Me Traga à Vida

9 Me Ligue Quando Estiver Sóbrio


Notas iniciais
A música do Evanescence de hj é Call Me When You're Sober

"Não conseguiu assumir a culpa, cheio de vergonha

Deve ser exaustivo perder o seu próprio jogo

Egoisticamente odiado, não é surpresa que você esteja esgotado

Você não pode bancar a vítima desta vez

E você está muito atrasado

Então não chore para mim

Se você me amasse

Você estaria aqui comigo

Você me quer?

Venha me encontrar

Se decida"

(Call Me When You're Sober)

Damon

—Stefan, acho que você me deve algumas explicações... — Aproveitei que a Bonnie estava aos cuidados de Caroline e Elena e resolvi que era a hora perfeita para confrontar o meu irmão. — Por que a Bonnie Malvada insinuou que você me traiu?

—Você sabe que a Bonnie Malvada nos odeia. Ela não pode nos matar, então, resolveu que vai atormentar todo mundo.

—Não minta para mim! — Mas, meu irmão me ignorou e ainda pegou a minha garrafa de Bourbon, desafiando a minha paciência.

Eu tentei me esforçar para ser mais como Stefan: responsável, amigável e até paciente, mas a minha paciência foi se esgotando e o velho Damon impulsivo estava querendo se rebelar, já estava sentindo falta de arrancar a cabeça de alguém, sobretudo, porque precisava descontar a minha raiva.

— Stefan, você disse que eu fui covarde quando abandonei você e a Bonnie... — Cansei de ser bonzinho e puxei a garrafa das mãos dele.

—E você foi mesmo um covarde. — Ele continuou me ignorando enquanto fingia se distrair acendendo a lareira.

—Mas agora quem tá sendo um covarde, é você. — Depois de beber o Bourbon, resolvi jogar a garrafa vazia na cabeça dele. Era óbvio que Stefan desviou, fazendo alguns pedaços de vidro se espatifarem no chão.

—Porra, Damon! — Abby me xingou. — Aqui não é a sua casa pra você fazer bagunça. —Ela e Ric haviam acabado de chegar. — Se quiserem brigar, vão lá para fora. — Segui as suas ordens e, rapidamente, arrastei Stefan para fora da casa.

—Olha para mim e me diga... — Eu já estava pirando quando o derrubei no chão e depois segurei com força o seu pescoço. — Diga que você nunca tocou num fio de cabelo daquela bruxa. — Stefan estreitou os olhos e depois me deu um sorriso malicioso.

—E se eu disser que quando você nos abandonou... eu fui me consolar nos braços da Bonnie. — Aquilo só aguçou a minha ira, que acabei dando um soco na cara dele.

—Seu desgraçado! — Eu senti uma dor no peito, um sentimento de decepção, magoa e ciúmes. Tentei ataca-lo de novo, ele se esquivou e conseguiu me contra-atacar com um chute, me derrubando no chão.

—Você é um hipócrita! Já esqueceu que você me traiu primeiro?! — Acho que Stefan também queria extravasar a sua fúria, portanto, lutamos como dois galos de briga. — Você esqueceu que me traiu com a Elena, quando ela ainda era a minha namorada. — Por um instante me calei ao relembrar daquele passado vergonhoso. — Ao contrário da Bonnie que nunca foi sua... — Ele tinha razão, porém isso não lhe dava o direito de ter tocado na minha bruxinha. — Então, para de agir como se fosse um marido traído!

— Cala a sua boca, Stefan! — Continuei gritando para todo mundo ouvir. — Eu já fui forçado a compartilhar tantas coisas com você: Katherine, Elena, essa maldita imortalidade. Aliás, você me condenou a essa imortalidade, lembra? — Sei que minhas palavras o machucaram, assim que vi seu olhos verdes refletirem remorso e todo o seu rosto se tornar uma máscara de angústia. — Você me condenou a ser esse... Monstro Egoísta. — Comecei a desabafar, sentindo um nó se formar na minha garganta.

Por um minuto, houve um silêncio pesadíssimo sobre nós. Contudo, toda a nossa briga sem sentido teve que ser interrompida, quando ouvimos alguns tiros e as vozes alarmadas de Alaric e Caroline.

— O Arsenal conseguiu nos rastrear. Eles estão vindo atrás da Bonnie.

— Então, precisamos tirá-la daqui o mais rápido possível. — Imediatamente, troco um olhar de compreensão com Stefan. No fim, fomos forçados a deixar as nossas desavenças de lado para enfrentar o verdadeiro inimigo.



A Sentinela

Caroline havia saído do quarto, deixando Elena pela primeira vez, completamente, sozinha com a Sentinela ainda controlando o corpo de Bonnie e isso era assustador. Todavia, cedo ou tarde, ela teria que enfrentar esse medo.

— Parece que está bastante animado lá em baixo. — A Sentinela resolveu quebrar o silêncio ao ouvir a briga entre irmãos que estava rolando lá fora.

— Isso é tudo culpa sua. — Ela criou coragem para confrontar a Sentinela enquanto observa os irmãos pela janela do quarto. — Você criou toda essa discórdia. E ainda quer nos transformar em inimigos da Bonnie, quando na real é você que nos odeia e nos vê como inimigos.

— Tem certeza que fui eu que transformei vocês em inimigos da Bonnie? — A Sentinela saiu da banheira e se enrolou na toalha rosa que Caroline havia lhe dado. — Eu sei tudo o que se passou com a bruxa, o quanto ela sofreu por sua culpa, Elena Gilbert. E sei que você também sabe o quanto a fez sofrer, especialmente, depois de se envolver nesse triângulo bizarro com os dois irmãos vampiros.

— A minha relação com a Bonnie, ou qualquer outra pessoa, não é da sua conta. — Num piscar de olhos agora as duas estavam próximas, se encarando.

— Mesmo, involuntariamente, eu também já estou conectada a toda essa história sórdida e aos segredinhos sujos, que cada um de vocês tentam esconder. — A Sentinela continuou cuspindo verdades.

— Eu não vou deixar você ficar atormentando a minha mente. Então, fica longe de mim! — Elena usou o último fiozinho de coragem para tentar escapar das garras da Sentinela.

— Você não é só egoísta, como também é covarde. Você prefere fugir do que encarar os seus próprios erros. — A Sentinela continua segurando um de seus braços com um aperto forte que a impede de conseguir escapar.

— Me deixa ir! — Seus olhos castanhos de corça se veem forçados a enfrentar os verdes escuros de sua amiga. — Bonnie, por favor, se você ainda pode me ouvir, apenas... Apenas volte para nós! — Já que não podia fugir, ela resolveu suplicar na tentativa de atingir, profundamente, o coração de sua amiga. — Bonnie você precisa voltar e me enfrentar de verdade. Se você me odeia, tem magoa de mim, então, vem e me diz isso tudo na minha cara. Para de se esconder atrás dessa vadia!

— Ah Elena, você é tão burra! Nesses últimos três anos, você teve a chance de viver a vida que você realmente desejava. Ter uma vida normal, humana, longe de vampiros. Uma vida feliz ao lado de Matt e, talvez, formar uma família com ele. Mas, de repente, você resolve abandona-lo para fugir com Damon Salvatore. O cara que te traiu com a sua melhor amiga. — Aquilo foi como levar uma apunhalada nas costas.

— Para! Eu não abandonei o Matt e também não fugi com Damon! — Elena grita, mas então, se sente tonta e quase desmaia no chão, se não fosse por Bonnie que decide ajuda-la a chegar até a cama de Abby. De repente, elas ouvem outros gritos estranhos e barulhos de tiros. — O que está acontecendo?

— O Arsenal está aqui. E se eu fosse você não se intrometia nessa briga. Você deve ficar segura, cuidando desse bebê que está no seu ventre. — A Sentinela diz sorrindo, estranhamente.

— O quê? Do quê você está falando? — Elena continua a encarando, completamente, desnorteada.



Damon

Assim que soube que o Arsenal estava a caminho do Rancho de Abby, sem pestanejar corri para dentro da casa em busca da Bruxa e a encontrei tentando fugir, sorrateiramente.

— Vai a algum lugar? — Questiono surpreso ao encontra-la com os cabelos cacheados e molhados caídos sobre seus ombros nus, enquanto apenas uma toalha rosa cobria o seu corpo. Queria me distrair com essa doce e bela visão, aí me lembrei que precisávamos fugir dali o mais rápido possível.

— Sanguessuga, me deixa em paz! Me solta! — Ela xinga, esperneia quando eu seguro o seu braço e a puxa de encontro com o meu peito. E, enquanto a criatura teimosa se debate em meus braços, vozes desconhecidas e gritos são ouvidos, seguido por barulhos de tiros, vidraças se quebrando. Uma flecha quase me acerta, mas rapidamente desvio.

Está um caos lá em baixo, posso ouvir os outros entrando em confronto, tentando proteger a casa e impedir que levem a Bonnie. A tal Rayna Cruz, a líder deles também está lá discutindo com a Abby, dizendo que quer a sua Sentinela de volta. Enquanto isso, pego a criatura teimosa no colo e pulo por uma das janelas do segundo andar.

Quando estou perto de chegar no meu Camaro, um dos capangas surge no meu caminho e atira contra nós, conseguindo nos derrubar. Eu solto um grunhido de dor ao sentir uma das balas atingir o meu braço. Não dá tempo de respirar, pois o cara já está pronto para apertar o gatilho outra vez. Entretanto, Stefan surge bem na hora certa e arranca o coração dele, que cai sem vida na nossa frente.

— Obrigado, irmão. — Apesar de ainda existir um clima tenso e mal resolvido entre nós, fico genuinamente agradecido por ele ter me salvado.

— É melhor vocês irem, agora! — Stefan decide ficar e nos dar cobertura. Eu vou até o corpo inconsciente de Bonnie e a pego no colo.

Algumas horas depois, já estou na estrada, dirigindo desenfreadamente, o meu Camaro e desejando que Stefan e os outros tivessem também conseguido fugir, ou ao menos que o meu irmão tivesse um plano B.

— O que aconteceu? Onde eu estou? — Bonnie havia acabado de despertar, com uma expressão confusa.

— Nós estamos fugindo. — Dou de ombros, enquanto a Bonnie Malvada se remexe desconfortável no banco do passageiro ao meu lado, fazendo a minha jaqueta de couro (que eu havia colocado sobre o corpo dela), cair no chão do carro. — Ei, tenha cuidado! Essa é a minha jaqueta favorita. — Reclamo, pegando a jaqueta e jogando sobre o seu corpo de novo.

— Mas, eu não quero! — Ela é tão insolente.

— Ah, então, você prefere andar por aí vestida nessa toalha rosa? — Dou uma breve olhada nela, e a vejo bufar. — Eu não vou reclamar... — Resolvo que vou provoca-la, acho isso tão excitante. — Você sempre fica sexy só de toalha. E sem nada também. — Eu sorrio, maliciosamente, e decido tocar no seu joelho, sentindo a maciez da sua pele negra que, logo, se arrepia sob a minha mão.

— Não me toque! — Bonnie bate na minha mão, irritada com a minha ousadia.

— Tá, eu prometo que não vou te tocar se você for uma boa mocinha e vestir a minha jaqueta. — Eu estava mentindo, porque no fundo eu estava louco para arrancar aquela toalha, puxa-la nos meus braços e beijar e tocar cada cantinho do seu corpo.

No fim, mesmo à contragosto, Bonnie acaba vestindo a minha jaqueta de couro por cima da toalha.

— Por quanto tempo você vai continuar a fugir? — Ela me questiona, sem perceber que acabou de inalar o cheiro da minha roupa. Acho que gostou do meu perfume, só que é orgulhosa demais para admitir isso.

— Até trazer a minha Bonnie de volta. — Afirmo com otimismo. O resto da viagem ela decide ficar em silêncio e me ignorar. Frustrado, resolvi ligar o rádio do carro e, ironicamente tocava Whitney Houston.

— Lembra dessa música, Bon-Bon? I Will Always Love You...



A Sentinela

Durante o resto da viagem o vampiro teve a audácia de ficar cantarolando aquela música que era tema de um filme. E enquanto ele cantava, ela começou a ter algumas visões dele com a Bruxa, assistindo o Guarda-Costas pela milionésima vez, quando ainda estavam presos no Mundo Prisão. E, curiosamente, o Guarda-Costas havia se tornado o filme favorito da Bonnie.

— Enfim, chegamos! — O vampiro só parou com toda a cantoria quando achou um quarto em uma pousada simples. Logo, iria amanhecer e por isso agora ela terá que ficar trancada lá sozinha com ele, enquanto esperam anoitecer para pegar a estrada, novamente. Tudo o que conseguia pensar é que esse dia ia ser longo.

— Eu pedi para a recepcionista trazer roupas e comida. — Rapidamente, o vampiro tranca a porta e mantém as cortinas tampando as duas janelas do quarto, assim evitando que a luz do sol entrasse.

— Você pediu, ou a hipnotizou? — Por um instante, a Sentinela se distraiu observando que o quarto era pequeno e só tinha uma cama de casal.

— Tanto faz. — O vampiro deu de ombros enquanto começa a se despir, descaradamente, na frente dela. — Vou tomar um banho. Se quiser pode tomar banho comigo. — Damon, sedutoramente, se aproxima dela, forçando-a a recuar e acabar encurralada entre a porta e o corpo seminu dele. Em seguida, sente seus lábios beijarem seu pescoço, e uma de suas mãos frias deslizar por debaixo da toalha rosa, deixando toda a sua pele arrepiada e, consequentemente, fazendo seu coração acelerar como se quisesse sair do peito.

— Já disse para não me tocar! — Ela empurra o vampiro, fazendo-o cambalear para trás e, assim, quebrando toda aquela aura de luxúria. — Eu não sou a Bonnie!

— Mas o corpo ainda é da Bruxa. E os sentimentos também. — Ele arregala seus olhos azuis e lhe dá o seu sorriso mais cínico, como se tivesse vencido aquela guerra fria.

— Engano seu. — A Sentinela quer destruir toda aquela postura arrogante dele. — No final, a Bonnie não era diferente da Katherine.

— O quê? — Damon faz uma expressão que é um misto de confusão com insegurança.

— No final, Bonnie também preferia o Stefan. — Ela afirma cruelmente, sabendo com exatidão, como atingir o ponto fraco do vampiro.

— Bruxa, eu te odeio! — Damon lhe dá um olhar sombrio que, por um instante, a faz ficar com medo. E, naquele instante, o clima entre eles fica ainda pior.

— Se eu pudesse mudar uma coisa sobre a nossa amizade... — Ele queria machucá-la, da mesma forma que ELA o machucou. — Eu jamais teria te tirado do meio da rua em Amsterdã. — O vampiro cospe aquelas palavras com tanta frieza, antes de se trancar no banheiro, deixando-a com o coração pesado.

【Continua...】

Notas finais
Ola pessoal, se não nos vermos antes do dia 1, já vou deixando aqui um FELIZ ANO NOVO. Que 2026 seja um ano de vitórias e mais alegrias do que tristezas, pois eu confesso que esse ano foi dificil e muito cansativo para mim. E, que acima de tudo, que Deus sempre esteja nos guiando e iluminando os nossos caminhos e que abençoe 2026, amém. Bjus!