Notas iniciais
Hey ! Espero que gostem xX

Mary Jane andava calmamente pela rua, observava a multidão de pessoas que passeavam pelas ruas nessa manhã nublada em Nova York, o vento gélido batia contra o rosto da garota, fazendo com que alguns fios de seus cabelos ruivos bagunçassem de leve.


Suspirou pesadamente quando chegou na frente da grande cafeteria, entrou rapidamente e o irritante barulho de sininho ecoou pelo estabelecimento, sorriu sem graça e foi em direção ao caixa, pedindo seu tão desejado café.


Procurou com os olhos alguma mesa vaga, onde pudesse pensar em paz... As risadas abafadas e os gritos histéricos de algumas pessoas de sua escola a faziam apertar de leve a mochila preta que carregava.


Sentou-se numa mesa afastada, perto de um grande vidro, seus dedos batiam freneticamente na mesa de madeira, seu café chegou e a garota encarou a pequena xícara, passando levemente seus dedos pela borda, a contornando.


As pessoas cochichavam, passavam e riam, e ela estava cansada disso.


Só por causa de seu estilo, seu jeito tímido de ser e sua família, ela era uma completa excluída da sociedade, e ela não queria ser assim, ela queria ser uma garota que as pessoas conversassem, que gostassem e que rissem com ela... Ela só queria ser normal.


Fitou suas pulseiras em seu braço, e logo depois balançou a cabeça, tentando esquecer o seu segredo mais obscuro, o que era quase impossível.


Bebeu o líquido que restava em sua xícara, logo depois se levantou e deixou o dinheiro em cima da mesa, respirou fundo e passou pelas inúmeras mesas, onde as pessoas riam e faziam calunias sobre ela, suspirou fraco e saiu da cafeteria.


Ela sabia que todos os dias seriam assim, que não importa o quanto lutasse, alguém ia chegar e destruir tudo, sabia que não teria a quem recorrer, ela sabia que estava sozinha no mundo.


Andava apressadamente pelas tumultuadas ruas de NY, as pessoas estavam absortas em seus pensamentos, algumas gritavam no telefone, outras somente andavam esbarrando em todos, outras só se importavam com elas mesmas, a sociedade causava repulsa na garota.


Chegou a grande escola, se preparou mentalmente para receber todas aquelas humilhações, entrou no local e abaixou a cabeça, mas seus longos cabelos ruivos eram de longe identificados. Tentava se esquivar das pessoas que passavam falando ao celular e esbarravam na mesma, ela estava cansada dessa vida.


Ao chegar no pátio externo, sentou se em uma árvore um pouco afastada. Seu corpo estava pedindo para descansar, mas ela não podia descansar, ela não podia fazer nem ser nada, ela não podia ser normal.


Encostou a cabeça no tronco da árvore e respirou fundo, logo em seguida abriu seus perfeitos olhos azuis e fitou as líderes de torcida, sempre com corpos esculturais e rostos perfeitos... Rodeadas de amigas e pessoas que as admirava.


O Padrão de beleza que a sociedade coloca nas pessoas, faz com que Mary se sinta inferior, ela nunca foi ligada na moda, muito menos uma garota que passava quilos de maquiagem na cara, não se importava em escovar seus cabelos todo santo dia e sempre estar como uma Barbie.


O Fato é que ela sempre estava em brigas constantes com sí mesma, nunca se aceitara do jeito que era, as críticas que recebera desde criança sempre a afetaram, mas quando foi crescendo, uma repulsa enorme tomou conta de Mary, ela agora não gostava da sociedade, ela simplesmente sentia nojo de ser como os outros... Mas esse modo de pensar fez com que as pessoas a excluíssem de seus grupos sociais, deixando a garota em seus diversos devaneios e sonhos perdidos na linha da vida.


O sinal que os alunos deveriam ir para escola tirou Mary de seus devaneios, se levantou e passou a mão levemente pela calça, pegou sua mochila e logo depois foi em direção a entrada do pátio interno.
As pessoas esbarravam na garota e riam quando se viraram para ela... Mas Mary não era feia, muito pelo contrário disso.


Os olhos azuis e brilhantes faziam um lindo contraste com sua pele branca, seus cabelos ruivos desciam em cascatas pelas suas costas, as roupas pretas e os olhos um pouco carregados de preto a deixavam com um ar meio ‘’dark’’, mas ainda sim ela continuava sendo uma garota linda.


Passava de cabeça abaixada, tentando se esquivar das pessoas que gargalhavam e arrumavam suas mochilas, até que ela esbarra em alguém, quando levanta sua cabeça... Fita um garoto de cabelos grandes e negros, seus olhos são marrons com alguns traços verdes, sua pele é branca e ele traja roupas pretas, se sentiu envergonhada por ter esbarrado no garoto.


-Me desculpe ! –Disse apressada e sorriu compreensiva para o garoto de olhos perfeitos, ele deu ombros e voltou a fazer seu caminho.


Deu um suspiro derrotado quando chegou na porta da sala de aula, já pronta para receber humilhações, abaixou a cabeça e entrou rapidamente, se sentando na última cadeira da sala.


As risadas abafadas e os cochichos sobre ela, a deixavam nervosa, fazendo com que pressionasse suas grandes unhas na palma de sua mão, tentando fazer com que esse sentimento fosse trocado por outro... Agradável.


Agradeceu mentalmente quando as risadas cessaram e as pessoas pararam de jogar bolinhas de papel na mesma, um estrondo na porta anunciou a entrada de seu professor, ajeitou-se na cadeira e logo depois o professor começou a escrever algumas coisas na lousa.


Horas depois, o sinal do intervalo ecoou pela escola, e para que alguns fosse motivo de alegria, para Mary Jane era só mais um motivo para ficar trancada em algum cubículo do banheiro, ao som de alguma música que ela se sentisse melhor.


Saiu da sala e foi em direção ao pátio externo, pegou seu iPod e logo depois System ecoou no último volume pelos ouvidos de Mary, sorriu fraco e continuou sua caminhada pelos longos corredores do colégio.


Enquanto andava em direção a pequena árvore mais afastada, bolinhas de papel eram arremessadas contra seu rosto, e altas gargalhadas ecoavam pelo pátio, Mary respirou fundo e retirou uma bolinha que fora arremessada em seu cabelo, logo depois voltando a caminhar.


Ouviu alguns passos atrás dela, curvou se um pouco e viu o garoto que tinha esbarrado mais cedo, deu ombros e voltou a caminhar, sentou se na árvore e fechou os olhos, aproveitando o vento gélido que batia fracamente em seu rosto.


Abriu seus olhos e logo em seguida se deparou com aquele garoto misterioso de mais cedo, ele mantinha um sorriso brincalhão no rosto.


-Porque você é tão quieta ? –Ele perguntou a Mary, que mantinha uma expressão confusa no rosto.


-Porque você está me perguntando isso ? –Ela rebateu rápido, desviando seu olhar.


-Pois eu quero saber ! Oras.. –Ele disse revirando os olhos.


-Garoto, eu nem sei quem é você ! –Disse seca, ela não gostava de ser assim, mas a vida e a sociedade determinaram que a vida seria mais fácil se fosse assim.


-Bom, meu nome é Gerard McJudd ! Acabei de ser transferido para essa escola.-Disse com um tom irônico, enquanto se ajoelhava na frente de Mary.


-Que bom para você, Gerard.-Mary Jane fingiu um sorriso e voltou a cantarolar.


-Mas eu não sei seu nome. –Ele disse estralando os dedos na frente do rosto da garota, que suspirou irritada.


-Meu nome é Mary Jane Sparks, estudo aqui faz 3 anos e odeio esse lugar, pessoas e você nesse momento, prazer. –Disse irônica e revirou os olhos.


-Porque você é assim ? –Ele perguntou


-Porque a vida me ensinou que se eu fosse uma garota fofa e feliz, as pessoas brincariam com meus sentimentos e me fariam de troxas, por isso, eu odeio as pessoas, odeio o modo que a sociedade as controla e você nesse momento ! –Mary disse olhando nos olhos de Gerard.


-Sabe... Você não precisa ser assim ! –Gerard disse compreensivo, apoiando sua mão no ombro de Mary, que olhou irritada e logo depois retirou bruscamente a mão de Gerard daquele local.


-Eu preciso sim, porque aquela garota meiga e fofa que existia, morreu. Agora existe apenas aquela garota cheia de ódio de repulsa pela sociedade. Passar bem... Gerard.- Mary disse olhando nos olhos de Gerard, logo depois se levantou e passou levemente a mão na calça, saiu apressadamente e deixou Gerard com uma expressão confusa.


O Garoto se perguntou o porquê de Mary ser assim, não era normal uma garota ser desse jeito, ter tanta repulsa e mágoa, ele então... Se sentiu na extrema vontade de ajuda-la, mas sabia que não seria fácil, e que a garota criou seu próprio mundo... O que ele tentaria invadir.


Mary trancou rapidamente a porta do cubículo do banheiro, se encostou na parede e rapidamente escorregou centímetro por centímetro, sentou se no chão e seus dedos leigos entraram por dentro de seus cabelos, respirava fundo, em um sinal claro de nervoso. Mary odiava ser rude com as pessoas, ela sempre achou que todos são fúteis e idiotas, que iriam brincar com seus sentimentos e depois sair, deixando-a confusa e desnorteada.


Mas logo depois... Ela sorriu. O modo com que Gerard se preocupou com ela foi extremamente diferente para a garota. Ela esperava que Gerard a humilhasse, mas não... Ele tentou ajuda-la.


Mas porque aquele garoto de olhos perfeitos e cabelos negros se importou com uma garota tão ‘’invisível ? ‘’