Math For Love
55 Domingo
Notas iniciais
Aquela não era a melhor cafeteria de New York. Claro, já era muito difícil encontrar algo tão aconchegante ou divertido quanto o Central Perk no seriado Friends, mas aquele era o Starbucks mais próximo de seu apartamento no Brooklyn, mais precisamente na Smith Street. Talvez fossem as paredes em tons neutros, as mesas de madeira, ou simplesmente o cheiro de café e pão assado logo de manhã cedo que a transmitia aquela sensação nostálgica de estar novamente em New Jersey, ao lado de sua mãe. Sim, essa era a principal razão de praticamente obrigar Katia a tomar café da manhã fora pelo menos uma vez aos fins de semana.
Era um domingo como outro qualquer de início de primavera. Imaginava como o Central Park deveria estar agradável e digno de um passeio, mas muitos problemas a faziam admitir que não era a melhor ocasião para sair.
– Ah, eu deveria ter pedido um capuccino... — Sussurrou Katie, encostada no assento de uma das cadeiras da mesa em que estavam sentadas.
Mary franziu os lábios e lamentou conscientemente a expressão triste de sua prima. Já fazia alguns dias desde que ela havia terminado um namoro de quase quatro anos e aquilo não deveria ser fácil para ninguém.
– Você está com frio? — Perguntou, tentando envolvê-la num assunto menos triste.
– Não, só não estou mais afim de algo gelado como um frapê. — Katie suspirou. — Vou tentar trocar o meu pedido.
Mary esboçou um sorriso quando sua prima se levantou preguiçosamente da cadeira. Ela bocejou mais uma vez, desviando o olhar para a fila para o caixa ao seu lado e se assustou ao ver um rosto conhecido.
– Mary! — Ele sorriu, caminhando em sua direção e sentando-se no lugar anteriormente pertencente à sua prima. — Que coincidência te encontrar por aqui!
Mary sorriu amigavelmente, mas tentou ignorar a sensação estranha que enfrentava toda vez que o encontrava.
– Oi, Paul!
Era impossível imaginar Paul Myers sem aquele corte de cabelo social. Era um tom caramelo acobreado que combinava muito bem com seus olhos castanhos, muito, muito bonitos. Apesar de ter uma aparência meiga, sua personalidade era completamente oposta. Paul era desinibido e parecia ser muito influente em qualquer lugar que estivesse. Talvez esse contraste fascinante tenha sido o motivo principal do encantamento temporário que a fez aceitar uma proposta de namoro durante a faculdade. Um namoro que durou cerca de oito meses e proporcionou bons frutos aos dois. Infelizmente, ele estava longe de ser o tipo exato por quem ela se apaixonaria.
Ainda assim, a personalidade extrovertida do rapaz proporcionou que ainda mantivessem um tratamento considerável mesmo depois de um término. Era incrível o quanto ele era inerente a tudo isso. Como se nunca houvesse nenhum relacionamento no passado.
– O que faz aqui, Monroe? — Ele perguntou, virando a cadeira e apoiando os cotovelos no assento de madeira.
– Qual, é, Paul, você consegue ser menos fático do quê isso.
Ele riu.
– Okay, sei que fui meio óbvio, é que você era a última pessoa que esperava encontrar aqui. Então, nunca mais te vi no hospital, pensei que fosse visitar sua irmã!
Mary arregalou os olhos, virando rapidamente para certificar que Katie não havia o escutado.
– Shh, ninguém pode saber disso! Ainda não tive tempo por conta do trabalho, mas pretendo ir visitá-la na próxima semana. Ela está bem?
– Ah, sim! — Ele respondeu. — Está melhorando.
O som da tosse forçada de Katie a assustou, fazendo com que se virasse e se deparasse com sua prima ali, em pé.
– Katie, esse é o Paul! — Se apressou em dizer, antes que as perguntas ali ficassem mais complicadas. — Ele é o médico responsável pelo caso da Jhennifer, lembra?
Katie afirmou com a cabeça, cumprimentando-o de longe.
– Katie é minha prima.
Paul Myers sorriu ao conhecer a prima de quem Mary havia falado há alguns anos atrás.
– Vocês não têm nada em comum.
Katie revirou os olhos, perceptivelmente insatisfeita com a presença do médico ali e o seu comentário e se sentou na cadeira entre os dois já presentes na mesa.
– Mary, essa sua prima sempre tem essa expressão arrogante? — Ele perguntou, dando um gole no café em sua mão direita.
Katie franziu o cenho, perplexa.
– Arrogante? Eu? Você nem me conhece, quem acha que é para falar desse jeito?
Paul gargalhou alto, levantando-se da mesa.
– Você parece uma das pessoas mais fúteis que eu já conheci. Tenho de trabalhar. Até mais, Mary.
Ainda espantada, Katie assistiu o homem sair da cafeteria e fixou o olhar de sua prima, obviamente irritada com o comentário inadequado.
– Quem é esse cara? De onde você o conhece?
Mary abaixou o olhar e mexeu a colher de açúcar em sua xícara.
– Da faculdade.
– Você é amiga de alguém como ele? Mary, ele é um idiota!
Mary sorriu.
– Mais ou menos. Nós namoramos.
Katie arregalou ainda mais os seus olhos — como se fosse possível-, não acreditando no que sua prima havia acabado de dizer.
– Nunca achei que você fosse do tipo que arrumaria um namorado na faculdade. Muito menos alguém como ele.
– Não é bem assim, Katie. Ele cursava medicina, eu direito em Yale. Eu o ajudei e ele me ajudou muito, não me arrependo de nada disso. Mas, você está certa, ele não tem uma personalidade muito fácil de se aguentar. Não é à toa que terminamos em menos de um ano e hoje nem parece que tivemos algo.
Katie bufou, dando um gole na bebida em sua mão e xingando logo depois por estar tão quente.
– Você só pode ser louca.
...
Ele reconhecia seu erro e se odiava por isso. Sabia que ela estava completamente certa e que sua atitude foi impulsiva e irresponsável. Como poderia ter sido tão estúpido? Realmente, cinco anos se passaram e algo como o que aconteceu seria estranho para qualquer um. Mas não podia evitar. Estar com ela lhe despertava aquele cara do colegial, o cara desencanado e despreocupado com a vida. Aquele que se importava em aproveitar o momento e a presença dela em sua vida.
Ele deu algumas voltas pelo corredor do prédio onde Mary e Katie moravam, obviamente procurando uma desculpa, ou simplesmente as palavras certas para justificar aquela visita repentina e inesperada. Mas o som dos passos atrás de si o fez se surpreender e se deparar com as moradoras.
– Daniel? — Katie indagou, franzindo as sobrancelhas e encaixando uma das chaves de seu chaveiro na fechadura da porta.
Mary sentiu seu coração palpitar por alguns minutos. O que ele estaria fazendo ali?
– Oi... Eu pensei que estivessem em casa.
Mary colocou as mãos nos bolsos de seu casaco fino de cashmere e encarou o homem bem vestido à sua frente. Daniel trajava as mesmas calças pretas sociais, acompanhadas por uma camisa três-quartos social de cor azul marinho, em completa harmonia com seus olhos.
– O que faz aqui? — Perguntou finalmente, caminhando e se posicionando atrás de sua prima, que girava e abria a porta branca de madeira.
Daniel respirou fundo, se encostando na parede do hall de entrada.
– Queria conversar com você, Mary. Podemos dar uma volta?
Mary olhou de lado para Katie, que sorriu amigavelmente.
– Pode ir, Mary. Pode deixar que eu providencio nosso almoço hoje.
Afirmando com a cabeça, Mary caminhou até o elevador.
– Vê se fica longe da cozinha, Katie. — Daniel sorriu, sendo respondido pelo olhar ameaçador da loira.
– Muito engraçado, Daniel.
Os raios solares daquela manhã de domingo eram quentes, não escaldantes, mas aconchegantes. Daniel caminhava em direção ao Central Park, e Mary se perguntou se ele por acaso estaria lendo seus pensamentos.
– Então... Sobre que queria falar?
Ele suspirou, colocando as mãos nos bolsos.
– Quero pedir desculpas. Eu sei que fui precipitado, não deveria ter feito nada daquilo. Você está certa. Muita coisa aconteceu e não podemos ignorar nada disso.
Ela respondeu com um sorriso simpático.
– Está tudo bem. Podemos ignorar tudo aquilo.
– Mas, Mary... Eu não menti quando falei todas aquelas coisas. Eu realmente quero tentar de novo.
– Você não acha que estamos em mundo muito diferentes agora? Eu sei que no Ensino Médio as coisas pareciam ser mais fáceis. Tudo era mais fácil. Nós tínhamos uma rotina, tínhamos afinidades. Hoje nós nem nos conhecemos direito. Não sou mais aquela menina insegura e assustada com o mundo. Eu cresci.
– É. — Ele concordou. — Eu vejo isso. Mas, por mais segura, madura e confiante que você seja, eu sei que aí no fundo ainda existe uma parte da Mary que eu conheci. Não a insegura e ingênua, mas a generosa e leal.
Ela sorriu. Continuaram a andar em silêncio até visualizarem a entrada do parque.
– Quanto a nos conhecermos... Eu também quero saber como anda exatamente sua vida. Porque não damos um jeito nisso?
Mary parou, encarando-o.
– Do que está falando?
Daniel sorriu, se colocando em sua frente.
– Um encontro. Nós nunca tivemos um encontro de verdade.
– Tudo bem... — Ela respondeu, sorrindo. — Que dia?
– Que tal agora?
– Agora? — Franziu o cenho, surpresa.
– Estamos no Central Park, Srta. Monroe. — Ele sorriu, exibindo os dentes perfeitamente alinhados. — Tem uma ideia melhor para um encontro? — Perguntou, estendendo a mão direita.
Mary retribuiu ao seu sorriso e entrelaçou seus dedos, iniciando a caminhada rumo ao interior do parque extremamente verde e florido.
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