May Singer

8 Capítulo 8


Depois de um ano de casada, eu poderia dizer que Miguel mudou. Mas ele continua exatamente o mesmo fofo. Na verdade agora... está um pouco pior. Até porque eu estou grávida de 5 meses. Então para ele eu sou uma boneca frágil e fofa.

Você não pode fazer isso May, você não pode fazer aquilo... Para ele, até um copo é pesado demais para mim.

Decidimos morar um pouco longe do palácio. Foi difícil me separar da America, mas assim como ela seguiu a vida dela, preciso seguir a minha também.

Estava tentando lavar uma louça, mas como sempre...

–May, deixa que eu faço isso- Disse Miguel pegando o prato de mim.

–Miguel, eu não estou doente. Posso muito bem fazer isso.

–Não, não pode. Você pode é ficar sentada. Anda logo- Disse ele me conduzindo para a cadeira.

–Se eu ficar sedentária, vou ficar ainda mais gorda e você não vai me querer.

Ele deu um beijo na ponta do meu nariz

–Eu vou te querer mesmo que você fique uma baleia.

Sorri

–Estou falando sério, você precisa me deixar fazer as coisas

–E você precisa parar de ser teimosa May.

Cruzei os braços e fiquei emburrada, ele apenas sorriu.

Passei o dia inteiro entediada, apenas assistindo Miguel fazer as tarefas de casa. — Sim, tínhamos criadas, mas ele sabia que se não fizesse logo, eu faria. Além disso elas estavam de férias.

–May, preciso resolver algumas coisas no palácio. Maxon me chamou com urgência. Você vai ficar bem aqui sozinha?- Ele perguntou preocupado

–Claro que sim- Respondi aliviada

–Tem certeza? Eu posso ficar, você não pod...

–Miguel. Vai logo. Se eu tiver que aturar você por mais um dia eu vou ficar maluca- Falei sorrindo.

Ele sorriu e me deu um beijo

–Tudo bem. Volto logo. Qualquer coisa me liga, liga para o palácio, para a America...

–Já entendi- Gritei e ele saiu sorrindo.

Fui para o quarto do bebê. É um menininho. Nós escolhemos a decoração toda juntos. Ficou perfeito. Estava abraçando um ursinho quando ouvi um barulho vindo da cozinha. Eu não acredito que Miguel voltou.

Andei furiosa, pronta para brigar com ele. Mas quando eu cheguei na cozinha, o ursinho caiu da minha mão com um baque no chão.

–Natasha- Sussurrei

Eu não havia a a visto desde o dia do casamento. Ela estava sorrindo, mas seu sorriso era assustador. Agora eu estava implorando para que Miguel voltasse. Não sei porque, mas estava com medo. Muito medo.

–O que você está fazendo na minha casa?- Perguntei

–Você rouba meu noivo, meu buquê, minha cerimônia e meu casamento. E acha mesmo que eu não tenho o direito de vir tirar satisfações?

–Ele não te amava. E tenho quase certeza que você também não o amava.

Ela riu ironicamente

–E quem falou em amor? Estou falando de noivo. Além disso, você está entalada na minha garganta desde que te conheci. Acha que eu esqueci de quando você me bateu e me trancou?

Dei um passo para trás, mas ela agarrou meu braço e começou a me sacudir.

–Natasha...

Tentei avisar a ela que minha gravidez era de risco, por isso tanto cuidado da parte de Miguel, mas ela não me ouviu

–Cala a boca! Porque agora eu estou falando com você.

Puxei meu braço do aperto dela e tentei sair de sua frente, mas ela puxou meu braço novamente e me jogou no chão. Não sei se ela realmente teve intenção de me jogar com tanta força, mas jogou. Caí no chão e dei um grito de dor. Senti um líquido pegajoso escorrer na minha perna. E quando olhei... Sangue. Muito sangue. Gritei desesperada. Natasha estava desesperada também, com a mão na boca. Senti uma dor horrível, por isso não conseguia falar, muito menos ligar para Miguel. Esperava que ela ao menos pudesse fazer isso, mas ela também estava assustada, então fugiu.

Fiquei lá, gritando de dor e desespero. [Não posso perder meu filho-pensei] Era tanto sangue que fiquei enjoada, e depois de passar vários minutos agonizantes no chão, desmaiei.