Notas iniciais
Bom dia, povo ♡ Cabei de postar fanfic nova do Michael Jackson, viu? u.u se quiser sofrer, pode ir lá conferir o/ ashaushasha Bora de mais um cap! ♡

Era 20:08h quando os passos frenéticos de Michael podiam ser ouvidos pelos corredores. O benefício de ter um condomínio só para si era fazer bagunça no horário que quisesse, sem precisar passar por nenhum inspetor.

Quase escorregou quando virou à direita. Correu em direção ao próprio quarto, mas foi alcançado e pego por Morten já perto da porta. Michael gargalhou e tentou se desvencilhar.

— Me solta! Sério, isso não vale, seu trapaceiro!!

— Pegar um atalho não vale? Então coloca isso nas regras, da próxima vez!

Ele fez cócegas no rapaz, que se mexia freneticamente, deixando uma risada gostosa e engraçada escapar. Morten gargalhou e o agarrou pelo corpo, o colocando por sobre o ombro. Ele era bem mais alto que Michael, e aquilo acabou dando muito certo.

— Se você rir mais um pouco, vai acabar quebrando um copo!

Disse, já entrando no quarto. Ao chegar lá, o soltou na cama, mas Michael estava aceso demais para dormir agora, então tratou de se levantar, apenas parando para tomar um ar, havia rido bastante.

— Você é o único que consegue me convencer a fazer essas palhaçadas a essa hora da noite… nós devíamos ir dormir, amanhã vai ser um dia cheio.

— Hunf, cheio pra você. Vou passar o dia todo no caderno ou perambulando por aí como foi hoje mais cedo.

Michael suspirou e aquiesceu.

— Desculpa não ter mais tempo pra você… eu vou compensar, eu prometo.

— Tudo bem, baby boy… você já tá compensando, eu nunca corri tanto quanto agora.

O cantor riu discretamente.

— Eu ainda estou uma pilha. Você vai dormir agora?

— Vou, eu tô um pouco cansado… cansado de fazer nada, mas cansado.

Morten se jogou ao seu lado na cama e relaxou. Michael sorriu e se acomodou por perto.

— Bom, então acho que eu vou ler alguma coisa…

— Tudo bem… boa noite, baby boy.

Virou-se de costas e se acomodou para dormir. Michael continuou na luta, teria que se esforçar um pouco para dormir ou acordaria muito cansado no dia seguinte. Buscou em sua gaveta ao lado da cama algum livro extenso, de leitura densa, que o cansasse um pouco mais rápido. Adorava as obras de Shakespeare, e eram todas na linguagem arcaica original, isso seria interessante.

Folheou algumas páginas, passou alguns instantes lendo. Depois de 30 minutos, seus olhos começaram a cansar. Michael aproveitou aquela deixa para tentar dormir um pouco.

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Quando Michael abriu os olhos, deparou-se com o quarto pouco iluminado, com apenas um pouco de luz saindo de seu abajur ao lado da cama. Esfregou os olhos, ainda um pouco sonolento, e lentamente sentou-se. Quando seus olhos buscaram por Morten, o encontrou folheando o próprio caderno. Michael o observou com um sorriso no rosto.

— Ei…

O chamou. Morten custou a desviar o olhar para o seu, mas, quando o fez, o rapaz prosseguiu.

— Sabe… você nunca me mostrou como é o interior desse caderno. É igual ao antigo? Quer me mostrar?

Indagou, queria ver se ele atenderia ao seu pedido, Morten raramente o levava para um passeio dentro de sua "safe room". O rapaz sorriu, aquele sorriso sapeca que evidenciava suas lindas maçãs do rosto, e fechou o material em seguida.

—Tem umas coisas mais interessantes pra fazer, Michael. Além do mais, eu quase não fico mais aqui.

Suspirou, o que deixou o moreno preocupado.

— Você fica desconfortável, não é?

— É… eu…

Ele o encarou, seu olhar parecia sério. Michael prestou atenção.

— Acho que estou ficando mais como você… e menos como eu.

Aquilo deixou o cantor intrigado.

— Como assim…?

— Olhe…

Morten se aproximou. Quando estava bem perto, ao lado do rapaz, abriu o caderno e tentou inserir sua mão na folha, sem sucesso. Conseguiu a princípio, mas sua mão piscou em sketch e rejeitou, fazendo com que ele precisasse abortar a missão imediatamente. Michael o notou franzir o cenho, pelo visto aquela tentativa havia o machucado.

— V-você está bem?!

— Tô… só dói um pouco quando ele faz isso…

Morten riu enquanto balançava a mão, a fim de tentar aliviar a dor. Michael levou as mãos até a dele e começou a massagear a sua palma.

— Bom, vou ficar sem saber como é lá dentro então…

Brincou, mas seu amigo sentiu a necessidade de respondê-lo.

— Por que quer saber como é lá dentro? É frio e vazio como no outro caderno… é solitário.

Michael o encarou.

— Mas eu estaria contigo. Você não ficaria sozinho.

Aquela afirmação havia deixado Morten sem palavras. Ele retribuiu ao olhar do cantor, não teve nenhuma reação nova, seus olhos o examinavam como se estivesse tentando ler sua mente. Michael, por um instante, se sentiu hipnotizado, mas retornou à sua consciência quando o viu inclinar-se em sua direção.

— O-o que está fazendo?!

— Shh…

Fez o rapaz, levando uma mão ao seu rosto. Seu polegar tocou o queixo do cantor, Michael começou a suar frio.

— Estou há um tempo querendo te dar uma coisa… e eu sei que você também quer isso.

Aquilo foi mais do que suficiente para encerrar aquela conversa. Michael já havia entendido do que se tratava e teve certeza absoluta quando seu nariz tocou o dele. Seus lábios selaram novamente em um beijo tímido e sereno. Não parecia um sonho como da última vez, ele fechou os olhos e sentiu com todos os detalhes os lábios finos de seu amigo envolverem os seus, sentiu um pouco de sua boca quente, de seus dentes, mas não sentiu sua língua, Morten não parecia ter nenhuma pressa.

Os músculos tensos do cantor lentamente relaxaram, mas seu coração ainda parecia descompassado. Aquilo era muito diferente para sua mente, não era a mesma coisa que beijar uma garota. Pela primeira vez em anos, sentia que não tinha o controle da situação.

Aos poucos, Michael passou a querer aquilo. Lenta e involuntariamente levou as mãos aos braços do rapaz, apertou os seus músculos com carinho e avançou mais uma etapa naquele beijo. Quando Morten sentiu a língua dele invadir sua boca, logo se afastou, parecia ter sido pego de surpresa.

Michael mordeu os lábios, acanhado.

— M-me desculpe…

Após alguns segundos de silêncio, Morten riu daquela situação. Michael o acompanhou pouco depois, ainda meio deslocado.

— Você é mais apressado do que parece, hum? Deita ali…

Fez um sinal para a cama. O moreno deitou e foi acompanhado pelo seu amigo. Morten apoiou-se com um dos braços enquanto o outro envolvia a cintura de Michael, que não deixou aquilo perdurar por muito tempo, logo fez um movimento e inverteu suas posições. Agora, Morten repousava na cama, e Michael o envolvia em seus braços.

— Com dois anos de convívio, pensei que você já me conhecesse…

Brincou, com um sorriso sapeca. Morten retribuiu em silêncio, mesmo que quisesse, não teria conseguido falar nada, Michael avançou e beijou sua boca novamente. Depois da primeira vez, parecia que aquilo não teria fim. Era como se uma avalanche tivesse início, era impossível parar depois de começar.

Nova e involuntariamente, as mãos do cantor subiram em direção aos pulsos do rapaz que relaxou o corpo e cedeu ao seu domínio. Michael inclinou-se e o provocou mais uma vez, tentando inserir a língua em sua boca, obtendo sucesso. Morten seguiu a sua proposta, entrelaçou sua língua à dele, mas insistiu em manter seus movimentos labiais lentos, não tinha pressa em desfrutar daquele carinho, era algo que queria há um tempo e cada segundo para si era valioso.

Cansaram. Michael lentamente finalizou o beijo e suspirou pesadamente. Mesmo depois de perder o fôlego, não parecia satisfeito. Reaproximou e desceu os lábios pelo pescoço de seu amigo, mordiscou e beijou sua pele com um pouco menos de pressa, arrancando alguns suspiros silenciosos do rapaz. Morten, por sua vez, apenas manteve os olhos fechados e desfrutou do carinho. Levou uma mão aos cabelos escuros do moreno e entrelaçou os dedos em seus cachos, brincando com as ondas dos seus fios.

O sono chegou gradativamente para finalizar aquele momento. Dormiram aninhados, com os lábios de Michael ainda encostados em seu pescoço. Seguiram seus corações naquela noite, no dia seguinte pensariam melhor sobre o que haviam acabado de fazer.

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Era 08:52h quando Michael despertou em um salto, temendo estar atrasado. Olhou para o relógio e suspirou, ainda não era tarde, poderia tomar café da manhã e iniciar seu dia com um pouco mais de tranquilidade.

Todavia, depois do alívio, sua mente encontrou espaços para pensar na noite passada. Mordeu os lábios quando se lembrou de cada detalhe, de como o fogo havia dominado suas ações, questionava-se como ainda não haviam feito amor, pois, naquele momento, Michael não se sentiu mais dono de seu próprio corpo. Era como se seus desejos tivessem falado mais alto.

O que quer que tenha acontecido, aquela manhã estava servindo para lhe trazer um pouco mais de vergonha na cara. Desviou o olhar para o lado e deparou-se com Morten aninhado nos cobertores, dormindo como se nada tivesse acontecido. Em um instante, suas bochechas enrubesceram, todo o seu rosto ficou vermelho. Michael suspirou e levou as mãos ao rosto, seu coração bateu forte, estava a pouco de ter um mini ataque de pânico, ele havia beijado um homem, ele havia beijado um homem pela primeira vez. Ele cansava de dizer à mídia que não era homossexual, e, de certa forma, ele não era mesmo, nunca havia sentido o mínimo interesse em ter alguma relação com outro rapaz. O que quer que estivesse sentindo por seu amigo, era um pouco diferente daquilo, era algo que ele não conseguia explicar. Seu interesse não surgiu pela atração física ou sexual, e mesmo Morten não flertava consigo. Ele havia caído de paraquedas naquela brincadeira e agora não conseguia mais sair.

De repente, todos os seus pensamentos cessaram quando sentiu a cama se movimentar. Era Morten. Passou a mão nos cabelos e se espreguiçou, ainda um pouco atordoado.

— Bom dia, baby boy…

Murmurou. Michael mordeu os lábios, completamente envergonhado. Ele não conseguiu olhar em seus olhos naquele momento, se levantou e tentou iniciar o dia.

— Bom dia.

Respondeu rapidamente e se retirou, indo até o banheiro. Morten não notou o seu incômodo, ainda estava um pouco cansado. Após um tempo, ambos se aprontaram e marcaram de tomar o café da manhã juntos, como sempre faziam. Michael estava uma pilha de nervos comparado ao seu amigo, que parecia muito tranquilo.

Ele suspirou e começou a falar.

— Morten…

O rapaz estava muito entretido brincando com uma coqueteleira que havia conseguido no bar privativo do restaurante. Misturou achocolatado com suco de laranja e começou a chacoalhar.

— Que é...?

Vê-lo brincando com aquele objeto lhe causava uma sensação tão diferente de quando estava quase sobre o seu corpo, na cama. Morten parecia diferente, parecia um pouco mais disperso, um pouco mais brincalhão. O Morten da noite anterior era mais decidido, mais sério, mas ainda era ele, Michael sentia isso em seu coração.

— Você… quer conversar sobre a noite passada?

Jogou para ver o que ele diria. Morten parou de chacoalhar aquele copo e o repousou na mesa, em seguida voltou a beliscar um pouco de suas panquecas.

— O que tem pra falar? Eu tava muito cansado e dormi logo.

Ao ouvir aquilo, Michael arqueou a sobrancelha, confuso.

— Como assim?

— Bom… eu lembro que ficamos correndo nos corredores, depois eu fui dormir e você ficou acordado. Aconteceu alguma coisa depois disso?

Michael ficou em silêncio por um tempo, perdido em seus pensamentos. Relaxou as costas na cadeira e desviou o olhar para a própria comida, parecia estarrecido e confuso. Não era possível… mais uma vez aquilo havia sido um sonho, era a única explicação plausível. No fim das contas, mesmo com aqueles sentimentos e aquelas sensações tão reais, era apenas um sonho.

— Baby boy…?

Michael o encarou assim que ele o chamou, notou que Morten parecia preocupado consigo. Olhou para seu pescoço, lembrava que muito havia o beijado ali, mas não encontrou nenhuma marca visível. De fato aquilo não foi real.

Suspirou, não sabia se comemorava ou lamentava.

— Esquece… acho que foi um sonho...

— Sonhou comigo? Ah, e o que aconteceu, posso saber?

Indagou, usando um tom malicioso de propósito. Michael deixou uma risada tímida escapar e sujou a ponta do seu nariz com um pouco de seu chantilly.

— Idiota… Por que você está repetindo a mesma roupa, hum?

Indagou, desviando de assunto.

— Ué, eu só tenho quatro ou cinco, e as outras estão pra lavar.

Disse, de forma calma e tranquila, enquanto limpava o chantilly com uma mão e se servia da mistura esquisita que havia feito na coqueteleira com a outra. Michael arqueou a sobrancelha.

— Esse tempo todo, eu só te desenhei quatro ou cinco roupas?

— É.

— E você não me disse nada?!

— É.

Ele suspirou, em seguida passou a mão nos cabelos.

— Eu devia ter reparado nisso. Oh man, os shows, a turnê, o álbum…

— Ei, fica tranquilo, eu não vou ficar emburrado porque você não notou isso. Eu também acabei não avisando, pra mim tanto faz…

— Mas pra mim não. Olha, não estou com tempo pra desenhar as roupas, vamos fazer compras mais tarde, okay?

Morten o olhou com um pouco de espanto, parecia ter aprovado a ideia.

— Sério??

— Claro. Você nunca fez compras, não é? Nós precisamos sair mais…

Michael finalizou sua comida e se levantou. Morten prontamente o acompanhou, um pouco mais animado.

— Cá entre nós, você não vai me comprar roupa de engomadinho não, né? Tipo as suas…

Provocou. Michael gargalhou e fingiu que iria lhe dar um soco, Morten, por sua vez, fingiu se defender.

— Se continuar tagarelando, vou te vestir de princesa.

— Tá bom, tá bom, não tá mais aqui quem falou!

Os rapazes, já um pouco mais alegres, se retiraram. Michael ainda tinha muito o que fazer antes de ir às compras.

Notas finais
Próximo capítulo: — Michael… O rapaz de fios dourados se aproximou, um pouco atordoado. Michael segurou em seus braços e notou como ele parecia abatido. — O que foi? O que aconteceu com você?! — Eu quero ir embora. Só me tira daqui, por favor… Michael sequer teve tempo de responder, um burburinho do lado de fora da loja foi o suficiente para chamar sua atenção e perceber que o seu sossego havia acabado naquela hora. Algumas pessoas timidamente se aproximaram, e, à medida que se aglomeravam, mais e mais apareciam. Michael estava exposto, havia sido reconhecido.