Me Perdoe- Oneshot

1 Promessas Perdidas


Obito morreu á um ano. Uma promessa. Só uma. Foi o que restou. Uma dívida. Uma missão. Eu prometi cuidar da Rin. Prometi protege-la com a minha vida. E foi ali. Bem ali. Eu perdi tudo. Eu pude sentir seu sangue escorrendo pelas minhas mãos, seu corpo perder as forças e seus olhos perderem a vida. Eu estava a perdendo. O sangue que escorria por seus lábios gélidos e manchava sua bela pele branca era escarlate, e refletia meus olhos. Eu não podia acreditar. Eu não queria acreditar. Ela olhava no fundo dos meus olhos, tocando minha alma. Tudo o que saia de sua boca eram sussurros.

—Kakashi...

Sua vida estava se esvaindo. Escorrendo pelas minhas mãos. Ela se foi. E a pior parte foi ver o seu corpo tão frágil e delicado caído no chão e saber que eu não podeira acompanha-la. Eu voltei meu olhar para as minhas próprias mãos, que estavam cobertas pelo sangue da pessoa que eu amava. Eu perdi as minhas forças. Eu não conseguia pensar em mais nada. Senti meu corpo enfraquecer. Me senti incapaz de me movimentar. Engoli um seco ao vê-la ali novamente. Lágrimas frias escorriam pelo meu rosto, se misturando ao sangue. Minhas forças se foram, assim como a vontade de estar vivo. Eu caí. Era uma queda lenta e tortuosa. A cena não saia da minha mente. Então eu atingi o chão e perdi a consciência. Primeiro o Obito, e agora a Rin. Tudo minha culpa. Seus sussurros, a minha promessa... Todas essas coisas passavam pela minha cabeça naquele momento. Eu só queria que tudo não passasse de um sonho, mas não. Era real. As lágrimas eram reais. A dor era real. A morte da Rin era real, e era minha culpa. Eu acordei em um hospital. Minato-sensei estava lá. A pior parte é que eu acordei. Naquele momento, eu só queria estar morto. Eu olhei em volta com os olhos entre abertos, em seguida deito a cabeça. Aquela maldita cena voltara a me atormentar. Fechei os olhos com força e franzi o cenho com os punhos cerrados. Uma lágrima involuntária escorre pelo meu rosto. Ela era fria e descia lentamente. Eu me sento na cama e fico encarando o chão. Aquela cena, suas últimas palavras, a promessa que quebrei... Era muita coisa.

—Ei...

Minato-sensei diz se aproximando de mim. Pude sentir ele sentar ao meu lado e colocar sua mão em meu ombro. Mais lágrimas caiam involuntariamente. E estava tomado por uma sensação de agonia.

—Está tudo bem agora. Pode me contar tudo. Não carregue este fardo sozinho.

As palavras de Minato-sensei eram calmas e reconfortantes. Ele me fazia sentir como se eu fosse sair dali e encontrar Obito e Rin me esperando do lado de fora, mas não. Eles não estão lá fora. Eles estão muito longe. E a culpa foi toda minha.

—Me desculpe... me desculpe, sensei...

Me desculpe. Era a única coisa que eu conseguia dizer. Haviam muitas coisas que eu queria dizer, mas as palavras trancavam na minha garganta. Eu sentia como se estivesse engasgado. As únicas palavras que saiam da minha boca eram: "Me desculpe". A culpa era minha. Esse era o mínimo que eu poderia fazer.

—Não. Não foi culpa sua. Não faça isso consigo mesmo.

O sensei tentava me acalmar, tentava aliviar minha culpa. Mas não. Não adiantava. Era tudo culpa minha. Mais lágrimas caíam. Elas eram grossas e pesadas. Minha respiração ficou ofegante. Eu me sentia cansado. Eu só queria correr para longe dali. Cada vez que eu fecho os olhos, a imagem do corpo de Rin jogado no chão vem a minha mente. Eu olhava para as minhas mãos e as via sujas. Sujas com o sangue da única família que eu tive desde a partida do meu pai. Agora só me restara o sensei. Mas ele tem a esposa dele. Sua família. Embora ele se dedique muito em me ajudar, não há espaço para mim junto dele. Não quero quebrar mais promessas. Não quero derramar mais sangue.

—Não se culpe tanto. Ela amava você. De verdade. Ela não iria querer vê-lo assim.

Não importava o que o sensei dissesse. Era culpa minha. Em seguida ele disse que teria de ir embora. Ele me deixou alguns livros e foi embora. Eu me deitei e fiquei encarando o teto. Eu sentia como se minha cabeça fosse explodir a qualquer momento. Depois de alguns minutos, eu peguei no sono. Eu tive um pesadelo horrível. A Rin estava caída em meus braços. Minhas mãos estavam sujas de sangue. Era o seu sangue. Obito apareceu a minha frente. Ele começou a falar comigo.

—Você prometeu, Kakashi... Você prometeu!

Rin começou a falar também.

—Você nos prometeu, Kakashi.... Você prometeu!

Os dois começaram a gritar comigo. E a cada segundo ficava mais e mais alto. Até chegar em um ponto no qual o som era ensurdecedor. De repente Rin saiu dos meus braços e começou a andar na minha direção. Os dois estavam ensanguentados. Eu recuava a medida que eles se aproximavam de mim. Até que eu fiquei encurralado. Eu fu prensado na parede. Eu estava em pânico. Eles estavam a centímetros de mim. Suas vozes ecoavam em minha mente. De repente, a luz de meu Chidori começa a surgir e a me cegar. O som dos pássaros cobria o som das vozes. E então eu acordei. Eu estava suado e em pânico. Era muito difícil respirar. Eu me deitei novamente, e o teto começou a girar. Depois de alguns minutos, uma enfermeira entra.

—Bem, tenho boas notícias! Você ganhou alta! Você pode sair essa tarde.

Sua voz ecoava em minha mente. Eu poderia sair, mas pra onde? Não tinha ninguém me esperando. O sensei deve estar em casa com a esposa dele. Eu não quero atrapalhar a felicidade dos dois. A manhã passou voando. A tarde eu arrumei minhas coisas e fui embora. Eu fui para casa e me joguei na cama. Lágrimas geladas começaram a cair. A sensação de culpa era horrível. Eu não pude fazer nada. Eu fui até a cozinha e tomei u m copo d'água. Começou a chover. Eu não comi nada o dia todo. Eu não tinha fome. Os raios iluminavam a casa vazia. Cada rio que caia me fazia pensar em meu Chidori. E cada trovão que eu ouvia me fazia pensar nos gritos e sussurros. Era horrível. Algo lá no fundo me dizia para acabar com tudo. Para pegar uma faca e acabar com tudo. Era o que eu queria. Mas por quê? Por quê eu não conseguia por um fim em tudo? Era porque eu sabia. No fundo eu sabia que não poderia me juntar a Obito, Rin ou ao meu pai. Mas eu não aguentava. Eu não podia. Não conseguia. Eu peguei a faca e a encarei. A imagem do corpo caído do meu pai começou a me atormentar também. Era horrível. Eu olhava em volta sem motivo algum. Relampejava lá fora. O vento balançava as árvores. O vento batia na porta. As folas eram arrastadas. Eu estava ali. No meio de tudo. Eu encarava aquela faca. Eu sabia o que devia ser feito. Mas por quê eu não faço? Depois de alguns minutos, um corte. O sangue de cor escarlate escorria e manchava o chão. Perante a dor em minha consciência, aquilo era nada. Outro corte. E outro corte. E mais um. Meu braço estava ensanguentado. Ouço alguém bater na porta. Começo a me sentir fraco. Sinto meus olhos pesarem. Sinto eles se fecharem involuntariamente. Sinto meu corpo pesado. De repente, caio com força no chão, fazendo um barulho muito alto. Vejo a porta abrir e casa ficar iluminada. Vejo uma figura clara me pegando e me levantando. Eu sou levado para fora e acabo perdendo a consciência. Eu só vejo um clarão. Eu não sentia quase nada. A dor estava indo embora. Eu só ouvia algumas vozes ao fundo.

—Tragam ele por aqui!

—Estes cortes são muito fundos!

—Não deixem ele perder a consciência!

—Ele perdeu muito sangue!

—O coração está entrando em falência!

—Preparar para uma parada cardíaca!

—Preparando o desfribilador!

Eu não sentia mais nada. Tudo ficou claro. As vozes pararam. Era silencioso. Eu estava andando. Lá estavam Obito, Rin e meu pai. Eles me abraçaram com bastante força.

—Eu estava com saudades de vocês.

—Nós também!

—Agora você pode ficar conosco.

Eles pegaram as minhas mãos e me levaram em direção a uma luz branca. Eu estava feliz. A dor se foi. Infelizmente, o sensei ficou lá. Mas sei que um dia o time 7 estará completo. Eu parei no meio do caminho e disse que precisava fazer algo. De repente, as vozes voltam.

—Temos batimentos cardíacos! Ele voltou!

—Ele está acordando!

—Senhor, você não pode entrar aqui agora.

—Eu preciso vê-lo!

Era a voz do sensei...

—Minato-sensei...

Minha voz estava fraca. A dor voltou de repente. Ele se aproximou de mim e parou ao meu lado.

—Kakashi?

—Adeus, Minato-sensei. Eu não tenho muito tempo. Obito e Rin estão me esperando. Estaremos esperando você lá também.

A luz voltou. Eu não sentia nada. Eu estava em paz. Obito e Rin estavam sorrindo. Finalmente estávamos juntos de novo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Foi mal pelo final de bosta, é o meu primeiro oneshot ;-;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!