Me Traga à Vida

6 Me Afogando em Você


Notas iniciais
A música do Evanescence escolhida para esse capítulo é Going Under.



"Eu agora vou te dizer o que fiz por você

Cinquenta mil lágrimas chorei

Gritando, enganando e sangrando por você

E mesmo assim você não me ouve

(afundando)

Não quero sua ajuda dessa vez, eu salvarei a mim mesma

Talvez eu acorde de uma vez por todas

Não atormentada, derrotada diariamente por você

Bem quando pensei que havia atingido o fundo do poço

Estou morrendo de novo

Estou afundando

Me afogando em você"

(Going Under)


Capítulo 6

Me Afogando em Você


A Sentinela

Suas pálpebras foram se mexendo, lentamente, até se abrirem e ela acordar confusa e desorientada em um lugar desconhecido. A Sentinela se senta e percebe que não estava mais no chão frio e duro do porão da Pensão Salvatore. Dessa vez, acordou sobre uma cama quentinha, com lençol, travesseiro e uma coberta macia. Há uma janela com cortinas de cor vinho por onde passa uma réstia de luz, lhe avisando que já era dia. Quando olha para o lado, vê que há um ursinho de pelúcia lhe fazendo companhia. O ursinho lhe parece tão familiar. É, então que em sua mente, surge uma pequena visão:

"O que é isso?" Questiona o vampiro de olhos azuis arrogantes, quando vê a Bruxa entrar na cozinha trazendo consigo o urso de pelúcia.

"Essa é a Miss Cuddles. Eu a perdi quando tinha 9 anos. Mas, ontem a noite, eu fui na minha casa e a encontrei lá. Isso não é incrível?" Bonnie dizia entusiasmada brincando com aquele ursinho, enquanto o vampiro revirava os olhos, entediado.

A Sentinela começou a se perguntar o porquê daquela visão, até que ouve a voz de alguém cantando, junto com uma música. Ela se levanta, cautelosamente, e se prepara para sair do quarto, quando se distrai ao passar em frente de uma penteadeira e vê o seu reflexo no espelho, percebendo que não está usando o seu figurino habitual. A roupa preta, capa e capuz, foram substituídos por shorts curto, uma camisa branca com botões e uma blusa amarrada na cintura. Seu cabelo está curto, exatamente, como na sua visão. E aquilo não fazia o menor sentido.

O cara lá embaixo continua cantando alto, fazendo-a lembrar da sua missão. Ela sai para o corredor e desce as escadas com muita cautela. Primeiro chega na sala e observa o sofá antigo e elegante, o tapete, a lareira e a enorme janela com as cortinas abertas, deixando a luz do sol entrar. E tudo lhe parece muito familiar, até o cheiro de panquecas e o café é, assustadoramente, familiar.

A Sentinela segue para a cozinha, onde encontra-se aquele vampiro de olhos azuis insanos, dançando e cantando ao som de um rap.

— Bom dia, Bon-Bon. Dormiu bem? — Bonnie está em choque, olhando para o vampiro que está usando uma camisa xadrez vermelha, que também lhe causa aquela mesma sensação de familiaridade. — Adivinha? Fiz as suas panquecas favoritas. Lembra das minhas panquecas, com carinha feliz e presas de vampiro com chantily? — Ele coloca um prato com uma dessas panquecas na sua frente. — Bon Appétit!

— Eu odeio panquecas! — Ela usa o garfo para, furiosamente, descontar sua ira sobre as tais panquecas. Nesse momento, aquela sensação de Déjà vu agora se intensificou, fazendo-a sentir como se já tivesse vivenciado tudo aquilo antes.

— Você ainda tem o mesmo mau-humor da bruxa. — Damon a provoca, abrindo um largo sorriso sarcástico. — Isso significa que Você ainda é você. — De repente ele invade o seu espaço pessoal lhe abraçando por trás e sussurrou em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar e seu coração acelerar, nervosamente. O perfume dele é uma mistura de couro, bourbon e sândalos que está impregnando o ar e a deixando meio entorpecida.

Por um instante, ela fechou os olhos, especialmente, ao sentir o lábio dele tocar na pele sensível de seu pescoço. E foi, exatamente, naquele momento que a Sentinela percebeu que havia algo errado.

"Você tem que matar o vampiro. Tem que mata-lo, agora! Mate ele! Mate ele!"Aquilo ecoava, incessantemente, como uma dor de cabeça terrível.

Os lábios frios de Damon ainda estavam beijando o seu pescoço, mas por instinto, a Sentinela achou que ele fosse morde-la, podia até sentir as presas do vampiro tocar levemente sua pele. Portanto, num piscar de olhos, seus corpos voam pela cozinha e, de repente, o Salvatore sente suas costas se chocaram contra a parede de concreto.

— Que lugar é esse? — A Sentinela indaga verozmente. Mesmo controlando o corpo de Bonnie que era pequena, ela conseguia ser forte, veloz e intimidadora.

— Bon-Bon, estamos no Mundo Prisão de 1994, lembra? Só eu e você. — Ele sorri e tenta se aproximar novamente dela, como um leão se aproxima da sua presa.

— Fica longe de mim! — Ela rosna como se fosse um animal feroz. E, como um borrão, faz o corpo dele voar pela sala.

—Bonnie, por favor, você precisa se lembrar! Eu não sou seu inimigo. Sou eu, o seu melhor amigo. O cara que te… — Mas, ela interrompe a sua declaração.

— Você deveria estar queimando no sol. — Só agora a Sentinela percebe que a luz do sol que entra pela janela, não está afetando o vampiro. — Isso não é real! Esse lugar não é real! Então, saia da minha cabeça, sanguessuga! Para de tentar manipular a minha mente! — Não dá nem tempo de Damon retrucar, pois num piscar de olhos, ela consegue quebrar o pescoço dele.

Damon

— Que droga, bruxinha! Você tinha que estragar o nosso momento? — Eu reclamo, encarando seus verdes escuros raivosos.

Sem o capuz posso ver melhor o seu rosto, há olheiras em baixo dos olhos, misturado a uma expressão de fúria e cansaço. Os cabelos cacheados estão compridos e armados, seu corpo parece tão magro, sua pele negra parece ter perdido um pouco do brilho, ainda assim, continuo achando ela uma beleza indomável.

— Eu vou te matar! — Ela pula da cama e vem como uma fera para cima de mim, bem na hora em que Ric e Jamie abrem as cortinas. A luz do sol entra pelo sótão e quase me atinge, consigo desviar recuando para a porta, mas a Bonnie versão louca e desalmada é afetada.

— Ah, isso dói! — Bonnie recua, colocando as mãos na frente do rosto e, sem saída, retorna desesperada para a cama, onde se esconde debaixo das cobertas, como uma criança assustada.

— Ela está agindo como se fosse um vampiro. — Ouço Jamie murmurar curioso.

Era o primeiro dia que passávamos no rancho de Abby. Ela morava com o Jamie seu enteado e a Noiva dele que estava grávida. Mas com a nossa chegada, a mãe da Bonnie havia decidido que o melhor era manter a jovem, o mais longe possível do lugar. Principalmente, o mais longe possível de mim, o vampiro malvado. Eu não podia culpa-la, pois meu histórico com mulheres grávidas, não foi dos melhores. Isso ainda me fazia se sentir culpado.

Bem, com a noiva de Jamie passando algumas semanas segura com os pais dela, Jamie resolveu ficar e ajudar a sua Madrasta, consequentemente, ajudar Bonnie. Eu não gostava muito de tê-lo por perto, acho que havia um certo ciúme me corroendo. Afinal, ele e Bonnie já tiveram um namorico.

— A Rayna Cruz, a líder do Arsenal, me explicou que o sol também afeta a Sentinela, pois a luz machuca os seus olhos. — Ric explica para nós dois que ainda estamos ali no sótão. As cortinas foram fechadas, novamente, deixando tudo escuro.

— Saltzman, você é um traidor! — Ela ainda está gritando em baixo do cobertor, onde ainda posso ver o corpo dela tremendo. Isso faz meu coração se apertar, porque não gosto de ver Bonnie fragilizada.

— Por quanto tempo vocês vão mantê-la assim? — Jamie questiona preocupado.

— Até ela parar de agir como uma Bonnie maluca. — Digo ironico, fazendo ela rosnar ainda debaixo da coberta e isso me faz rir.

Pelo menos por alguns dias, estaríamos seguros da tal Sentinela que controlava o corpo da Bonnie. Quer dizer, a Entidade ainda estava dentro dela, ansiando por uma chance de nos caçar, porém a correntinha que os dois hereges enfeitiçaram, ainda estava no pescoço dela, mantendo-a sob controle.

Nós decidimos que mantê-la no sótão da casa da Abby era mais seguro. Usaríamos a nosso favor, o fato de a Sentinela possuir algumas fraquezas semelhantes aos dos vampiros, como o medo da luz do sol e que ela estava sem a sua Espada. Ou seja, ela estava completamente vulnerável, não tinha força suficiente para nos atacar e nem para fugir.

— O que exatamente aconteceu, quando você estava na cabeça dela? — Ric perguntou, logo, que saímos do sótão e Jamie havia nos deixado sozinhos para fazer o almoço. O resto da gangue, nessa hora, estavam dormindo, inclusive meu irmão.

— Eu tentei fazê-la se lembrar do Mundo Prisão. Nós brigamos, exatamente, como fazíamos quando ficamos presos lá, mas no final ela quebrou o meu pescoço.

— Você nunca consegue esperar, né. Sempre tem que enfiar os pés pelas mãos. — Elena aparece para nos interromper e me dar algum sermão. — Damon, sempre sendo Damon e estragando tudo. — Ela me dá as costas e sai caminhando pelo corredor.

— Então, o que eu deveria fazer? Talvez, ficar esperando três anos, até descobrir que "A SUA MELHOR AMIGA" ainda estava viva? — Inquiri irritado, ignorando Ric e indo atrás da minha... que dizer, Ex-namorada. — Ela estava o tempo todo debaixo do seu nariz e você nem percebeu. — Enfatizo bem na sua cara. Em resposta Elena aperta a mandíbula com raiva. — Assim como não percebeu, quando ela havia morrido pra salvar o seu querido irmão.

— É, você tem razão. — Ela estava com um olhar magoado. — Já que estamos falando sobre o passado… que tal falarmos daquela vez em que o Stefan ficou preso naquele cofre no fundo rio por três meses e "VOCÊ" nem percebeu. — Elena foi cruel ao jogar aquela verdade na minha cara. — Nós éramos a dupla perfeita: Dois egoístas, que só pensavam no próprio rabo.

—Ei, pessoal, vocês dois poderiam parar de brigar? — Ric tentou se intrometer, mas nenhum de nós lhe deu ouvidos.

— Uau, Elena, você mudou. — Falei sarcástico. — Parece que ficar longe de mim te fez muito bem.

— Ah, com certeza. — Afirmou cruzando os braços na frente do peito. — Nesses últimos anos, eu pude voltar a ser a Elena humana, sem vampirismo e sem a presença egoísta e obcecada de Damon Salvatore. — Elena riu se sentindo vitoriosa. Eu acho que ela queria me magoar de alguma forma.

— Então, se foi bom pra você ficar longe de mim… — Toquei seu cabelo só para provoca-la mais, isso a fez recuar, parecendo incomodada com o meu toque, algo que era atípico da antiga Elena. — Por que você ainda está aqui? Por que você está nos ajudando? — Nos encaramos por um instante em silêncio.

— Eu quero a minha cidade de volta e… — Por um momento, desviou o olhar e ficou pensativa. — Com certeza, não estou fazendo isso por você, Damon... Estou fazendo isso pela Bonnie.

— É isso. Nós estamos aqui pela Bonnie. Para ajudar ela. Então, vamos parar de brigar. — Ric conseguiu apaziguar a discussão e me deu um olhar reprovador.

— Tudo bem, eu posso ter falhado na minha primeira tentativa de trazer a Bonnie Bruxa de volta, mas… — Olhei para Elena com expectativa.

— Não me olhe assim! — Mas ela me repreendeu com um semblante fechado e parecia com medo. — Eu não vou entrar na mente dela. Nem sou mais vampira.

—Mas, eu posso fazer você falar com ela. — Falei lhe dando um sorriso entusiasmado. — Agora que você é humana, ela não vai te machucar.

—Não posso. Eu não estou pronta pra falar com ela. E acho que ela também não vai querer.

—Elena, espera… — Queria convencê-la, mas Ric se colocou na minha frente e me impediu de ir atrás dela.

—Você deveria esperar pelos outros. Talvez, Stefan, Caroline, ou a Abby tenham mais sorte com a Bonnie.


***/ /***


Havia anoitecido e todo mundo resolveu se reunir para o jantar. Nessa hora Abby se lembrou que; a Bonnie Maluca que estava trancada no sótão; ainda não havia comido. Foi ai que começou a primeira discussão da noite.

— Olha, nem sei se o Arsenal alimentava ela… Porque eles pareciam trata-la como seu cão de guarda que, quando não estava caçando, estava sendo mantida presa no porão da Pensão Salvatore. — Ric revelou deixando todo mundo chocado. Mais cedo, Alaric tentou levar uma sopa para ela e um pouco de água, mas a bruxinha se negou a comer e beber. Isso nos fez cogitar se a Sentinela também não se alimentava de sangue.

— Eu acho que ela se alimentava, só que não era de comida humana e nem de sangue. — Elena argumentou fazendo uma cara horrorizada. — A Sentinela deve se alimentar das almas dos vampiros que ela aprisiona na Pedra da Fênix. — Ela concluiu me fazendo se lembrar das palavras da própria Sentinela:

"A sua alma pertence mim."

— Mas agora ela não tem mais a Espada e nem a Pedra da Fênix. — Stefan retrucou. — Isso vai deixar a Sentinela cada vez mais fraca.

— Talvez, com a Sentinela fraca, fique mais fácil exorciza-la do corpo da Bonnie. — Abby diz meio hesitante.

— Mas o corpo da Bonnie ainda é humano, certo? — A loira vampira questiona em dúvida. — Então, se ela não se alimentar, ou beber água, ela pode ficar doente.

— A Barbie tem razão. — Caroline me olha surpresa por ter concordado com ela. — Precisamos alimentar a fera. — Ironizo enquanto misturo um pouco de Bourbon com sangue de raposa e enrugo o nariz em desgosto, sentindo falta do gosto do sangue humano. — Ninguém trouxe bolsa com sangue humano?

—Não, Damon. — Caroline me olha sem paciência. — Não podemos roubar bolsas de sangue.

— Por que não? Nós somos vampiros e temos sede de sangue humano, inclusive você. — A provoco.

— Nós não podemos chamar a atenção. E, além disso… — Ela parou e trocou um olhar com Abby. — Devemos respeitar as regras da casa da Abby.

—O quê?! Vai me dizer que Abby não toma sangue humano? — Inquiri encarando a mãe de Bonnie que, nesse momento, ficou tensa.

— A única vez que tomei sangue humano, foi quando fui forçada por VOCÊ… a me transformar em vampira. — Ela enfatizou entredentes me fuzilando com os olhos. Suas palavras me fizeram sentir remorso, enquanto o meu lado teimoso me fazia sentir que eu fiz a coisa certa, mesmo que de um jeito errado.

— Bom, como essa é a casa da Abby, nós vamos respeitar as regras dela. — Caroline afirmou, como se fosse uma mãe educando o seu filho rebelde. — Você entendeu, Damon.

— Tá, mamãe. Eu não tenho escolha.

— Eu não sou a sua mãe e nem a sua babá. Então, se você sair da linha…

—Você vai fazer o quê? — Novamente a provoco, surgindo, subitamente, na sua frente.

—Eu vou esperar amanhecer e te jogar pra queimar no sol. — Ela abre um sorriso quase sádico em seu rosto perfeito.

—Nossa, como você é cruel. — Rosno deixando minhas veias escurecidas aparecerem em meu rosto, assumindo uma expressão demoníaca. Meu lado vampiro precisava extravasar a sua frustração.

—Damon, vamos sair para caçar. — Stefan estava determinado a acabar com a discussão.

—Mas, eu não quero mais caçar raposas. — Resmungo inconformado, fazendo Caroline rir da minha cara, se sentindo vitoriosa.

—Então, vamos caçar lebres. — Stefan ignorou os meus protestos e já foi me arrastando para fora da casa, onde havia uma floresta ali perto.




A Sentinela

Ela estava cansada, vulnerável, com fome e desejando fugir daquele sótão, (mesmo aquele lugar sendo menos frio do que o porão da Pensão Salvatore). Ao menos aqui não precisava dormir no chão, tinha uma cama com cobertas quentinhas. Entretanto, o lugar era extremamente barulhento, sempre com conversas idiotas, planos bobos e muita briga. E o pivô das brigas sempre era Damon Salvatore, o vampiro de olhos azuis e sorriso sarcástico. Ele sempre conseguia provocar todo mundo e, por um instante, isso a fez querer rir.

Agora, por exemplo, ele teve uma discussão com a vampira loira. Os dois pareciam se odiar muito. E a briga só cessou, porque o irmão dele e Elena Gilbert, interveio.

Enquanto isso, a Sentinela resolveu se levantar e tentar novamente abrir a porta. E, como na primeira tentativa, a porta continuava trancada.

— Merda! — Ela exclama irritada e olha para a pequena janela que ainda estava com as cortinas fechadas, impedindo a claridade do sol entrar. O problema era que, assim, fica difícil dela saber se era dia, ou se já havia anoitecido. Até que uma coisa lhe chama a atenção.

O vampiro de olhos azuis, havia saído para caçar. Isso significava que era noite (o único horário que vampiros poderiam sair), ainda mais com a Sentinela sendo mantida presa no sótão.

Ela tinha tomada a decisão que, quando anoitecesse, tentaria atacar aqueles vampiros mesmo sem a sua Espada. No entanto, se tudo desse errado, então, tentaria a segunda opção… fugir.

A Sentinela sabia que a sua Espada foi mandada para Nova Orleans, onde havia uma bruxa chamada Freya que estava disposta a ajudar os vampiros. Eles queriam quebrar a magia que uniu o corpo de Bonnie Bennett com a Sentinela e mandar a Entidade de volta para dentro da Pedra da Fênix, tipo fazer um exorcismo. Caso falhassem, a irmã de Klaus vai tentar usar uma magia de ocultação para esconder de todos a espada com a joia e, assim, ninguém poderá encontra-la.

Enquanto estava pensando sobre a Joia vermelho rubi, sua mente é invadida, novamente, por visões terríveis das almas condenadas que escaparam da Pedra, fazendo-a cair no chão, gritando. Mais uma vez, ela está sendo punido por falhar em sua missão de caçar vampiros.

Quando a porta se abre, duas vampiras surgem preocupadas ao se depararem com Bonnie caída no chão, se contorcendo de dor.

— Bonnie, o que você tem? — Alguém se aproxima dela. Num estalar de dedos, a Sentinela se levanta e consegue agarrar o pescoço da vampira mais próxima, que nesse caso, era Abby Bennett.

De repente, o cenário muda…

Bonnie se vê ainda criança, brincando em um parquinho, onde há outras crianças ali: uma menina loira mimada e uma menina de cabelos castanhos e grandes olhos travessos.

"Bonnie, se despeça das suas amigas. Nós temos que ir." De repente sua mãe chegou para busca-la, mas ela queria ter ficado mais tempo brincando com as suas amigas. "Ei, nós vamos na casa da vovó. Ela prometeu fazer o seu bolo favorito."

"Bolo de chocolate, mamãe." Ela diz animada segurando na mão de sua mãe.

"Sim." Sua mãe dá um sorriso triste. Elas chegam na casa da avó Sheila.

"Abby o que vocês estão fazendo aqui?" Sheila está preocupada e confusa quando vê os olhos tristes de sua filha.

"Mãe, a gente precisa conversar." A Bonnie criança vê as duas conversarem, sem entender o que está acontecendo, até que percebe que sua avó e Sheila estão se despedindo, num abraço demorado.

"Obedece a vovó. Por um tempo, a mamãe vai precisar ir embora. Mas, um dia eu volto. Eu prometo." Então, Abby dá um abraço apertado na menina que está assustada, depois entra no carro e deixa para trás a filha chorando e chamando por ela.

"Sua mãe foi embora por causa de um vampiro." A voz sussurra, fazendo-a ter aquela lembrança amarga. E as memórias dolorosas continuam…

Com o passar dos anos, Sheila Bennett acabou ocupando o espaço que Abby deixou na vida de sua filha. A Avó se tornou a Mãe que a pequena Bonnie precisava. Ela sempre estava lá, nos momentos mais importantes da sua vida:

Sheila estava lá quando Bonnie ficava doente, quando Bonnie menstruou a primeira vez, quando Bonnie descobriu que era bruxa. Foi sua avó que sempre a ajudou, ela a ajudou tanto que acabou colocando a própria vida em risco para proteger a sua neta. E um dia partiu desse mundo, deixando-a sofrendo com a perda da única pessoa que mais lhe amou.

"Você mentiu." Bonnie agora adulta cheia de magoa, confronta sua mãe. "Você nunca voltou para buscar a sua filha."

"Eu voltei sim. Demorei, mas voltei pra te ajudar. E eu te avisei para se afastar da Elena e dos… dos Salvatore." Abby diz com pesar, tentando se aproximar da filha. Naquele momento, Bonnie sente um sentimento de culpa.

"Mas, nada disso importa mais. O que importa é que você está aqui. E que nós podemos consertar as coisas. Nós podemos ser mãe e filha de novo. Nós podemos recomeçar, Bonnie." Abby agora esboça um sorriso cheio de esperança.

"Agora é tarde demais…" E, então, ela tem a visão de Damon Salvatore, transformando a sua mãe em uma vampira.

"Bonnie, ainda sou eu, a sua mãe." Abby se esforça para convencer a sua filha.

— Não. Eu não quero ser filha de uma vampira. — Repentinamente, ela consegue sair daquela ilusão e retorna para a realidade, onde está ainda tentando estrangular a sua mãe.

— Bonnie, por favor, você vai matar a sua mãe! — Caroline está suplicando. — Bonnie, para! — Enfim, ela consegue puxar Bonnie de cima de Abby.

— Eu, Bonnie Bennett, estou te renegando, mamãe. — Bonnie diz, friamente, ainda possuída pela Sentinela. Ela consegue escapar dos braços de Caroline e, inesperadamente, resolve se jogar pela janela do sótão. Todavia, seus pés nunca chegam a atingir o chão, por que ela cai direto nos braços do vampiro de olhos azuis que tanto odeia.

— Você achou que podia fugir de mim, Bon-Bon?!

【Continua…】