Perséfone amava flores, cada uma delas lhe remetia um momento, memória ou amor, mesmo aquelas que já haviam murchando. Tocou uma pétala sem vida, no início do dia ela era do tom de azul mais impressionante que a própria deusa da primavera já havia visto, mas a noite ela era cinza e quebradiça, porque o Mundo Inferior não era um local para flores.

Ouviu passos e soube que era Hades, ele se aproximava com um novo buquê, e como acontecia todas as noites, aquelas flores na mão do deus dos mortos se tornavam suas preferidas. Flores representavam amores, e as que ele carregava noite após noite eram um dos sinais mais vívidos do amor dele, de como desejava que seu castelo fosse o lar dela, mesmo que isso significasse visitar o mundo mortal todos os dias.

Pegou as flores dele com um sorriso, ajeitou-as no vaso, mas diferente das outras noites, tocou as mãos pálidas dele e sussurrou um pedido: me deixa ser tua flor. E o deus dos mortos sorriu, porque se dependesse de si, aquela flor jamais murcharia.

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