Math For Love
51 HotDog
Notas iniciais
– Mary? — A sua voz saiu rouca, exibindo a completa surpresa e fascínio diante de sua presença.
Mary não esboçava reação em seu rosto quando reconheceu a face de Daniel Harris ao seu lado. O rapaz que a ajudara a retirar uma bebida da máquina nem mesmo a havia reconhecido antes de seu agradecimento, e agora parecia abismado com a ironia do destino. Em tantos lugares, era ali que eles se encontrariam? Numa sala de espera da recepção do Lower Manhattan Hospital?
Ela deu um pequeno e constrangido sorriso, abaixando os fios de seu cabelo bagunçado.
– Oi Daniel... Quanto tempo! — Respondeu, fixando o olhar na garrafa pet gelada em sua mão esquerda, escorrendo gotas de água em sua pele enquanto o rapaz à sua frente parecia a devorar com os olhos.
– Você está... — Parou, procurando a melhor descrição para a aparência da jovem.
– Mais alta? — Sorriu Mary, sustentando-se em seus saltos altos.
Daniel riu, fazendo-a fitar o tão sonhado sorriso do qual sentira tanta falta nos últimos cinco anos.
– Também... Você está diferente. Está linda.
A temperatura na face de Mary Monroe subiu assustadoramente, e ela sabia que provavelmente seu rosto estava vermelho naquele momento. Colocando uma das mechas de seus fios longos atrás da orelha, respirou fundo e abriu a garrafa de água em suas mãos.
Daniel Harris colocou as mãos nos bolsos, fitando-a.
– O que faz aqui? Soube do acidente da Jhennifer?
Mary suspirou.
– Sim, eu soube. Mas não posso conversar agora, preciso ir. — Respondeu, dando um passo para trás em direção à porta.
– Mary, espera! — Daniel pediu, tocando-a no braço e a fazendo estremecer com a tão familiar pele quente do rapaz. — Eu não te vejo há cinco anos... Você sabe o quanto significa para mim. Não pode simplesmente... conversar comigo por uns minutos?
– Dan! — Daniel pulou ao ouvir a voz doce de Samantha Stubs, que caminhava em sua direção da sala de espera. — Onde está a água do seu amigo? Você me deixou dormindo sozinha, porque não me acordou?
Mary fitou a mulher exuberante de longos cabelos cacheados e admirou sua beleza. A pele escura de Samantha Stubs parecia reluzir em qualquer iluminação e a fez olhar para o tom pálido e apagado de sua própria pele.
– Vejo que está ocupado também. — Sorriu Mary. — Eu vou indo. Até mais, Daniel.
Daniel ignorou a mulher que falava ao seu lado, mantendo a atenção no caminhar apressado e nostálgico de Mary Monroe ao sair do hospital. Seu impulso o fez a seguir até fora do prédio, levando-o a assistir enquanto ela entrava num carro junto a um rapaz extremamente elegante.
Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Tantos anos imaginando aquele momento, quando finalmente aconteceu, escapou de suas mãos num piscar de olhos.
...
– Não precisava ter feito tudo isso, Sr. Schuester.
– Alex! Eu já disse, apenas me chame de Alex.
– Tudo bem. — Ela suspirou. — Obrigada, Alex.
Ele concentrou o olhar nas ruas movimentadas de New York, controlando o acelerador à medida que algumas pessoas atravessavam as avenidas.
– Sua prima está melhor?
Mary balançou afirmativamente a cabeça.
– Não era minha prima. Na verdade era a minha.... Era a amiga dela quem estava precisando de mim. Tive de doar um pouco de sangue, mas acredito que tudo ficará bem.
– Nosso jantar... já era, não é? — Ele sorriu.
Mary colocou a mão na boca, bocejando.
– Eu sinto muito. Mas estou muito cansada para voltar ao restaurante.
– Entendo. — Alex franziu os lábios. — Mas eu tive uma ideia.
Mary desviou o olhar das ruas para o cliente ao seu lado.
– Teve? Qual?
...
– Daniel, finalmente! — Exclamou Katie, tirando das mãos de seu amigo a garrafa de água gaseificada e entregando-a à Dylan Patterson.
A porta da sala de espera se abriu e um vulto branco passou muito rápido até o grupo ali sentado.
– Estão aguardando notícias à respeito de Jhennifer Willis?
Katie levantou-se, identificando o nome do médico que acabara de ver há alguns minutos em seu crachá.
– Sim, Dr. Paul.
– A transfusão já foi feita, está tudo correndo como o planejado e a garota ficará bem. Dispensei a doadora para que se recuperasse e recomendo que todos vocês vão para casa e descansem. Em alguns dias a Srta. Willis receberá alta.
...
– Nossa... nunca imaginei vendo algum famoso comendo numa barraquinha de cachorro-quente na Quinta Avenida. — Riu Mary, mastigando mais um dos pedaços que mordia de seu lanche.
Alex Schuester sorriu, mordendo pela última vez o cachorro-quente em suas mãos.
– Não chego a ponto de ser considerado famoso. Natação nunca foi um esporte tão aclamado como o Baseboll ou o Basquete. — Respondeu, enquanto caminhava até o estacionamento onde deixara seu carro.
– Você faz parte da liga nacional. É algo de certa importância para todo o país sim.
– Eu fazia. — Completou, sorrindo.
Jogando o guardanapo na primeira lixeira em que encontrou, Mary cruzou os braços, aquecendo-os com as próprias mãos.
– Vamos dar um jeito naquela empresa. Eu tenho certeza.
Alex parou, sustentando o sorriso em sua face.
– Sabe, você não é bem o tipo de advogada que eu esperava encontrar.
Assustada, Mary uniu as mãos.
– Como assim? Não me acha habilitada para o caso?
– Não, não é nada disso. Eu falo do... O seu jeito. É diferente, não tem o perfil autoritário e muito reservado da maioria dos profissionais que conheço.
Ela se permitiu rir por alguns segundos.
– Com um cliente como você eu não tive nenhuma chance de ser reservada.
– Do que está falando? — Perguntou Alex, arqueando uma das sobrancelhas.
– Nada. — Respondeu, sorrindo. — Eu preciso ir para casa agora.
– Eu deixo você lá.
...
– Katie... — Daniel sussurrou enquanto Doug Willis e Dylan Patterson deixavam informações para contato na recepção do hospital. — Você tem informações sobre a Mary? O telefone ou endereço dela?
Katie fitou-o, perplexa.
– O que você quer com a Mary? Pensei que não se falassem desde o término daquele namoro bobo de vocês no colegial.
Daniel suspirou, colocando as mãos nos bolsos de seus jeans.
– Digamos que que queira a encontrar... Com boas intenções, você pode me ajudar?
Katie sorriu, cruzando os braços.
– Acho que eu posso sim. Passa lá no meu apartamento amanhã de manhã, tem uma surpresa para você lá. Vou deixar as chaves em baixo do tapete de entrada. E, não esquece que você tem de se livrar daquela coisa que você chama de secretária.
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