Mau dia
11 ☵ Entre quatro paredes.
Notas iniciais
Já estava ficando tarde e eu estava mais do que cansada. Afinal havia varado a noite e não tinha parado um segundo sequer.
–--- Pronto para voltar pra casa? ---- questiono com um gesto mais meigo o despertando de seus pensamentos e logo ativo minha moto e seguimos de volta a te meu apartamento; a onde vizinhos famintos por curiosidades me aguardavam cheios de perguntas a fazer. ---- Cuidem de suas vidas. Me deixam em paz que saco! Não tenho obrigação de dividir minha vida com ninguém se toquem! ---- esbravejo enquanto fecho a porta. ---- Francamente...
–--- Os humanos parecem pior quando se é um deles...
–--- Sou obrigada a ter de concordar. ---- jogo cansada a bolsa sobre o sofá me atirando sobre a cama que não ficava muito distante naquele pequeno, porem ajeitadinho apartamento. E logo mais de doze talismãs caem de entro dela. ---- Ah que droga... Arruma pra mim?
–--- Você furtou os talismãs do meu pai?
–--- E peguei de volta os teus. Você não achou que eu iria deixar aquelas coisas lá pra eles estudarem e darem um jeito de transformar este poder em arma a ser feita em maça acha?
–--- É isso que eles querem fazer?
–--- E você ainda duvida? ---- respondo ainda deitada sobre a cama; sentia meu corpo inteiro latejar de canseira e aquele colchão parecia uma nuvem. Estava pronta para adentrar o mundo dos sonhos quando sinto um peso balançar a cama. ---- Você não vai dormir comigo. ---- pontuo sem abrir os olhos. ---- Ta achando o que? Que somos namorados é? Aquilo foi pra enganar o Drew e...
Sou silenciada por um beijo cálido e logo abro meus olhos o atirando longe com um chute em seu tórax.
–--- Romântica você... Muito feminina. ---- ele pontua com um sorriso maroto nos lábios e logo volta a se aproximar.
–--- Tenta algo que eu te castro. ---- ameaço em vão pos ele já estava de novo sobre a cama. ---- Você é surdo ou retardado? ---- o empurro mas desta vez ele me segura, por um lago estava cansada de mais para revidar por outro...
Ele me prensa entre a cama macia. ---- Por que reluta? ---- ele segura minhas mãos rendendo-me e logo começa a falar em meu ouvido em um tom leve que me faz arrepiar. ---- Você mentiu para o seu amigo. Disso eu sei. Mas de onde tirou esta idéia?
Drago para!
Pensei ter gritado, mas na verdade me calei por completo.
Ele se punha contra mim me prensando contra o colchão macio com seu corpo pesado e parecia já ter entendido melhor como os “trajes funcionavam”; claro que estava me sentindo errada em sentir o que sentia por ele, mais pelo fato de ter acabado de “romper” com paco do que qualquer outra coisa, mas ele já deveria estar na farra e eu...
Quer saber de uma coisa? Eu nunca me importei com as conseqüências de nada mesmo!
–--- Que coisa chata... ---- murmuro em um muxoxo fraco e sorrio de forma maldosa. ---- Põe o Cipactli de volta. Vai ser mais... “diferente”.
Ele para seus atos e me encara por alguns segundos, podia ver seus olhos agora castanhos cintilarem. Mas a convenção de volta a sua forma real era muito mais “interessante”: a pela macia de bebe ainda estava lá, só que em vês de morena assumia um tom esverdeado, os olhos castanhos davam lugar ao rubro ardente, e as presas surgiam.
–--- Bem melhor. Nunca gostei de carecas... ---- brinco enquanto o vejo se despir analisando aquele físico que ao mesmo tempo que era estranho e anormal se assemelhava a de um ser humano normal.
“Brincamos” e nos “conhecemos” mas mesmo assim eu não conseguia tirar Paco da cabeça em todo momento; era estranho parecia que ele estava ali conosco. Mas já tinha ouvido falar sobre este tipo de reação... Paco tinha sido meu primeiro namorado, e havia sido assim por anos; e agora eu o estava comparando (nem tão) inconscientemente.
Enquanto Paco possuía toques leves e precisos (talvez por já conhecer de cor o caminho) Drago já era bruto, mas não necessariamente violento.
E os ruídos repitilianos não eram tão ruins assim.
Tinha plena certeza de que os chatos dos vizinhos iriam reclamar de eu ter um colega de quarto homem e ficar falando pelos cotovelos sobre o assunto. E se era para ser condenada e punida, que pelo menos eu cometesse tal crime!
Já não estava nem ai se eles iriam ouvir algum barulho, ou se eu teria de compra um novo estrado, estava me divertindo muito entre arranhões e mordiscadas.
Coisas voavam, outras quebravam; se podia ouvir alguns palavrões e gritos, hora ou outra alguém era arremessado sobre algum móvel qualquer. Se eu fosse comparar quilo com algo, diria que se assemelharia muito mais a uma briga de bar do que qualquer outra coisa.
Era o tipo de relação em que os vizinhos chamam a policia.
E de fato chamaram.
[Tock tock]
[ ---- Aqui é a policia abram.]
Rimos baixo e tentamos ignorar, mas com as incessantes batidas temi por uma invasão e fui obrigada a ir atender.
–--- Posso ajudar policial? Acho que você esta na casa errada... Sou a agente Jade Chan. ---- pontuo de forma seria apesar de ainda querer rir. Tinha jogado aquele mesmo kimono por cima do corpo e o amarrado de uma forma qualquer apenas para ficar coberta, mas ele e seu companheiro me encaravam da mesma forma, digamos, sem graça.
–--- M-me desculpa senhorita.
–--- É que recebemos uma ligação. Disseram que...
–--- Tudo bem. São “vizinhos”. Quem não tem não é mesmo? Mas me perdoem, mas vocês não vão poder entrar aqui. Vocês entendem não é?
Eles acenam que sim ainda embaraçados pelo ocorrido já seguindo pelo corredor enquanto eu fecho a porta, já caindo sobre ela de tanto rir; posso ouvir Drago que ainda gargalhava sentido o que me fazia rir mais ainda.
–--- Idiota! Para de rir se não eu também não vou conseguir! ---- grito ainda entre risos e ele vem e me entrega um copo d’água.
–--- O que iria fazer se eles exigissem entrar aqui?
–--- Ia deixar ué? Não posso ir contra a autoridade deles.
–--- E eles iam ver toda esta bagunça. Não tem vergonha?
–--- Não. E você? Ia tirar o próprio talismã e ficar humano ou ia permanecer assim?
Ele se cala, mas ambos sabíamos a resposta.
Me levanto da porta e vou ate ele que estava sobre o sofá a encarar a televisão desligada, o devolvendo o copo vazio. ---- Quer ver algo na teve ou...?
Homens respondem mais com atos do que com palavras já notou isso?
Deitamos no sofá e retomamos nossa “brincadeira” agora na sala de estar. Haviam novos moveis e novas coisas a derrubar; e eu descobri finalmente a onde queria estar. Entre os braços que me acalmavam e me saciavam.
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–*-Chow*-
Eu sempre disse que Jade tinha uma queda pelo mundo das trevas e estas coisas,
E ainda mantenho meu ponto de vista.
Quando alguém “gosta” não tem nada que se possa fazer para impedir, hora ou outra a pessoa “sai do armário” e todo mundo fica sabendo.
Não vou julgar.
Nem posso...
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