Me, Myself And Time
1 Me, Myself and Time
Notas iniciais
Me, Myself and Time
A menina sentava-se na cama e virava-se em direção da janela para observar a lua. Enquanto olhava aquela lua pensava em sua vida e como ela era complicada para mesma. Não, ela não sofria de bullyng, de anorexia e muito menos de bulimia. Isso não tinha nada haver.
Ela nunca tivera tantos problemas quanto muitas meninas no Nyah, mas é claro que, como toda garota, ela já havia sofrido um pouco de bullyng. Acontecera na primeira serie (atual segundo ano), dois meninos implicavam com ela por ela ter problemas na pele, mas ela não ligava para eles e nem ninguém ligava para eles. No ano seguinte, um dos meninos mudou de escola e só sobrou o outro mas vendo que não causava nenhum efeito na garota decidiu parar. Hoje em dia já não tinha mais aqueles problemas na pele, mas nunca se esquecera daqueles meninos.
Mas o negocio da bullyng não a incomodava. Mas muitas outras coisas a incomodavam, como por exemplo suas notas. Seus pais sempre foram bastante rigorosos quanto às notas. Ela sempre tinha que tira notas acima de oito em TODAS as matérias, o que era meio difícil e meio fácil. Era difícil porque ela tinha que estudar bastante, mas nunca tivera saco para estudar e era fácil porque ela sempre fora uma aluna dedicada e inteligente (modestamente falando), o que tornava mais fácil fazer os testes e provas.
Mas mesmo assim ela tinha medo de tirar menos que a media que seus pais estabeleceram, pois nas vezes que isso acontecera seus pais lhe deram uma tremenda bronca e ela não gostava das broncas deles. Não, eles não lhe batiam, mas as palavras doíam.
Outra coisa que a incomodava era seu próprio jeito. Ela sempre fora chamada de nerd e de santinha, por causa de suas notas e de seu comportamento. Como foi dito anteriormente, ela sempre tinha que tirar notas acima de 8, tirando assim algumas das notas mais altas da turma e então a chamavam de nerd, mas para ela, ela não era nerd, era só inteligente. Se eu consigo, eles também podem conseguir! Eu não sou nerd, eles é que são burros!, ela pensava.
Ela era chamada de santinha porque, na maior parte do tempo, ela fazia as coisas certas e tinha medo de errar. Ela não fazia isso porque queria, ela fazia isso porque era o jeito dela! Ela era assim e não conseguia mudar. Sempre que ela fazia uma coisa errada, de noite ela sentia remorso e não conseguia dormir direito.
Mas de certa forma, ela preferia ser santinha do que uma bagunceira. Muitas vezes, ela até se orgulhava de se santinha porque ser santinha tinha suas vantagens, como por exemplo os professores nunca a dariam uma advertência e nem chamariam a sua mãe. Ela sorriu com esse pensamento.
De repente veio uma corrente de ar e o ventou tocou-lhe a face. Ela adorava quando isso acontecia. Adorava o toque do vento porque ele era doce e delicado. Talvez o toque mais delicado que ela já recebera no rosto. Sim, ela nunca tivera um namorado e muito menos gostara desse jeito de algum garoto. Por conseqüência disso, ela ainda era BV e BVL, mas não ligava muito para isso. Ela achava que só deveria beijar alguém que ela gostasse de verdade e como ela nunca gostara de ninguém de verdade até aquele momento, ainda não beijara. Não, não era por falta de pretendentes, pois já haviam a pedido em namoro, mas ela recusara.
Ela revirou os olhos. Por que eu estou pensando nisso?, ela pensou. Se levantou, foi até o banheiro e se olhou no espelho. Viu as grandes olheiras debaixo de seus olhos como o de habitual e como sempre, não ligou. Poderia muito bem passar um corretivo e disfarçar aquilo, mas não passaria. Odiava desde sempre maquiagem. Achava ridículo que meninas da sua idade ou até menores que ela, emplastando o rosto de maquiagem. Quando elas tiveram 40 anos, o rosto delas estará todo estragado! , ela previa, Não entendo porque tantas meninas ficam se maquiando!, Ela pensava.
Enquanto se continuava a se olhar no espelho pensava porque sempre fora tão diferente das outras garotas. De certa forma, ela nunca estaria dento dos padrões da sociedade e sabia disso, porque enquanto elas emplastavam o rosto de maquiagem, ela andava com a cara limpa. Enquanto elas usavam mini shorts, mini saias e mini vestidos, ela usava bermudas, vestidos até o joelho e saias de igual altura. Enquanto elas dançavam funk empinando aquelas bundas nojentas, ela olhava para baixo e pensava Quando essa porcaria vai acabar?!. Enquanto elas comiam comidas saudáveis, ela comia ‘’porcarias’’. Enquanto elas ‘’pegavam’’ dez garotos por ano, ela ficava sozinha, mas feliz. Enquanto elas ouviam funk, Restart, Cine, Justin Bieber e outras bandas coloridas, ela ouvia um bom rock e algumas musicas pop e country.
Ela sempre repudiou as bandas coloridas e o Justin Bieber! Achava ridículo que meninos usassem uma peça da roupa de cada cor, por exemplo uma calça laranja, uma blusa branca cheia de desenhos, um colete verde e um tênis roxo! Ela achava que aqueles ‘’meninos’’ (lê-se bichinhas) deveriam se sentir humilhados e ridículos por usar aquelas roupas e ter cara de Pokémon e achava também que todo mundo deveria odia-los, mas não era isso que acontecia. Ela não entendia porque todas aquelas meninas idiotas gostavam daquelas bandas! Não é por causa das letras, nem da beleza deles e muito menos por causa do talento., ela pensava.
Ela suspirou e decidiu voltar para observar novamente a lua, que estava tão bonita naquela noite. Ela sentou-se novamente e virou-se para a lua. E olhando aquela linda lua, ela percebeu o quanto era incompreendida. Ninguém nunca a entenderia. Ela sempre fora confusa e difícil de entender, ela nunca demonstrara muito os seus sentimentos, o que tornava difícil de ser compreendida. Mas ela não ligava. Ela acreditava que algum dia, ela conheceria a única pessoa que pudesse se abrir e que a compreenderia, mas até essa pessoa chegar, ela teria de continuar guardando seus sentimentos, suas duvidas e suas confusões mentais só para si. Seria sempre assim: ela, ela mesma e o tempo.
Quem é essa menina? Simplesmente eu.
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