Maximilian
2 Capítulo 2 - Amizade?
Maximilian deu alguns passos para trás, e desviou o olhar, colocando suas mãos atrás de sua cabeça, começando a assobiar, para disfarçar sua falta de assunto. A garota apenas o observava, com uma expressão que se tornou séria. O silêncio foi quebrado pela voz da garota, que levou sua mão direita até o cotovelo esquerdo, em um sinal de insegurança.
— Não devia estar aqui... Nem a sua vila devia estar. É perigoso. — A garota disse, como se fosse em um sussurro. Maximilian estranhou a atitude da garota. Ele olhou em volta, mas ele não via nada de mais, estava iluminado, mesmo que as árvores criem sombras.
— Do que está falando, Nasu? Por que estaria perigoso aqui? — Maximilian estava um pouco desconfiado da garota, mas ele nada disse. Era um jovem extremamente curioso. A garota deu alguns passos para trás, e, olhando para baixo, ela sussurrou novamente.
— Você devia ir para casa... Vá, por favor, antes que anoiteça. —A garota abriu um leve sorriso, olhando para Maximilian, fingindo estar tudo bem. A garota se virou e tentou sair correndo, mas Maximilian agilmente segurou seu pulso, e a garota permanecia de costas para o garoto.
— O que está acontecendo?! Quem é você e por que está na floresta? — A garota se soltou, e olhou para Maximilian, com uma expressão de brava.
— Me solte, você não precisa saber de nada! — A garota cruzou os braços, e se virou novamente, arrebitando seu nariz e fechando seus olhos. Maximilian fez uma cara emburrada, e se virou de costas também, cruzando seus braços. Eles ficaram daquela forma por alguns minutos até que ele ouviu os passos da garota, e quando se virou, ela já tinha sumido.
— E-Ei! E-espera! — Gritou inutilmente para a garota, mas era tarde, a garota havia desaparecido em meio àquela infinidade de árvores. Maximilian olhou para o céu, ainda estava cedo. A garota, para ele, não tinha tanta noção de tempo. Entretanto, Nasu despertou o seu interesse. Quem era aquela garota, e o que estava fazendo nessa floresta? Ele pensou em segui-la, mas não seria muito inteligente sem recursos, ele tinha apenas um galho de árvore. Ele se agachou e pegou novamente seu galho, este era pontudo, mas não era uma lâmina. Ele voltou rapidamente para os arredores da sua casa e da casa dos amigos. A casa ficava perto do centro da cidade, que tinha chão de pedras e uma pequena fonte de água, nada muito luxuoso. Era ali que ele e seus amigos brincavam.
Ele se sentava num banco de pedra, que estava a alguns metros da fonte, olhou para baixo e reservou uma hora daquela tarde para pensar, analisar os fatos. Maximilian havia a encontrado naquela floresta, Cada vez que ele pensava naquela garota, dava em Maximilian uma sensação estranha, ele não sabia o que era. Era como se fosse um desconforto, algo que trazia um arrepio em sua espinha, havia algo fúnebre naquelas íris rosadas. Ele resolveu parar de pensar naquilo, naquele dia.
Maximilian voltou para casa, ele estava entediado. Ele não via sua mãe na sala onde entrou, devia estar na cozinha. Ele se dirigiu para a cozinha, onde viu sua mãe e se sentou na cadeira.
— Mããããeeee... Estou entediado... —
O garoto deitou sua cabeça na mesa, olhando preguiçosamente para sua mãe. Ângela se virou para o garoto, levou um pequeno susto, mas logo se recompôs.
— Mas e seus amigos, querido? — Ângela se aproximou da mesa, e se sentou na cadeira na frente de Maximilian. Ele olhava para cima, para o rosto de sua mãe, abrindo um leve sorriso, que logo desaparecia.
— Não sei, eles não sairam de casa hoje, mãe. Mas eu conheci uma garota. — Maximilian olhou para os olhos de sua mãe, inocentemente, e logo desviou o olhar, abaixando um pouco mais sua cabeça.
Ângela sorriu levemente, e apoiou sua cabeça em sua mão, olhando para seu filho. Ela estava ligeiramente feliz por ele. Ela deslisou uma de suas mãos até a mão direita de seu filho.
— Conheceu, é? E como ela era? —
Maximilian disse à sua mãe tudo o que viu na garota, mas não contou sobre a floresta, poderia se meter em problemas. Contou que ele se apresentou para ela, e depois perguntou de onde ela era, pois não havia visto ela ali antes. Depois, ela ficou brava, emburrou e virou de costas para o mesmo, e que ele fez o mesmo. Logo após, ela saiu correndo e sumiu da vista de Maximilian. Ele não havia mentido, mas também não havia falado a verdade. Ângela riu levemente, fechando seus olhos, aos olhos de Maximilian ela estava muito fofa daquela forma, mas não disse nada.
— Querido, mulheres são assim mesmo, não se preocupe com isso agora. Está com fome?! — A mãe do garoto abriu um sorriso, havia preparado alguns biscoitos.
— SIIMMM!!! — Maximilian abriu um grande sorriso. O seu pai voltava daqui a algumas horas, mas ele quase não o via, ele estava sempre a trabalho, e voltava tarde para casa. O garoto comeu os biscoitos rapidamente, e tomou um leite que sua mãe havia comprado de manhã. Estava gostoso. Imediatamente, ele se sentiu sonolento, ele avisou sua mãe que iria descansar um pouco, indo para seu quarto, mas ele acabou dormindo mais cedo naquele dia.
Ele acordou no meio da madrugada, algo estava lhe incomodando. Ele se levantou lentamente da cama, e tomou um banho rápido, vestindo novas roupas. Logo, ele subiu as escadas e espiou pela fresta da porta, sua mãe estava dormindo, mas seu pai estranhamente não estava ali. Deve ter ficado no castelo à trabalho, ou estava rondando por aí. O garoto pegou um lampião, acendendo-o e abrindo lentamente a porta de entrada, estava decidido a reencontrar aquela garota, não iria conseguir dormir bem até completar tal feito. Ele entrou novamente na floresta e, sem medo, ele foi para o mesmo lago, e encontrou a garota, que se assustou com a presença do rapaz.
— O que você está fazendo aqui? Vá, vá! — A garota novamente sussurrou, preocupada com o rapaz estar em perigo. O rapaz se aproximou, e olhou diretamente nos olhos da garota.
— Eu não conseguia dormir! Não até saber quem é você e por que está sempre aqui! — O garoto sussurrou, mas falou em um tom mais alto, como se estivesse gritando. Nasu extremeceu, e suspirou, olhando com raiva para Maximilian.
— Vá embora, aqui é perigoso. — Maximilian retrucou logo após.
— Eu não vou embora até me dizer o que está acontecendo, do porquê de você dizer que aqui é perigoso! Eu não irei conseguir dormir até você me dizer! — Maximilian era um jovem curioso, e realmente não iria embora até que ela o contasse. Nasu extremeceu de raiva.
— Vá embora, agora! Antes que os monstros te peguem, existem monstros aqui, e eu sou um monstro também! — Maximilian ficou paralisado por alguns segundos. Monstros? Como assim?!
— O-o quê?... — Ele ouvia grunhidos nas sombras, e imediatamente, pela primeira vez, ele sentiu medo... Um medo tão intenso que fazia com que suas pernas tremessem, e a adrenalina invadisse seu corpo. Nasu juntou suas mãos e, chorando, ela suplicou para que o rapaz saísse dali depressa, se aproximando mais um pouco dele.
— Por favor, não quero que se machuque... —
Maximilian, ao ouvir um grunhido do lado direito, e se virou bruscamente, levando seu lampião para a direita e, pelo susto, ele bateu com o lampião sem querer no rosto da garota, queimando-a um pouco com a luz. Logo após, ele olhou para ela, e ele gaguejava.
— De-de-desculpa!... — Maximilian saía correndo, deixando cair o seu lampião, em direção à vila, enquanto ouvia os grunhidos e sussurros atrás dele. Após sair daquela floresta, ele se aproximou de sua casa e olhou para trás, diversas sombras, que mal podiam ser vistas naquela noite, pareciam se erguer das árvores, entortando-as. De repente, dentes negros e afiados surgiram no topo, e a sombra foi tomando a forma de um grande cachorro que, após sair da floresta, foi diminuindo de tamanho, ficando mais ou menos o quádruplo do tamanho de Maximilian. Os olhos do cachorro das sombras eram amarelados, que olhavam diretamente para os de Maximiliam, que estremeceu completamente, acabando por cair de joelhos no chão, petrificado com um medo que nunca sentiu antes. O cachorro levantou sua pata, e suas garras negras avançavam contra Maximilian. Era o fim, ele fechou seus olhos.
De repente, ele sentiu as garras perfurarem algo, mas ele não sentia dor alguma. Ele lentamente abriu seus olhos, e viu sua mãe servindo de escudo para seu filho, tossindo sangue em seu rosto. As garras do cachorro haviam perfurado o seu corpo, atingindo os órgãos internos do torso, pefurando os rins, o coração, os pulmões, a garganta, e a bexiga. A sua mãe exibiu um leve sorriso e o cachorro puxou suas garras fortemente, dilacerando e separando sua mãe em diversas partes, que caiam no chão. Maximilian gritou de terror, enquanto observava, petrificado, aquele verdadeiro demônio devorar os restos de sua mãe, agora morta. As pupilas do cachorro se dilataram para Maximilian, e, quando ele estava prestes a ser morto pelas garras do cachorro, uma lança cheia de luz atingiu violentamente a cabeça do cachorro, enquanto sua pele e carne sombria começavam a desintegrar e a queimar como se a luz fosse um ácido extremamente corrosivo.
O cachorro gritou de dor, e, enfim, a sua dor cessou quando a lança perfurou sua cabeça da direita para a esquerda, e sua cabeça começava a desintegrar-se e a queimar. O sangue negro do cachorro foi derramado sobre o corpo do pobre garoto, ele estava agora coberto pelo sangue de sua mãe e pelo sangue do cachorro sombrio. Ele, não aguentando de tanto terror, caía no chão, perdendo a consciência. Ele acordou quando ele estava sobre um cavalo, junto a um homem com armadura dourada e branca e, então, perdeu a consciência novamente, estava muito fraco. Aquele dia ficou marcado na memória do garoto por toda a sua vida... A dor... O terror... A tristeza... E o pior de tudo... Era tudo a sua culpa.
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