Maybe We Can

2 Por favor cérebro, me deixe em paz.


Notas iniciais
Oi gente. Então, eu tava pensando, como voces vão ver no capitulo, eu decidi fazer com que Emaya não aconteça, porque eu lembrei da existencia da Samara e bom... Eu amo a Samara!!! e também porque eu gosto da Maya, prefiro que ela seja amiga da Emily do que fazer ela sofrer depois hahahaha e sobre a Paige, eu detesto ela, então vou tentar fazer com que apareça o mínimo possível. Espero que gostem e COMENTEM!!!! Obrigada por lerem :-)

No outro dia, Emily mal se lembrava como tinha chegado em casa e como, milagrosamente, estava deitada em sua cama vestindo seus pijamas (e de banho tomado).

Por um segundo ela imaginou que Nate a tinha levado pra casa e tirado suas roupas, e o pensamento simplesmente a deixou apavorada. Ela definitivamente precisava terminar, e faria isso mais tarde, assim que a cabeça dela parasse de doer.

Mas aí ela notou um bilhete em cima da sua cabeceira: “da proxima eu vou cobrar pelo serviço, você é teimosa e pesada, foi dificil te carregar pra cama. — Spencer” E um suspiro de alívio escapou de sua boca. Provavelmente Spencer era a unica que estava sóbria naquele lugar.

Quando ela ia se levantar da cama pra fazer seu caminho até o andar de baixo e comer alguma coisa, seu celular vibrou embaixo dela, fazendo com que ela rodasse um pouco na cama pra conseguir pega-lo. Era uma mensagem de Alison.

“Você ta viva?” ela sorriu um pouco, até lembrar de… AI. MEU. DEUS. Ela tinha beijado Alison? Era isso mesmo?

Não, não é possível.. Ou é? Não! aquilo era só seu cérebro meio confuso por causa da quantidade de alcool que provavelmente ainda estava em seu sangue. Sua cabeça começou a rodar e ela sentia que a qualquer momento poderia vomitar.

Quer dizer, era um beijo, e no geral não era nada demais. Mas se tratava de Alison, dela… E Emily não sabia realmente o que pensar, porque tudo (absolutamente tudo) era diferente quando envolvia as duas, e ela ainda não sabia o motivo. Era tão errado e ao mesmo tempo tão… Não, é só errado. Ou pelo menos era disso que ela tentava se convencer.
Depois de alguns minutos seu celular vibrou de novo, livrando-a de seus pensamentos por um segundo, até ver que era o nome de Ali na tela novamente.

“Se estiver viva e estiver me ignorando, vai morrer rapidamente!” de novo ela deixou escapar um sorriso. Era simplesmente muito fofo, apesar de rude, o jeito que a Alison mostrava que queria atenção.

“Não tô ignorando… Carente.” respondeu simplesmente.

“Carente? Não depois de ontem!” a resposta veio rapidamente, e fez com que o coração de Emily disparasse. Então ela lembrava? Porque pelo pouco que Em lembra, Alison estava mais bêbada que muita gente lá.

Emily não exitou, pegou o celular e ligou pra Alison, que atendeu no mesmo segundo.

– Você lembra de tudo? — ela perguntou, com um pouco de receio na voz.

– Do Noel finalmente falando que queria ficar sério comigo? Sim… Bom, não foi um pedido de namoro, mas é um passo.

A decepção percorreu todo o corpo de Emily. Não que ela esperasse que Alison tivesse lembrado, ou que tivesse achado que aquilo foi algo demais e que tenha gostado. Mas não pode evitar o sentimento ruim.

– Ah.. — ela engoliu seco, pra forçar sua voz a sair normal. — Que bom, fico feliz por você.

– Eu também. — Emily quase pode ouvir o barulho do sorriso da Alison se formando do outro lado.

– Ali, tenho que desligar… A gente se fala mais tarde.

– Ok. Beijo. — e desligou.

E Em decidiu ficar o resto da tarde na cama, porque de repente se sentiu sem fome alguma.

Segunda-feira chegou e sua cabeça ainda estava latejando um pouco, mas não por causa da bebida de sexta/sábado. Ela só estava cansada e com milhares de pensamentos espalhados pelo cérebro, alguns que ela mal conseguia entender.

– Emily, você ta me ouvindo? — Nate perguntou.

Ele estava sentado ao lado dela no refeitório, mas ela realmente não tava prestando a menor atenção no que ele dizia.

– Não, desculpe… O que é? — perguntou.

– Meus pais vão viajar, e eu tava pensando se você não quer…

Ela suspirou antes dele terminar a frase. Provavelmente aquele não seria o melhor momento pra resolver as coisas, mas ela estava tão cansada (e no fundo com um pouco de pena dele, pra falar a verdade, ele não merecia).

– Nate, eu sei que não devia falar isso agora, nem assim… Mas nosso namoro, não ta dando certo pra mim. E a culpa realmente não é sua, você é ótimo, e tenta me agradar sempre. O problema é que…

– Você não gosta de mim. — ele terminou a frase.

– Eu gosto de você. Não do jeito que você gosta de mim, provavelmente. E ainda te desejo o melhor.

– O melhor seria se você continuasse comigo.

Ela deu um beijo na bochecha dele, e ele deu um sorriso fraco.

– Desculpa. — ela sorriu fraco também e se levantou.

Como nas segundas ela tinha o primeiro período livre, resolveu ficar em uma mesa mais afastada, começando a ler a primeira hq da saga da Guerra Civil de novo, porque era uma saga grande, que iria ocupar sua cabeça, e tira-la de deus pensamentos, os quais ela estava tentando fugir desde a maldita festa.

E estava tudo quieto, até alguém ocupar a cadeira na sua frente. Quando ela olhou pra frente era Maya, e então ela sorriu.

– Matando aula de novo? — Emily perguntou, lembrando da ultima vez que tinham se visto.

– É a aula que me mata. — respondeu, fazendo Em rir. — Mas e você, o que ta fazendo aqui? É um dia que você poderia dormir até mais tarde.

Emily mostrou o que tava lendo e Maya suspirou um “Oh” e deu um sorriso, iluminando seu rosto.

– Um dia ainda vou descobrir a graça dessas coisas. — comentou.

– Tem muita, ta?

– Uhum, vou acreditar. — a garota continuou observando Emily por uns segundos sem dizer nada, até que finalmente abriu a boca. — Mas você não parece muito feliz.

– Ah.. — Emily suspirou, porque realmente não queria falar sobre isso. Até porque nem ela sabia muito bem o motivo, então resolveu falar algo óbvio. — Terminei meu namoro hoje mais cedo.

– Sinto muito. — fez uma cara triste.

– Não, provavelmente foi a melhor coisa que eu fiz. Mas finais de namoro são triste né? — sorriu.

– Dizem que sim… — Maya sorriu, e então continuou. — Pra te animar, vamos num karaokê hoje, eu combinei com umas amigas, e você está convidada. E eu não aceito não como resposta! — avisou.

Emily fingiu que estava pensando, mas não demorou muito pra sorrir e concordar. Talvez fosse bom ela sair um pouco com um grupo de pessoas que não tenham Alison no meio.

Ela e Maya continuaram conversando por um tempo até Hanna as interromper.

– Oi meninas. — ela falou, quando se aproximou da mesa. — É Maya né? — Maya fez um sim com a cabeça. — Espero não estar atrapalhando a conversa, mas posso sentar aqui? Spencer ta me irritando, eu só quero paz. — suspirou.

– Ah, fica a vontade, eu tenho que ir de qualquer maneira, preciso passar na biblioteca. — Maya disse, e então se levantou, mas antes deu uma piscada pra Emily, meio que confirmando os planos da noite.

Hanna se sentou onde Maya estava.

– Não sabia que eram amigas. — comentou enquanto dava uma mordida na maçã que estava em sua bandeija.

– A gente não se fala a muito tempo, mas ela é bem legal.

– Desde que não me troque, tanto faz. — ela sorriu.

– Isso jamais. De quem mais eu iria reclamar? — Em brincou e Hanna mostrou o dedo do meio, mas riu. — E então, porque você e Spencer estão brigadas?

– Porque eu pedi pra ela me ensinar um exercício de cálculo e ela ficou toda estressadinha. — a loira revirou os olhos.

Emily tentou não rir imaginando Spencer ensinando MATEMÁTICA pra HANNA. Era definitivamente um momento que ela queria estar presente e com uma câmera nas mãos.

– Você e seus problemas com Spencer, e eu com menos um problema, porque terminei meu namoro. — Em falou de uma vez, dando um sorriso.

– Sério? — Hanna tinha uma expressão de surpresa estampada no rosto. — To tão orgulhosa que te abraçaria se não tivesse uma mesa nos separando. — ela riu. — Quer dizer, você não está triste né? — uma expressão pouco mais séria tomou conta de seu rosto.

– Eu to aliviada. — a morena respondeu. Era óbvio que ela não ficaria triste por terminar um namoro que a estava matando aos poucos.

Praticamente um minuto depois, Spencer, Aria e Alison sentaram na mesa junto com elas, e falaram juntas um “Sério????” e Emily lançou um olhar pra Hanna.

– O quão rápida você é nas mensagens? — Ela perguntou.

– É uma novidade digna de ser compartilhada. — Hanna respondeu dando de ombros.

– Achei que não queria Spencer aqui. — Emily implicou, e Spencer revirou os olhos pra Hanna.

– Ai Han, ok, da proxima vez eu vou ser mais paciente se você não errar uma conta de soma!

– Não vai ter uma próxima… Emily terminou com Nate e eu to terminando com você.

As outras três na mesa riram da expressão de Spencer, porque o olhar dela dizia um “veremos” desafiador, mas ela não continuou com o assunto.

– Mas e então, ta com menos quantos quilos nas costas? — Aria perguntou, se virando pra Emily.

– Considerando o mala do Nate, deve ser um alívio e tanto. — quem falou foi Alison.

– Ai, não fala assim dele, não era “tão ruim”.

– Mas era ruim… Nada comparado com Hermie, mas mesmo assim. — as meninas riram do comentario, mas Emily não, se sentindo mal pelo Lucas. Ele nunca tinha feito nada pra Ali, e nem pra ninguém.

Ela não gostava quando Alison era uma vadia em relação aos outros, porque ela a conhecia (talvez mais do que qualquer uma sentada ali) e sabia que, no fundo, não era quem ela realmente era, e Em achava desnecessário e ridiculo ela agir assim, como uma pessoa insensível, só pra esconder que na verdade tinha sentimentos.

– De qualquer maneira, sim, foi um alívio. — ela respondeu, repetindo o que tinha dito pra Hanna, tentando não olhar muito pra Alison, para não deixar sua imagem invadir a cabeça, porque ela era um dos assuntos proibidos de seu cérebro pensar.

Elas continuaram conversando e, em meio a algumas conversas, ela notou que Alison percebeu que ela estava tentando não olhar em sua direção, porque a loira franziu o cenho e lançou um olhar pra Emily, mas como ela também ignorou isso, Alison desistiu de tentar fazer a morena a notar.

– Han. — Aria chamou. — Caleb está ali atrás, e não para de olhar pra cá.

– Quê? — ela deu uma olhada nada disfarçada pra trás, no mesmo momento que ele olhava pra ela, e ela se virou rapidamente. — Droga. — balançou a cabeça. — Alguém vai comigo ao banheiro porque eu acho que vou vomitar minha dignidade.

– Ai que drama. — Spencer falou, rindo. — Mas vamos, porque temos aula em dois minutos.

Spencer se levantou, puxando Hanna e Aria, deixando ela sozinha com o assunto proibido de seu cérebro, e para o azar de Emily, sua próxima aula era com Alison.

– Tá, agora que estamos sozinhas, você vai me dizer o que aconteceu? — a loira perguntou, fazendo com que ela engolisse seco. Ela não queria ter essa conversa.

– Do que você ta falando? — fingiu que não tinha entendido.

– Você ta me ignorando, não respondeu nenhuma das minhas mensagens no domingo…

– Eu não to te ignorando, só tava... ocupada. — ela se levantou. — Agora vamos pra aula antes que a gente se atrase.

Um “O.K.” abafado foi tudo o que saiu da boca de Alison, e Emily de novo resistiu a tentação de olhar em sua direção, porque sabia que isso a deixaria fraca, e ela acabaria confessando o que atormentava seus pensamentos (apesar de nem ela ter muita certeza do que era).

__

Mais tarde naquele dia, Em estava se arrumando para sair com Maya e as amigas dela. Maya tinha mandado uma mensagem mais cedo dizendo que ela e as meninas passariam para buscar Emily mais ou menos 19 horas, e faltavam menos de 20 minutos.

– Não chegue muito tarde filha, porque tem aula amanhã! — sua mãe falou, sentada no sofá enquanto observava Em se olhando no espelho. — E será que o espelho já não te disse que está linda? — ela riu.

Emily usava uma saia branca com uma blusa preta, um tenis de lona e o cabelo solto.

– Eu to esperando, mas ele ainda não falou nada. — ela disse e sorriu pra mãe.

– Mas eu estou falando.

E então um carro estacionou e buzinou em frente de sua casa. Emily deu um beijo rápido na bochecha de Pam, pegou sua bolsa e saiu. No carro estavam Maya, uma menina loira e de olhos claros chamada Samara e uma ruiva chamada Quinn.

– Eu queria deixar claro que não vou cantar. Nem tentem me obrigar. — Quinn falou.

– E qual é a graça de não cantar num karaokê? — Samara perguntou.

Emily notou os olhos de Samara dando uma leve desviada em sua direção mas depois voltando a olhar para Quinn.

– A graça é que não vão achar graça de você. E eu vou estar ocupada bebendo. — Quinn piscou.

– Mas é segunda feira. — Emily comentou, e as meninas riram.

– Em, só nós duas aqui nesse carro ligamos pra isso. — Maya falou.

– Segunda feira é sábado pra quem está na faculdade. — Dessa vez quem falou foi Samara, e dessa vez deixou sua visão tempo demais focada em Emily.

As quatro chegaram no pequeno, mas aconchegante, bar de karaokê, que estava bastante cheio para uma segunda, mas aí Emily se lembrou das palavras de Samara. Realmente ela não via a hora de ir pra faculdade, mas faltava bastante tempo pra isso, infelizmente.

Maya e Quinn entraram em uma conversa com dois garotos, apesar de nenhuma delas parecerem muito interessadas no que eles tinham pra dizer.

Emily estava sentada em uma das mesas, bebendo um suco e observando as pessoas do local.

– Vai ficar ai sentada a noite toda? — do nada Samara apareceu ao seu lado.

– Talvez. — Em respondeu, com um meio sorriso.

– Não, nem pensar, vamos cantar! — Samara puxou Emily pelo braço, quase a fazendo derrubar seu suco ao levantar.

– O que? Nem pensar… Eu não canto.

– Eu também não, mas e dai?

Antes que Emily pudesse protestar, as duas já estavam em cima de um pequeno palco e começou a rodar a letra de Radio da Lana Del Rey, e ela adorava essa musica, então não resistiu a cantar. E na verdade foi bem divertido, a platéia toda estava muito bêbada pra definir se elas cantavam bem ou não de qualquer maneira, mas não foi tão mau.

Samara na verdade cantava bem, e a luz azul que estava sobre elas a deixou ainda mais bonita, fazendo com que seus olhos ficassem quase fluorescentes.

E finalmente a musica acabou e a platéia aplaudiu as duas, que não conseguiam parar de rir.

– Bela performance a das duas hein. — Maya falou e Quinn estava rindo.

– Na verdade foi bem ruim, mas deu pro gasto. — a ruiva comentou.

– Você só está com inveja. Eu e Emily fomos ótimas. — Samara apertou um pouco o braço de Emily.

O celular de Emily vibrou no seu bolso e o nome de Alison era o que brilhava na tela.

– Gente, um segundo, vou atender o telefone. — ela avisou e se afastou um pouco, indo para um canto e arrastando o dedo pela tela para atender. — Oi Ali. — ela disse.

– Ei, eu só quer… Emy, onde você está? — a loira perguntou do outro lado da linha.

– Num karaokê, por quê?

– Em plena segunda feira? — Alison tinha a voz um pouco mais grave que o normal.

– Sim, Maya me chamou pra vir aqui com ela e com umas amigas.

– Hm, ok… Depois eu te ligo. — e então ela desligou.

Emily não entendeu muito a ligação, e nem o motivo dela ter acabado do nada, então tentou ligar novamente pra Alison, mas o celular deu fora de área. Típico. Alison Dilaurentis só fala com você quando ELA quer falar. A morena revirou os olhos com esse pensamento.

– Quem era? — Samara apareceu atrás dela.

– Uma amiga. Nada demais.

– Não parece nada demais. — ela observou.

Realmente era algo sim, mas era dificil admitir. E sua noite estava tão boa que ela não queria estragar com seus pensamentos (que, inclusive, podiam aprender a lhe dar uma folga, pra variar).

– Nada que vale a pena ficar comentando. — falou por fim.

– Ok então, se você diz. — Samara sorriu. — Mas então, vim até aqui pra dizer que vou te levar pra casa, porque as outras duas estão meio ocupadas. — Samara apontou para trás.

Emily ficou surpresa ao ver Maya e Quinn se beijando. Ela não fazia ideia que Maya era… Lésbica? E Quinn? Meu Deus. E as duas realmente não estavam ligando muito para o fato de que estavam em um lugar cheio (apesar de as pessoas também não estarem ligando muito).

– Elas s-são… Quer dizer…

– Sim? — Samara riu da confusão de Emily. — Você não tem um problema com isso né?

– Definitivamente não, só fiquei surpresa. — respondeu de prontidão.

Como ela teria problemas com isso se, não fazia muito tempo, estava sentindo ciumes de um pseudo-relacionamento que sua melhor amiga, cujo a qual ela havia beijado pouco antes, tinha acabado de entrar e… Droga, essa era a primeira vez que ela realmente havia admitido isso para si mesma.

É claro que era ciumes, e isso era tão errado que Emily queria gritar. Mas tentou afastar seus pensamentos focando o olhar em Samara, que estava bem na sua frente, e era tão linda quanto Alison. (E de novo pensando nela.)

– Mas se você vai me levar, como elas vão embora depois? — Em finalmente perguntou.

– De táxi, a pé, isso realmente não é nosso problema. — a loira piscou. — Mas então, vamos? Ou você quer ficar mais?

– Podemos ir, minha mãe não quer que eu chegue tarde mesmo. — a morena sorriu.

– Crianças…

– Ha-ha.

Pouco tempo depois Samara estacionou o carro em frente a casa de Emily.

– Obrigada.

– Foi um prazer. — ela sorriu. — a gente devia sair mais.

– Com certeza.

Emily se virou parar dar um beijo na bochecha de Samara, mas a loira tinha virado ao mesmo tempo, as coisas ficaram meio bagunçadas e o beijo acabou sendo no canto da boca.

– Ah, me desculpa.. — Samara riu. — Foi sem querer.

– Acho que foi mais minha culpa.

– Na verdade foi minha, mas vamos fingir que foi sem querer. — a loira brincou.

– Espera… Fingir?

– Não que eu não quisesse ter feito isso muito antes. — ela piscou e Em sentiu suas bochechas queimarem e saiu do carro, sem conseguir esconder o sorriso. — Te vejo qualquer dia. — Samara falou e em seguida arrancou com o carro.

Emily entrou em casa e não conseguia controlar o sorriso.. Quer dizer, aquilo tinha realmente acontecido?

Ao mesmo tempo sua cabeça não parava de rodar, pensando em tudo… Nas consequências principalmente, do que tudo aquilo poderia causar. E se ela realmente gostasse de garotas? Isso significaria mudar tudo e todos ao seu redor. Porque definitivamente não são muitos que aceitam isso numa boa.

Seu sorriso desapareceu dando espaço para um sentimento de náusea. Ela tinha que parar de pensar no futuro e viver o presente, mas se fizesse isso ela não seria “ela”.

E ainda tinha… Bom, aquilo que aconteceu na festa de Noel. O que mais estava a irritando era o fato de mesmo depois de tudo, mesmo depois de admitir que estava atraída por Samara, ela não conseguia parar de pensar na sua melhor amiga, que provavelmente estava tendo uma ótima noite de sono pensando no futuro namorado. Era tudo tão errado.

Ainda bem que quando chegou seus pais já estavam dormindo, e ela não precisaria de dizer como foi a noite, porque com certeza não teria uma resposta boa.

Ao subir as escadas e abrir a porta do seu quarto, seu coração parou uns segundos, primeiro pelo susto ao ver alguém sentado na sua cama, e depois por ver quem era esse “alguém”.

– Alison, pelo amor de Deus, você quase me matou. — ela disse, ainda com a mão no coração e encostada na porta do quarto, tentando recuperar seus batimentos cardíacos regulares. — a loira riu.

– Desculpa… Eu vim até aqui pra falar com você e sua mãe disse que eu podia te esperar chegar.

– Então na hora que você me ligou era por que estava aqui? — Emily a encarou enquanto apoiava uma mão na parede pra tirar o sapato deixar sua bolsa cair no chão.

– Sim.

– E você ficou esperando até agora? — Ali usou sua famosa expressão que dizia nas entrelinhas “mas isso não é óbvio?” — Por que? Quer dizer… O que precisa falar?

– Na verdade. — ela suspirou. — é que eu, o Noel… ele tava beijando outra hoje. Eu recebi uma foto. Eu tentei falar com a Hanna, mas ela estava em um jantar com o pai. Spencer estava com Toby e Aria já tem muitos problemas com os próprios relacionamentos.

“Como se eu não tivesse” foi o que Emily pensou, mas não falou nada.

– Hm, então fui sua ultima opção?

Alison revirou os olhos.

– Foi a primeira, na verdade. Tentei falar com elas quando vi que você não estava em casa.

– De qualquer maneira, Noel é um idiota. Até demorou pra ele fazer isso Ali, sério, você conhece ele! Ele é o maior galinha de toda a escola.

– De qualquer maneira, não é algo legal pra se descobrir assim né. — ela fez uma cara triste, e tudo o que Emily queria fazer era beija-la, mostrar que o Noel realmente não valia a pena, mas não fez nada.

– Eu realmente não sei o que dizer. — a morena disse.

– Não tem muito o que dizer, além do que você já disse. — ela sorriu. — Mas Emy, eu posso dormir aqui? Meus pais estão viajando ainda, e meu irmão realmente nunca me deixa em paz.

Emily queria dizer que não. Ela não precisava de passar a noite dormindo com Alison na mesma cama pra confundir ainda mais sua cabeça, mas não conseguia negar nada pra Ali desde… Bom, sempre.

– Claro. Se quiser um pijama, você sabe onde fica. Eu preciso lavar o rosto e já volto. — a loira fez um sinal de positivo com a cabeça e Emily foi até o banheiro.

Ela se olhou no espelho, respirou fundo, e lavou o rosto. Se livrou de suas roupas e colocou uma calça de pijama que havia separado, com uma blusa mais colada.

Quando ela voltou para o quarto, tudo o que queria fazer era gritar. Alison estava usando um de seus pijamas, mas um que ela só usava quando estava sozinha exatamente porque o short era MUITO curto. E a blusa da Mulher Maravilha que ela usava era mais larga, mas não muito grande. Era a blusa favorita de Emily e caía tão bem em Alison. Aquela seria uma longa noite.

Elas já tinham dormido juntas assim milhares de vezes, porque justo agora tinha que se tornar tão… Estranho? Diferente?

A morena suspirou.

– Pronta pra dormir? — forçou um sorriso, se dirigindo para o seu lado da cama.

– Sim.. Eu peguei essa blusa, eu sei que você AMA ela, mas não resisti. Ela tem seu cheiro. — a loira deu um sorriso doce.

Por que ela tinha que agir assim? Falar essas coisas…

– É… Não, claro que não me importo. Ficou bem em você. — sua voz saiu quase num sussurro.

As duas se deitaram praticamente no mesmo tempo, e Emily apagou a luz.

– E então, como foi o… karaokê? — Ali tentou puxar assunto.

– Foi legal, as meninas são legais, na verdade. — ela sorriu, lembrando de Samara, e quase se sentindo culpada.

– Hm. — ela se ajeitou no travesseiro. — Mais do que eu? — no escuro ela mal podia dizer se Alison estava brincando ou se a pergunta era séria.

– É diferente. — foi a melhor resposta que ela conseguiu pensar.

– Eu esperava ouvir um não..

Emily deu um sorriso, porque conseguia imaginar a cara que Ali devia estar fazendo.

– Pelo menos eu não disse que eram.

– Pelo jeito que você tava me ignorando mais cedo, eu não duvidava.

– Já disse que não estava te ignorando. — Emily suspirou.

– Eu não sou bu… Enfim, ok, você não estava então.

– Agora vamos dormir? — a morena pediu, porque não queria entrar em detalhes nesse assunto, não queria sem querer deixar palavras escaparem de sua boca. Ela não podia deixar isso acontecer.

– Boa noite então. — Ali respondeu.

– Boa noite.

Emily se virou na cama, ficando de costas pra Alison. Ela tinha certeza que não iria conseguir dormir. Não com a sua cabeça não a deixando em paz por um segundo. Mas, pouco depois, quando, talvez, Alison já estivesse dormindo, Emily sentiu um braço passar por sua cintura e um corpo se aproximar do seu.

Ali aconchegou sua cabeça no ombro de Emily, e a morena pode sentir sua respiração fraca, o que era sinal de que ela realmente estava dormindo. Mas aquilo parecia tão certo, seus corpos juntos, o perfume de Alison invadindo seu nariz, que antes que pudesse sequer perceber, acabou adormecendo.

(continua)

Notas finais
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