Notas iniciais
Olá, não sei se aqui no site tem muito Bellarke shipper mas essa história rondava a minha cabeça desde o final da quarta temporada e eu decidi que era hora de passar ela pro papel e compartilhar com as pessoas. Se alguem aparecer por aqhi, espero que goste. E sofra um pouquinho comigo.

Boa leitura ❤ (se possível)

"Eu te amei e te amei, e te perdi

E dói como o inferno"

Fleurie

Clarke assistiu a nave ganhar aos céus e subir cada vez mais alto. Era oficial. Eles tinham ido. E ela tinha ficado para trás. Tentou puxar o fôlego para respirar mas a garganta estava fechada. Estava feliz por ter conseguido fazer uma última coisa por eles, claro, e a ideia de morrer não a assustava a muito tempo mas... ainda tinha tanto que queria fazer. Tinha tanto que precisava ser dito. E agora, não poderia mais.

Olhando para trás, Clarke percebeu a nuvem radioativa se aproximando e esqueceu qualquer pensamento, sobre qualquer coisa e correu. A loira sabia que não adiantaria nada. Morreria naquele dia e não havia nada que pudesse ser feito. No entanto, ainda apegada a um instinto de sobrevivência inútil, colocou uma perna na frente da outra, fugindo do inferno que o mundo se tornaria em alguns minutos. Correu até que o ar faltou em seus pulmões. Correu até as pernas não aguentarem mais. Correu até o coração quase explodir. Correu até chegar no bunker e trancou a porta atrás de si, desmoronando no chão frio em seguida.

Ela estava destruída e meio morta por dentro. Clarke estava sozinha e sem esperança e lembrou dos rostos daqueles que mais amava e que levaria consigo para onde quer que fosse. Lembrou de sua mãe e dela mexendo em seu cabelo até dormir. Lembrou dos beijos que nunca mais poderia trocar com Lexa. Lembrou de Octavia e de Raven e de Monty. E finalmente, permitiu se lembrar de Bellamy. O coração perfeito para a sua cabeça forte. Aquele que se tornou seu melhor amigo, seu cúmplice e muitas vezes, a única pessoa em que Clarke se permitia confiar. Sua rocha.

Ela lembrou de todos os abraços reconfortantes, de todas as risadas em meio ao caos, de todas as vezes que ela pensou em desistir e ele estava lá para ajudá-la a seguir em frente. Clarke sentiu as lágrimas vindo e não tentou afastá-las. Estava feliz e grata ao que quer que existisse acima dela, por Bellamy estar bem, por ter conseguido ir embora a tempo de se salvar. Ela poderia não vê-lo uma última vez, mas ele estaria vivo. A única coisa pela qual Clarke se arrependia, era por não ter dito a ele o que precisava. Nem um única vez.

Em meio aos olhos embaçados de lágrimas, Clarke encontrou um rádio jogado no chão próximo a ela. A loira se arrastou até conseguir alcançá-lo e fechou os dedos em volta do objeto como se ele pudesse salvar sua vida. Não podia. E Clarke sabia que estava ficando sem tempo. Então, aproximou o aparelho do rosto e tentou chamá-lo uma última vez.

— Bellamy? — se fosse em outro momento, Clarke teria se assustado com a forma como sua voz soou quebrada, mas naquele momento não se importava. Não tinha forças para isso. Ninguém tinha nenhuma obrigação de parecer forte no momento de sua morte. — Bellamy eu não sei se você pode me ouvir, mas... eu vou fingir que sim pelo bem do pouco de sanidade que me resta.

O silêncio do outro lado do rádio era tão frio que ameaçava congelar seus ossos antes mesmo do fogo do fim do mundo queimar tudo à sua volta.

— Eu preciso que você fique bem. Que não se culpe por ter ido embora. Era o que eu queria. Eu queria você vivo e bem. E cuidando dos outros — ela tentou rir, mas não conseguiu, e respirou fundo quando as lágrimas ficaram mais grossas. — E eu preciso que você saiba de uma coisa. Uma só antes que... — Clarke se engasgou com as palavras não querendo dizê-las e parou por um segundo para respirar. — Talvez seja um pouco cruel dizer o que eu vou dizer agora porque não há nada mais que possa ser feito mas eu só preciso falar, e você só precisa escutar. Bellamy, eu te amo. Eu sinto muito não ter dito antes e que nós nunca tenhamos tido uma chance de verdade. Mas eu preciso que você seja feliz. Por favor, Bellamy, me prometa que vai ser feliz. Seja fel...

Ela não teve tempo de dizer mais nada. A radiação finalmente a alcançou, destruindo seu corpo e paralisando seu cérebro. Mas mesmo assim, a última coisa em que ela pensou antes de ser puxada para a escuridão, foi no rosto dele.

O silêncio envolvia Bellamy como uma capa quente e sufocante. Ele queria gritar e xingar e bater em qualquer coisa que se mexesse, mas qual seria o ponto disso? Ninguém tinha culpa do que tinha acontecido e brigar com as únicas seis pessoas com quem conviveria pelos próximos anos não faria nenhum bem. Sem falar que todos eles estavam em luto também. Bellamy não era o único que tinha perdido pessoas que amava. Todos eles tinham perdido o mundo. Literalmente.

— Bellamy? — Ele ergueu a cabeça em um solavanco ao ouvir a voz. Por um segundo, pensou que estivesse alucinando. Ouvindo coisas que não estavam sendo ditas. Mas quando viu as expressões de seus companheiros de viagem, soube que era real. Todos tinham os olhos arregalados e a respiração fazia o capacete de oxigênio embaçar. Era ela. Era Clarke.

Sentindo o coração galopar dentro do peito, Bellamy pegou o rádio e o aproximou da boca, tão perto que os lábios esbarravam no aparelho quando falou.

— Clarke? Clarke, eu estou aqui. Estou ouvindo. Como você está? Por favor, me diz que está bem.

Ele se atropelou com tantas perguntas mas era tão bom poder ouvi-la de novo, saber que estava viva. Ele não podia acreditar, mas se alguém poderia sobreviver ao fim dos tempos, esse alguém seria Clarke. Claro que seria. No entanto, ela não respondeu nenhuma de suas perguntas quando falou novamente.

— Bellamy eu não sei se você pode me ouvir, mas... eu vou fingir que sim pelo bem do pouco de sanidade que me resta.

Ele fechou os olhos frustrado e falou mais alto. Ele estava tão feliz em poder escutá-la. Bellamy queria dar isso de presente a Clarke também.

— Clarke, eu estou ouvindo. Pode falar. Nós todos estamos ouvindo. Eu... — ele se interrompeu ao ouvi-la continuar, o ignorando. Ela não o tinha escutado.

— Eu preciso que você fique bem. Que não se culpe por ter ido embora. Era o que eu queria. Eu queria você vivo e bem. E cuidando dos outros.

Bellamy quase respondeu que era tarde demais. Ele já se culpava e não estava bem, mas não o fez. Ela não ouviria. Talvez nunca mais ouvisse. Só Deus sabia — se é que existia um — se os dois se veriam novamente. E a realidade o acertou como um tiro no estômago. Queimando tudo por dentro e tirando-lhe o ar.

— E eu preciso que você saiba de uma coisa. Uma só antes que... — Clarke engasgou com as palavras mas ela não precisava dizê-las para que Bellamy as entendesse: antes que eu morra. Nesse momento ele percebeu que ela não tinha sobrevivido ao fim do mundo, ela só não tinha morrido ainda. Bellamy não queria mais ouvir. Ele queria tampar os ouvidos e ignorar o que ela dissesse. Ele prefira não ouvir suas últimas palavras, assim poderia fingir que ainda havia uma chance, por menor que fosse, de Clarke sobreviver. Mas devia isso a ela. Ouvi-la. Depois de tudo que Clarke fez por ele, era o mínimo a se fazer. — Talvez seja um pouco cruel dizer o que eu vou dizer agora porque não há nada mais que possa ser feito mas eu só preciso falar, e você só precisa escutar. Bellamy, eu te amo.

Por algum motivo, Bellamy ergueu os olhos. Seus amigos estavam evitando seu olhar. Olhando para o chão, um para o outro, para o espaço estrelado e infinito lá fora, qualquer coisa, menos o rosto desmoronando de Bellamy que estava ouvindo uma declaração de Clarke e não podia fazer nada além disso. Sequer poderia responder de volta.

— Eu sinto muito não ter dito antes — ela continuou em um fio de voz — e que nós nunca tenhamos tido uma chance de verdade. Mas eu preciso que você seja feliz. Por favor, Bellamy, me prometa que vai ser feliz. Seja fel...

Sua fala foi interrompida no meio e um gemido esganiçado e horroroso de dor alcançou os ouvidos de Bellamy, e depois mais nada além de silêncio. Ele olhou para Raven e percebeu que ela estava chorando e só então notou que ele próprio também estava. Ele acabara de ouvir Clarke morrer. Tinha acabado de verdade agora e não havia nada mais para ser feito.

Bellamy sentiu o solavanco na nave e depois viu Monty e Raven levantarem. Tudo parecia em câmera lenta quando os dois abriram a tampa que os prendia a nave e saíam de dentro dela, seguidos por Emori, Murphy, Harper e Echo. Eles tinham voltado ao espaço e tinham salvado a própria pele mas tinha havido um custo maior do que qualquer um poderia prever.

Bellamy ainda segurava o rádio, enquanto saía da nave, esperando, rezando, para ouvir mais alguma coisa, qualquer coisa. Mas não havia mais nada a ser ouvido. Tudo o que ele conseguia pensar é que Clarke tinha dito que o amava. E agora ela estava morta. E Bellamy se sentia um pouco morto também. Por que ele tinha deixado a mulher que o amava para trás. E a parte mais triste é que ela tinha morrido sem saber que ele também a amava.

Notas finais
E então? Se alguém chegou até aqui, ainda está vivo? Desculpem pela tristeza na história pessoal, mas pra mim, esse teria sido o momento perfeito para o primeiro eu te amo Bellarke... Mas enfim. Talvez os escritores achem um outro momento perfeito? Espero.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!