Matilda - Emory Scott
1 Oneshot
"Matilda, você fala da dor como se estivesse tudo bem"
Emory Scott estava sentada no canto do quarto, os joelhos firmemente pressionados contra o peito enquanto ela encarava o chão gasto. Seus lábios formavam uma linha fina, uma expressão que denotava a tormenta interna que a consumia. A dor que Martin, seu irmão mais velho, lhe causava, tanto física quanto emocional, era um segredo que ela guardava com ferocidade.
Ela falava da dor como se estivesse tudo bem, como se cada ferida não fosse mais do que uma sombra passageira em sua jornada. Na presença dos outros, seu semblante transmitia uma serenidade forjada, uma máscara meticulosamente construída para esconder a desolação que a consumia por dentro.
Mas, por trás dessa fachada, Emory carregava o peso de sua agonia, uma carga que parecia crescer a cada dia. Ela enterrava suas mágoas no mais profundo recôndito de sua alma, recusando-se a deixar que o mundo visse a vulnerabilidade que considerava uma fraqueza.
"Mas eu sei que você sente como se um pedaço de você estivesse morto por dentro"
Emory fitou o vazio à sua frente, um eco silencioso de sua própria existência fragmentada. A sensação de estar incompleta a assombrava constantemente, como se um pedaço essencial de si mesma tivesse sido arrancado e deixado para apodrecer nas sombras de sua angústia. Cada golpe de seu irmão Martin parecia apenas reforçar essa sensação, como se cada ferida aberta fosse uma confirmação dolorosa de que parte dela estava morta por dentro.
Mesmo quando tentava sorrir para o mundo, Emory sabia que não era mais a mesma pessoa. A vitalidade que uma vez a definira agora jazia em ruínas, substituída por um vazio silencioso que a consumia por dentro. Era como se ela estivesse vivendo uma existência paralela, presa entre o que era e o que poderia ter sido, incapaz de se libertar das correntes de seu próprio sofrimento.
E assim, Emory continuava sua jornada solitária, carregando o peso de sua dor e lutando para encontrar um sentido em meio à escuridão que a cercava. Porque, mesmo que um pedaço dela estivesse morto por dentro, ela sabia que ainda havia uma centelha de esperança acesa em algum lugar, uma luz fraca que ela se recusava a deixar apagar completamente.
"Você me mostrou um poder que é forte o suficiente para trazer o Sol aos dias mais escuros"
A garota sentiu um leve frêmito percorrer sua espinha enquanto observava os raios de sol atravessarem as cortinas do quarto, espalhando-se pelo chão em uma dança dourada. Apesar da escuridão que a envolvia, havia momentos fugazes de luz, de calor, que penetravam em sua alma e a lembravam de sua própria força interior.
Ao longo dos anos, Emory descobrira uma determinação feroz dentro de si mesma, uma resiliência que a ajudara a enfrentar os dias mais sombrios. Apesar do tormento que enfrentava diariamente, ela encontrava uma centelha de coragem, um poder que lhe permitia resistir às tempestades que assolavam sua vida.
Era como se cada golpe que Martin desferia contra ela apenas alimentasse o fogo de sua determinação, fortalecendo sua resolução de um dia escapar das garras de seu opressor. Ela se recusava a ser definida pelo sofrimento, a permitir que a escuridão a consumisse completamente.
Emory olhou para o sol brilhando lá fora, um lembrete constante de que, apesar das trevas que a rodeavam, ainda havia beleza e esperança no mundo. Ela se agarrou a essa luz frágil, deixando-a guiar seus passos enquanto ela lutava para encontrar seu caminho para fora das sombras.
"Não é da minha conta, mas isso está na minha mente"
O silêncio permeando o ambiente enquanto ela lutava com os pensamentos tumultuados que a assombravam. O peso de seu sofrimento pairava sobre ela como um fardo insuportável, envolvendo-a em uma névoa de angústia que parecia não ter fim.
Emory sabia que sua situação não era da conta de ninguém, mas isso não a impedia de sentir a pressão opressiva da expectativa social. Os olhares curiosos dos outros estudantes na escola, as perguntas não ditas que pairavam no ar, tudo isso contribuía para alimentar sua ansiedade. O olhar dolorido de Will sempre que notava um hematoma novo.
Mesmo quando tentava se concentrar em suas aulas ou interagir com seus colegas, a sombra de seu sofrimento estava sempre presente, sussurrando em seu ouvido, lembrando-a de sua própria dor.
"Você pode deixar pra lá"
Ela sabia que não podia resolver todos os seus problemas de uma vez, que algumas coisas estavam além de seu controle. Apesar de tudo o que enfrentava em casa com seu irmão Martin, Emory sabia que precisava encontrar uma maneira de seguir em frente, mesmo que isso significasse deixar algumas coisas para trás.
A dor e o sofrimento que Martin infligia a ela eram uma carga pesada demais para carregar sozinha, mas Emory se recusava a ser definida por eles. Ela se levantou do chão com determinação, decidida a não deixar que o passado a prendesse para sempre.
Enquanto caminhava pelo quarto, Emory fez uma escolha consciente de deixar para lá, pelo menos por enquanto. Ela sabia que ainda havia muito a ser feito, muitas batalhas a serem travadas, mas por agora, ela se permitiria um momento de paz, um momento para respirar e recarregar suas energias para o que estava por vir.
Então, com um suspiro de alívio, ela fechou os olhos por um breve instante, permitindo-se sonhar com um futuro onde a dor e o sofrimento seriam apenas memórias distantes. Emory sabia que o caminho à sua frente seria repleto de obstáculos, mas também estava ciente de sua própria força interior e determinação para superá-los.
Desbloqueando seu celular, ela digitou uma rápida mensagem para o garoto de olhos verdes que havia tomado sua mente.
Ainda quer ser o meu homem?
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