Mayo Note

3 Um desafio ao Mayora


Capítulo 3: Um desafio ao Mayora

O Yorozuya mais uma vez se sentou à maneira de L, procurando raciocinar como o detetive de Death Note. Em meio ao silêncio do ambiente, apenas se ouvia o folhear das páginas de um grosso volume da Shounen Jump.

E logo o silêncio foi quebrado por um estressado Shinpachi:

- GIN-SAN! DÁ PRA DIZER LOGO O QUE VOCÊ TÁ PENSANDO SOBRE O TAL “MAYORA”?

O ex-samurai cutucou o nariz, ainda sentado na mesma posição, e disparou a resposta:

- Penso que o Mayora é o Hijikata.

- Mesmo que o Toshi seja o Mayora, precisamos de provas. – Kondo reiterou.

Gintoki introduziu seu dedo mindinho no ouvido direito e retirou uma pequena porção de cera dele, assoprando-a em seguida. Após esse peculiar ritual de higiene tão costumeiro, encarou o gorila stalker que comanda o Shinsengumi com seu olhar preguiçoso.

- O único viciado em maionese a nível extremo que conheço é aquele idiota que bota maionese em tudo o que come e bebe. – afirmou. – Quem mais chegaria a esse extremo de botar maionese em absolutamente tudo? Além do mais, não acha muita coincidência ele estar de folga e o Zura dizer que mais gente foi parar no hospital por ter se entupido de maionese?

Kondo ficou sem resposta. Os argumentos do Yorozuya deixaram interrogações em sua cabeça. Mas um som logo lhe chamou a atenção e Gintoki pegou um celular na sua escrivaninha. Ele havia acusado uma mensagem chegar. Abriu a mensagem e leu:

“NÃO É ZURA, É KATSURA!!”

- Ah, que seja. – Gintoki murmurou.

Largou o celular para lá e reassumiu seu ar detetivesco. Precisava de uma armadilha para pegar o Mayora e precisava confirmar sua teoria a respeito do Vice-Comandante do Shinsengumi... Ou não.

O ex-samurai pegou novamente a Jump, a fim de descobrir uma estratégia mais adequada à atual situação. Estava decidido a pegar o sacana que fez com que Katsura jogasse maionese no seu sagrado iogurte de morango, profanando-o.

Daria um jeito de fazer isso logo. Para isso, sua cabeça começava a bolar um plano.

*

Chegou ao QG do Shinsengumi e não encontrou Kondo, Yamazaki e muito menos Sougo – que provavelmente estaria armando mais uma das suas habituais emboscadas para eliminá-lo. Não descobriu nenhuma armadilha no caminho e chegou são e salvo ao seu alojamento, ao fim de sua folga.

Nunca tivera um dia de folga tão produtivo. Havia julgado 388 profanadores da supremacia da maionese e deu a eles o que era merecido. Mas seu dever ainda estava longe de acabar. Enquanto houvesse gente que criticasse a maionese e seus apreciadores, o Mayora continuaria em ação.

Ligou a TV, onde começou a assistir ao noticiário. Quando menos se esperava, a transmissão foi interrompida. Na tela totalmente branca, apareceu um “S”. Uma voz de certa forma conhecida se fez ouvir:

- Aqui é o S. Eu estou em rede nacional para dizer que estou disposto a desmascarar o Mayora. O que ele está fazendo é errado! Estou pronto para enfrentá-lo de igual para igual!

- Ele...? – Hijikata parecia surpreso ao ver em seguida o dono daquela voz. – Como ele se atreve...?

A imagem revelava quem era “S”. “S” de Shimura Shinpachi. Pegou o Mayo Note e a caneta e encarou o garoto que trabalhava com o “senhor-mestre-da-irritação”.

- Você jamais vai me desmascarar, moleque!

Escreveu “Shimura Shinpachi” no caderno e, após cronometrar 40 segundos, o efeito apareceu: o garoto de óculos saiu correndo como louco gritando “Preciso de maionese agora!” e reapareceu engolindo 16 frascos de maionese desesperadamente e tombando de indigestão em seguida.

O moreno fechou o caderno, sem conter um sorriso franco de satisfação. Havia acabado com um moleque que achava que iria desvendar seu segredo máximo. Mas logo seu sorriso desapareceu, quando viu novamente a tela branca, com a letra “S”. A voz que agora começava a falar era mais grave e alterada por computador:

- Ei, ei, Mayora... Quer dizer que você ataca à distância, não é? Para sua informação, esta transmissão não era nacional, foi só para Edo. E o verdadeiro “S” sou eu.

- O quê?

Hijikata não conseguia acreditar que fora enganado. Não era “S” de Shimura Shinpachi. “S” era de outra coisa. Afinal, quem era S? Seria “S” de “sádico”, de “Sougo”? Quem mais teria o nome começado por “S”?

- E então, vai tentar me entupir de maionese até que eu pare no hospital? O que tá esperando? – a voz distorcida tinha um misto de desafio com uma ponta de preguiça. – E então, Mayora? Parece que não é capaz de me atacar sem saber a minha identidade, não é? Pois bem, antes que você descubra a minha identidade, eu vou te pegar, profanador de iogurtes!

Nisso, a tela “S” desapareceu, permitindo que se voltasse à programação normal. Irritado ante a ousadia e ao desafio de S, desligou a TV e acendeu mais um cigarro para se acalmar. Olhou para o caderno e sorriu.

- Isso agora está ficando interessante. – disse. – Vamos ver quem desmascara quem primeiro.

Deu mais um trago em seu cigarro e soltou lentamente a fumaça produzida por ele. Se S estava disposto a desafiar o Mayora, ótimo! Mostraria a ele que não se brinca com o Mayora! E, de quebra, entupiria aquele sujeito – fosse ele quem fosse – de maionese.

Enfim, o Mayora se sentia pronto para aceitar o desafio de S. Desmascararia esse sujeito, antes que ele o desmascarasse.

Notas finais
Continua...