Math For Love
34 Penetras
Notas iniciais
Aqui, aparece um novo personagem que vai ser muito importante para a história. Alguém que vocês estavam esperando por muito tempo. Haha, deixem seus comentários! Beijão.
“Que bagunça.”
O estado da casa de Katie Monroe estava muito pior do que ela, algum dia, já pudera imaginar. Copos de plástico espalhados por todo canto, pratos descartáveis, restos de biscoitos, salgados e guloseimas em cada pedaço da residência.
Sua mãe, Ana Rivers, não havia dormido em casa, e, Katie não fazia nenhuma questão de tentar imaginar onde ela estava agora. Saiu com um novo namorado na noite passada, e sabe-se lá o que aconteceu. Já estava acostumada com o jeito extremamente adolescente de sua mãe. Talvez, seja até esse o motivo de Katie estar sempre querendo alcançar seus objetivos, custe o que custar. Talvez, seja só por causa dessa maturidade que ela teve de desenvolver muito antes do tempo.
A noite passada não foi tão perfeita quanto havia imaginado. Brigou seriamente com sua melhor amiga, colocou para fora angustias guardadas já há muito tempo, angústias vistas como fruto de um egoísmo de uma personalidade da qual ela nada se orgulhava. Agora, esperava que as coisas logo se acertassem. Jhennifer era alguém muito especial em sua vida, e, nenhum garoto poderia estar entre elas. Nem mesmo Dylan Patterson, por quem, falsamente, Katie pensou ter algum sentimento. Ela sabia, precisava manter a verdade as duas.
Estava sentada no balcão de granito preto que separava a cozinha da sala de estar, balançava os pés rapidamente, com uma enorme preguiça de começar a arrumar àquela bagunça. Bocejou mais uma vez, com raiva por ter acordado cedo para melhorar a situação da casa antes que sua mãe chegasse.
Pensou se deveria ligar para Jhennifer, ou esperar que ela a procurasse. Não sabia qual atitude tomar, não sabia quem era a errada naquela discussão. Por mais que tenha parecido egoísta, foi errado ter colocado seus sentimentos para fora? Ela não tem o direito de expor o que sente?
A campainha tocou, fazendo-a dar um salto rumo à porta de entrada.
- Posso ajudar? – Perguntou assim que deu de cara com um rapaz de rosto vagamente familiar à sua frente. Ele tinha cabelos ondulados e escuros, olhos castanhos e lábios tão finos, que chamou a atenção de Katie.
O garoto sorriu, fazendo-a sorrir junto ao ver um sorriso tão bonito.
- Deixei meu celular aqui ontem. – Respondeu o garoto, passando a mão por entre os cachos. – Pensei que pudesse passar aqui para busca-lo.
Katie arregalou os olhos.
“Ele esteve aqui ontem?”
- Não me lembro de ter visto você aqui ontem. – Sussurrou, franzindo os olhos.
O garoto franziu os lábios, cruzando os braços.
- Também não me lembro de ter visto você. É a dona da casa?
- Também. Ontem foi o meu aniversário. – Respondeu Katie, incrédula por alguém ter ido à sua festa sem ao menos saber que era seu aniversário. – Desculpa, mas quem te convidou?
O garoto deu um sorriso torto, colocando as mãos nos bolsos, obviamente desconsertado com aquela situação.
- Desculpe, vim com um amigo, ele é quem realmente te conhece, estuda na sua escola.
- Tudo bem, é que nunca lidei com penetras antes. – Respondeu, rindo e esfregando as palmas das mãos. – Pode entrar se quiser procurar seu celular, a casa continua do jeito que foi deixada ontem. – Disse Katie, apontando para o interior da casa.
O garoto passou, pela loira, tirando o quente blazer marrom que usava e o colocando em cima de um dos sofás que estava completamente coberto de lixo.
- Parece que vai ter um trabalhão aqui. – O garoto comentou, voltando-se para a garota atrás. – Você pode me emprestar seu celular? Assim eu posso ligar e escutar o meu chamando, é mais fácil.
Katie assentiu com a cabeça, tirando do bolso o seu iPhone e entregando-o para o garoto.
- Você não me disse seu nome. – Disse, entregando o celular para ele.
- Mike. – Respondeu o garoto, pegando o telefone. – Mike Wilson.
- Certo, Mike. – Sorriu Katie. — Eu sou Katie. Katie Monroe
....
Mary não sabia descrever nada daquilo. O frio na barriga, o carinho, a ótima sensação de sentir o perfume dele, tudo era absolutamente perfeito. Não havia dito nada. Não havia tido nenhuma conversa, nenhuma simples palavra pronunciada desde que Daniel pedisse que lhe desse um voto de confiança.
Daniel Harris estava sentado no penúltimo degrau da pequena escada que dava acesso à porta de entrada da residência dos Monroe. Ao seu lado, Mary estava encaixada em seu abraço, com a cabeça deitada em seu ombro direito. Não insistiu em falar, não insistiu numa conversa. Sabia que as coisas seriam difíceis, nem ele mesmo sabia o que estava acontecendo, apenas queria estar com ela. Sentia uma enorme felicidade fluindo dentro de si, pelo simples fato de estar com ela.
“Como a Monroe fez isso comigo?”
O que mais o intrigava em todo aquele tempo, era a maneira que Mary o despertava. De modo que, em três anos de relacionamento, nunca alguém o despertou. Nem mesmo com aquela líder de torcida provocante, ou com Jhennifer que sempre esteve ao seu lado, mostrando-se um refúgio para quando fosse necessário, nunca sentiu isso por ninguém. Era como se Mary fosse diferente de todas. Não, ela de fato é diferente de todas elas. E essa diferença trazia-lhe segurança, carinho, vontade de cuidar dela a cada minuto em que estivessem juntos.
Daniel passava os dedos pelos fios negros dos cabelos de Mary, apreciando cada milímetro daqueles fios macios que cobriam a tão linda pele clara da garota ao seu lado. Não conseguia ver o seu rosto, nem mesmo os seus olhos, mas sentia o perfume doce que despertava-lhe uma vontade imensa de beijar o seu pescoço.
De olhos fechados, Mary aproveitava a sensação dos dedos de Daniel em sua pele, arrepiando-se mais a cada toque. Daniel tinha um perfume forte, e a malha fina de sua camisa três-quartos permitia-lhe sentia o calor de sua pele, sempre tão quente independente do frio cortante que cruzava a cidade. Era aconchegante, tinha vontade de adormecer em seus braços, com todo aquele carinho que a envolvia.
- Você é linda... – Daniel sussurrou no ouvido de Mary, que se conteve para não dar um pulo com o súbito arrepio que alcançou suas bochechas, fazendo-as esquentar e mudar de tom rapidamente.
Sorrindo, Mary aconchegou-se mais ainda nos braços de Daniel.
- Tem certeza que não quer conversar? – Perguntou Daniel, afastando Mary de seu ombro direito e olhando-a nos olhos.
Mary abaixou o olhar, balançando a cabeça negativamente.
- Isso tudo é muito para mim. Eu estou gostando de estar aqui com você, de verdade. – Sussurrou Mary, estalando os dedos e olhando para suas mãos. – Mas eu sinto que vou me machucar com tudo isso. Poxa, olha pra mim, você é Daniel Harris, e eu... Eu sou só alguém pra quem você provavelmente nunca teria olhado.
Daniel segurou as mãos de Mary, interrompendo seu estalar de dedos e entrelaçando-os.
– Eu olhei sim para você. Desde aquele esbarrão no corredor, você chamou minha atenção. E, eu sei que posso parecer egoísta, mas, só quando eu senti que podia te perder para aquele Peter, eu vi o quanto você é importante para mim!
- É, é um pouco egoísta mesmo. – Sorriu Mary, balançando a cabeça.
Daniel sorriu de lado.
- No fundo, eu sempre quis que você fosse só minha... – Sussurrou, colocando uma mecha de cabelo de Mary atrás da orelha. – Mas quando vi você ficar daquele jeito com ele... Não sei explicar, mexeu comigo.
Mary suspirou, encaixando-se novamente nos braços de Daniel.
- Vamos conversar melhor. Mas não agora, não estou com cabeça. Não quero estragar nada disso.
Daniel respirou fundo, beijando o topo da cabeça de Mary.
- Tá. Vou levar você ao cinema na sexta.
- Ah, vai? – Perguntou Mary, agarrando-se ao braço esquerdo de Daniel Harris.
- Vou sim. Que filme você quer assistir? Comédia?
Mary sorriu, vendo que Daniel lembrava-se de sua lista de preferências.
- Comédia, claro.
...
- Encontrei o telefone! – Mike caminhou de volta à sala de estar, trazendo em uma das mãos o seu celular, e, na outra, o de Katie. – Aqui está o seu. Obrigada!
- Não tem de quê. – Sorriu Katie, pegando de volta o celular e terminando de sacudir as almofadas do sofá contra a parede.
Mike Wilson aproximou-se de Katie, recolhendo um saco plástico ao seu lado e colocando os copos de plástico espalhados pela casa dentro do recipiente.
- O que está fazendo? – Perguntou Katie, observando o garoto que catava copo por copo e dispensava-os.
Mike levantou-se, virando-se novamente para Katie e dando mais um de seus encantadores sorrisos.
- Ajudando você. Ou acha que teria a cara de pau de invadir sua festa de penetra, aparecer no dia seguinte em sua casa e não ajudar a arrumar essa bagunça?
Katie correspondeu ao sorriso, perguntando-se como nunca conheceu um garoto tão gentil e bonito antes.
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