Mau Dia!
1 Eu Conheci O Cara No Metrô...
Notas iniciais
Não existe coisa pior no mundo do que acordar no meio da madrugada para ir ao banheiro e quando finalmente volto para a cama e termino de me ajeitar confortavelmente, o despertador começa a tocar como um louco, informando que já são 4 horas da manhã e é hora de levantar! “Droga eu não acredito!” Digo resmungando e levantando da cama, sonolento e com má vontade, eu já estou de mau humor, odeio ficar de mau humor logo cedo isso deve ser um mau presságio.
Eu me arrumo para ir para a escola, está muito frio esse horário da manhã, e colocando uma blusa de frio de cor vinho, me olho no espelho, olhos castanhos claro, cabelo castanho claro, pele branca com um leve rosado nas bochechas, lábios vermelhos, por causa do frio. Enquanto eu tento acertar um topete me pergunto “Pra quê todo esse carnaval?” Não entendo como tenho que estudar em uma escola tão longe daqui e ainda por cima no horário da manhã que é mais sacrificante ainda nesse frio congelante! Só porque o nosso visinho disse para a minha mãe que “Achava” que essa escola era boa, quer dizer, ele nem sabe! Minha mãe ignora o fato de eu ter acabado de completar 19 anos afinal tenho cara de 17 mesmo, E quem paga o pato no final das contas sou eu! Fazer o quê?...
Eu saio de casa e pego o ônibus que segue para a estação mais próxima, chegando lá eu percebo que estou com fome e vou para uma lanchonete quase que já sentindo o sabor de uva do meu suco preferido. “O quê! Não acredito que aumentou o preço” Digo indignado pra a vendedora, não tenho dinheiro suficiente, “Vou levar apenas uma barra de chocolate com recheio de cerejas moça...” Eu falo desiludido.
Nesse momento um cara que está sentado ali diz “Pode levar o seu suco garoto eu pago” Tentando ser educado recusei meio sem jeito “Não muito obrigado moço...” Ele responde “Aceitar é que é ser educado e não recusar! Nunca perca as pequenas oportunidades que a vida te dá!” Eu penso em tudo o que ele diz olhando atentamente, colocando o dedo indicador no queixo e logo em seguida abro aquele sorriso meigo dizendo meio tímido “Obrigado moço! Não apenas pela gentileza, mas mais por me trazer um pouco de felicidade esta manhã” E sigo meu caminho rapidamente para não me atrasar, pensando “Por que ele fez isso?” Ando mais rápido afinal não gosto de me atrasar.
Enquanto espero o primeiro trem na plataforma de embarque percebo que a estação está um pouco vazia logo penso “Ainda bem que esse horário não tem quase ninguém, somente algumas pessoas na minha frente; odeio tumulto, barulho e bagunça...” Olho para algumas pessoas falando umas com as outras, continuo sugando um delicioso suco de uva através do canudinho transparente e penso entediado “Eu queria alguém para conversar...” Logo o trem chega à estação.
A cabine abre as portas, todos entram exceto o individuo que está a minha frente “O quê? Ele vai ficar ai parado mesmo enquanto eu tento embarcar? Eu não acredito que esse cara vai esperar o próximo vagão! Tem bastante lugar pra sentar, será que ele não percebeu?” Eu fico irritado, Mas ao invés de contornar e entrar no vagão; coloco a minha mão na cintura dele e o empurro lentamente dizendo “Vai moço as portas estão fechando” eu disse tão naturalmente, como se já o conhece se. E nós entramos, mas logo percebi “Nossa! Esse cara tem um corpo legal! Só peguei em músculos, mas afinal porque fiz isso mesmo? Quer dizer, ele tem todo o direito de fazer o que bem entende e...”
Enquanto penso nisso coloco o dedo indicador sobre meu queixo, mas desta vez indicando duvida, me encostando contra a porta que acaba de fechar atrás de mim. Nesse momento o moço vira na minha direção e segura na barra lateral, só então pude perceber que além de um corpo definido, ele possui olhos verdes e é loiro, seu cabelo liso vai até os ombros, ele usa uma camisa regata cinza por baixo da camisa social-esporte que é quadriculada em vermelho, e uma calça jeans preta, ele deve ter no máximo vinte e cinco anos.
Percebo então que algo em mim está tirando sua atenção afinal ele não para de me encarar com um olhar tenso, Eu ainda estou na posição de duvida e quem o está encarando na verdade sou eu conclui em alguns segundos, Na mesma hora fico vermelho como um pimentão vermelho, então pra disfarçar sai dali rapidamente e me sentei no banco vazio do canto logo à direita, eu posso vê-lo de perfil agora a um metro e meio “Há! É verdade esse é o moço que me pagou o suco!” Lembrei. "Como eu não o vi antes?"
Estou com tanta vergonha, penso na única pergunta que tem mil respostas e está inundando a minha mente “O que será que ele pensou que eu estivesse pensando sobre ele enquanto eu o encarava admirando seu corpo?” ou "Qual teria sido a minha expressão naquele momento? Será que ela me denunciou?" Quero me esconder atrás do canudinho, sugando-o com tanta força que o suco acabou, Saquei o chocolate que eu havia comprado, Preciso de algo bem doce para distrair a minha cabeça de idéias fantasiosas, aquele cara que mais parece um modelo, olha pra mim de um jeito agressivo e depois passa a mão no cabelo, arrumando-o atrás da orelha gentilmente mostrando o brinco brilhante.
Eu mal consigo abrir o chocolate por alguma razão é impossível nesse momento, um sorriso amarelo no meu rosto é motivo suficiente para fazê-lo se sentir dono da situação, ele velozmente se senta ao meu lado e apóia um pé no banco reservado a idosos “Daqui deixa eu te ajudar” Ele fala em um tom ríspido tomando o doce da minha mão “Hei! Esse chocolate é meu!” Falo com raiva franzindo a sobrancelha “Que cara folgado!" Penso, em seguida cruzo os braços, mas fico mais louco ainda quando ele eleva o meu precioso chocolate até a boca e rasga a embalagem com os dentes estupidamente, cuspindo o que conseguiu arrancar, “Pronto!” Disse satisfeito me dando o chocolate todo babado “Obri..ga..do” Respondi indignado vendo meu sonho destruído por aquele vândalo.
Então eu mordo um pedaço, mas com dó do pobre chocolate. E novamente tento parecer educado, ofereço um pedaço “Você quer?” E na mesma hora ele não hesita aproveita que já está sentado ao meu lado e passa primeiramente o seu braço esquerdo por traz da minha cabeça colocando sua mão pesada no meu ombro e com a mão direita toma o chocolate da minha mão novamente e dá uma mordida generosa no pequeno chocolate “Muito bom mesmo!” Ele diz surpreso dando uma segunda mordida, Eu não agüento e digo docemente enquanto minha expressão é exatamente o contrário “Pode comer tudo se quiser...”
Eu presencio incrédulo aquele cara comer todo o meu chocolate. E por fim começa a lamber os dedos com gula jogando o papel no chão “Ai garoto! porque você me deixou comer todo o teu chocolate?" Ele questiona puxando assunto. Eu apenas mudo o encaro com o mesmo sorriso amarelo de antes afinal não posso sair na mão com ele como eu queria, volto a olhar atentamente, pois a próxima estação é o meu destino.
“Ai garoto eu gostei de você, meu nome é Diego e o seu?” Ele diz estendo a mão de forma a agarrar alguma coisa em um movimento exagerado e um sorriso largo. “Hã? O que exatamente você quer dizer com gostei de você?” Eu falo com receio, me encolhendo no banco com meu coração a mil. Diego logo faz uma expressão ríspida que me desaprova completamente com um som “Nitch” que sai da sua boca e uma cara feia “Meu nome é Henrique muito prazer!” Eu respondo tentando me recompor da posição canhesta que eu acabei de me colocar estendendo a mão.
Diego aperta muito forte a minha mão respondendo “prazer? Só depois da meia noite!” Dando gargalhadas da minha fragilidade por gemer de dor e com um ai prolongado e da piada completamente sem graça. “Ou! Não precisa apertar tão forte!" Eu falo desviando meu olhar testando o movimento das minhas mãos.
Nesse momento soa o sinal que eu aguardava, enfim cheguei ao meu destino, verifico no relógio estou dentro do meu horário, as portas se abrem eu me levanto já dizendo “Tchau” com um tom de “Graças a cristo!”, dou dois passos para frente, mas Diego me puxa fortemente pelo braço com uma só mão e o impacto me joga para trás afinal sou muito menor e mais leve do que ele e todos olham para a cena, perplexos.
Eu forço para a saída inutilmente e sem sucesso tento argumentar falando baixinho para não fazer um escândalo maior “O que está fazendo eu preciso descer aqui seu maluco!” “Não! Não quero que você vá... Fica comigo hoje?” “O que? Você só pode estar ficando maluco, você acha que por que é bonito vai me convencer assim tão fácil? Eu nem conheço você direito!” Daí pra frente eu já estou falando um pouco mais alto, Apenas quero que ele compreenda que realmente preciso descer. “Por favor, Fica comigo hoje!” Essa é a oportunidade perfeita para dizer o que penso.
“Incrível! Aprendeu a ser educado? Que interessante! Mas, Agora me solta vai, Que eu preciso ir”. Nesse momento, Diego fala alto me dando um tranco que eu caio em seu colo. “Já falei que não!” Eu tento sair rapidamente, Afinal não posso ficar no colo dele, Mas ele me abraça com aqueles braços fortes, Seu cabelo cai sobre o meu rosto e eu sinto um perfume delicioso, Não tenho como escapar de jeito nenhum percebi. Eu falo gemendo com o único braço que eu consegui soltar, estendido em direção a porta, sabendo que é inútil, ouvindo o sinal de que as portas iriam fechar a qualquer momento “Por favor!" Agora sim as portas se fecham.
“Parabéns Diego! Conseguiu o que queria agora vou ter que descer na próxima estação e voltar, Cabeção!”“ Nada disso, Você ainda não entendeu? Você vai passar o dia todo comigo!”’Está bem, está bem, já que eu não tenho outra escolha, fazer o quê?" Percebo as pessoas ao redor assustadas, eu rápidamente estranho a situação. “Agora dá pra fazer o favor de me soltar!”
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