Me Faça Rir

1 Capítulo Único


Vocês podem achar mentirosa essa história que vou contar, mas, aviso que ela é tão real como seu reflexo no espelho.

Ela aconteceu há alguns anos, em um tempo onde crianças eram crianças e famílias eram verdadeiramente uma família... E alegres e mágicos circos podiam conter pavorosos mistérios.

O cheiro doce de pipoca em um entardecer de domingo frio se misturava com alegria de uma imagem perfeita de uma família. Uma bela e jovem mãe de espírito alegre e protetor, um pai trabalhador e carinhoso é duas crianças maravilhosas. O mais novo, um bebê gracioso e calmo e o mais velho, um belo rapazinho inteligente.

Sobre o pôr do sol a família seguia até o parque onde se encontrava metade da cidade.

Uma bela lona havia sido armada a alguns dias e folhetos tinham sido espalhados, o circo havia chegado a cidade. Felicidade, Isso se resumia a expressão de todos. Gargalhadas, o show havia começado, palhaços coloridos e divertidos alegravam a todos. Mas por que o coração de alguns batia com uma ponta de angustia?

Um espetáculo hilariante cativava a todos, uma noite perfeita. As cortinas fecharam, o circo havia terminado. Recolham seus sorrisos e guardem no bolso.

Os palhaços com seus largos sorrisos se despediam do público apaixonado.

No fundo do olhar brilhante do palhaço continha uma escuridão densa e obscura, olhar que só pessoas de um passado sombrio poderia ter, pessoas com grandes pecados na alma que sabiam esconder muito bem por detrás de uma maquiagem alegre. Infelizmente a doce mãe havia notado, talvez um pouco tardio. Os olhos dos palhaços assim como postes acesos se apagaram deixando apenas um olhar em completa escuridão. Medo tomou conta da senhora alegre que apressando sua família partiram em direção a sua confortável casa. Na sua cabeça estavam seguros, sim, estavam seguros. Foi apenas uma confusão da sua mente.

As três da madrugada o vento soprava provocando sons arrepiantes nas janelas. Risos a atormentavam provocando insônia. A doce mãe passara toda noite tentando dormir, porém imagens da noite do circo se misturava com o terror dos olhos sombrios dos palhaços. Ao despertar de seu terceiro pesadelo a doce mãe se levantou da sua cama, todo o seu quarto estava completamente calmo seu marido parecia estar em um sono profundo ao seu lado.

“ Tola. Estar se assustando por um medo infantil.”

Disse a si mesma logo em seguida se acalmando. Era uma madrugada de inverno e pela janela entrava um vento congelante. Descalça, ela caminhou até a janela na intenção de fechá-la.

Do outro lado da janela no meio da rua um palhaço fazia mímica, sorria e gesticulava para um público invisível, se reverenciava e agradecia.

A doce mãe parecia estar encantada com a estranha cena no meio da madrugada escura. Entretanto, para a sua desagradável surpresa ao voltar sua atenção a janela palhaço se vira em sua direção. O coração da jovem mãe disparou ao se deparar com a face medonha do palhaço colada no vidro de seu quarto com a maquiagem borrada. O palhaço dava gargalhadas assombradas. Em seu olhar profundo e negro estava escrito “ódio.” Em cada gota de suor frio que ela transpirava havia medo. Sua carne tremia enquanto dava passos para trás. Seu olhar se desvia para o seu lado, onde uma silhueta de um palhaço gordo apareceu com um sorriso medonho mostrando as pontas afiadas de seus dentes.

Ela gritava sem parar, porém ninguém ouvia muito menos seu marido que por muitas vezes não parecia ser realmente ele. Vários palhaços apareceram dentro de seu quarto formando um círculo ao seu redor.

Risos atormentadores e a maquiagem distorcida pingavam de seus rostos diabólicos.

O Ar faltava e o frio havia se tornado um inferno, tudo escureceu, estava mergulhada na insanidade dos palhaços.

No dia seguinte a ambulância estava na frente da casa , a doce mãe havia enlouquecido, seu olhar alegre e iluminado tinha se tornado escuro e profundo, não havia nada a não ser tristeza. Apenas dois círculos negros. Em todo o caminho ela não parava de repetir a mesma frase:

“ Palhaços malvados ! Palhaços malvados !!!

Ninguém podia acreditar que a jovem mãe estava louca. Na quela noite a casa da perfeita família estava cinza.

As crianças foram levadas pela irmã mais nova da jovem mãe. O pai não parava de se perguntar o porquê, até que em um dia ele desapareceu. Ninguém sabe como ou para onde , apenas em uma tarde suas coisas foram encontradas reviradas e espalhadas. Algumas de suas roupas também tinham sumido junto com um belo retrato de sua família.

Entretanto, quem tinha ido para o circo naquela noite disse que por debaixo da lona colorida, o circo estava mais alegre e com um brilho em comum.

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