May we meet again
1 Capítulo 1
Notas iniciais
História escrita ao som de Knocking on Heavens door - raign. Ouvi-la é totalmente opcional.
Boa leitura!
A música toca no rádio, enquanto seus cabelos voam selvagens contra o vento, de repente sua música favorita começa a tocar, e seus dedos são ágeis em aumentar o volume do rádio da lata velha que você costuma chamar de carro.
Sem trânsito a sua frente, você pisa um pouco mais no acelerador, só diminui quando está na rua dela. O carro para em frente à velha casa amarela de janelas vermelhas, uma buzinada basta. A porta se abre e você sorri ao vê-la atravessar o jardim correndo.
Ela pula dentro do velho conversível e seus lábios sorriem quando vão de encontro ao seu.
Você não perde tempo e acelera o carro, vocês são jovens e o amor é tudo o que precisam, naquela tarde de sol, você sente que é impossível ser mais feliz do que isso.
− Alguém está com muita pressa. – Ela comenta rindo, hoje ela está especialmente bem humorada, você pensa que sabe o porquê. Talvez não saiba, mas pensar que a conhece bem é um dos seus passatempos favoritos.
− Eu já disse o quanto você é especial, como um raio de sol. – Você sorri, porque é impossível controlar os sorrisos quando está ao lado dela, ela causa esse efeito.
− Hey, lembra-se daquela minha tia meio doida, aquela que diz que é médium?
− Olivia? Por favor, me diz que ela te mandou mais daquelas essências aromáticas. – Você ri outra vez.
− Não, Lexa. Ela surtou. – Você nota a preocupação na voz dela.
− O que quer dizer com surtou?
− Ela disse que viu o futuro, disse que vamos todos morrer, é o fim do mundo.
− E você acredita nela? – Você nota a voz tristonha dela com essa história, você estica o braço, apenas para tocar a perna dela, mostrar que está presente, que entende.
− Eu não sei, você não teme o fim?
− Eu temo a vida, principalmente o fato de não poder vivê-la como eu quero.
Vocês viajam mais alguns minutos, mergulhadas no completo silêncio. A ideia martela na sua cabeça, e você sente uma sensação estranha lhe dominar, como se algo estivesse errado. Você estaciona o carro a beira da praia e olha para ela.
O rádio perde a música por alguns segundos, e o barulho de sintonia é tudo o que vocês ouvem. Vocês se entreolham, um olhar de cumplicidade.
Ela salta do carro e corre pela faixa de areia branquinha. As ondas quebram no horizonte, a praia está deserta. Você não perde tempo e corre atrás dela.
Os cabelos loiros dela voam com a velocidade, ela tira os sapatos e seus pés tocam a água. Você se aproxima, sente o mar salpicar sua pele. Água morna, salgada. Ela está em seus braços e vocês rolam pela areia molhada. Você a beija. Ela é doce, calma e branda.
Ela é tudo o que você precisa, tudo o que quer.
Você fecha os olhos e tudo o que houve é o som das ondas, e o coração dela acelerado batendo contra o peito.
Você perde a noção do tempo quando está com ela, e você lamenta quando percebe que está na hora de ir embora.
Você se senta ao lado dela no capô do carro, segura suas mãos frias. Ela está pensativa e você quer pagar qualquer preço para saber o que se passa em sua mente.
− Eu não acredito em finais. – Você diz chamando a atenção dela para si.
− Em nenhum? – Clarke te questiona confusa.
− Em nenhum, acho que tudo se renova, tudo é um ciclo.
− Então você acha que se morrêssemos hoje, não seria nosso fim?
− Não, porque eu sei que de alguma forma nos reencontraríamos, de algum jeito eu encontraria o caminho de volta até você.
− Reencarnação?
− Destino. Não imagino um mundo sem nós, não imagino uma maneira de existir nesse mundo e não encontrar um caminho que me levasse até você. E não há nenhum jeito de morrermos hoje, nossa história precisa ser mais que isso.
− O mundo é perigoso e cruel, você e eu, nós merecemos mais do que isso. A vida tem que significar mais, tem que ser mais do que sobreviver ao ódio dos outros, talvez exista uma vida onde nós não devamos nada a ninguém. – Clarke completa e volta a encarar o horizonte.
− Hey... – Você a chama, mas não sabe o que dizer, as palavras morrem na sua boca.
Você quer tirar essa preocupação da cabeça dela, mas é impossível pensar em algo convincente. Você deita sua cabeça no ombro dela, e torce para que sua presença seja o bastante.
− Meu Deus! – Ela exclama de repente, e então você vê.
No horizonte. Fogo, poeira e morte. Seus olhos não acreditam no que vêem. Você está em choque, não sabe o que pensar, não pensa com clareza. Não demora muito e a força da explosão as atinge. Vocês caem.
Você a segura, porque é instinto protegê-la, mesmo que isso seja inútil.
− Lexa... – Ela te chama, mas fica muda. Medo. Pânico. Há tantos nomes para nomear o que sentem agora.
− Vai ficar tudo bem. – Você a segura forte, e chora. – Não é o fim. Eu sempre estarei com você. Sempre!
Você a beija, e olha em seus olhos. Azuis. Como o céu em dia de verão. Como a água do mar depois de uma tempestade.
Ela sussurra “Eu te amo”. Você quer responder, mas não há tempo. Vocês são atingidas.
***
Você está sentada em sua cadeira de comandante. Seus pensamentos são de guerra e vingança. Sangue se paga com sangue, é o que você quer, é o que o seu povo quer. Você deve isso a eles.
Mas então você ouve passos, e a figura loira adentra sua tenda. Povo do céu. Você acha estranho ter aversão a eles. Se havia uma coisa que você amava, era o céu. O azul dos dias quentes, as estrelas cintilando na noite.
E você a encara pela primeira vez. Azul. Os olhos azuis. Tudo o que é dito a seguir parece irrelevante porque você não consegue desviar os olhos dos dela, não consegue impedir a atração que sente por aqueles olhos azuis. Ela era do povo do céu, mas parecia trazer um pedaço do céu dentro dela.
Ah, como você gostou disso. A ideia de ter um pedaço do céu só para si, mas havia algo a mais. Porque quanto mais Clarke falava, mais você queria ouvi-la. Não importava o que ela dizia desde que continuasse falando.
O amor era uma fraqueza. Você tentava lembrar-se disso todo instante, mesmo que achasse que já era tarde demais. Mesmo com tanta novidade sobre Clarke, você sentia que já a conhecia, sentia que ela de alguma forma já pertencia a sua vida.
***
Era o fim. Você podia sentir o frio percorrendo seu corpo. Podia sentir a dor adormecendo lentamente dentro de si.
Clarke segura suas mãos. Ela tem medo, você tem medo.
Está morrendo.
Não era assim que você imaginou as coisas. Não imaginou que iria se apaixonar por ela, mesmo que não conseguisse negar isso desde a primeira vez em que a viu, mas também não imaginou que partiria tão cedo.
− Eu quero você. – Ela diz com veemência.
No final tudo o que você consegue pensar é: Não é o final, não pode ser. Encontraria um jeito de voltar, encontraria um caminho de volta para ela. Ela é tudo o que você tem.
− Que nos encontremos novamente. – Ela diz e essas são as últimas palavras que você ouve. Tudo fica escuro... E você sabe... Você sempre estará com ela.
Notas finais
Confesso que ainda não superei a morte da Lexa, gente como faz?!
Até mais
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