Me Apaixonei Pelo Meu Melhor Amigo
1 Lembranças
Notas iniciais
*Boa Leitura*
Buenos Aires, Argentina – Sábado, 31 de Janeiro de 2015.
Era uma tarde fria. Chovia lá fora, assim como no dia em que eu e Léon nos conhecemos. Depois de mais uma das maravilhosas tardes em sua companhia, estávamos assistindo televisão na sala de minha casa. Léon tinha sua total atenção no filme que passava, do qual o mal sabia o nome. Hoje fazia exatamente Um ano que eu o tinha conhecido, ou como costumo dizer, que Deus o havia mandado pra mim, depois de ter me tirado as duas pessoas mais importantes da minha vida, meus pais.
Flash Back On
“Era uma tarde fria e chuvosa. Havia saído do colégio ás pressas, após uma chamada de urgência de minha casa. Achei estranho o chamado de Ramalho no meio da aula de Espanhol, pois o mesmo nunca me ligava no colégio, a não ser na hora em que ia me buscar para ir embora para casa. Estava andando a passos ligeiros, e meu coração doía a cada novo passo que eu dava, meu interior me dizia que algo de muito ruim me esperava e isso já estava me assustando. Virei a ultima esquina antes da rua de minha casa e olhei de relance para trás, e só ai percebi que havia mais alguém ali comigo na rua. Olhei novamente para trás, e pude perceber que era um homem alto, cabelos castanhos e porte físico forte. Apressei ainda mais meus passos, quase a ponto de correr. Não que o homem tivesse cara de assassino, ladrão ou algo do gênero, mas não se pode arriscar aqui em Buenos Aires. Olhei novamente para trás e o homem estava cada vez mais perto de mim, a rua estava deserta, e para piorar a chuva estava ficando cada vez mais forte. Não sei se por azar, ou pelo medo e o nervosismo que estava sentindo, acabei não vendo uma enorme poça d’água bem em minha frente e acabei escorregando, mas para minha grande surpresa, não senti meu corpo ir de encontro ao chão, e sim em grandes braços e muito macios por sinal. Abri os olhos lentamente, com medo do que me esperaria, e me surpreendi novamente, ao encontrar duas esmeraldas verdes me fitando cautelosamente.
– Como você está? – perguntou preocupado.
– Estou bem, graças a você, muito Obrigada. – Respondi tão calmamente que até me surpreendi.
– Tem certeza que está bem? – perguntou, ainda com certa preocupação em sua voz.
– Eu estou bem. Muito obrigada novamente. – disse ainda hipnotizada por aquelas órbitas verde.
– Vamos sair dessa chuva então, pois senão logo iremos ficar resfriados. – disse ele, e só ai percebi que ainda não havia levantado de seus braços. Corei bruscamente. Levantei-me e ajeitei minha roupa que estava completamente encharcada. Agradeci mais uma vez e comecei a caminhar em direção a minha casa. Senti ele me acompanhar com o olhar e em seguida vir atrás de mim.
– Está indo para lá? Posso te acompanhar se quiser, uma moça bonita como você não deveria andar sozinha pelas ruas de B.A, é muito perigoso. – disse me olhando serenamente e caminhando ao meu lado.
– Sim, minha casa é logo ali, aceito sua companhia, obrigada. – disse sorrindo de lado.
– Não há de quê. Meu nome é Leonard Vargas, mas pode me chamar de Léon. – disse ele, estendendo sua mão para mim e dando um sorriso encantador.
– Muito prazer Léon, meu nome é Violetta Castillo, mas pode me chamar de Vilu. – Eu disse depositando minha mão sobre a sua, na qual ele envolveu e depositou um delicado beijo.
– O prazer é todo meu, Vilu. “
Flash Back Off
Sai de meus devaneios, e Léon ainda se encontrava vidrado ao filme. Uma curiosidade aflorou em meu peito e consumiu com meus pensamentos novamente. Será que Léon se lembrava de hoje? Será que para ele, o dia de hoje era tão importante o quanto era para mim? Perguntas e mais perguntas, brotavam em minha mente. Já se passavam das 16:00h e ele não havia falado nada sobre o assunto. Tomei coragem e decidi perguntar, precisava sanar as dúvidas que surgiam em minha cabeça.
– Léon – Chamei baixinho, quase em um sussurro, para não assustá-lo.
– Quê?! – perguntou com a atenção ainda voltada para o filme, o que me desmotivou a continuar com o diálogo. Ele estava assistindo ao filme e tudo o que eu sabia fazer era atrapalhar, que bela amiga eu sou.
– Nada, deixa pra lá. – disse com a voz desanimada e rapidamente me levantei do sofá, mas não dei nem um passo e senti meu braço ser delicadamente puxado e eu inesperadamente ir para sentada de lado no colo dele.
– O que te aflige, pequena? – perguntou bem próximo ao meu rosto, com a voz doce e o olhar confortante.
– Nada, não é nada. – eu disse com o olhar baixo e com a voz falha, pela nossa proximidade.
– Você mente muito mal, sabia? – disse com voz de riso – Não confia em mim? – perguntou olhando no fundo dos meus olhos, como se procurasse desvendar meus segredos mais ocultos.
– Claro que eu confio, Aliás, você é a única pessoa que eu confio no mundo. – eu disse olhando em seus lindos olhos verdes.
– Você também é a pessoa que eu mais confio no mundo, e a que eu mais amo também. – disse com seus olhos transbordando sinceridade e carinho.
– Eu também te Amo. – eu disse com as bochechas coradas e um sorriso tímido nos lábios.
– Vai me contar o que houve então? – disse como se necessitasse saber disso para viver.
– Não é nada importante, eu Juro. – eu disse com um sorriso de canto e um olhar convincente.
– Jura? – perguntou com uma sobrancelha erguida e um olhar desconfiado.
– Juro.
– Então me dá um abraço aqui. – disse sorrindo, um sorriso lindo que me tira o fôlego, o meu sorriso, que ele sempre me dá quando quer me acalmar ou me passar tranqüilidade. E que sempre consegue.
– Claro que eu dou, quantos você quiser. – Eu disse sorrindo e o abraçando.
Estar nos braços dele é uma das melhores sensações que eu poderia sentir na vida, é como voar nas nuvens, como se nada no mundo pudesse nos abalar, é como estar no paraíso, como se o mundo parasse e só existisse eu e ele, ninguém mais.
– Tem algum compromisso pra hoje? – perguntou baixo, interrompendo meus pensamentos, ainda me abraçando.
– Não. Por quê?
– Quer sair comigo mais tarde? – ele sussurrou em meu ouvido, me abraçando mais forte e afagando meus cabelos.
– Pra onde? – sussurrei de volta ao pé de seu ouvido e senti-o estremecer.
– Surpresa. – disse me deixando curiosa sobre onde iríamos. –Aceita ou não? – disse se separando um pouco do abraço para olhar em meus olhos.
– Sim, eu aceito. – eu disse sorrindo e o vi dar um sorriso de orelha a orelha.
– Tenho que ir, mamãe já deve estar preocupada, não apareci em casa hoje o dia todo – disse rindo- Passo para te buscar ás 20:00h. — disse me dando um beijo na bochecha e me colocando sobre o sofá.
– Estarei te esperando. – disse e o levei até a porta, dei-lhe um beijo na bochecha e ele saiu em direção ao seu carro.
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