eu.. Disse enquanto o menino subia, o mesmo fechou a porta do quarto e a mulher riu ainda mais, passando os olhos pela perfeita cozinha americana que eles tinham. A casa de Thiago era do mesmo modelo que a de Rubens, dois andares, espaçosa e muito bonita. A mulher se levantou para começar a se arrumar, quando ouviu o som do telefone tocando, saiu para o lado de fora onde, quando eram pequenos, Thiago e Ana costumavam brincar. A mulher estranhou o numero mas atendeu:
–Alô?
–Sra. Walker?
–Sim?
–Preciso que tenha mais cuidado com seu filho sozinho em casa, e tome mais cuidado ainda da sua preciosa anjinha ruiva que mora bem em frente a sua casa. A mulher estremeceu, quem seria do outro lado da linha?.
– Quem está falando?. Perguntou com a voz trêmula.
–Isso a senhora vai descobrir, já já.
...
Tati estava sentada do lado oposto ao de sua mãe no balcão da cozinha, ela estranhou o fato do telefone ter tocado a essa hora, não era tão cedo, mas geralmente era bem difícil alguém ligar agora.
–Oi?
–Tati?
–Sim!
–Sou eu, Binho. Tem como você dar uma passadinha na praça? Preciso.. Falar com você.
–Sobre o quê?. O menino hesitou, não queria ter que mentir para ela, mas era o único jeito, a morena percebeu a demora do menino e se questionou sobre o que estava havendo com Rubens.- Binho, o que houve?
–Hã... Nada. Eu só previsto que venha, tem como?
–Tudo bem, estou ai em dez minutos.
A menina desligou sem esperar pela resposta do menino, arqueou uma sobrancelha em duvida, como já tinha dito que iria, não tinha como voltar atrás. Tomou um banho e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, alguns cachos insistiram em cair, mas ela não se importou com o "cabelo rebelde" que tinha. Vestiu um short jeans e colocando uma blusa preta embaixo de um casaco também preto, saiu de casa rapidamente pois já estava atrasada, e sabia que o menino iria esgana-la se chegasse um pouco mais depois da hora. Assim que o avistou na praça, ela sentiu de longe o olhar irritado do menino, e disfarçou um sorriso para amenizar a situação:
–"Tudo bem, estou aí em dez minutos". Imitou uma voz enjoativamente fina, tentando imitar a menina. Ela riu, deixando o moreno cada vez mais irritado.
–Ei, minha voz não é assim, idiota!. Tentou repreende-lo, mas sua voz a traiu, a mesma segurava o riso enquanto ficava cada vez mais vermelha.
–Você pelo menos sabe diferenciar 30 minutos de 10?. Perguntou, ainda mais indignado.
–Sei!. Respondeu se sentando ao lado do menino.- O que você quer comigo a essa hora?
–Tati, para sua informação, ainda são 15:45, não é a hora certa de falar " a essa hora". Ironizou.
–Ai, Rubens, não enrola e desembucha!
–Hã?..eu só queria falar que..
–Que..?
–Hum... Eu meio que...
–Está acontecendo alguma coisa, Binho? Você está muito estranho. Disse, enquanto o menino queimava de raiva por descobrir a verdadeira intenção de estar distraindo a morena.- Binho?... BINHO!!!!
–Oi, o que houve?!. Disse tentando não direcionar muito o olhar para o final da rua, onde um dos capangas de seu "pai" estava parado conversando com Alice Adams, mãe de Tati, do lado de fora da casa.
–Como assim o que houve? Eu quem pergunto o que houve!. Respondeu irritada.
–Hum.. Tati, se eu te perguntar um negocio você vai ficar brava?
–Ai, meu Deus, Binho, pergunte de uma vez, criatura!
–Hum... Você pode me ajudar no trabalho de biologia?
–Mas Binho, não somos da mesma turma.
–Não me venha com essa, você é incrível em biologia!
–Tudo bem, tudo bem! E sobre o que é ?
–Amanhã eu te mostro, era só isso mesmo. Vamos, eu te levo em casa!. Disse se apressando em levar ela logo, estava abalado por ter que mentir para a morena.
–Mas...
–Nada de 'mas', venha logo. Disse o moreno puxando a do banco, e praticamente a arrastando pela rua. Ela se soltou dele, sem entender o que realmente estava acontecendo?:
–Será que tem como o espertinho aí me explicar o que houve? Você está estranho desde a hora do telefone. Eu vou te perguntar pela última vez. O que está acontecendo, Rubens?.
Ela o encarou, deixando o menino sem jeito, ele sentiu seu estômago se embrulhar só de pensar em contar a verdade para Tati, sem pensar duas vezes ele a beijou. Deixando a constrangida, decepcionada e ainda por cima culpada por isso tudo, Binho conseguiu despistar Jack — um dos seguranças de Patrick — e pode sentir Tati o empurrando , o rosto vermelho e os olhos lacrimejando:
–Deus! Me perdoe , Tati, eu..
–Você..? Que merda, Rubens! Você não parece nada bem hoje, percebeu o que você acabou de fazer?. Sua voz saiu mais embargada do que realmente queria, enquanto seu rosto ficava cada vez mais vermelho, foi quando ela pensou em Ana, e em Binho falando que gostava da ruiva, e em tudo que a deixava com mais raiva de si mesma, então uma lágrima solitária caiu.- Você é um idiota!. Respondeu, foi a única coisa que saiu de sua boca, enquanto se afastava dando passos para trás , mais lagrimas caiam, ela tropeçou e quase caiu mas logo depois saiu correndo.
–Merda!. Sussurrou Binho.- o que eu fui fazer?. Saiu correndo atrás da menina.- Tati! Espera, eu... A morena olhou para trás, sussurrou "quando você estiver em sã consciência, venha falar comigo" e continuou correndo.- Meu Deus, eu sou um idiota!. Balbuciou.
Quando Tati estava perto de sua casa, suspirou aliviada , teve que dar a volta pela outra rua para chegar, sentido as lágrimas arderem e caírem sobre suas bochechas incrivelmente vermelhas, ela riu e chorou ao mesmo tempo quando lembrou de Ana porque estava tão corada quanto ela geralmente fica, entrou em casa, e fez o máximo para sua mãe não reparar nela. Sucesso! Sua mãe nem a viu entrar, ela subiu as escadas e bateu a porta do seu quarto jogando-se na cama e se achando uma tremenda traidora.
...
– Será que poderia entrar?. Ana perguntou, quando abriu uma brecha da porta para poder observar o menino.
– Ah.. claro! Fique a vontade, ruivinha. Ana gargalhou, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
– Sua mãe pediu para eu ser babá de você hoje, o que exatamente você quer fazer hoje?. Sua voz saiu tão fina que vez o moreno se contorcer de rir.
– Minha mãe não fez isso!
– Ah se fez!. Ele bufou e bateu a Palma da mão no lugar vago ao seu lado, pedindo para que a ruiva sentasse ao seu lado.
– Eu estava pensando na proposta que a professora havia feito, ele tinha me pedido para ajuda-la com a turma do sétimo ano, ajudaria eles durante 2 dias na semana. Disse, suspirando lentamente enquanto encarava o caderno em sua mão. — Minha mãe disse que eu deveria descansar nessas férias, estou no último ano do ensino médio e que deveria pensar mais em mim do que nos outros. Deus, Ana! O que eu faço?
– Química?. Ela perguntou, mas sabia que a resposta era afirmativa, ele era apaixonado por Química, e a única matéria que explicaria para alguém seria essa.
– Não sei o que faço, estou confuso. Respondeu deslizando para baixo na cama e puxando Ana juntamente com ele.
– Sabe o que eu acho? Que você deve escutar seu coração. Aconteça o que acontecer, seu coração nunca erra. Respondeu, e um sorriso triunfante apareceu em seus lábios.
– Mesmo?
– Mesmo!. O moreno subiu em cima da menina, se apoiando com seu antebraço na cama.
– E se meu coração estiver dizendo: 'Beije-a agora, Thiago, não perca essa chance'?. Ana riu, ficando cada vez mais vermelha.
– Hum.. minha opinião não muda. Escute seu coração!. Um sorrisinho malicioso escapou, e, sem pensar duas vezes, a beijou. Instantaneamente a ruiva entreabriu sua boca, dando bem vindas à língua do menino, a mesma explorava cada pedaço de sua boca, como se estivesse tentando memoriza-la. Um suspiro saiu dos lábios de Thiago, fazendo o beijo se aprofundar cada vez mais:
– Talvez escutar meu coração não seja tão ruim. Sussurrou o menino, com a boca ainda colada na dela. O mesmo segurava a nuca da menina com uma das mãos enquanto ela fechou a dela nos cabelos do moreno, o incentivando a não parar, ele continuou, até o ar faltar e ele enfiar o rosto nos cabelos incrivelmente longos e ruivos de Ana, ele aspirou o cheiro de flores com açúcar mascavo dos fios liso dela e logo depois olhou para a mesma:
– Por um acaso seu condicionador/shampoo /creme é comestível?
– Não! Por quê?. Ele riu acompanhado pela menina. — Meu Deus, Thiago!. Se contorceu de tanto rir. O resto do dia foi calmo, com muitas risadas e tudo mais. Quando a buzina do carro de Cinthia tocou, Ana levantou da cama do menino rapidamente:
– Tenho que ir, provavelmente meu pai já chegou.
– Mas...
– Tenho mesmo que ir. Disse e logo depositou um beijo na bochecha do menino e desceu as escadas correndo. Precisava urgentemente falar com Tati.
...
Ana correu para casa, e viu seu pai na cozinha preparando o jantar, eram quase 18:00 e já estava escuro, a ruiva subiu as escadas e entrou no quarto, refez o coque e mandou uma mensagem para Tati avisando que estava indo para a casa da mesma. Quando já estava na casa de Tati, ela bateu na porta e foi recebida por Alice, subiu as escadas e bateu na porta do quarto da morena, ninguém respondeu, mais uma batida e nada. Ana desistiu e lentamente abriu a porta dando de cara com uma Tati deitada bruços na cama, seus cachos espalhados pelo travesseiro:
– Tati?. Perguntou, com uma certa preocupação visível em seus olhos tão verdes que era eminente seu reflexo neles — Ei, o que houve?. Perguntou novamente reforçando a preocupação, a morena se sentou na cama.
– Me perdoe, Ana. Foi tudo culpa minha, eu que deixei ele fazer isso, não era pra ter deixado que acontecesse, se eu ao menos não estivesse paralisado na hora isso não aconteceria. Mais lágrimas caíam de seus olhos cor de mel, hesitante, a ruiva se sentou ao seu lado confusa.
– Céus, Tati!. Balbuciou.- Do que você está falando?
– O Binho me.. beijou. Desabafou, ficando cada vez mais vermelha. — Eu sou uma idiota por ter ficado parada, ele não tinha o direito de fazer isso, somos amigos e não temos nada um com o outro, por que ele fez isso de repente?
– O Binho? Te beijou?. Perguntou mais confusa do que Tati. — O que você fez para ele beijar você ?. Ana estava confusa, mas a morena explicou tudo, desde a ligação até o beijo e as mensagens de desculpa .- Oh, Meu Deus!
– Não, Ana!. Respondeu, negando antes mesmo de ela terminar a frase, eles realmente não ficariam juntos, Tati nunca olhou para Binho desse jeito, ele só tinha olhos para Ana e nada mais.- Eca!. Por mais incrível que pareça, ela estava sendo sincera, não suportaria pensar em Rubens sabendo que ele ainda gosta de Ana, mesmo que eles não tenham chances, ela nunca faria isso com ele.
– Ah, Tati! Não tem motivos para ficar triste, eu não sinto nada pelo Binho.
– Eu sei, mas isso foi uma traição, eu juro que não queria mas ele foi rápido demais para eu tentar impedir e... Aconteceu!
– Tudo bem, Tati!
– Tudo bem? Você só pode estar brincando, eu beijei o idiota do Binho, ou melhor, ele me beijou e.. droga! E agora? E nossa amizade?. Dramatizou
– Vocês viviam brigando, não vai fazer nenhuma diferença!
– É, você está certa, mas ainda estou brava com ele. Disse, enquanto chorava e ria ao mesmo tempo.
– Eu sei que está!. Ana abraçou a amiga que está tão vermelha quanto ela mesma costuma ficar. — Nossa amizade não vai acabar por conta de uma bobeira dessas, você não vai se livrar de mim tão cedo.
– Espero que não!
– Mas.. como foi o beijo?
– ANA!!! Não é da sua conta!. Esbravejou. — E isso não quer dizer que foi bom, nada de brincadeirinhas, eu não estava com cabeça para pensar numa coisa dessas.
– Ai, desculpa, Sra. Não gosta de Rubens. Brincou fazendo a morena rir.
...
Um tempo depois, quando as férias haviam terminado, Tati ainda não falava com Binho por conta do ocorrido, o mesmo ainda estava arrependido mas ela não ligava, e se antes eles brigavam, agora então... Ana e Thiago ainda estavam naquele rolo todo, o moreno estava estagiando Química em uma escola não muito distante de sua casa.
Os 4 andavam pelo corredor da escola, se separando apenas para entrarem em suas salas, as meninas entraram na aula de matemática , sentando uma ao lado da outra :
– Oh, meu Deus!. Sussurrou Ana quando abriu o caderno da matéria, um enorme sorriso escapou de seus lábios sem nem mesmo pedir permissão, seus olhos se encontraram com o do moreno que estava a observando pelo lado de fora, ela corou como sempre e desviou os olhos do menino. — O que eu faço?
– Você vai aceitar, oras.
– Será?
– Claro!
Ela olhou novamente para o bilhete.
"Oi, Ruivinha. Você aceitaria dar um passeio comigo pela praça que tem aqui perto? Não aceito um 'não' como resposta, te pego na sua casa às 14:00. Beijos.
P.S. : Sairei mais tarde da escola, e meu recreio não vai ser no mesmo horário que o de vocês, então até mais.
P.S. : 2- Não vista uma roupa muito quente, use um short ou uma saia de preferência. "
...
Eram quase 14:00 e Ana já estava pronta, vestindo uma mini blusa cor pêssego acompanhada por um short jeans cintura alta com um cinto preto e uma sapatilha cor de pele. Seu cabelo estava solto e com um pequeno topete preso por uma grampo. O toque final foi uma maquiagem com sombra clara, um blush tom alaranjado e um batom pêssego. Ana estava descendo as escadas quando a campainha tocou, seu estômago revirou e se contraiu de nervosismo, ela atendeu a porta e lá estava Thiago, usando uma camisa polo azul com bermuda jeans. "Tão lindo quanto o céu, e as estrelas, e o universo inteiro" pensou Ana antes sorrir, o menino retribui:
– Deveria falar que você está linda, mas acho que disso você já sabe. Elogiou.
– Ah, obrigada!. Agradeceu envergonhada.
– Tenho uma surpresa para você, mas antes preciso que coloque isto. Disse, tirando do bolso um lenço Branco.
– Hum.. tudo bem. Respondeu, colocando o lenço como o menino pediu.
– Está vendo alguma coisa?
– Não.
– Ótimo!. Exclamou o moreno com um sorriso malicioso. — Por um acaso o espertinho ai está rindo de mim?
– O quê?. Disse, tirando rapidamente o sorriso do rosto.- Não! Hum.. Tá, eu estava rindo sim mas você disse que não estava vendo.
–Thiago, eu te conheço há, séculos? Então pronto!
– Tudo bem, tudo bem, você venceu!. Rendeu-se.- Agora eu serei seu guia, só me dê sua mão e confie em mim, ok?. Ana assentiu, pegando na mão do moreno e seguindo suas instruções até sentir cheiro de árvore, ar fresco...
– Chegamos, mas agora preciso que se sente aqui. Disse, ajudando a ruiva a se sentar. O menino ficou em silêncio enquanto ajeitava as coisinhas mais simples.
– Thiago?
– Sim?
– Quando eu vou tirar esse lenço ?
– Daqui a pouco, só espere um pouquinho. Ele riu e se sentou de frente para ela, antes de manda-la tirar seu lenço e sorrir.
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