Me Rendo a Coroa

14 Capítulo 14


Notas iniciais
"E eu não vi você se aproximando... E eu nunca serei a mesma. Isto é um estado de graça, esta é uma briga pela qual vale a pena lutar." State of Grace, Taylor Swift.

O único barulho que se ouvia era o som do silêncio. A respiração lenta do meu pai... Os soluços pequenos da Rachel... O que se via era um sorriso sínico estampado na cara da rainha Ellen, meu rosto espantado... E a única coisa que eu sentia agora era o peso do mundo nas minhas costas.

Se já estava sendo difícil conviver com aquelas pessoas, imaginem agora, sabendo que a minha verdadeira mãe sempre foi minha amiga. A empregada. A que dizia a quão linda eu estava. A que deixava meu cabelo impecável...

De que serviria agora um casamento? Ou, de que serviria agora se eu não podia estar acompanhada lá dentro da minha verdadeira mãe? E a coisa que mais me deixou irritada, foi o fato de todos saberem, menos eu.

– Então é isso... Isso que vem escondendo de mim? – eu falava baixo

– Filha, querida... Isso foi para o nosso bem! – meu pai se levantou e tocou meu ombro, mas eu o afastei logo em seguida.

– Nosso bem? Desde quando nosso bem? Não seria o bem de Jordine? Ou o bem da sua reputação? – comecei falando ríspida sem deixar que me atrapalhassem – Ah, mas as pessoas iriam comentar. Pai... Eu achei que você era diferente, achei que o senhor me amasse a ponto de não deixar nada escapar de mim. – me virei para a Rachel, quer dizer, minha mãe – E a senhora... Que nunca me contou, nem você Rupert... Afinal. Por quê?

E uma coisa, a coisa que eu menos esperei naquele momento, foi ouvir a Rainha Ellen.

– Escute Sanye, já parou pra pensar que se nós tivéssemos contado isso a você provavelmente todos já começariam a desconfiar? E já pensou, se todos soubessem, seu pai seria deserdado? Estaríamos agora, mendigando, na rua. Tudo pelo fato de que eu não sou sua verdadeira mãe.

– Então saiba Ellen, que eu preferia estar mendigando migalhas a nunca ter o prazer de ter conhecido a Rachel como minha verdadeira mãe. E pai – eu me virei para ele – Você foi um covarde, de não tê-la deixado livre.

– Filha a decisão não foi minha e você sabe muito bem disso.

– Mas poderia ter sido. Se o senhor não fosse tão burro a não enfrentar o seu pai. – eu havia gritado, estava perdendo o controle, mas uma voz me acalmou.

– San... – a Rachel pediu licença pra levantar e seguiu a passos lentos – Não os culpe se não sabe a verdadeira história... – eu comecei a ficar confusa, então, não sabia de tudo – Depois que fomos descobertos, não quis ser morta, claro, não queria que seu pai sofresse as consequências por mim, então tive uma conversa com o seu avô.

“Ele era um homem muito compreensivo. Entendeu que nós apenas agimos como loucos apaixonados, jovens que não sabiam nem o que era amar... Eu implorei que ele me deixasse viva, e ele relutou muito até dizer sim, mas como castigo tive que me manter distante do seu pai e tendo serviços cada vez mais pesados... Até uma recaída, e ele me deixou apenas como uma simples empregada. Mas não do Rei. E como apenas eu, o seu pai e os seus avós sabiam da história, pude ser mantida viva, aqui.”

– Mas se era só isso... Eu não pude saber... Por quê? – falei sentindo lágrimas.

– Você era muito jovem querida. E como uma vez você me contou que amava muito a Ellen, não tive coragem de lhe dizer a verdade. – meu pai disse triste.

– Esse era o motivo para a senhora me odiar rainha? – me levantei indo em direção a Ellen.

– E você ainda pergunta Sanye? Eu nunca aceitei o fato de criar uma filha de uma empregada, mas ao conhecer seu pai tudo mudou pra mim, começamos a nos gostar cada vez mais e eu fiz isso por ele. Se dependesse de você... – ela foi ríspida.

– Eu nunca lhe fiz nada...

– Por favor, Sanye... – A Rachel falava – Vamos conversar depois, acho que seria uma boa hora pra eu ficar a só com...

Eu tinha entendido o recado, sai da sala sem reverência sem nada e fui seguida até o meu quarto pelo Ethan.

Eu não conseguia derramar lágrimas nem se eu quisesse. Muito menos agora, eu não queria. Fui ao banheiro me trocar e quando voltei me deitei de lado olhando pro Príncipe sentado no meu tapete, ele segurou minha mão.

– Obrigada por não ter me deixado sozinha naquela sala. – sussurrei.

– Eu nunca que iria te abandonar naquela situação. – sorrimos juntos.

– Talvez agora, o nosso único problema seja os rebeldes não acha?

– Tenho completa certeza, e nosso casamento?

– Fica calmo, isso não é um problema pra nós. – ele beijou minha mão e eu fechei os olhos.

– Vai dormir?

– A perguntar certa seria “vai tentar dormir?”.

– Então... Vai tentar dormir?

– Não – falei quase que no mesmo instante – Só durmo com você aqui.

Eu abri os olhos e vi no seu rosto uma malícia, gostosa de ver, o Ethan não era alguém de abusar, ele é literalmente um príncipe.

– Boa noite! – ele beijou meu ombro.

– Boa noite! – repeti, e pela primeira vez, tive uma noite sem sonhos nem pesadelos.

[...]

Acordei lentamente e não senti meu noivo ao meu lado, óbvio, ele não iria ficar ali até essa hora, aliás, nem sei que horas eram quando me levantei.

Corri ao banheiro, fiz toda minha higiene, coloquei um vestido azul e desci, com toda minha confiança para o café da manhã.

As pessoas estavam agindo de uma maneira como se nada tivesse acontecido. A Ellen estava andando pra lá e pra cá com uns preparativos do casamento, a minha mãe ajudava a carregar as bandejas, a rainha Anabela estava separando uns tecidos do vestido.

– Posso falar com a senhora? – fui até a Ellen, ela me olhou estranho depois assentiu.

– Pode falar.

– Vamos começar tudo de novo? Como... Amigas... – falei de cabeça baixa e pude sentir um sorriso vindo dela.

– Princesas nunca devem abaixar a cabeça, acho que você precisa reforçar suas aulas de etiquetas com o Rupert antes do casamento.

Eu pus um sorriso nos lábios, de puro alívio. Tendo a certeza de que eu tive uma conquista naquela manhã.

– O que lhe fez mudar de ideia em relação a mim? – perguntei mexendo nos papéis do casamento.

– Acho que eu não era a pessoa certa pra ser sua mãe adotiva mesmo. – ela me deu um papel com modelos de vestidos – Então, depois de ontem... É melhor sermos amigas do que inimigas, não quero uma rainha como minha inimiga.

Eu sorri, de alívio, felicidade, por eu finalmente estar fazendo as pazes com a Ellen.

– Obrigada. – ela riu – Então... Eu tenho que escolher um desses?

– Sim, e bem, você tem uma hora. Depois disso as costureiras virão vê-la.

Ela foi dando as costas e saindo, não antes de eu falar mais um obrigada. Depois de olhar aquela papelada toda, virar e desvirar papéis, andar ao redor da mesa umas quinhentas vezes, estava cansada e só tinha mais dez minutos, até eu ver a Rachel, minha mãe – tenho que por isso na cabeça.

– Oi! – eu fui chegando perto dela que via os arranjos.

– Olá Sanye! Está bem?

– É... Depois daquele choque... – eu ri e pus uma mecha do cabelo atrás da orelha – Não vou me acostumar tão fácil a te chamar de mãe.

– Já tentou, filha?

“Filha”. Aquilo me fez criar toda a coragem do mundo pra falar o que ela queria ouvir.

– Acho que vou conseguir, mãe.

Ela me olhou nos olhos, a beira das lágrimas e me abraçou forte. Amassando os papéis que eu segurava, fiz o mesmo com ela segurando as lágrimas. Aquilo era tão bom, como reencontrar sua mãe que sempre esteve com você.

– Então, o que a senhorita está fazendo?

– Tentando escolher um modelo. Me ajuda mãe?

Ela assentiu e foi comigo até a mesa, espalhamos tudo ali em cima, analisando cada detalhe.

– O que acha desse aqui? – mostrei a ela um vestido um tanto, exagerado, super armado e uma calda gigante, ela riu.

– Não mesmo, isso não é nenhum pouco a sua cara.

– Não mesmo!

Depois de ter passado os dez minutos, eu ouvi os passos da Ellen e da Anabela e as vozes das mesmas.

– Escolheu o vestido querida? – a Anabela perguntou.

– Bem, é... Não. – fiz cara de tacho e percebi a Ellen olhando para a Rachel, tentei mudar logo o assunto assim que eu virei o rosto e encontrei simplesmente o modelo perfeito – Pra falar a verdade, escolhi sim.

Entreguei-o para a Rainha.

– Esse aqui? Tão... Normal...

– Sim, esse mesmo.

– A princesa tem estilo Ellen, se ela gostou é porque vai ser perfeito. – Anabela me defendeu.

– Então que seja, não é mesmo? Rachel, você poderia levar para a Meredith?

– Sim senhora! – a Rachel me abraçou, se curvou e saiu.

Ficamos um pouco em silêncio até eu ter sido chamada para escolher as cores dos tecidos da decoração.

[...]

O tempo passou devagar, eram cinco e meia da tarde quando eu acabei tudo. Fiquei zanzando pelo palácio sem ter mais o que fazer, já tinha escolhido o tecido mais delicado para o vestido e meus sapatos, todos os mínimos detalhes, e o casamento seria depois de amanhã. Assim como minha coroação.

Passei pelo jardim, mas sem privacidade, depois daquele recado dos rebeldes eu era escoltada até antes dos muros, fiquei lá sentada brincando com a barra da minha roupa quando dei por mim, que eu não havia visto o Ethan ainda hoje.

Levantei-me e entrei a procura do príncipe, sem nenhum sinal dele, afinal, nem ele nem meu pai, a quem eu devia mil desculpas pelo incidente de ontem.

Bati na porta de seu escritório, e não tive nenhuma resposta, nem mesmo no seu quarto e no do Ethan, e muito menos ainda o Rupert. Descendo as escadas me encontrei com a Anabela.

– Rainha! – me curvei.

– Olá Sanye!

– A senhora sabe do seu filho? Ou do meu pai... E do Rupert...? – ela riu.

– A senhorita só vai vê-los amanhã.

– Por quê?

– Bem, eles têm como uma despedida de solteiro, acho que é assim que falam pelas ruas de Scárvia, virou uma tradição com todos da família real que irão se casar.

– E... O que acontece nessa despedida? – perguntei me sentindo desconfortável e a rainha riu.

– Eles bebem, se divertem, fazem coisas de homem. Normais, pra ser exata. – acho que ela percebeu minha cara de ciúmes quando falou: — Não se preocupe, eles não saíram com mulheres nenhumas.

Soltei um suspiro de alívio que me fez corar.

– Obrigada, Anabela.

– Não tem por onde senhorita.

Já era tarde quando eu voltei ao meu quarto.

Tivemos um jantar bem agradável pra ser certa. E a Rachel foi incluída, o que me deixou muito feliz. Falamos sobre meu casamento, sobre como o Ethan era lindo – prefiro deixar isso de fora – E a minha mãe falou que ela nunca teve um caso com o Rupert, o que eu ainda desconfio.

A noite foi silenciosa, e estranha, porque eu não tive a minha conversa noturna com o senhor-perfeito. Então, eu consegui dormir cedo, pois pelo que me disseram amanhã eu teria que ensaiar cada passo com o Ethan e com meu pai, um longo dia...

Notas finais
Meus amores. Vidas. Tudo (parei) Enfim... Quero pedir muitas, imensas, infinitas, desculpas, por ter demorar séculos pra postar. 1- Eu estava na semana de provas, que não foi nada bom. 2- Eu tive um bloqueio e não fazia nem a redação direito. 3- Eu estava pondo as ideias na caxola. KKKK Enfim, espero que não tenham se esquecido de mim nem da minha fic :( Gosto tanto dos comentários de vocês *-* Obrigada por lerem, espero Reviews.