Maybe One Day?
1 Eu me Odeio
Notas iniciais
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Pov's Mônica
-- Eu não te criei assim sua ingrata! Falsa! Falou que iria para a casa da Denise! E não que iria para uma festa! -- Meu pai gritava comigo enquanto dirigia o carro em alta velocidade.
-- Eu falei que iria para uma festa casa da Denise! -- Eu gritava no mesmo tom que ele. -- Se você me ouvisse pelo menos um pouquinho...
-- Não interessa! -- Me interrompeu! -- Desde quando uma menina da sua idade deveria estar em uma festa uma hora dessas! -- Continuou gritando comigo.
-- Sousa! -- Minha mãe lhe chamava a atenção. -- Mais devagar! -- Ela suplicava a ele.
-- E você cala a boca também! Deveria ter me dito que ela estava em uma festa! -- Jogava toda a culpa para cima da minha mãe.
-- Ela não sabia! -- Afirmei! -- Eu só disse a você já que ela não estava em casa e sim fazendo compras com a Dona Cebola! -- Falei entredentes.Primeiramente porque meu pai estava gritando comigo,mas também me lembrar do Cebola,que era o filho da melhor amiga da minha mãe.
-- Não a defenda! Ela deveria ter te criado como uma menina decente! -- Aumentou ainda mais a velocidade do carro.
-- Você acabou de falar que foi você que me criou! -- Eu o lembrava. -- E além disso...O que eu estava fazendo de mais?
-- Não sei! -- Berrava cada vez mais alto. -- Mas você poderia muito bem estar transando ou se drogando!
-- Sousa pare! -- Minha mãe clamava. -- Por favor pare!
-- Parar? -- Indagava com irônia. -- Essa menina é um desgosto! -- Falou e eu não suportei.
-- Desgosto ? – perguntei irônica – Você não sabe o quanto eu tento orgulhá-lo e tento ser a melhor! -- Eu não me tia em uma sequer palavra.
-- Pelo visto não tentou o bastante -- Retrucou.
-- Ótimo! Bom saber! -- Falei novamente irônica – Agora eu simplesmente paro de tentar, você não merece!
Ao falar isso,eu não tinha noção do que poderia acontecer.Meu pai era uma pessoa rígida e cheias de valores.Se alguém falasse assim com ele ganhariam uma bofetada.É aquela educação que levará para dentro de sua casa. E ao escutar isso de sua própria filha,ou seja eu,o fez perder totalmente o controle,ou pior,do volante.
-- Sousa! Pare! Pare! -- Ninguém a escutava.
-- Eu não mereço ? -- Perguntou -- Filha ingrata! -- Virou a cabeça para o banco de trás para me olhar,que no momento chorava de raiva.
-- Sousa. -- Minha mãe continuava o chamando.Cada vez mais com medo na voz.
-- Não! Você não merece -- Falei novamente. -- Nunca mereceu,nada e de ninguém! -- Exclamei.
-- Você merecia uns...
-- Tapas? -- Perguntei debochada. -- Pois vamos lá! -- Disse a ele. -- Me bata! Um tapa bem forte na cara. -- O desafiei.
-- Em casa resolvemos isso!
-- Não temos nada para resolver. -- Disse simplesmente.
-- Como assim? Uma garota da sua idade a essa hora em uma festa...
-- Pai,são só 7hs da noite e eu já tenho 15 anos! -- O interrompi.
-- Não interessa.Não foi assim que eu te eduquei. -- Afirmou com um tom autoritário na voz.
-- Não foi mesmo -- Respondi -- Se dependesse de você, eu seria uma menina que não sai com os amigos,que não se diverte,que come livros sete dias por semana,que aceitaria tudo o que você falasse,mas desculpe desapontá-lo,eu não sou assim. -- Retruquei com teimosia.
-- Eu percebi!
-- Ótimo -- Ironizei.
-- Mônica... Você é muito... -- Não teve tempo de falar,pois eu e minha mãe começamos a gritar extremamente alto.
………
Pov's Narradora
Mônica tentava abrir os olhos e quando conseguiu,viu uma enorme luz branca e uma parede enorme da mesma cor.Tentou se levantar,mas sentia muitas dores.Procurou por um barulhinho que escutava e assim que o achou,viu aparelhos.Estava fraca e as dores quando tentava se mexer,só aumentava.Não se recordara de nada e nem o porquê de estar ali.
-- Mônica?! -- Alguém a chamou. -- Mônica que bom que acordou! -- Era Dona Cebola a melhor amiga de sua mãe.
-- Tia? -- Mônica a conhecia a tanto tempo e tinha tanta intimidade com a mulher que a chamava de tia.
-- Sim meu anjo,sou eu. -- Ela a acariciava com os olhos cheios d’água.
-- Onde estou ? -- Perguntou tentando se levantar,mas foi impedida.
-- No hospital,Mônica.Mas não se preocupe... Tudo vai ficar bem. -- Tentou,mas não teve sucesso em tranquiliza — lá.
-- No hospital ? Mas eu não me lembro o porquê de estar aqui. -- Afirmou preocupada.
-- Mais tarde conversaremos,ok? -- A beijou na testa -- Vou chamar uma enfermeira para avisar que está acordada.
Mônica não se lembrava,mas ela e seus pais sofreram um acidente.Seu pai estava descontrolado pela raiva e assim acabou perdendo o controle do volante,e batendo em um caminhão que vinha pela direção contraria.
Seu pai,que estava sem cinto,foi o que mais se acidentou,pois seu corpo foi atirado para fora do carro.Sua mãe teve vários ferimentos na cabeça e assim teve um traumatismo craniano.Juliana foi a que teve menos lesões,pelo fato de está no banco de trás e com cinto,teve sorte,ao contrario dos seus pais,que morreram ao caminho do hospital.
-- Olá mocinha,como se sente ? -- A enfermeira perguntou.
-- Dolorida -- Respondeu com dificuldade.
-- Isso logo passará. -- Disse lhe aplicando uma injeção. -- Diminuirá a dor. -- Explicou com cautela.
-- Cadê a Dona Cebola?-- Perguntou.
-- Vou chama — lá e tente descansar -- Aconselhou e saiu do quarto,fazendo logo em seguida Dona Cebola.
– Mô?! Está melhor?
-- Um pouco. -- Afirmou. -- Tia,por que estou aqui?
– Não se lembra de nada Mônica? -- Se esforçou para se lembrar.
Aos poucos as lembranças começaram a aparecer.Recordou — se da festa que estava e logo depois a chegada de seus pais.Isso a levou para a briga no carro com seu pai.Ele estava descontrolado e finalmente se lembrou o porquê de está ali... O caminhão
-- O caminhão – falou sentindo já seus olhos arderem -- O caminhão tia,ele estava vindo na direção contraria e acabou batendo no nosso carro! -- Expôs e começou a chorar.
-- Eu sinto muito Mônica. -- Falou chorando também. -- Mas tudo ficara bem.
-- E eles? Cadê meus pais tia? Cadê? -- Perguntava descontrolada e já chorando mais ainda.
-- Eu sinto muito Mônica. -- Falou novamente.Abaixou a cabeça e deixou as lágrimas rolarem.
-- Não! É mentira! Eu quero vê — lôs! -- Colocou as mãos nos olhos,escondendo o rosto.
-- Acalme — se! -- Disse quando Mônica começou a espernear.
-- A culpa foi minha! -- Gritava loucamente. -- A culpa foi toda minha! -- Esperneava cada vez mais.
-- Não fala isso meu anjo! -- Pedia com ternura.
-- Eu me odeio! Eu me odeio! -- Berrou mais alto anda o que fez a enfermeira entrar no quarto.
-- Vou ter que seda — lá. -- A enfermeira informou a Dona Cebola que concordou.
-- Meus pais tia... Meus... Pais... -- Mônica falava com a voz cada vez mais baixa,já adormecendo.
Notas finais
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