May Singer

2 Capitulo 2


Continuei no meu quarto, deitada na cama esperando a dor passar. Ouvi a porta abrir, e America entrar segurando seus filhos pela mão, a minha princesinha estava segurando um prato com um pedaço de torta.
–Você vai deixá-los gordinhos, America- Disse sorrindo
–HAHA, é para você. Está melhor?
–Sim- Respondi pegando a torta
–O que achou do primo do Maxon?- Perguntou ela, direta
O que eu achei dele? Ele tinha 18 anos. Ele era alto, forte como Maxon, tinha cabelos loiros e olhos castanhos. E se mostrou muito preocupado e atencioso quando eu caí. Dou risada dos meus próprios pensamentos, expulsando-os para longe
–Ele é um idiota- Digo por fim
Os ombros dela caíram
–Como assim? Ele é perfeito- Disse ela
–Não para mim- Disse encerrando o assunto
Ela me olhou furiosa
–Tudo bem. Você quem sabe.
Eu queria ficar brincando com meus sobrinhos, mas ela os pegou e levou embora. Acho que estava querendo me castigar.
Fiquei no quarto por mais alguns minutos. Troquei de roupa e como estava me sentindo um pouco melhor, decidi descer. Peguei um enfeite no meu quarto, um coração de vidro, queria levá-lo para Marlee, que nos faria visita hoje. Estava passando pela sala quando vi a porta semi-aberta e ouvi meu nome na conversa
–Ela é sempre assim?- Perguntou o primo do Maxon
–Não. Ela é um doce, mas é que aconteceram algumas coisas com ela...- Explicou America
Ouvi enquanto ela dava detalhes da minha vida. Contando tudo que aconteceu comigo na escola. Fiquei furiosa com America por ela estar expondo minha vida a um desconhecido, e mais furiosa ainda por ele estar se intrometendo.
–Ela é uma pessoa extremamente doce- Concluiu America
Pensei: Ah é America? Doce eu? Você vai ver!
Empurrei a porta levemente, para saberem que eu estava ouvindo. America gelou quando me viu, e o príncipe ficou assustado, sem reação.
Cavei em mim a teimosia da America, e achei.
Peguei o coração de vidro, me doeu por dentro ter que fazer isso com um enfeite tão belo. Mas eu odeio que me chamem de "doce". Isso me lembra a parte da minha vida que eu tento esquecer. Peguei o coração e o atirei no chão, fazendo pedaços de vidro vermelho voarem por toda sala. America me olhou com espanto, e o garoto com medo. Sorri satisfeita e fui embora.
Corri para o jardim. Não quero parecer louca ou deprimida. Só quero que me deixem em paz. Será que é tão difícil entender isso?
Ouvi risadinhas, e quando me virei vi um garoto. Estremeci de raiva quando o reconheci. O garoto... Era o infeliz da escola. Como ele conseguiu entrar no palácio? Um guarda vai morrer por isso.
–O que você está fazendo aqui?- Pergunto irritada
–Nada- Respondeu o garoto -Só queria saber como a princesinha está. Você não apareceu mais na escola
–Estou ótima. Já pode ir embora
–Se não o que?- Ele perguntou se aproximando
–Se não você vai ter que enfrentar alguém um pouco maior- Disse o primo do Maxon, se aproximando.
Sorri ao ver que ele era uns 15 centímetros mais alto que o garoto.

Jason (Esse é o nome do garoto) ficou assustado, mas mesmo assim se atreveu a perguntar
–E quem é você, o namorado dela?
–Sim- Ele respondeu sem hesitar -Agora é melhor você ir embora se quiser sair daqui andando.
Lancei um olhar desconfiado para ele, mas resolvi não interferir. Eu entendi o plano.
Jason segurou meu pulso e apertou com força
–Só estamos conversando- Disse ele
–Me solta! Você está me machucando- Eu disse cerrando os dentes.
Quando o primo do Maxon viu ele segurando meu braço, ficou irritado. Ele soltou o aperto do garoto do meu pulso e torceu o braço dele para trás, derrubando-o no chão. Jason gritou de dor.
–Peça desculpas a ela agora! Ou se você preferir posso quebrar seu braço, terei o maior prazer em fazer isso.-Disse Miguel, visivelmente irritado (Miguel é o nome do primo do Maxon)
–Des...Desculpa May.
Miguel o soltou e ele se levantou frustrado. Deu um último olhar para mim, como quem diz 'ainda não acabou' e foi embora.
–Esse é o garoto da escola que...
–Sim- Interrompi. Não queria falar sobre esse assunto
–Ah. Ele é um idiota.
–Sim. Ele é- Disse virando as costas e saindo
–Acho que eu nunca vou ouvir um obrigado de você. E a propósito, meu nome é Miguel.
–Eu sei. Obrigada. Satisfeito?
Ele sorriu
–May, não precisa ficar tão na defensiva. Me desculpe se minha presença te incomoda. Eu vim para cá porque as coisas estão difíceis com meus pais. Mas se isso incomoda tanto você, eu posso ir embora.
–Seus pais? como assim?- Perguntei confusa. Para mim, ele só estava aqui porque a America decidiu bancar a cupida.
–Meus pais estão se divorciando. E estão naquela fase de brigar por tudo, então Maxon e a America me convidaram para passar uns dias aqui, até as coisas se ajeitarem.
Levei a mão a boca, totalmente envergonhada. Ele não estava aqui por mim, e mesmo assim eu estava agindo feito uma idiota
–Me desculpe, de verdade. É que a America deu a entender que você... Quer dizer... Ah, desculpa.
Ele riu mais ainda da minha confusão
–Não tem problema. Eu entendi. Na verdade eu entendi no momento em que ela passou um dia inteiro me falando sobre você. Aquilo me deixou entediado para falar a verdade
–Não tenho culpa sobre isso- Falei sorrindo
–Eu pensei que fosse chegar aqui e encontrar uma garotinha saltitando pela casa feito uma criança. Mas tive uma grande surpresa.
–Ah. É, eu fui um pouco arrogante. Mas já expliquei os motivos.
–Não estou falando sobre isso. Minha surpresa foi ver que você cresceu e se tornou uma menina forte e decidida. Ainda lembro de você na primeira festa a fantasia aqui do palácio. Você estava de noiva.
Meu queixo caiu
–Você estava aqui naquela festa?
–Sim. Eu ia falar com você, mas toda hora que eu me aproximava você corria de felicidade para outro lugar, até que eu desisti- Ele respondeu sorrindo
–Não me lembro de você.
–Aposto que não. Mas você estava muito bonita vestida de noiva. Vai mandar fazer um vestido igual aquele para o seu casamento?- Ele provocou sorrindo, mas minha expressão tornou-se séria
–Não vou me casar- Disse com firmeza
Ele olhou no fundo dos meus olhos
–Eu não teria tanta certeza disso se fosse você- Ele disse isso e sorriu. Um sorriso lindo que desconcertou as barreiras que eu criei durante anos.
Droga, não posso deixar isso acontecer. Não vou me apaixonar de novo!
Arqueei uma sobrancelha e olhei para ele com desdém.
–Nunca conheci ninguém que valesse a pena esse sacrifício.
Ele ficou sério e eu deixei ele sozinho no quintal.