Me Traga à Vida
8 Meu Coração se Partiu
Notas iniciais
"Eu me afastei pra superar a dor
Eu fecho meus olhos e só me afasto
Sobre o medo que
Eu nunca vou encontrar um jeito de curar minha alma
E eu vou vagar até o fim dos tempos
Virar as costas pra você
Meu coração se partiu
Durma bem, meu anjo sombrio"
(My Heart Is Broken)

A Sentinela
Os próximos quatro dias, a gangue passou se revezando em vigiar o sótão. Porém, depois das tentativas frustradas de Damon e Abby, ninguém mais tentou entrar na mente de Bonnie e, portanto, decidiram dar um tempo para que todo mundo descansasse.
O problema era que a Sentinela não queria trégua. Ela queria fugir, necessitava sair para caçar vampiros. No entanto, a Entidade não tinha forças para sair dali e, cada vez mais que ficava presa, mais sentia que a conexão com a Pedra da Fênix estava enfraquecendo. Provavelmente, alguém estava tentando quebrar esse vínculo e isso a deixava ainda mais furiosa.
Já que a Sentinela não podia fugir, ela resolveu jogar o mesmo jogo dos vampiros, ser tão perversa e manipuladora como eles. Ela iria atingir o ponto mais fraco do grupo que, nesse momento, era o corpo de Bonnie.
Todo mundo estava preocupado porque já fazia quatro dias que Bonnie não se alimentava e nem bebia água. Sua expressão era doente, seu corpo estava cada vez mais magro.
—Se ela continuar assim, ela pode adoecer. — Caroline reclama. — Acho que seu irmão tem razão. Talvez, a gente devesse enfiar a comida na goela dela.
—O quê? — Stefan arqueia as sobrancelhas grossas, numa expressão de perplexidade. — Você, Caroline Forbes, está concordando com o Damon?! — E depois ele ri, achando isso engraçado.
—Ah, para Stefan! Não ri de mim. — Ela reclama, mas abre um sorriso que faz surgir covinhas em seu rosto perfeito. — Eu só quero que essa Entidade pare de maltratar o corpo da minha amiga. — Os dois vampiros estão sentados perto da porta, do lado de fora do sótão, vigiando a Sentinela. — Já pensou se a Bonnie ficar igual aquela garota do filme do Exorcista? — Agora ela conseguiu provocar uma gargalhada em Stefan.
—Pena que o caso da Bonnie, não pode ser resolvido nem com a ajuda do próprio Papa. — Stefan para de rir e volta a ficar com a sua típica expressão preocupada. — Eu acho que a Sentinela está fazendo isso de propósito. Ela vai usar a Bonnie para nos atingir.
— Que droga! O que a gente faz agora? — Caroline encosta sua cabeça no ombro de Stefan e entrelaça as suas mãos.
—Talvez, você e Elena deveriam tentar falar com ela…
— Ah, e acabar presa em algum joguinho mental dela?! — Caroline tem medo de perder o controle da situação. — Eu e Elena já debatemos sobre isso, mas nós duas ainda temos medo de confrontá-la.
— Então, o jeito é confiar na magia poderosa da Freya. Ela é a única que pode nos ajudar. —Eles param de se falar e depois se olham demoradamente, há um clima de romance se criando no ar. Um segundo depois, seus lábios se encontram em um beijo cheio de saudade enquanto as mãos dele se enroscam em seus cabelos loiros e as mãos dela se fixam em seu pescoço. Por alguns minutos, eles se distraem naquelas trocas de carícias, até serem interrompidos…
—É isso que eu não entendo… Stefan Salvatore, você conseguiu a garota certa, mas... — Logo, o clima de romance é interrompido, pela voz imponente da Sentinela. —Você poderia estar em qualquer lugar do mundo, sendo feliz com ela. — Stefan e Caroline se entreolharam ofegantes, mas a loira ainda permanece sentada em seu colo. — Por que você resolveu voltar e arriscar tudo? Já sei… Por causa daquele seu irmão egoísta? Você acha que alguém como ele merece todo o seu sacrifício?
— Você tem razão. Damon é egoísta, impulsivo, arrogante e já fez muita merda. — Stefan ficou carrancudo, mas se manteve ponderado, enquanto a loira se desvencilhava dos seus braços e voltava a se sentar ao seu lado, parecendo chateada. — Mas, ele sempre será o meu irmão por toda a nossa eternidade. Ele é a minha única família de sangue ainda vivo. — O vampiro achou que seria uma boa ideia, continuar discutindo com a Sentinela. Ledo engano.
—Que mentira! Ele não é o único da sua família que está vivo. — As palavras afiadas dela, imediatamente, deixaram o vampiro perturbado. — Você tem mantido ela em segredo. Um segredinho sujo que você só compartilhou com a Bruxa Bennett.
—Do que ela está falando? — Caroline indaga se sentindo muito intrigada.
—Apenas ignora ela. — Stefan tenta dizer, desesperado para que o assunto morra.
—Eu acho que quando o seu irmão descobrir a verdade, ele vai se sentir traído por você e… pela bruxa. — Ela finge hesitar, só para aguçar a fúria de Stefan.
—Cala a sua boca! Para com todo esse seu jogo sujo! —Stefan havia perdido a paciência e estava quase cogitando derrubar a porta e enfrenta-la face a face.
— Stefan, se acalma! —Caroline se coloca entre o vampiro e a porta tentando acalma-lo. —Logo, logo, ela vai voltar para aquele inferno de onde nunca deveria ter saído.
—Mas, eu não vou voltar sozinha. — A Sentinela devolveu a provocação com o mesmo tom sarcástico. — Vou levar comigo o seu namorado e o irmão dele.
—Bonnie, para de se comportar como uma vadia sem coração! — Caroline rebate, trocando um olhar assustado com Stefan. É naquele instante, que eles percebem que não estão mais sozinhos no corredor.
Damon
Aproveitei que o Rancho parecia bem tranquilo, já que Jamie foi visitar a sua Noiva grávida e Alaric havia saído com Abby para fazerem compras, assim, deixando a cozinha livre para mim. Resolvi me distrair fazendo as minhas adoráveis panquecas, enquanto bebia Bourbon e discutia com Elena.
—Então, esse é o seu novo plano mirabolante? Fazer panquecas para a Bonnie? Sério isso? — Elena achava que Bon-Bon iria recusar as minhas panquecas, assim como recusou a macarronada que sua mãe fez, assim como recusou o bolo de chocolate da vovó Sheila. —Nunca imaginei ver Damon Salvatore com avental amarrado na cintura, cozinhando. — Ela ainda fez piada disso. — Isso faz você parecer quase um mero humano. E é meio engraçado e… quase fofo. — Eu sorrio sedutoramente, me permitindo flertar com a minha agora Ex‐Namorada que revira os olhos, porém no final acaba retribuindo o sorriso. O clima entre nós parecia quase amigável.
—Não é qualquer panqueca! Elas têm um significado muito especial, que só a verdadeira Bonnie é capaz de entender. — Expliquei um pouco nostálgico, depois tentei fazê-la provar um pedaço da minha panqueca. — Você deveria provar um pedaço...
—Não, eu não quero! — Ela fechou a cara e desviou o rosto, impedindo que o garfo com o pedaço da minha panqueca chegasse a sua boca.
—Então, você vai me rejeitar? Tudo bem. — Dei de ombros e resolvi eu mesmo provar. — Hmmmm… Até que está gostosa! — Gemi maliciosamente, gozando também do sabor doce e da maciez da massa.
—Por que todas às vezes você sempre tenta fazer Bonnie se lembrar do Mundo Prisão? Você acha que aquele lugar e essas panquecas significam tanto assim para ela? Sei lá… E se o Mundo Prisão trazer lembranças ruins que a Bonnie resolveu esquecer? — Elena questiona e me deixa, por um minuto, inseguro. —
— O quê? Onde você quer chegar com isso? Aquele lugar foi onde nasceu a nossa amizade e...
— Foi onde você também se apaixonou por ela? — Elena me deixou boquiaperto por um momento. — Isso explicaria o porquê você escolheu salvar a Bonnie quando o Kai mandou você escolher entre mim e ela.
— Ela havia se tornado a minha melhor amiga e eu devia a minha vida a ela. — Precisava esclarecer as coisas. — E foi uma escolha muito difícil, porque você ainda era a minha namorada e, naquela época, eu ainda era, loucamente, apaixonado por você. — Nos encaramos num silêncio tenso, que só foi rompido pela briga no andar de cima.
—O que está acontecendo lá em cima? — Elena questiona, assim que ouvimos alguns gritos.
—Parece que a nossa malvada favorita, conseguiu irritar o Stefan. — Naquele momento, dei de ombros e resolvi me concentrar em colocar o prato com as minhas panquecas na bandeja, junto com um copo de leite e uma tigela com salada de frutas. Na verdade a bandeja com a comida, também era um pretexto para vê-la, afinal, fiquei quase quatro dias sem falar com Bonnie.
Depois de tudo pronto, peguei a bandeja e subi as escadas, cuidadosamente. Conforme fui me aproximando do sótão, senti o clima se tornar pesado, afinal, a discussão entre meu irmão e a bruxa, tinha tomado um rumo inesperado.
— Você tem mantido ela em segredo. Um segredinho sujo que você só compartilhou com a Bruxa Bennett. — A voz cheia de insinuações de Bonnie me deixou alarmado.
—Do que ela está falando? — Caroline faz a mesma pergunta que eu queria fazer.
—Eu acho que quando o seu irmão descobrir a verdade, ele vai se sentir traído por você e pela bruxa. — Naquele momento, eu senti meu corpo enrijecer e um arrepio horrível descer pela minha espinha.
"Como assim, Stefan e Bonnie me traíram? O que ela queria dizer com aquilo?"Alguns pensamentos negativos, começaram a nublar a minha mente.
—Cala a boca! Para com todo esse seu jogo sujo! — Stefan já estava gritando parecendo desesperado, o que significava que havia um fundo de verdade nas palavras perversas da Bonnie.
"Não! Ela não é a Bonnie! É só a Entidade tentando criar uma intriga entre nós." Meu subconsciente tentava me acalmar, porém o estrago já havia sido feito.
—Eu não queria atrapalhar o casalzinho aí, mas parece que tá bem animado por aqui. — Eu fuzilo Stefan com os olhos.
—O que você faz aqui?— Stefan resmunga perturbado com a minha chegada.
— Eu achei que era uma boa hora de alimentar a nossa malvada favorita. — Eu dou um sorriso cheio de escárnio, fazendo Stefan ficar todo carrancudo e parecendo com medo.
—Ah, ótimo! Já cansei de ser a babá dela. — Caroline tagarelou, fingindo ser alheia a tensão que pesava entre nós.
—Que estranho… De repente, ela ficou em silêncio. — Meu querido irmão fez o papel de sonso e arranjou um jeito de se esquivar de um confronto comigo. O pior que isso funcionou, porque assim que ele abriu a porta, toda a minha atenção se fixou em Bonnie que estava caída inconsciente no chão.
—Bon-Bon, o que aconteceu com você? — Eu, rapidamente, corro até ela e me ajoelho ao lado do seu corpo que está parecendo frio, as batidas do seu coração estão fracas demais e aquilo me apavora.
—Damon, o que você vai fazer? — Eu ignoro a loira irritante e mordo o meu pulso.
— Eu tô tentando salvar a vida da sua amiga! — Esbravejo me sentindo preocupado, enquanto coloco meu pulso sangrando na boca da bruxinha, esperando que seu corpo frágil possa se curar com o meu sangue. Naquele instante, eu torci para que a Sentinela não atrapalhasse dessa vez e que não houvesse rejeição.
—Por favor, Bonnie, reage! Eu preciso de você! — Eu estava tão desesperado, praticamente, rezando que ela abrisse de volta aqueles lindos olhinhos que, até esqueci que Stefan e Caroline estavam lá nos observando.
—Por que ela está demorando para acordar? — Assim que Stefan perguntou, de repente senti que o coração dela começou a bater num ritmo normal. Paulatinamente, os verdes escuros de Bonnie se abriram, assim, aquietando o meu próprio coração aflito.
—Ah, Bon-Bon, você voltou! — Eu fiquei tão feliz que a abracei apertado.
—Eu acho que ela vai precisar de um bom banho quente. — Caroline nessa hora foi útil. Eu peguei Bonnie no colo e a levei para o quarto da Abby, pois segunda a loira, era o único banheiro da casa que tinha uma banheira. Stefan tentou discordar dessa ideia, porque a dona da casa não estava lá.
— Ela vai entender. É pela filha dela. — Quando estava começando a querer simpatizar com a loira, ela vai e me frustra. — E vocês podem sair agora. Eu cuido dela.
—Não, eu quero ficar e… — Ela praticamente me empurra para fora do quarto e fecha a porta bem na minha cara.
A Sentinela
A água morna, realmente, parecia ter feito milagres para o corpo da Bruxa. Consequentemente, até a Sentinela se sentiu revigorada, aquecida e confortável dentro daquela banheira, mas é claro que ela não admitiria isso em voz alta. A única parte ruim, era que a correntinha de prata com o pingente de esmeralda (o presente de Damon), ainda estava lá envolta do seu pescoço, lembrando-a que não podia se livrar daquela joia.
—Bonnie, você parece bem melhor agora. — Dizia a vampira loira, fazendo-a se lembrar que ainda estava sendo vigiada. — Sabe, se você se comportasse como uma boa menina, não precisaria ficar presa no sótão. — A Sentinela continuou tomando o seu banho e ignorando ela. — Eu tenho certeza que você deve se sentir como um passarinho com asas cortadas.
—Isso não é a pior parte. — A Sentinela resolveu, por algum motivo, responder. — A pior parte é que… eu perdi a minha espada… e eu falhei em minha missão. — Ela começou a brincar com a espuma dentro da banheira. — Vocês sabem o que acontece quando a Sentinela falha em sua missão?
—O quê?! — Dessa vez, foi Elena quem resolveu perguntar mesmo com medo da resposta.
—Todas as noites sou punida pela Pedra da Fênix. Eu sou punida no lugar daqueles vampiros.
—Ai que horror! — E Elena genuinamente sentiu pena dela.
—O que me consola é que eu não sofro sozinha… Bonnie também sofre comigo. — A Sentinela afirma com puro desdém. — Eu acho isso justo. Já que a culpa de toda essa bagunça foi dela.
—Não fala isso! — Caroline retruca trocando um olhar apreensivo com Elena.
—Mas, essa é a verdade. Ela nunca deveria ter tocado na Pedra da Fênix. Ela nunca deveria ter tentado destruir a Pedra. Ou talvez, o maior erro da Bonnie tenha acontecido muito antes disso tudo.
—Aonde você quer chegar com essa história?
—No exato momento em que ela se tornou… amiga de vampiros. — A Sentinela tenta explicar que Bruxos e Vampiros foram feitos para serem inimigos naturais. E quando essa regra do sobrenatural é quebrada… — Só haverá desgraça e a bruxa sempre irá sofrer.
— Isso não é toda a verdade. Você só diz isso, porque só conheceu a dor, o ódio e a violência. Mas… — Caroline tentou refutar isso, mas logo foi interrompida.
—Mas, isso é a pura verdade. — Ela enfatizou que Bonnie tem experimentado tanto sofrimento e morte ao seu redor, desde que Elena e os Salvatores cruzaram o caminho dela. —Você se lembra como virou uma vampira? — E, no exato momento em que a Sentinela pronuncia aquelas palavras, a mente de Caroline é invadida, perturbadoramente, pela lembrança dela sendo morta por Katherine.
A loira havia morrido com o sangue de Damon em seu organismo, entretanto, a pior memória daquela noite, foi quando atacou a sua primeira vítima e o matou. Ela nunca conseguiu esquecer daquele momento fatídico. Assim como nunca conseguiu esquecer, do olhar decepcionado e aterrorizante que Bonnie, a sua melhor amiga lhe deu, como se tivesse diante de um monstro. E, mesmo que não quisesse admitir, era isso que ela havia se tornado naquela noite — UM MONSTRO.
—Bonnie era altruísta, leal, vivia se sacrificando para salvar seus amigos, mas esquecia de si mesma. Isso foi pouco a pouco, corroendo a própria alma dela, consumindo dolorosamente a sua esperança. — As palavras afiadas da Sentinela foi deixando Caroline com medo. — Até que não restou nada, apenas um alguém solitário que se sentia como uma colcha vazia… E um dia ela decidiu dar um fim a tudo isso…
Inesperadamente, Caroline observa o corpo de sua amiga afundar dentro da banheira que agora parece estar cheia de sangue. Ela não pode ouvir o barulho do coração de Bonnie e nem a sua respiração. A loira entra em pânico, era como se tivesse revivendo aquela cena do quase suicídio da bruxa.
"Não, não, não! Bonnie, não faz isso comigo! De novo, não! De novo, não!" Ela corre até a banheira, pronta para puxar o corpo de sua amiga. Todavia, tudo não passa de um ilusão horrível.
— O que você está fazendo com ela? Para com isso! — Elena grita desesperada ao ver a loira sendo atormentada pelos jogos mentais da Sentinela. — Caroline, isso não é real! — Ela consegue trazer a loira de volta. — Tá tudo bem, tá tudo bem, agora!
—O que foi, Caroline? Por que você parece tão assustada? — A Sentinela indaga, inocentemente, encarando os olhos azuis acinzentados da loira que estão lacrimejados.
—Você é tão cruel! — Caroline esbraveja, se sentindo tão mortificada pelo jogo mental que a criatura desalmada fez com ela. — Você é tão cruel e maligna, quanto os vampiros que você caça. — Elena precisou puxar a loira para longe da banheira, antes que ela voasse no pescoço de Bonnie.
— Caroline é melhor você ir descansar agora. — Elena ainda está tentando acalmar a vampira loira.
—Espera. A Bonnie quer que você saiba… — As próximas palavras da Sentinela, fazem Caroline paralisar. — Você não deve se culpar por não conseguir salvar alguém que não quer ser salvo.
—Diga para a Bonnie que eu vou provar que ela está errada. — Caroline pega uma tolha rosa e joga na direção da banheira, antes de desaparecer do quarto, deixando Elena pela primeira vez, completamente, sozinha com aquela criatura vingativa.
【Continua…】
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