Me apaixonei pelo professor
6 Perdida de vez
Notas iniciais
Hanabi fez questão de ouvir tudo o que eu tinha a contar e eu fiquei feliz por dizer cada detalhe. Ela acabou por dormir no meu quarto, junto comigo.
No que parecia ser nosso horário habitual, mamãe deu seus murros na porta e ouvi papai chamar nossos nomes. Tinha me esquecido que de agora em diante nós iriamos todos juntos para a mesma escola. Cutuquei Hanabi para ela sair de cima de mim e acordar de vez, mas ela continuou a dormir.
– Bom dia princesas! – meu pai entrou no quarto com um enorme sorriso no rosto. – Vocês vão ter que ir a pé hoje, por isso a Harumi acordou vocês mais cedo.
– “Mais cedo” e “ir a pé” não combinam na mesma frase pai! – Hanabi resmungou, com o rosto enfiado no meu travesseiro. Papai e eu rimos juntos. Levantei e acenei um “ok” para ele.
Não sei bem porque, mas acho que isso tem a ver com eles irem trabalhar lá. Talvez eles devam estar lá mais cedo que nós para organizar as coisas, ver as aulas e as sala. Essas coisas de professor. Já que é um pouco mais cedo que o normal, decido ir tomar uma ducha para preparar o corpo para uma caminhada. Mesmo com o chuveiro ligado, ouço mamãe chamando a Hanabi outras duas vezes e logo depois bate a porta para avisar que estão indo e que nos vemos lá. Grito em afirmação. Saio do banho e vou direto para o quarto me arrumar. Hanabi ainda esta deitada.
– Você é ainda pior que eu, demora um século pra levantar! – chacoalho o pé dela para fora da cama. – Agora é sério Hana, anda logo. Você tem... – olho no relógio do celular para me certificar. Estamos ficando atrasadas. – Você tem quinze minutos para se arrumar e tomar café, e se demorar eu vou te deixar aqui e depois você vai ter que se virar com a mamãe. –tento falar o mais dura e séria possível, pra mostrar que ainda sou a mais velha.
– Tá bom, tá bom! – ela levanta, parecendo uma múmia putrificada. – Está vendo, tô de pé!
Há passos mínimos ela segue para o banheiro. Visto meu uniforme, borrifo perfume por cima e passo algumas camadas de rímel para não ficar de cara limpa, só então finalmente desço para tomar meu café. Hanabi demora cerca de 10 minutos para aparecer na sala. Mete o café goela baixo e saímos correndo de casa, com bolsas e celulares a mão.
A escola não fica muito longe, mais isso quando vamos de carro. Ir a pé é necessário uma boa caminhada para chegar lá. Hanabi demorou tanto para levantar que ficamos atrasadas e isso resultou em sairmos de casa tarde, o que vai resultar em chegar à escola depois do portão ter fechado. Mamãe e papai não vão gostar nada de saber disso!
Vinte minutos depois chegamos ao portão, e como eu esperava estava fechado. Pelos meus cálculos faziam poucos minutos que haviam fechado, por isso talvez ainda nos deixassem entrar na primeira aula. Corremos para a secretaria e lá estava o diretor anotando os nomes dos atrasados.
– Qual o seu nome e sua sala? – o diretor cujo nome eu não sabia perguntou sem olhar para minha cara.
– Hinata Hyuuga. 3ºH. – ele olhou-me de inesperado e pensou no que falar.
– Você não é a filha do novo professor de física?
– Sim, eu e ela. – apontei para Hanabi, que estava a sorrir forçadamente para ele. — Professor de física e a de química. Nossos pais! – ele acenou com a cabeça e apontou para Hanabi dizer o nome.
Entramos ainda na primeira aula, o que é uma maravilha. Deixei Hanabi na sala dela e informei a professora sobre o que aconteceu, ela entendeu e deixou Hanabi entrar na sala. Sem muito ânimo fui para o terceiro andar. A porta da minha sala estava fechada e eu torci para que não fosse nenhum professor chato ou os meus pais. Bati a porta e entrei de vagar.
– Hinata?
– Presente! – exclamei, entrando e indo para meu lugar.
– Hinata Hyuuga?
– Sou eu! – conheço essa voz. Olhei para trás e fiquei paralisada.
Madara!
Para os olhos das outras pessoas isso era uma cena normal. Para nós era quase aterrorizante. A sala parecia girar e achei que ia desmaiar. Os olhos dele estavam quase para fora e a minha boca estava aberta. Sabia que isso podia acontecer. Sabia que o encontraria andando pelos corredores da minha escola, mas não sabia que ele iria me dar aula. Nunca imaginei, pois até então eu tinha um professor de Literatura, e não era ele.
– Hinata, vem sentar! – Tenten me chamou e sai do meu transe. Pude o ver abaixar a cabeça e balançar minimamente.
O que estávamos pensando?
Fui para o meu lugar e sentei do lado de Tenten. Ela começou a falar sobre coisas aleatórias que eu não prestei atenção. Fiquei olhando para a sala, a para ele. Não havia nenhum comportamento diferente, exceto eu.
Ele chamou a atenção da sala limpando a garganta. Pegou uma pilha de livros e foi entregando nas mesas.
– Bem, bom dia a todos! – começou a falar enquanto passava pelas mesas. – Ainda não me apresentei. Sou Madara Uchiha, professor de Literatura e darei aula a vocês durante todo o ano. Resolvi começar com esse livro porque sei que ele vai agradar grande parte da sala, se não toda. Ele não é um clássico, porem é muito famoso e está sempre na mídia literária. Alguém já ouviu falar ou já leu? – olhei o titulo e instantaneamente levantei a mão. — O que achou do livro, senhorita Hinata? – todos voltaram sua atenção para mim. Levantei, morrendo de vergonha.
– Mesmo não sendo um clássico, é um dos meus livros preferidos. Ele retrata bem o mundo novo que está escrito, a forma da escritora de detalhar cada parte do cenário que o livro é composto, é simplesmente fascinante. – ele acena a cabeça e diz um mínimo “Obrigado”.
Como pode? Ele parece tão bem com a situação, tão confortável que parece nem estar acontecendo. Sinto-me como se fosse explodir. Como se qualquer movimento meu fosse resultar em uma catástrofe. E ele? Ele está simplesmente igual. Isso sim que é autocontrole.
– Dando continuidade ao que a senhorita Hyuuga estava falando... A Hospedeira é uma distopia, ou seja, se passa em um mundo completamente diferente ao que vivemos. Ele junta ação, ficção cientifica e romance. E o que vamos abordar primeiro é o romance! Mas ai você pergunta: Porque o romance primeiro se antes de tudo temos que saber o que aconteceu para resultar nesse mundo em que eles vivem? – ele aponta para um aluno na primeira carteira e sorri. Como ele é lindo! – Boa pergunta! Vamos começar pelo romance porque o que vai importar, pelo menos agora, é como ele é retratado e não onde ele acontece. Entenderam a diferença?
O som uníssono da sala confirmando deixa o professor feliz. Que estranho falar assim... “Professor”. Eu sei que ele é meu professor agora, mas como vou chama-lo de professor se conhecia ele somente como Madara? E se algum dia eu deixar escapar alguma palavra carinhosa ou algum apelido fofo que eu venha colocado? Isso vai ser muito confuso.
O jeito como ele consegue manipular muito bem a situação me deixa mais confortável. Acima de ser o cara com quem estou saindo, ele é um ótimo professor e fala com perfeição a frente de uma sala lotada de gente. Ele é perfeito num todo. Não só eu noto isso, pois vejo as outras garotas da sala quase babando no livro a olhar para o meu... O meu professor!
– Bom, o trabalho de vocês vai ser ler até o capitulo 10 para a próxima aula, que deve ser na próxima sexta. Ou seja, vocês tem uma semana! – o sinal toca e ele pega as suas coisas. – Alguém poderia ir comigo para pegar o restante dos livros na biblioteca lá em baixo? – eu e mais três garotas levantamos subitamente. –Só preciso de uma! – ele sorri. – Vem Hyuuga.
As outras garotas sentam desanimadas e eu sorrio sarcasticamente para elas. Sei quanto isso pareceu infantil, mas não me importo. Saio da sala e dou de cara com a Ino na porta. Não havia notado que ela não estava na primeira aula. Ela sorri para mim, e arregala os olhos ao ver o Madara. Eu sei que ele é bonito e chama atenção, é impossível não olhar e sorrir.
Sigo-o e, depois que o corredor está novamente vazio, ele me espera para que possamos andar lado a lado.
– Tudo bem? – ele parece preocupado comigo, ou com a situação em que estamos. Não sei direito.
– Foi meio estranho entrar e te encontrar lá. Na verdade foi mais que estranho, foi assustador. – riu nervosa e ele me acompanha. – Como você está?
– Exatamente na mesma situação que você. – ele sorri. Ele parece muito mais confortável que eu.
Entramos na biblioteca e ele acena para a mulher idosa que cuida da sala, deposita suas coisas em cima da mesa e segue para um corredor no final da ultima ala. Vou atrás, procurando-o entre as estantes.
Sua mão envolve meu pulso e sou puxada para um canto meio escuro do lugar abarrotado de livros. Ele segura-me pela cintura e me beija ali mesmo. Sou trazida para o doce gosto da sua boca e a adrenalina toma conta do meu corpo. Estamos na escola. Ele é o professor novo e eu a aluna do terceiro ano. Ele deve saber das consequências que isso pode trazer. Eu também sei, mas me nego a parar o beijo. Seguro nas costas dele e passeio a outra mão pela nuca, agarrando o seu grande cabelo.
– Estava com saudade! – ele sussurra entre o beijo.
Antes de conseguir responder, ouço passos e o afasto de mim, arrumo meu cabelo e minha roupa e ele parece me imitar. Finjo estar procurando um livro e ele atravessa o corredor.
– Ah, professor! – a voz parece ser da idosa que estava lá na frente. – Vi que você é novo aqui na escola e que já tinham deixado seu material para a aula separado. Procura por A Hospedeira? – ela chega à ponta do corredor em que estou e finalmente consigo vê-la. Com o óculos na ponta do nariz, ela sorri.
– Ah, sim! Poderia me dizer onde está? Tenho que entregar a ela para dar ao resto da sala. – ele sorri e acena na minha direção. Ela olha para eu e pede para segui-la.
Viro para trás disfarçadamente e passo a mão na testa, em brincadeira com o Madara. É só o primeiro dia e quase fomos pegos. Deus esteja com a gente.
Ele sorri e começa a andar atrás de mim.
Pego os livros e volto para a sala. Peço licença para entrar e vejo que é minha mãe na mesa do professor.
– Hinata, é a sua mãe mesmo? – alguém do fundo, que não reconheço a voz, pergunta. – Vocês tem o mesmo nome. – sorrio para minha mãe e ela parece feliz por eu aceitar que trabalhasse aqui.
– Sim. É minha mãe! – admito. – E o novo professor de física também! – entrego os livros aos que faltavam e sento no meu lugar novamente.
As pessoas começaram a me olhar de uma forma diferente, e quando presto atenção na conversa de alguém, escuto um comentário sobre como nossos olhos são idênticos. Já estava me acostumando com a comparação que faziam de mim e Hanabi, agora vou ter que aguentar também sobre meu pai e minha mãe.
Sento ao lado de Ino e Tenten, em frente a minha mãe e ela volta a explicar matéria nova. Mamãe começa a passar matéria na lousa e Ino comenta baixinho:
– Meninas que professor é aquele que vi saindo quando entrei na sala? Deus do céu, como é lindo! – uma ponta de ciúmes dominou meu corpo e fez minha mão formigar. Sei que ela não sabe que é ele que eu estou junto, mas mesmo assim fico com vontade de bater nela.
– Se viu só? – Tenten sorri para ela. – Ele é o professor novo de Literatura. Madara Uchiha! Deve ser o tio que o professor Obito havia falado, lembra? –ela acena a cabeça loira e eu sorrio para disfarçar meu ciúme.
Elas continuaram a falar e eu apenas parei de prestar atenção. Tenten sabia o que ele era meu, só ainda não tinha associado o nome com a pessoa. Lembro que quando estava me arrumando para ir me encontrar com ele, ela e Hanabi viram a mensagem que ele me mandou. O nome dele estava lá. Quantos Madara’s Uchiha’s podem existir? Se ela pensar um pouco conseguirá ligar tudo.
Mamãe sentou a nossa frente e começou a fazer a chamada. Isso é tão estranho quanto ver o Madara aqui.
– O Diretor veio me contar que você e sua irmã chegaram atrasadas. – ela falou baixo para não parecer vergonhoso para mim, mas ainda sim me olhou com um olhar assustador.
– Ah mãe, tudo culpa da Hanabi. Briga com ela, pois depois que vocês saíram e eu sai do banho, ela ainda estava deitada babando no meu travesseiro. – forcei um pouco para a culpa cair totalmente em cima dela.
– Vou falar com ela! Se for todos os dias assim... Vai ser difícil! – ela suspirou e o sinal tocou.
A terceira aula foi vaga, por isso descemos para ficar no pátio da escola. Tenten começou a ler o exemplar que o Madara pediu e Ino foi ficar com o grupinho de garotos que adoravam games. Sentei em um banco em frente à escada e vi Hanabi descendo. Ela correu até mim toda eufórica e balançando os braços.
– Hina, Hina! – quase gritou meu nome, com os olhos claros arregalados.
– O que foi garota?
– Você viu quem está ai? – ela colocou a mão na boca.
– Quem?
– O Madara. O seu sei lá o que!
– Ah, eu o vi!
– E você está assim? Toda tranquila? – ela perguntou, quase colando seu rosto contra o meu de tanta indignação. – Você tem noção do que ta acontecendo? Mamãe, papai, seu professor-namorado e você. Todos. No. Mesmo. Lugar.
– Sim, eu tenho noção do que está acontecendo – riu para ela e ela parece chocada. – Se você ficar quieta não vai acontecer nada. Só você sabe, nem Tenten, nem a Ino. Então... Shhh! – coloquei o indicador sobre a boca para mostrar como ela deveria ficar.
Ela acenou para mim e me deu um abraço. Não entendi porque, mas retribui e falei para ela subir. Preciso que ela fique quieta. Preciso não, necessito disso. Se ela contar vai tudo por água a baixo. Nossos pais, o Madara, eu e ela. Tudo.
O restante das aulas passou como água numa cachoeira. Peguei minhas coisas e sai da sala, esperando junto com minhas amigas, Hanabi no segundo andar. Quando ela nos avistou, veio correndo. Kiba veio em direção a Ino e passou sua mão pela cintura da minha amiga loira. Não acredito que eles estão juntos. Preciso conversar com ela depois!
Tenten diz para mim que precisa passar no banheiro e pede para esperarmos ela no estacionamento em frente à escola. Ino se despede, e baixinho falo no ouvido dela que precisamos conversar sobre seu novo namorado.
Esperamos alguns minutos quietas, até Hanabi me cutucar e apontar em um direção. Olho para o que ela aponta e vejo Madara e uma mulher loira a segurar-lhe no pescoço. Meu ciúmes ferve dentro de mim. Não sei quem ela é nem o que ela está fazendo, só quero tirar-lhe de cima dele e depois bater-lhe até sangrar. Desde quando fiquei tão agressiva assim? Não sei.
– Ih, então ele tem alguém! – Tenten ri baixinho, enquanto se aproxima da gente. – É claro que tem. Como um homem lindo desse jeito poderia estar solteiro? Impossível!
Fuzilo-a com os olhos, porem ela não estranha nada. Como ela pode achar estranha uma coisa que não sabe que existe? Não tem como!
Hanabi olha para mim sem saber o que fazer. Luto comigo mesma para não ficar parada a olhar, mas para agir, fazer alguma coisa que preste. Sou tão medíocre nesse aspecto!
Observo-o se movimentado para tirar a mulher extremamente peituda de cima dele, e isso até que me alivia. Ele está a rejeita-la! Seus olhos percorrem o espaço quase vazio e encontram os meus. Uma expressão de pânico e preocupação domina seu rosto. Faz um dia que estamos juntos e isso acontece.
Onde eu estava com a cabeça? Nós nem nos conhecemos, como podemos estar a namorar? Como vou saber se esse tipo de situação será frequente? Não tenho como saber, porque não o conheço suficientemente bem.
Estou irritada comigo mesma e definitivamente é a gota d’agua quando vejo a mulher beija-lo.
Hanabi abre a boca e olha deles para mim num instante. Viro-me e começo a andar. Quero chorar, mas não quero parecer uma boba para Tenten. O que ela pensaria? Ah, ela esta chorando porque viu o professor gato beijando uma mulher! Quão ridículo isso soa?
Suspiro e vou para a parada de ônibus sem dizer uma palavra. Tenten e Hanabi me seguem. Elas começam a conversar e eu forço-me a engolir minha lagrimas. Vasculho minha bolsa atrás de dinheiro para a nossa passagem e acho o suficiente para nós duas.
Tente se despede e vai embora, sem nem perceber minha angustia. Agradeço a mim mesma por parecer tão controlada. O ônibus chega e avisto dois lugares. Hanabi senta ao meu lado e eu não aguento e começo a chorar.
Algum tempo depois chegamos em casa. Não faço ideia se demorou ou não, pois entre as lagrimas e soluços acabei por adormecer encostada na janela. A caminhada que temos que fazer do ponto de ônibus para casa parece uma eternidade, e depois daquilo o que eu mais quero é que o dia passe o mais rápido possível.
– Você vai falar com ele? – Hanabi quebra o silencio.
– Por que eu deveria? Não fui eu que beijei outro homem no nosso segundo dia de namoro. – mando, com raiva. Não dela, mas sim dele e daquela loira.
– Ele tentou se soltar dela. Ele não queria... – ela para de falar de vagar e olha para frente.
Estou com medo, mas sigo o olhar dela. Estamos quase em frente de casa e há um carro estacionado em frente a ela. Não posso acreditar que é ele. E se for ele? O que vou fazer? Não sei como agir a isso.
– Vou entrar! – Hanabi diz ao pé do meu ouvido e pega minha bolsa. Balanço a cabeça, afirmando.
Paro em frente à escada que leva a porta de casa e olho para ele. Não queria olhar, muito menos se lembrar do nosso beijo em meio a estantes cheias de livros velhos e todos os outros beijos que demos entre ontem e hoje. Não quero lembrar-me da forma apaixonada que ele segura meu rosto enquanto me beija ou do gosto doce que tem sua boca. Abano a cabeça levemente para afastar esses pensamentos.
– Desculpa! – ele dispara. – Eu não queria aquilo. Tentei tirar-me dela, mas não consegui até ela me beijar e empurra-la para longe. – ele começa a andar em minha direção, mas dou um passo para trás.
– Quem é ela? – pergunto. Minha voz fraqueja e sinto meus olhos arderem novamente. Quero chorar outra vez, mas não posso não na frente dele.
– Ela é minha ex-noiva! – ele abaixa a cabeça.
Noiva? Ele tinha uma noiva? Como eu não sabia disso? Meu sangue esta fervendo outra vez.
– Ela é maluca. Sempre que me acha faz isso. Ela é uma louca! Depois qu-
– Ei, olha só quem está aqui! – minha mãe caminhava em nossa direção. As coisas não poderiam ficar piores! – Como achou nossa casa? – ela produz uma risada estranha, um misto de curiosidade e preocupação.
– Ah, já se conheceram mãe? – intensifico o tom da palavra para ele saber quem é a pessoa que está agora no meio de nós. O sorriso dele é forçado.
– Ah, sim. Conversamos hoje lá na escola. – ela sorri. – O que lhe devo a visita?
– Ah, não, nada! Vim passar na casa de um parente e vi suas filhas voltando para casa. Foi apenas coincidência. – ele ri, para parecer descontraído e eu me acompanho a ele. Minha mãe sibila um “Ah!” e continua a sorrir. – Bom, tenho que ir! Boa tarde ai pra vocês, até amanha! – aceno bem desanimada e mamãe me acompanha.
Entro para casa correndo e vejo Hanabi sentada no sofá da sala. Ela faz menção em começar a me perguntar coisas, mas para ao ver mamãe entrar logo atrás de mim.
Subo correndo para meu quarto e me jogo na cama. Quero chorar, sei que é cedo para ficar chorando por ele. Mas apenas quero sentir a pequena dor no meu peito.
Se quero manter essa relação, vou ter que ter paciência. Mas não é esse o ponto que eu tenho que estar. A questão é: Quero manter esse relacionamento?
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