“Estou tão cansada de estar aqui

Reprimida por todos os meus medos imaturos

E se você tiver que ir embora

Eu queria que você simplesmente fosse

Porque a sua presença ainda permanece aqui

E ela não me deixa em paz

Essas feridas parecem não curar

Essa dor é muito real

Existe tanta coisa que o tempo não pode apagar

Quando você chorou, eu enxuguei todas as suas lágrimas

Quando você gritava, eu lutava contra todos os seus medos

E eu segurei sua mão durante todos esses anos

Mas você ainda tem tudo de mim”

(My Immortal)




Bonnie

Depois de um bom banho demorado, coloquei meu pijama favorito e fui me deitar. Entretanto, tive dificuldade para dormir. Eu ainda estava remoendo aquela conversa da Abby sobre Perdoar quando ouço um barulho irritante na janela do meu quarto. Penso em ignorar, mas o barulho se transforma em um cântico de um pássaro que me dá arrepio. Meu coração acelera meio assustado e meio ansioso, afinal, eu me encontrava sozinha já que minha mãe havia saído para caçar algum bicho noturno.

No fim, crio coragem, me levanto e vou até a janela. Na hora que puxo a cortina, dou de cara com um corvo que, rapidamente, voa para uma árvore que ficava bem em frente da minha casa. Meus olhos, logo, o encontram lá em baixo, vestido com a sua jaqueta de couro, cabelo preto arrumado impecavelmente e seu rosto perfeito e, eternamente, jovial.

— Olá, Bon-Bon. — Damon grita e eu fico envergonhada que os vizinhos escutem. Já é bem tarde, algumas casas já estavam no escuro, uma ou outra permanecia com a luz acessa. Eu me recuso, não quero falar com ele, fecho a janela e puxo as cortinas, decidida a voltar para a cama. Na verdade eu só queria me livrar daqueles sentimentos e esquecer-se dele, só que o vampiro resolve bater na porta com persistência e força.

Me desespero com medo que ele vai arrombar e invadir, afinal, eu já deixei aquele vampiro entrar outras vezes e agora me arrependo disso. Ou seja, nada poderia impedi-lo de entrar. E agora o que eu faço? Não tenho mais o meu celular e nenhum outro telefone na casa. Então, vou a procura do celular da Abby, mas infelizmente, não o encontro.

— Bonnie, sou só eu... Damon, seu melhor amigo. — Eu paro diante da porta ainda fechada, ouvindo a voz dele. — Eu posso ouvir o seu coração acelerar e a sua respiração ofegante. Você ainda está com medo de mim?

— Olha, eu... — Eu crio coragem para falar, mesmo que minha voz soe um pouco falha. — O que você quer?

— Eu senti a sua falta e... Eu só quero falar com você, Bonnie. Eu preciso falar com você.

— Eu quero que você vá embora e me deixe em paz! — Eu grito mesmo sabendo que Damon era um cara impulsivo, arrogante que era incapaz de respeitar os meus limites.

— Eu não posso ir sem... ao menos te ver. Eu sei que... — Então, percebi que pelo tom da sua voz, Damon também estava nervoso. — Bonnie, sei que te magoei, mas eu quero consertar a nossa amizade. Porque você é uma das pessoas mais importantes da minha vida. — O vampiro fica em silêncio por um momento, me deixando agoniada e na dúvida se ele ainda estava lá fora. Até que ouço a sua voz, novamente.

— Tudo bem se você não quiser abrir a porta. Eu só preciso que você me escute...

“Que escolha eu tinha?!” Suspirei me sentindo derrotada, mas não abri a porta, pois eu ainda não estava pronta para encara-lo cara-a-cara.

— Eu sei que você não confia mais em mim e que sente medo. — Continuei em silêncio e apenas deixei que ele falasse. — O Stefan me disse que você passou por uma fase bastante sombria e depressiva... Eu não quis acreditar, porque estava acostumado a vê-la sendo sempre a bruxa destemido, que lutava não só para proteger os seus amigos, como também pela sua própria vida. — Suas palavras me encheram de lembranças dolorosas que eu gostaria de deletar da minha mente. — E eu sei que isso tudo foi culpa minha. Eu não deveria ter te deixado. Você não imagina o quanto me arrependo disso.

— Eu também me arrependo de muitas coisas... — Murmurei para mim mesma, esquecendo que o vampiro tinha uma super audição.

— Eu sei, Bonnie. Eu escutei a sua conversa com a Elena. Eu ouvi você dizer que se arrependia daquela noite de Natal que passamos juntos e que... eu dormi na sua cama...

— Para! — Eu grito determinada a por um ponto final naquela conversa. — Eu já disse que me arrependo daquela noite. E eu quero esquecê-la!

— Por que você quer esquecer da última vez que fomos felizes? — Mais uma vez, Damon conseguiu me pegar de um jeito tão inesperado que não consegui refutar a sua pergunta. — Eu não acredito que você, verdadeiramente, se arrepende. Eu me lembro perfeitamente de como nos divertimos, de como você se entregou para mim. Você estava tão linda e sexy. — Posso ouvi-lo sorrir e meu coração fica todo agitado. Me sinto tonta e preciso encostar as minhas costas na porta em busca de apoio. — Você me hipnotizou com toda a sua beleza indomável. E eu me senti o cara mais sortudo do mundo por ter você nos meus braços.

Por um instante, o silêncio pesou entre nós. Eu continuo me apoiando na porta, porque minhas pernas estão bambas e meu coração está inquieto. Fecho os meus olhos e penso em como me livrar dele e das suas indagações. Por fim, chego a conclusão que seria idiota se me permitisse acreditar nele e em suas palavras doces.

— Uau, lembrei agora que você é um vampiro muito sedutor e bom em manipular as pessoas. — Resolvi retrucar com ironia e aproveitar que a porta continuava sendo uma barreira que me protegia de encará-lo fase a fase. — Só que eu não quero viver como a Elena presa na sua teia de sedução e manipulação. Eu quero ser livre disso!

— Ei, espera! Agora você está sendo muito injusta comigo.

— O quê?! — Indago indignada.

— Eu admito que cometi muitos erros... Mas, o que aconteceu naquela noite entre a gente... essa culpa eu não carrego sozinho. — Eu abri a boca para contrariá-lo, mas Damon frustrou os meus planos com a sua tagarelice audaciosa. — Acho que você se esqueceu que “Naquela Noite” foi você quem me beijou primeiro. Eu estava me sentindo um homem miserável, pessimista com o futuro. Mas, você quis me consolar com as suas palavras gentis, a sua esperança inabalável e o seu beijo doce e molhado. — Agora eu estava tentada a abrir a porta e esmurrar a cara de pau dele. — Foi VOCÊ quem me seduziu naquela noite com o seu corpo cheiroso, quente e cheio de vida. Com a sua boca atrevida e a sua presença poderosa...

Eu queria contestar as suas afirmações. Entretanto, de repente, minha mente é dominada por vários flashbacks daquela noite fria de Natal:


“Sinto muito por Elena não estar aqui com você. Se eu pudesse...” Naquela época eu ainda me sentia culpada por Elena ter ficado em coma mágico. Afinal, Kai Parker o sociopata, jogou um feitiço sobre nós duas e forçou Damon a ter que escolher entre salvar a sua namorada, ou salvar a sua melhor amiga.

“Ei, não se culpe. Eu já disse isso pra você... Não é justo se culpar por algo que você não tem controle.”

E lá estávamos nós, embaixo daquela fina neve que caia sobre a cidade, discutindo nosso passado complicado.

“Damon, obrigada por ter salvado a minha vida...”

“Eu nunca vou me arrepender de salvar você, Bon-Bon. Eu sei que eu fiz a escolha certa, porque você é como um pedaço da minha alma. E perder você seria como perder a mim mesmo.” Eu me lembrei das suas palavras sinceras que tocaram tão, profundamente, o meu coração e que foi capaz de fazer eu cometer a loucura de ousar beijá-lo...



— Eu tenho como provar que, dessa vez, eu sou pelo menos um pouquinho inocente. — Mas, então, sou puxada de volta para a realidade, onde Damon continua do outro lado da porta, perturbando a minha noite. E o pior ainda está por vir, porque a conversa toma um rumo, totalmente, inesperado.

— Querida Elena, quero lhe contar um segredo. Um segredo que irá mudar tudo entre nós... — Assim que reconheci aquelas palavras, eu fiquei tensa. — E naquele instante, estando tão perto dele, sentindo meu coração pulsar agitado por cada toque, olhar, ou cada palavra, sem pensar em mais nada, eu fechei a distância entre nós e... Eu beijei Damon Salvatore, o vampiro sexy e namorado da minha amiga... — Imediatamente, eu abri a porta, desesperada para arrancar o Diário das mãos dele que me encara com um sorriso sarcástico.

— O que você está fazendo com esse diário? Me devolve ele! — Num piscar de olhos, o vampiro já estava dentro da minha casa, eu feito uma boba, passo a persegui-lo, só que ele é mais alto e rápido para se desviar de mim. E o pior... Damon estava se divertindo com isso.

— Espera! Essa é a minha parte favorita... — Ele para e me encara, antes de abrir na última página, sem me dar tempo de alcança-lo, ou impedi-lo de ler. — Foi só ao ter os lábios dele nos meus, que percebi o quanto eu o desejava, apaixonadamente. Eu senti nesse beijo que eu queria fazer Damon se sentir feliz e amado...

— Seu idiota! — Eu encaro seus olhos azuis e ele sorri torto. — Você roubou isso da Elena, não é? — Porque não consigo imaginar ela dando o diário a ele. Só se fosse para me humilhar. A simples ideia disso me faz atacá-lo. — Isso é algum tipo de vingança? Vocês dois devem ter se divertido lendo toda essa besteira! — Vou para cima dele, batendo em seu peito com toda a força que tinha. Num momento, acerto um tapa em seu rosto, minha mão dói, porém não consigo me conter. Preciso extravasar toda fúria que está presa dentro de mim.

— Isso não é besteira! — Damon sem nenhuma dificuldade consegue segurar os meus pulsos e me puxar para perto dele e de seu rosto bonito. O diário cai no chão. — É a coisa mais linda e triste que eu já li na minha vida. — E, dessa vez, ele não é sarcástico, pelo contrário, há um carinho e intensidade hipnotizante em seu olhar que me deixa perplexa.

— A verdade é que... — Eu desvio o olhar, me sentindo envergonhada e com raiva. Raiva de mim mesma. — Quando escrevi toda essa besteira, eu achava que ia morrer. Eu estava pronta para tirar a minha própria vida... para que você fosse feliz com a Elena. — Não consigo disfarçar a minha amargura.

— Eu sei... E ainda bem que você falhou... — Eu volto a encara-lo, chocada com a tranquilidade que ele diz aquelas coisas, depois tento escapar de suas mãos.

— Me solta! — O vampiro, claro, não me deixa ir.

— Bonnie, quando eu estava preso dentro da Pedra Fênix... eu tive que enfrentar os meus piores pesadelos e descobri o meu maior medo. — Eu continuo me debatendo em seus braços, então, ele resolveu girar o meu corpo, fazendo minhas costas se chocarem contra o seu peito, assim me abraçando forte por trás.

— O motivo pelo qual eu fui embora, não foi por causa da Elena. Foi porque de repente eu percebi que, o meu maior medo… não era viver num mundo sem a Elena. — Sinto sua respiração quente em meu pescoço, fecho os meus olhos e me sinto tonta. Não consigo escapar dos seus braços. — O meu maior medo, era na real viver sem a minha bruxinha, sem a minha melhor amiga. — Damon continua a sussurrar em meu ouvido me deixando arrepiada pelo seu toque e trêmula pelas suas palavras. — Eu não queria estragar a sua vida e eu achava que não merecia alguém como você.

— Para de falar! Para de falar! — Eu estou suplicando e tentando resistir.

— Eu fui embora acreditando que você estaria melhor sem mim. E eu esperava que você tivesse uma vida feliz. — Damon me vira e me faz encara-lo. — Porque você Bonnie Bennett, é uma mulher incrível… Eu me apaixonei por você, bruxinha. — Meu coração ameaça sair pela boca, meu corpo está tremendo e suando, quando vejo seus olhos tão cheios de sinceridade e carinho.

— Por favor, me perdoe por todas às vezes que eu fui um babaca com você. — Por um instante, ficamos em silêncio, até que vislumbro seus olhos azuis desviarem para os meus lábios. Era como se uma força avassaladora o atraísse para mim.

Então, dessa vez, é ele quem me beija. Um beijo faminto, que rouba toda a minha razão, que me deixa de perna bamba. Uma de suas mãos se enroscam em meu cabelo, a outra desliza até a minha cintura, colando ainda mais nossos corpos. Não consigo resistir, retribuo o beijo com a mesma fome e saudade. É aí que percebo o quando senti a falta dele.

Enquanto nossas bocas continuam conectadas, sinto suas mãos ágeis abrir o meu roupão. Tudo é tão rápido, que nem percebo o momento em que Damon se livrou da sua jaqueta de couro e de sua camisa deixando exposto seu peitoral pálido e frio, depois ele me pega em seus braços, consequentemente, entrelaço minhas pernas em sua cintura.

— Bon-Bon, como eu senti a sua falta. — Ele murmura roucamente, antes da sua boca deslizar dos meus lábios para o meu pescoço. Estou entorpecida pelo seu cheiro, pelos seus toques, pelo seu corpo.

Minutos depois, deixo que Damon me carregue para o quarto, me deite na cama e termine de me despir. Não há espaço para timidez, estou tão entorpecida pelo momento, que apenas deixo o meu desejo e a saudade que sentia por aquele vampiro me guiaram.

Em seguida, nossos corpos nus se unem, lascivamente, minha pele febril se move sem pudor cheio de volúpia sobre a sua pele fria e perfeita. E, naquele momento, me sinto poderosa, desejada e, surpreendentemente, amada por aqueles olhos azuis arrogantes. Eu, novamente, me entrego a Damon Salvatore, numa união de corpo, alma e coração. Entretanto, quando aquele momento sexual e apaixonado acaba e eu estou deitada em seu peito, cansada, ainda ofegante e com o meu coração martelando, incessantemente. Então, novamente, me pego pensando na conversa que tive com Abby mais cedo sobre Perdoar e seguir em frente.


“Será que eu estava pronta para perdoar?”


— Uau, isso foi uma reconciliação perfeita. — Damon brinca fazendo cócegas em minhas costas. — Bruxinha, você também sentiu muito a minha falta, hein! — Ele é presunçoso, mas eu só reviro os olhos e resolvo permanecer em silêncio, ainda me recuperando do nosso momento tórrido de amor. — Bon-Bon, me desculpe por ter ido embora. Não vai acontecer de novo. Eu prometo. — Sua voz é suave e suas mãos ainda continuam me segurando firme. Fecho os meus olhos e me permito adormecer nos braços de Damon Salvatore.


Todavia, enquanto durmo, tenho um pesadelo com a Sentinela aparecendo e me confrontando, com uma verdade estarrecedora que não estava pronta para enfrentar:

”Então, Bonnie... foi para isto que você voltou?” Ela surge sob a forma de meu reflexo no espelho. “É essa vida que você quer? Viver ao lado de um vampiro pela eternidade?”

“Não!” Eu respondo sem pestanejar.

“Mas, se você ficar ao lado de Damon Salvatore, é isso que vai acontecer. Você estará predestinada a virar uma vampira.” De repente estou encarando; não mais o reflexo da Sentinela; mas sim uma versão minha transformada com aqueles olhos e expressão monstruosa e as presas de vampiro e, acima de tudo, estou toda suja de sangue.

“Você está pronta para se transformar nessa predadora assassina?"




Notas finais
Quando comecei a escrever essa história fiquei imaginando como seria se Damon tivesse em suas mãos as páginas do Diário que Bonnie escreveu para Elena. Bom, agora já sabemos. Será que essa foi uma vingança da Elena entregar o Diário para Damon? O que vcs preferem para o final: Bonnie virando vampira, ou Damon virando humano? O próximo capítulo será o penúltimo. Bjus!