Maybe Memories.

6 Revelações.


Notas iniciais
então, gurias, me desculpem pela demora.
só quero avisar que eu não vou abandonar aqui, só que esse ano vai ser complicado. escola nova, formatura, aulas de progressão e de música, cuidar da casa... e ainda acho que vou viajar na semana que vem, meus pais querem me colocar em uma clínica e.. enfim, longa história.
mas tá aí o cap. e espero que gostem e comentem.

– Gerard? – Disse minha mãe no momento em que adentrei a casa, levantando-se do sofá. – Onde estava? Quase morri aqui pensando que alguém poderia ter te sequestrado!

– Tenho certeza que o devolveriam algumas horas depois. – Disse Mikey, que jogava no sofá da sala.

– Cala a boca, idiota. – Eu disse.
Minha mãe me dava broncas, Mikey me zoava e meu pai sorria de canto. O exato motivo do sorriso eu não sabia, mas parecia aquele sorriso que as pessoas dão quando têm certeza de que entenderam perfeitamente a situação.

– Gerard, eu te entendo. – Finalmente ele disse. – Na tua idade, eu também chegava tarde em casa e até matava aula. Aos dezesseis, comecei a sair da escola cedo pra ir jogar e beber com os meus amigos. – Disse, sorrindo com amargura como quem relembra os bons tempos. Mas logo o sorriso desapareceu quando minha mãe olhou repreendendo-o. – Mas então eu tomei jeito, claro. Percebi que não seria ninguém se não trabalhasse, então abandonei todas essas coisas.

– Pai, posso sair da escola pra ficar vadiando em casa? – Perguntou Mikey, sem tirar os olhos do jogo.

– A coisa, Donna, é que eles estão crescendo. – Disse ele em resposta ao segundo olhar reprovador da esposa e ignorando o comentário do filho mais novo. – Os dois. Gerard já está terminando o ensino médio e Mikey, o fundamental. Gerard tem necessidades como todo o garoto da idade dele. Sei que ele não se meterá nessa de drogas como eu fiz, é um garoto ingênuo. Até demais, se você parar pra pensar... Isso o deixará longe das coisas ruins, mas não longe dos constrangimentos. Ele nunca namorou, nunca saiu e nunca se encaixou. Mas agora parece estar se dando bem. – Finalizou a conversa com a minha mãe, agora se dirigindo a mim: – Então, percebi que você chegou sorrindo... Há uma garota?

– Não, eu só... – Comecei, mas não pude concluir.

– Por outro lado, percebi também que estava triste quando chegamos à cidade. Havia outra garota lá, uh? Por isso que você se mostrava triste algumas vezes... E por isso que sempre estava dormindo no tal colega! – Exclamou, sorrindo como quem finalmente desvenda um enorme mistério. Minha mãe o acompanhou no sorriso.

– Então, é isso? Deveria ter me contado, Gerard! – Disse ela, animada. – E deveria ter nos apresentado também!

– Chegaram a dormir juntos? – Perguntou meu pai, que ainda sorria.

– Na verdade, como eu já disse, não havia garota. – Falei ríspido e subi para o quarto.

– Não precisa se sentir envergonhado só porque descobrimos que você dormia com uma garota, Gerard. – Disse Mikey, entrando no ritmo das piadas.

Aliás, ele sempre entrava. Eles eram iguais, os três. Só quem não se encaixava lá era eu.

Subi para o quarto e tranquei a porta. Minhas emoções se misturavam. Mas, como certeza, raiva era a maior delas. Eu tinha raiva de todos eles por serem assim, e eu tinha raiva de mim mesmo... Por nunca ter deixado transparecer que eu era diferente, e por ter deixado isso me afetar tanto.

Após mudar rapidamente a roupa que eu usava, decidi sair. Com sorte, ficaria perdido e morreria por aí.

– Vai sair? Aonde vai? – Perguntou minha mãe.

– Ao Ray. Falar sobre a escola. – Respondi automaticamente. Era a resposta que eu sempre dava quando ouvia essa pergunta.

– Filho... – Disse ela, rindo. – Você está bem? Digo, estamos em Los Angeles. Seu amiguinho Ray ficou em Jersey.

Parei perto da porta, olhando-a bem. Eu realmente havia esquecido que tinha um colega em Jersey com o mesmo nome, e que eu usava-o como desculpa para as minhas saídas para beber com Bert.

– Outro Ray. – Respondi simplesmente. – Um nome comum, você sabe...

Porra, eu realmente havia me esquecido. Não só desse cara, mas também do Bert. E do Zacky. E de Jersey.

Segui reto por alguns quarteirões, sabendo que encontraria a casa do Frank por ali. Aquele caminho não me era familiar, pois só havia feito-o duas vezes.

Parei em frente à porta da casa branca de número 15 e toquei a campainha algumas vezes. Aparentemente não havia ninguém ali.

– Gerard? – Disse alguém, atrás de mim enquanto já ia embora, me assustando.

– Ah, olá... Frank. – Eu falei, constrangido.

– Você quer entrar? – Ele disse, dando um meio sorriso enquanto eu adentrava a casa.

Eu não sabia o que fazer, sempre me senti estranho na casa dos outros. Frank ainda sorria e perguntara se eu queria me sentar, seguindo para o sofá.

– Na verdade, eu vim meio rápido. – Respondi. – Você... Está ocupado à noite? Briguei com os meus pais e preciso, você sabe, sair para esfriar a cabeça.

Ele fez uma falsa cara pensativa, o que me fez achar que ele iria rir na minha cara e me dizer que tem algo mais interessante para fazer do que ouvir um colega reclamar sobre os problemas a noite toda.

– Acho que... Posso achar um espaço na minha agenda. – Riu. – Claro que sim, aliás, se você quiser esperar, eu vou trocar de roupa e podemos sair.

– OK, então. – Respondi, sorrindo.

Ele subiu as escadas, animado. E não devo mentir, eu estava animado também. Toda aquela raiva estava passando e dava lugar à animação que aquele garoto me transmitia.
Ele não tardou a descer as escadas novamente, ainda exibindo o mesmo sorriso.

– Vamos?

Caminhamos um pouco pela rua pouco movimentada de um dia de semana à noite. Frank disse que conhecia um bar ali perto que não era muito caro e que era muito bom. Apenas concordei, talvez fosse disso que eu precisava para aliviar a tensão.

– Então, por que brigou com seus pais? – Ele perguntou, quando já estávamos bebendo.

– Eles... não entendem. Não entendem nada sobre nada, principalmente o que se passa na minha cabeça. Acham que todos são iguais e que todos têm apenas problemas como terminar com a namorada e tal. – Eu não queria falar sobre o assunto, então não dei muitos detalhes.

– Ah, cara, é sempre assim. Mas não reclama, pelo menos você ainda tem os pais aí... – Frank disse, bebendo mais um gole da bebida.

– Seus pais morreram?

– Na verdade, não. Mas, pra mim, eles estão mortos. Não os considero mais. – Falou sem graça. – Foram viajar há dois meses atrás e, você sabe, não voltaram. Dois dias antes, descobri que eles haviam ido à escola e pagado a mensalidade do ano todo. Então um dia, quando cheguei em casa, percebi a dispensa cheia de comida, um envelope e a falta do carro e as coisas deles. Na carta dizia que haviam viajado e que estavam me deixando mil dólares para me virar, e que eu deveria arranjar um emprego no final do ano letivo. Na hora eu percebi do que se tratava. – Concluiu, com uma expressão indiferente.

– Ah, uau, eu sinto muito. – Falei, sem saber o que dizer.

– Não sinta. Nem eu mesmo sinto. Estou melhor assim.
Após algumas horas, já estávamos bêbados. Eu, principalmente, já falava coisas incoerentes e fazia coisas impulsivas... Que eu poderia me arrepender depois.

– Frank! – Exclamei, rindo enquanto ele me carregava para casa. – Parecemos um casal... Você sabe, abraçados e coisa.

Ele não respondeu, apenas riu baixo e esboçou um sorriso.

Após ver seu sorriso, joguei todo meu peso contra ele empurrei-o na parede mais próxima.

– Cuidado Gerard, você é pesado. – Ele riu.

– E você... você é legal. Você é legal, Frank. – Falei, com a fala toda embaralhada, enquanto o ajeitava na parede e me parava a sua frente, bem perto.

– Ele foi abrir a boca para agradecer, ou talvez dizer que deveríamos ir embora pois estava tarde, mas não teve tempo. Num momento de confusão, selei nossos lábios. Foi um beijo rápido, que nem chegou a ser realmente um beijo, ficando mais para um selinho.

– Depois você não quer que pensem que somos um casal, hein? – Ele disse, enquanto eu ria abraçava-o novamente para seguirmos para minha casa.

– Tem razão eu não quero que pensem que somos um casal... – Falei, me desvencilhando de seus braços e correndo para o meio da rua. – Eu quero que saibam!

– Gerard, o que você vai fazer? – Frank perguntou, vindo correndo atrás de mim e tentando me puxar de volta.

– Mundo, eu beijei Frank Iero! – Gritei, pronunciando tudo errado.

Frank ria alucinadamente enquanto me puxava de volta para a calçada. As pessoas que passavam pela rua nos olhavam com nojo, mas eu apenas ria também.

Ao chegarmos a minha casa, ele tocou a campainha, pois eu não tinha uma

chave. Não tardou e Michael apareceu, com uma cara confusa e, logo após, apareceram meus pais.

– Mãe, pai, eu bei... – Eu comecei, mas parei logo que recebi uma cotovelada de Frank, que ainda me carregava.

– Ah, senhora Way? – Ele perguntou. – Saímos com alguns amigos e, bom, o Gerard passou da conta. Achei melhor trazê-lo até em casa.

Minha mãe simplesmente fez uma cara que dizia “Você está fodido”.

Frank me deixou no sofá da sala e saiu da casa, enquanto eu continuava a rir.

– Gerard, você bebeu? – Perguntou minha mãe, como quem não acredita.

– Ele está crescendo, Donna! – Disse meu pai. – Já te disse isso. E muito bem filho, só não faça isso todos os dias.

– Sinceramente, Donald, chegar em casa carregado por amigos? É isso que você chama de crescer?

– Mas, Donna, são as necessidades...

– De todos os garotos, eu sei. Mas isso não teria acontecido se você não tivesse dito a ele se drogava e bebida quando era mais novo.

– Eu beijei... – Comecei a frase, fazendo-os voltarem a atenção para mim, e não para a sua discussão. Tentei terminar a frase, mas voltei a rir.

– Então realmente tem uma garota na jogada? – Perguntou Mikey. – Teve que embebedá-la, certo?

– Eu beijei... Eu beijei o Frank. – Ri alto.

Nessa hora, minha mãe fez uma cara de “Você está realmente fodido”, enquanto meu pai ria e perguntava se eu estava brincando, e Mikey perguntava se a Califórnia me transformara em um viado.

– Vocês são uns bostas. – Falei rindo e subindo para o quarto.