Maybe
6 Capítulo 6 - Final
Notas iniciais
"Um objeto não precisa ser grande para ter grande massa.
Aquela menina, tão pequena quanto uma violeta.
Aquela menina, flutuando no céu como pétalas de flor me atrai para ela com força maior que a exercida pela terra.
Em um único momento como a maçã de Newton. Com uma pancada. Com uma pancada dura." ~Goblin.
1° de fevereiro de 2017
Ivry-sur-Seine, França
Ainda era bem cedo quando o loiro saiu do apartamento da sua mãe, ele saiu caminhando devagar pela rua concentrado na música que tocava em seus fones mas não sem falar bom dia para as pessoas que encontrava na rua, aquele era um costume que ele sentia falta nos Estados Unidos, era um gesto simples mas às vezes fazia com que o dia de uma pessoa se tornasse muito melhor.
Jensen não demorou muito para chegar que nos últimos meses estava sendo o seu refúgio, não era um espaço muito grande, mas cada pedaço dele estava cheio com obras suas; ele havia comprado aquele prédio de dois andares, fazendo do primeiro andar sua sala de exposição então era amplo com poucas paredes e já tinham alguns quadros presos a parede e alguns encostados nelas esperando para serem pendurados. Enquanto que no segundo andar ele havia feito um escritório e uma ampla sala onde em alguns momentos vagos pintava.
O artista sempre fazia as sua exposição em uma galeria conhecida em Nova York mas aquele quadros eram diferentes, ele mereciam um lugar especial e nada poderia ser tão especial pra ele quanto um lugar que estava sendo transformado somente para ele; a exposição estava próxima e diferente das outras vezes, ele não estava nervoso, aquela não era uma exposição para o mundo era para ele mesmo.
Muitos críticos e alguns fãs já haviam confirmado que estariam presentes na abertura do espaço, e não deixaram de comentar que estavam ansiosos para ver o que o Artista Jensen Ross Ackles estava fazendo depois de tanto tempo sem revelar nenhuma obra para o mundo.
Desde que o Jensen havia recebi uma ligação da moça que estava cuidando do seu apartamento e soube que a sua porta estava cheia de correspondência, vindo todas do mesmo lugar e da mesma pessoa, ele não dormia mais a noite com medo de não receber mais nenhuma carta ao mesmo tempo que tinha medo de receber elas e ser notícias ruins. O loiro tinha até mesmo medo de quando o seu telefone tocava.
Ele não havia lido nenhuma das cartas que o moreno havia mandado mesmo que elas já estivessem chegado na França, as mesmas estavam guardadas no criado mudo, ao lado da sua cama e mesmo que veja elas todos os dias e tenha criado coragem de mandar uma respostas, ainda sim não conseguia abrir elas.
O loiro ficava a manhã toda em seu estúdio pintando novos quadros ou iniciando uma nova obra, ou resolvendo os milhares de problemas que fazer uma exposição estava trazendo pra ele. E no período da tarde, depois do almoço ele buscava a sua sobrinha na escola e então os dois passeavam pelo parque e brincavam entre eles tentando aproveitar ao máximo mesmo que dali a poucas semanas fosse ser somente os dois nos Estado Unidos.
A sua sobrinha era a luz em sua vida, e pela felicidade que ela demonstrava todos os dias, o loiro sabia que eles dividiam a mesma felicidade e iriam ficar bem.
Os dois estavam voltando para a galeria já que a exposição seria no dia seguinte e ainda tinha algumas coisas para serem resolvidas, eles caminhavam devagar com a menina contando sobre tudo que tinha aprendido naquele dia na escola. Assim que se aproximaram do prédio encontraram uma pessoa parada de costa para eles mas parecia interessada no que acontecia do lado de dentro, algum tempo atrás isso assustaria o loiro mas desde que foi entregue o convite da exposição, acontecia bastante.
— Desculpa moço, mas só vamos abrir para o público amanhã, não é tio? -Lis falou assim que chegaram mais perto chamando a atenção do outro homem para ela e o seu tio.
— Eu não vim pelas obras, vim pelo artista. -o moreno falou virando para eles e revelando os seus lindos olhos claro e aquelas covinhas encantadoras.
— Lis, vai entrando e já começa a fazer o seu dever lá no escritório que daqui a pouco eu entro e te ajudo a terminar. -o loiro falou destrancando a porta e abrindo a mesma pra sua sobrinha que passou por ela correndo subindo a escada somente sorrindo para o moreno.
— Sou apenas um amigo Jensen? -o Major falou dando um passo para frente, ficando mais próximo do loiro fazendo ele sentir aquele cheiro que fazia com que ele lembrasse o seu lar.
— O que você faz aqui na França Jared? -o loiro perguntou começando a se sentir embriagado com a presença e energia que o outro tinha sobre ele — Seja rápido por favor, não gosto de deixar a minha sobrinha sozinha.
— Certeza que você não sabe Jensen? O único motivo para eu vir tão longe só poderia ser você, eu sinto a sua falta. -Jared falou tentando se aproximar mas novamente o loiro somente deu um passo para trás.
— Eu tenho que me concentrar na exposição Jared, não posso me distrair agora mas também quero falar com você, então tenho um pedido. -Jensen fala tentando se concentrar no que acontecia naquele momento, não deixando que a presença do moreno mexa ainda mais com ele.
— Qual o seu pedido?
— Venha amanhã, na exposição e então vamos conversar, vamos realmente conversar, eu quero te dizer algumas coisas e quero escutar o que você tem a dizer, sem fugas dessa vez. -Jensen falou sincero sentindo o coração acelerar, e então olhando uma ultima vez para o moreno entrou na galeria fechando a porta e seguindo até onde estava a obra principal da exposição.
O loiro olhou com atenção para a obra e não soube dizer se queria sorrir ou chorar.
Aquela exposição era bem mais do que ela parecia à primeira vista, eram os seus sentimentos naquelas obras.
[...] 2 de fevereiro de 2017
Ivry-sur-Seine, França
Ivry-sur-Seine era uma cidade pequena, mais do interior da França e não era o lugar favoritos dos turistas mas graças a inauguração da galeria e da exposição, muitas pessoas chegaram na cidade causando uma certa confusão ali mas que rapidamente foi resolvida e adaptada; os repórteres já estavam na porta da galeria observando todos os funcionários que entravam o Artista, e todos que iriam trabalhar para fazer daquela noite ainda mais memorável.
Jensen acompanhava tudo de perto tentando se concentrar em manter tudo em ordem, e acalmar o seu coração; ele não estava só ansioso pela exposição como também estava pela chance de ver novamente o Jared. O loiro deu mais uma volta pela galeria vendo que já estava quase tudo pronto, era quase hora do almoço mas naquele dia quem buscaria Lis na escola seria sua mãe para que ele pudesse se concentrar totalmente.
Ele subiu até o seu escritório, se sentou em sua mesa e então pegando uma folha, abriu o seu coração e escreveu uma carta, nos últimos meses todas as vezes que abri o seu coração telas eram pintadas mas naquele dia mais uma carta foi escrita. Talvez, a última.
“Para Jared, o homem que apareceu em minha porta e roubou o meu coração,
Na minha última carta, disse que não sabia a cor dos seus olhos mas que eles eram lindos e mantenho isso. Mas mudo a parte que eles me fazem chorar todas as manhãs, eles são surreais de tão lindos e quero poder olhar para eles todos os meus dias e sorrir para eles.
Foi errado deixar o meu medo passar na frente da minha paixão, e sinto muito por isso, por minha causa perdemos meses importantes na companhia um do outro.
A inspiração que eu achei foi você, enquanto escreve essa carta a exposição termina de ficar pronta e espero que daqui a algumas horas você esteja aqui; porque tudo aqui, é sobre você.
Eu orei todas as noites para que Deus e todos os Deuses protegessem você, e ontem quando te vi não consegui pensar em outra coisa além de pular em seus braços, mas sentia que não era o certo naquele momento; primeiro preciso que você saiba todas as minhas confusões e medos antes de decidir me amar.
Essa exposição foi feita pra você, sou eu inteiramente aberto para que você veja.
Daquele que espera que você escolha ficar, para sempre seu, Jen.
ps: Obrigada por estar vivo.”
[...] 21:00 horário da França
Galeria “Maybe, this is the other side of paradise”
Já era tarde, todos observavam o Jensen parado em frente as portas fechadas da galeria esperando que desse o horário e ele sentisse no coração que era momento; ele olhou em volta uma última vez, respirou fundo e pegou e se colocou em frente a porta de entrada.
Aquele era o começo de uma nova vida, e não ver uma pessoa em especial ali fez com que não passasse de um sonho idiota mas que agora não podia mais voltar atrás, ele não precisou colocar a mão dentro do bolso para sentir a carta, sabia que estava ali.
— Eu quero agradecer a todos que vieram conhecer a minha galeria e minha mais nova exposição, tudo que vocês irão ver aqui será além de tinta em uma tela, vou mostrar para vocês muito mais. Peço que tomem cuidado não só com as telas mas também com a parede e em alguns lugares do piso, aqui tudo é arte, então fiquem atentos e curiosos; essa exposição está sendo como abrir meu coração para vocês, então espero que todos possam admirar. Bem Vindos a Exposição Our Souls. -Jensen falou abrindo as portas duplas e permitindo a entrada de todos na galeria.
Ele ficou parado na porta comprimentados todos mas na realidade esperava encontrar um certo moreno de olhos lindos que deveria estar ali para eles terem aquela conversa que eles tanto precisavam; mas de repente todos entraram restando somente ele e a sua mãe que carregava a sua sobrinha.
— É a sua grande noite, mas você somente espera por ele. O que ele fez com você meu filho? -a loira mais velha perguntou.
— Ele tem o meu coração mamãe, queria poder dizer que foi um roubo mas eu dei pra ele e não quero de volta, pertence a ele. -o artista falou respirando fundo e entrou na galeria parando na recepção onde todos tinham que dar o nome para ter acesso, e deixou a carta ali para ser entregue ao moreno.
Jensen caminhava com calma pela galeria observando a reação de todos ali e recebendo diversos elogios dos fãs e até mesmo de alguns críticos e jornalistas que haviam sido chamados para fazer a cobertura de toda a exposição, todos pareciam estar aproveitando e até mesmo havia aqueles que estavam com os olhos vermelhos como se quisessem chorar, como se tivessem entendido exatamente o ponto daquelas obras.
— São belíssimas obras, dignas de um Deus dos artista, quão foi a sua inspiração para elas? -um jornalista que passava por ele perguntou sorrindo.
— Foi o passado, o medo, as próximas pretendo que sejam sobre o futuro. -Jensen respondeu sorrindo fraco e logo se afastando vendo quem se aproximava.
— Achei que iríamos conversar mas na entrada ganhei uma carta, achei que era sem fugas Jensen. -o moreno falou se aproximando do loiro com a carta nas mãos.
— Eu disse que seria sem fugas, e que seria uma conversa mas não vou conseguir falar então escrevi essa carta e vou te mostrar o meu coração e você decide se ainda quer ele ou não. -o loiro falou apontando com a cabeça em sinal de que era para o moreno seguir ele.
Os dois caminhavam em silêncio observando as obras com calma mas somente por cima, eles caminhavam até a última obra da exposição a maior tela e justamente a que não estava a venda; uma tela grande com uma pintura de guerra em tons de verde e na parede a sua volta em uma pintura de mar em um tom específico entre verde e azul.
— Tudo aqui é o meu coração, mas essa daqui é a mais especial entre todas, eu chamei ela de Capitão, é uma representação, eu sou a guerra e a bagunça. -Jensen falou olhando somente para a tela com medo de olhar para o soldado e chorar.
— E eu sou a paz, você fez a guerra verde como os seus olhos e me representou como a paz em sua volta. -Jared completou com as mãos trêmulas abrindo a carta e só então sentindo os olhos do loiro nele.
— Estou pintando esse quadro desde a última vez que estivemos juntos, naquele dia que você chegou em casa com uma rosa branca em sinal de paz; eu tinha acabado de começar ele, ele inicialmente tinha tons melancólicos mas depois que você partiu eu só consegui terminar de pintá-lo de verde. “Eu quero ficar aqui para sempre, seus olhos verdes são a minha cor favorita, quero mergulhar em você e esquecer todos os dias em que não vivi ao seu lado.” foi isso que você disse pra mim no final daquele dia e desde então eu tenho lutado comigo mesmo para ter coragem para deixar você me amar. -Jensen falou depois que o moreno abaixou a carta em sinal de que já tinha terminado de ler ela.
— “Quero acordar e ver o azul dos seus olhos toda manhã e acreditar que eles vão somente olhar pra mim.” foi o que você disse pra mim depois, e então tivemos o nosso primeiro beijo e pra mim foi como beijar finalmente a pessoa certa, um beijo nunca jamais foi ou vai ser melhor que aquele, com você nos meus braços eu sentia que tinha um lar. -o Major falou olhando para o Jensen vendo o mesmo com os olhos cheios de lágrimas tirando a sua plaqueta de identificação do pescoço onde estavam penduradas duas alianças de ouro branco.
— Se você ainda me quiser, estou disposto a te amar com todo o meu coração e deixar que você me ame, quero passar o resto da minha vida ao seu lado amando você e me orgulhando do seu trabalho; eu só sei existir com você ao meu lado, então se ainda me quiser, case comigo.
— Eu vou querer você em todos os dias, de todos os anos, de todas as minhas vidas; eu quero me casar com você e pertencer a você em cada reencarnação.
Os dois se aproximaram e selaram os seus lábios em um beijo lento de saudade, repleto de juras de um amor que iria durar todas as suas reencarnações.
Agora venha, eu disse para você voltar
Você não irá voltar para mim?
Talvez, meu bem, oh, talvez, talvez, talvez
Deixe-me me ajudá-lo, mostre-me como
Querido, talvez, talvez, talvez
Talvez, talvez, talvez, talvez
Talvez, talvez, talvez, sim
Ooh!
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