Me Rendo a Coroa

17 Capítulo 17


Notas iniciais
"Eu cheguei muito longe para ver o fim agora, mesmo se meu jeito for errado eu continuo empurrando... Não há mais nada para dizer agora. Eu estou desistindo agora." - Nothing Left To Say, Imagine Dragons.

****

Ele me olhava nos olhos, no mais profundo azul de seus olhos eu via meu reflexo alegre. Estávamos ajoelhados diante do padre que nos dava a benção. Eu sabia que tanto eu quanto ele poderíamos cair a qualquer momento ali, eu tinha uma enorme distonia nos pés e o Ethan não parava de se mexer, todo nosso “ensaio” para o casamento foi por água abaixo, era culpa do momento.

Mudei o rumo do meu olhar para as pessoas na igreja, meu pai estava emocionado, a Ellen ao seu lado sorria, Rachel estava chorando junta do Rupert. Os pais do Ethan estavam abraçados, afinal, todos estavam. Nossas famílias unidas, agora além de ser um só, eram um só reino.

A Kate estava trazendo uma cesta dourada cheia de laços de fita ao seu redor, ela não era tão grande, dentro estavam às alianças, e que lindas alianças.

Voltei minha atenção às palavras do padre assim que ele perguntou se eu aceitaria o Ethan como meu rei, esposo, amigo...

– Sim! – falei sorrindo e corada colocando o anel nele.

Ele fez a mesma pergunta ao Ethan.

– Sim! – ele respondeu com a minha mesma convicção e beijou minha mão.

Dirigimos-nos até a frente do altar onde estava uma pequena mesa de vidro que iria se realizar a coroação.

Meu pai e a Rainha Ellen foram até nós assim como os pais do Ethan.

Cobriram-nos com o Robe Real, vermelho e branco, cada, para ser realizada a coroação. O arcebispo se aproximou de nós e impôs as mãos nas nossas cabeças, e nos ajoelhamos.

Prometem e juram solenemente governar os povos de Scárvia e Jordine, e de suas posses e outros territórios a qualquer um deles pertencente ou relativo, de acordo com suas respectivas leis e costumes? – ele começou falando.

– Solenemente prometemos fazer isto. – eu e o Ethan respondíamos iguais.

Vocês irão usar seus poderes para trazer a Lei e a Justiça, na Misericórdia, em todos os seus julgamentos?

– Sim, iremos.

Vocês irão usar o máximo de seus poderes para manter as Leis de Deus e da verdadeira pregação do Evangelho? Vão usar o máximo de seus poderes para manter em Jordine a Religião Protestante Reformada estabelecida por lei? Vão manter e preservar invioláveis ​​a liquidação da Igreja da Scárvia, e da doutrina, e do culto, e da disciplina e governo do mesmo, conforme estabelecido por lei na Scárvia? E vocês vão preservar os Bispos e o clero de Jordine, e as Igrejas na quais são comprometidos, todos os seus direitos e privilégios, como estabelecido por lei?

– Nós prometemos fazer. As coisas que nós prometemos fazer antes, nós iremos realizar e manter. Assim Deus nos ajude.

Após o juramento o arcebispo sussurrou algumas palavras para si mesmo, nos levantamos nossos pais se aproximaram. A tiara foi tirada com cuidado de minha cabeça e no mesmo momento eu e o Ethan tivemos as coroas postas em nossas cabeças.

Flashes e palma para nós durante alguns minutos, e ficamos de mãos dadas. As coroas foram retiradas de nós seguindo das palavras do padre:

– Agora, diante de todos os reinos aqui presentes. Eu os declaro, rei e rainha. Marido e mulher. – ele abaixou a cabeça como um “podem se beijar” e foi o que o Ethan nem esperou.

Estávamos nos beijando naquele exato momento como se nada mais fosse nos atrapalhar, eu tinha realizado meu desejo assim como ele, estávamos casados e felizes agora.

[...]

Seguidos de arroz no cabelo, palmas e gritarias imensas seguimos direto para o palácio. Acenando dentro do carro, riamos como crianças loucas.

– Está feliz? – ele perguntou.

– Mais do que isso? Impossível.

Chegando ao palácio, fomos escoltados por alguns guardas, entre eles o Scott ficou ao meu lado. “Parabéns.” O ouvi falar e eu assenti sorrindo como um obrigada.

Como eu havia visto mais cedo, a recepção não podia estar mais maravilhosa. Moças estavam dançando um balé perfeito na entrada, músicos tocavam num canto no salão onde foi feito um palco, luminárias se estendiam nos corredores. Um lustre bem em cima de nossas cabeças que parecia a ponto de cair.

Já tinha pessoas dançando quando chegamos, mas não havia tantas palmas como agora.

– Sabe, esse está sendo o melhor dia da minha vida. – o Ethan falava bagunçando o cabelo.

– Não faz isso. – puxei a mão dele – A Meredith vai te matar sabia?

– Não estou nem ai pra ela, sabia?

O Rei Adalard e a Rainha Anabela vieram até nós.

– Ah, minha querida, meus parabéns, foi tão lindo vocês dois juntos. – Anabela me abraçava apertado.

– Ah, obrigada Anabela. – sorri pra ela e fui falar com a Adalard.

– Me diga se meu filho te faz feliz, sim, pode dizer, se não eu mesmo me resolvo com ele. Okay? – ele falava acelerado e eu não pude deixar de rir muito.

– Sim, eu aviso.

Em seguida chegaram meu pai e a Ellen.

– Meus queridos, parabéns! – ela nos abraçou e logo meu pai nem esperou e pulou em mim chorando.

– Filha, minha filhinha, cresceu... Ah como o tempo passou rápido...

– Pai não chora não. – eu ria.

– Tudo bem, por você.

Ao longe eu avistei aquele vestido turquesa de cedo, e ela se virou até mim.

– Já volto Ethan.

Andei rápido até minha mãe que vinha em minha direção também, o choque foi tão grande que nenhuma das duas conseguiu segurar as lágrimas ao se abraçar.

– Estou orgulhosa de você. – ela falou.

– Eu não podia estar mais.

– Ficou mais aliviada?

– A senhora não faz ideia de o quanto da medo ficar lá em cima.

Ela riu.

– Mas agora está tudo bem, isso é o que importa.

Eu voltei para perto do Ethan e ela para o Rupert. Fiquei por um bom tempo recepcionando as pessoas e recebendo presentes enormes de outras famílias. Fiquei até surpresa quando a Marilyn apareceu para me dar os parabéns.

– Senhorita... É... Aquele assunto daquele dia... – ela se referiu a quando me contou sobre a Ellen.

– Ah, não se preocupe, está tudo resolvido agora, só tenho mais é que te agradecer, mas isso fica entre nós, okay?

Ela sorriu, numa reverência foi embora.

Passei pelo bufê, e... Meu Deus quanta comida, nem em festas normais havia visto tantas assim. O bolo estava no centro da mesa, ele tinha quatro andares, não muito grandes, pequenos, e com certeza, havia mais um três desse na cozinha para tanta gente.

– A rainha aceitaria dançar comigo?

Ouvi a voz no Ethan no meu ouvido.

– E como recusar essa ideia?

Fizemos a mesma coisa que no dia anterior, ele me guiou até o meio do salão e seguimos o mesmo passo da música que tocava. Meu vestido parecia que ficava mais leve a cada passo que dávamos.

Eu me sentia mais feliz do que nunca quando dançava com ele.

Porém eu odiava quando certas lembranças voltavam a minha mente.

– Eu juro que estou tentando esquecer todos os problemas a partir de agora. – falei.

– Eu também estou, mas não podemos fazer nada a respeito não é?

– Acho que não.

– Que pena então.

Ficamos na dança mais uns cinco minutos e assim que ela acabou com todos dançando recebi um beijo do Ethan, a coisa mais linda que eu havia ganhado.

Passava-se das onze e meia da noite e a festa continuava como se tivesse acabado de começar. Eu iria jogar o meu buquê. Peônias brancas e vermelhas, ele era simples, mas belo.

– Prontas meninas? – gritei de cima do palco.

– Sim! – todas elas gritaram, antes que eu jogasse vi que até a Rachel e a Meredith entraram no meio.

– Um...

– Dois... – elas completavam.

– Três.

Soltei uma gargalhada assim que o joguei me virei instantaneamente para ver quem o havia pegado. E a sortuda foi a Rachel.

Ela ainda tentava acreditar, mas depois que a ficha caiu se virou para a Meredith e começou a rir.

De repente todos se calaram. Ouvi uns murmúrios vindos de trás, mas não vi nada. Apenas consegui ouvir, o som da sirene. Olhei para cima da porta e a luz vermelha havia se acendido e piscava freneticamente.

“Não pode ser...

Falei para meu consciente, e eu tinha que me manter de pé, mas aquilo só significava uma coisa. Eles chegaram. Eles vão atacar. Era o dia D. E não tivemos mais saída.

As portas se fecharam assim como as janelas, rapidamente causando um estrondo enorme. Desci de um pulo do palco tropeçando no vestido e caindo de cara. Senti alguém me levantar e tinha sido o Ethan.

– Antes que fale alguma coisa, Sanye vai ficar tudo bem.

– Não vai... Não vai. Você não vê? Essa era a grande surpresa que eles queriam me dar.

Uma gritaria enorme começou e eu ouvi a voz do meu pai pedindo calma assim como o rei Adalard.

As rainhas tentavam controlar o tumulto com a ajuda de dezenas de guardas. Controlando passagens.

Ouvimos sons de tiros vindos de fora, gritos de guerra soavam em toda parte como o fim do mundo. Um pensamento veio a mente.

Se ele havia ficado do lado de fora, eu não podia... Ele ficou do lado de fora. E a Kate? A Kate estava com o Rupert eu havia visto, sim, ela estaria segura. Mas... E o Scott? Ele não.

Eu subi a calda do vestido e no impulso corri até a porta. Eu não podia deixá-lo lá fora, mas só depois que bati minha cabeça e cai no chão foi que eu vi que ele teria que se virar sozinho.

– SANYE! – ouvi o grito do Ethan.

– ESTOU AQUI ETH... – minhas palavras foram cortadas quando abriram a porta.

Uma rajada de vento entrou e as pessoas se calaram. Eu estava de frente para cinco rebeldes com armas apontadas diretamente para mim.

Lá fora eu vi corpos de rebeldes e guardas machucados gravemente então mudei minha visão para as armas gigantes no meu rosto.

– Uma festa... E não fomos convidados? – o rebelde do meio falou sorrindo e os dois da ponta me ergueram com os braços.

– SOLTE-A. – Eu vi o Ethan correndo até mim.

– PARE ETHAN. PARE. POR FAVOR. – gritei de volta e ele fez o que eu mandei ao ver que eu tinha armas apontadas até mim.

Seu rosto adquiriu um medo sombrio, mas ele manteve a calma.

– É bom que escute a sua princesinha senhor rei. Ou iremos levá-la conosco. – o rebelde do meio disse.

– Tudo bem, tudo bem... – meu pai se aproximou erguendo as mãos – O quanto querem para nos deixar em paz?

– O quanto queremos? – eles riram – Vocês nos isolam, matam nossas famílias e pergunta o quanto queremos? Pois eu digo, vingança. Se eu matasse sua pequena filha aqui? Agora?

– Não... Por favor... – eu choraminguei e senti uma pontada na cintura quando o rebelde da direita me cutucou com a arma.

– Iremos recuar, e é bom que não nos sigam...

Fomos dando passos para trás, eu vi o Ethan paralisado, vi o rosto de todos ao meu redor sumindo, todos... Esse seria meu fim? Mas... Eu só tinha me casado agora...

Do nada ouvi passos lentos, mas eles não notaram isso, eles seriam atacados pelas costas. O rebelde do meu lado direito levou um murro e o que falava um chute, eles caíram e eu fui puxada para frente por uma mulher... Não... A Rachel.

– Corra.

– Não... O que?

– CORRA SANYE! – ela me entregou o buquê que eu tinha jogado e eu apenas a vi sendo arrastada no meu lugar.

– MÃE. MÃAAAE. – eu ia correr, mas alguém pulou na minha frente.

Era o Ethan, ele iria reagir ao que fizeram, mas ele apenas caiu na minha frente com uma cacetada na cabeça. Desmaiado. Não...

– ALGUÉM... FAÇAM ALGUMA COISA! – eu gritava, mas as pessoas gritavam abafando minha voz, elas estavam correndo enquanto guardas lutavam até a morte com outros rebeldes que invadiram o local. Eu consegui tocar seu rosto machucado enquanto minhas lágrimas caiam sem piedade. Mas ele foi levado para longe de mim.

Eu me debati no chão sendo segurada pelo meu pai enquanto via minha mãe e o meu marido serem arrastados para longe de mim. Estava chorando como louca gritando por eles. Clamando seus nomes sem piedade até desabar no chão. Talvez no alvoroço, em toda aquela movimentação os guardas não os viram ir embora...

Mas eu os vi.

Eu vi minha mãe tomar o meu lugar nas mãos daqueles rebeldes. Eu vi meu príncipe tentando salvá-la sem êxito...

Eu os vi escapando de minhas mãos. Eu não deveria ter sido fraca ao ponto de deixá-los irem embora... Mas eles foram...

E agora, só restava tempo até ter noticias do que iria acontecer.

Notas finais
Só digo isso: [...] A sala era escura, uma persiana iluminava o local, eu senti uma enorme dor nos pulsos e estava bastante machucado, acorrentado... Eu estava vivo? [...]