Math For Love
17 Subconsciente
Notas iniciais
RECADO IMPORTANTE
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Ainda sentindo seus nervos à flor da pele depois da conversa com Daniel Harris, Dylan Patterson seguia para o pátio principal da escola. Checou no relógio que ainda faltavam cerca de quinze minutos para a atual aula terminar e os alunos se espalharem pelos corredores e refeitório no horário de almoço.
Sentou-se em um dos bancos afastados do refeitório, era feito de madeira e nitidamente pintado de branco com alguns detalhes descascando, revelando a antiga pintura azul. Pousou sua pesada mochila no chão ao seu lado, respirando fundo e esfregando as mãos nos rosto, frustrado. Não entendia porque sentia-se tão afetado por uma nova amizade de Daniel que pudesse interferir ou desrespeitar sua relação com Jhennifer. Isso não é motivo para sentir-se feliz?
Fechou os olhos e recordou sua sétima série, quando conheceu Jhennifer Willis.
Estavam no meio do ano letivo quando a nova iorquina chegou na escola. Tinha cabelos castanhos como os do pai, e olhos verdes como os da mãe. Seu grupinho de amigos precoces passavam horas falando sobre as meninas mais velhas e atraentes da escola, e Jhennifer, embora da mesma idade, logo foi alvo das conversas maldosas dos garotos.
Dylan era o único que, embora participasse das conversas, sentia-se incomodado ao falar de Jhennifer. Percebia na garota um semblante muito triste, mas não sabia o porque. Toda a informação que tinham era que a famosa empresa da família Willis instalara uma sede em Nova Jersey, aproveitando para viver em uma cidade melhor para a pequena Jhennifer, o que, aparentemente, não era a vontade da garota.
Em um certo dia, cerca de três semanas após a sua chegada, Jhennifer já era isolada e apelidada de "princesinha Willis" por ser filha de um poderoso empresário. Era muito tarde e só permaneciam na escola até aquele horário os alunos que ficavam na detenção. Ao sair do castigo, Dylan encontrou-a na entrada da escola, aparentemente à espera do motorista da família.
– Oi... — Ele parou ao seu lado, cumprimentando-a.
Ela fitou-o, sorrindo.
– Oi! — Respondera.
– Você ficou na detenção hoje também? — Dylan perguntou, estranhando não ter a visto.
Ela balançou a cabeça negativamente.
– Estou esperando meu motorista... Algo deve ter acontecido. — Ela explicou, abaixando o olhar.
Dylan observou a garota ali abandonada. Seus cabelos estavam presos em um coque de lado, usava um vestido verde água, destacando a intensidade da cor de seus olhos.
– Meu pai vem me buscar em cinco minutos... Quer uma carona? — Perguntou, finalmente.
A garota desviou o olhar, apreensiva.
– Não sei se meu pai deixa eu pegar carona de estranhos...
Dylan respirou fundo, receoso em deixá-la ali sozinha. Onde estava a família daquela garota? Como a deixam na rua tão tarde?
– Tá ficando tarde... É perigoso ficar aqui. Vem com a gente, ele te deixa em casa. — Insistiu, apontando para o céu que já escurecia.
Naquela tarde, Jhennifer aceitou a carona. E em todas as outras tardes seguintes, quando sua família começara a falir gradativamente. Depois de alguns dias, Dylan soube da quebra da empresa Willis por conta da crise, e se dispôs a ajudá-la sempre que precisasse de algo. Viraram amigos, e durante aquele ano e o seguinte, Dylan passou a acompanhar a garota e saber de todos os problemas que passava, apoiando-a quando preciso.
No primeiro ano, seguiram para as mesmas escolas, a Nottingham High School North. Foi quando Dylan conhecera Daniel Harris, sua dupla nas aulas de química e matemática. Obviamente, Jhennifer se derretera pelo seu novo amigo, e os dois começaram a namorar, afastando a amizade de Dylan completamente, mas, ainda assim, Dylan preocupava-se e sempre fazia questão de estar ao seu lado a cada problema. Entretanto, quando perdera sua mãe, Daniel foi o único ombro no qual Jhennifer queria chorar.
Embora afastados nos últimos tempos, Dylan ainda a observava. Nesses três anos de relacionamento, sentira muita raiva de seu amigo quando via a garota mal e cabisbaixa, obviamente insatisfeita com o namoro, enquanto Daniel não reparava a tristeza da própria namorada. Não entendia porque continuavam com aquele relacionamento, não entendia porque manter uma relação tão fria e distante.
Nos últimos meses, a raiva que sentia de Daniel lhe deixava cada vez mais motivado a compensar a ausencia sentida por Jhennifer. Quis aproximar-se, conversar, descobrir o que estava acontecendo, quis arrancar um sorriso, uma risada. Gosta de implicar e deixá-la irritada, de mexer com seus nervos, é o seu jeito de fazê-la se sentir importante, de dar-lhe a atenção que seu namorado negava-lhe. Porém, por mais que esse seu objetivo fosse puramente proporcianar-lhe essa atenção, estava começando a afetar e confundir seus sentimentos.
Toda essa confusão começara há dois meses, quando tivera um sonho com Jhennifer. Sonhara com fios de seus longos cabelos tingidos entre seus dedos, com sua pele macia na palma de sua mão, com seus lábios colados aos dele. Naquele sonho, sentia o sabor doce de melancia naquele beijo, sentia seus hormônios saltarem de atração, seu corpo fervilhar em exctase. Era um sonho maldoso, ele sabia. Uma traição com seu amigo, coisa que ele nunca teria coragem de fazer. Culpava-se por aquilo, e sentia um peso enorme na sua consciência. Ficou desesperado, sem entender como aquilo poderia ter acontecido, como sonhara com aquilo sem nunca ter pensado em algo assim com a sua amiga. Levando em consideração a idéia de que os sonhos são a manifestação do subconsciente, passou a questionar-se sobre seus sentimentos pela loira. E, para seu desespero, quanto mais negava para si mesmo, mais atraído se sentia.
"Maldito sonho." -pensava, sempre que seu corpo pulsava na presença de sua amiga, culpando o fato que o fizera despertar para uma possível paixão.
"Eu estou apaixonado pela Jhennifer?"
Por mais que seu peito se contorcesse todas as vezes que a via com Daniel ou imaginava-se no lugar de seu amigo, sabia que nunca teria coragem de fazer nada. Por todas as vezes que descontrolara-se e acabara falando coisas que não devia, como no último sábado na casa dela, por toda aquela situação que vivia, por tudo, odiava-se por aquele sonho. Aquele sonho tirara toda a sua paz, e, por mais que tentasse o ignorar, era impossível esquecê-lo.
O sinal tocou, anunciando o horário do almoço e interrompendo seus pensamentos, fazendo com que o som dos passos dos alunos sobre o piso tomasse conta do local anteriormente silencioso.
Levantou-se e caminhou para o centro do refeitório, encontrando Daniel e o restante do pessoal que já acomodavam-se na mesa de sempre.
Daniel olhou-o e desviou seu olhar, pelo visto, aquela conversa o alertara de alguma forma. Jhennifer e Katie logo apareceram, juntando-se ao grupo. Por trás, ela abraçava Daniel e beijava-lhe o rosto, sorrindo e cortando em fatias cada suspiro de Dylan. Evidentemente frio, Daniel tocou sua mão, com um sorriso mais frio do que seu estado de espírito. Ele virou-se para a namorada e sibilou algo com os lábios, algo baixo demais para que Dylan escutasse. Mas ele leu o que dissera, e sabia muito bem que algo iria acontecer por causa daquela conversa.
"Nós precisamos conversar, Jhenni." — foi o que ele leu dos lábios de seu amigo, transformando o sorriso da garota numa expressão preocupante.
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