Math For Love
57 Date
Notas iniciais
Enquanto tropeçava nas próprias pernas, Mary contou os degraus da entrada do edifício e correu para o elevador. Ao entrar em seu apartamento, foi bombardeada pela curiosidade de Katie Monroe.
– Agora me conte. – Katie pediu. – Para onde foram? Como foi?
Mary sorriu e se jogou no sofá vermelho no meio da sala, sentando-se ao lado de sua prima.
– Fomos ao Central Park. Mas não aconteceu nada demais, apenas conversamos. Vamos almoçar juntos hoje.
– Fico feliz por você. Pelo menos uma de nós teve uma manhã boa hoje.
Revirando os olhos, Mary se preparou para o frequente drama de Katie.
– Katie, seu namoro terminou faz dois dias. Você não pode viver nesse luto eterno, tem de se abrir para o mundo, lembrar que a vida continua.
Ela respirou fundo.
– Íamos fazer cinco anos, Mary. Não é assim tão fácil. Já estava acostumada a ter o Mike em minha vida.
– Não, não é fácil. – Concordou. – Mas, ainda assim, vocês precisavam seguir suas vidas. Você sabia que ele teria de se mudar para a California mais cedo ou mais tarde e sabia que teriam de terminar. Ou pretendia ter um relacionamento à distância?
Katie balançou a cabeça negativamente.
– Não, eu sei muito bem que essas coisas nunca funcionam.
– Então, pronto! Coloque um sorriso no rosto e viva sua vida.
Ela se levantou do sofá, esticando os braços.
– Vou tomar um banho antes de encontrar o Daniel de novo. – Comentou. – Vai almoçar aqui mesmo?
– Vou sim. A não ser que você queira me levar nesse seu encontro aí.
Mary riu.
– Fala sério, Katie, eu te conheço. Sei que a última coisa que você quer é fazer papel de castiçal desse jeito.
…
A porta de madeira com detalhes entalhados separava o corredor do edifício e o apartamento de número setenta e dois. Daniel ergueu a mão direita e tocou a campainha, aguardando a resposta.
– Já? – Katie exclamou assim que abriu a porta. – A Mary está terminando de se arrumar, entra.
Daniel caminhoua até o interior do apartamento, procurando por Mary Monroe em todos os lados. Ao seu lado, Katie fechou a porta de entrada e sentou-se no sofá, apoiando os pés na mesa de centro.
Ele sentou, cruzando os dedos das mãos.
– Então, onde pretende a levar?
Ele sorriu.
– Ainda não tenho certeza. Em algum restaurante no Upper East Side, talvez.
O som dos saltos de Mary invadiu a sala de estar, e Daniel ergueu o olhar para a mulher à sua frente. Mary usava um vestido preto que desenhava e contornava seu busto até os quadris. E uma camada farta de tecido alcançava seus joelhos. Nos pés, os scarpins de couro escuro deixavam suas pernas mais torneadas e bem contornadas.
– Vamos? – Ela interrompeu seus devaneios.
Daniel sorriu e se levantou do sofá, caminhando até a porta de entrada.
– Até mais, Katie.
– Até. Ah, Mary, quase esqueço! – Alarmou antes que o casal saísse. – A Jhenni quer falar com você.
– Comigo? – Ela congelou, nervosa. – Por que?
Katie balançou os ombros.
– Acho que quer agradecer a doação, ou algo do tipo. Mas pediu que você passasse no hospital o mais rápido possível.
…
Ao descer do carro sedan preto de Daniel Harris, Mary não se incomdou em olhar o nome do restaurante em que acabava de entrar. Com uma decoração bem iluminada, mesas forradas em toalhas amarelas davam vida ao ambiente.
– Reservas? – A recepcionista bem vestida perguntou.
Daniel abriu um botão de seu blazer e, lá de dentro, retirou um cartão de visitas, entregando-o à mulher, que apresentou uma expressão intimidada ao reconhecer sua identidade.
– Você me convidou para almoçar em cima da hora. – Mary comentou enquanto sentavam-se numa mesa agradável próxima às janelas de vidro fumê. – Por acaso já tinha uma reserva?
Ele sorriu.
– Não exatamente. Eu sou um dos sócios desse lugar.
Assustada, ela arqueou as sobrancelhas.
– E ela não o reconheceu?
– Não costumo vir muito aqui. Na verdade, deve ser a terceira vez desde quando comecei a investir nesse restaurante no ano passado.
– Falta de tempo? – Supôs.
– Talvez. Falta de companhia também. – Ele respondeu, lançando-lhe um olhar azulado irresistível.
– Ah, fala sério… Soube que você estava saindo com aquela mulher que estava com você no hospital. Ela não é nada sua?
Daniel suspirou.
– Sam e eu nunca tivemos nada. Pelo menos não nada sério. Só saímos algumas vezes, mas nada que seja realmente relevante. Nunca quis envolver trabalho com relacionamento pessoal.
– Trabalho? Ela trabalha em sua empresa?
Ele afirmou com a cabeça.
– Ela é minha secretária.
Mary arregalou os olhos.
– Era. Ela era minha secretária.
– Porque “era”?
– Resolvi a transferir desde a última vez em que saímos juntos. Não queria que confundisse as coisas entre nós, então a transferi para outro departamento.
– Desejam fazer o pedido agora? – Um garçom, requintadamente bem vestido, se aproximou da mesa e apontou para o menu nas mãos dos clientes.
– Você sabe o que quer comer? – Daniel perguntou.
Mary balançou negativamente a cabeça.
– Peça para mim, por favor.
– Os pratos do número oitenta e seis, por favor. – Pediu, assistindo o garçom se afastar logo depois.
Mary colocou os cotovelos sobre a mesa, apoiando o rosto nas mãos.
– Você gostou daqui? – Ele se permitiu perguntar. – Quero dizer, ainda há tempo de ir para outro lugar se você quiser.
– Não! – Exclamou. – Quero dizer, é um ótimo restaurante, não precisamos ir para outro lugar.
….
Estacionando na garagem de seu prédio, Daniel abriu a porta do carro, sendo acompanhado de Mary Monroe.
– Onde estamos? – Ela perguntou, olhando ao redor.
– Esse é o meu apartamento. Se não quiser subir podemos dar uma caminhada enquanto conversamos.
– Tudo bem. – Afirmou Mary. – Sobre o que quer falar?
– Sobre nós. O que vai acontecer entre nós dois?
Mary franziu o cenho, confusa enquanto caminhava para fora da garagem.
– Não entendo. Do que está falando?
– Não se faça de boba. – Ele sorriu. – Quero saber quantos encontros vamos precisar ter até que eu recupere o que tínhamos no colegial. Eu quero ser seu namorado e não um amigo próximo do passado.
Um frio cortante invadiu Mary Monroe, e ela pode encolher os braços e permanecer em silêncio por alguns segundos.
– Eu não me importo de ter de sair com você um milhão de vezes. – Ele continuou. – Isso é um prazer para mim.
– Tudo bem. – Ela respondeu, sorrindo. – Eu também.
– Você também o quê?
– Eu também quero ser sua namorada.
Daniel abriu um grande sorriso na face, aproximando-se de Mary e finalmente a beijando. O contato com seus lábios era calmo, suave. O beijo gelado mostrava que aquela era uma tarde fria e que seus lábios eram tão doces quanto um sorvete de morango. Ao sentir as mãos dele em sua cintura, Mary enlaçou seus ombros com os braços, aproximando ainda mais seus corpos.
– Você tem algum plano para hoje? – Ele perguntou, partindo o beijo.
– Até agora não. Porque? – Ela perguntou, sorrindo.
– Poderíamos passar a tarde juntos. Assistir a um filme, o que acha?
Mary balançou a cabeça afirmativamente.
Daniel entrelaçou seus dedos com os dela, caminhando para dentro do prédio onde morava.
A entrada do edifício exalava sofisticação. O piso de porcelanato bem polido e o elevador de aço intimidaria qualquer pessoa de classe média baixa que ali entrava.
– Uau. – Sussurrou. – É um prédio lindo.
– Espera até chegar lá em cima. – Ele sorriu.
Daniel apertou o botão do vigésimo andar no elevador, não demorando mais que um minuto para alcançar seu andar. A porta de aço se abriu, e os dois caminharam para o hall de entrada do apartamento.
Mary desviou seu olhar para os quadros no corredor. Fotos emolduradas de certificados e eventos publicitários em que Daniel havia sido premiado. Caminhando pelo corredor, uma das molduras a fez parar. Um grande quadro com as letras D H Sports decorava a entrada do apartamento.
– D H Sports? – Perguntou, perplexa.
– É, Mary. É a minha empresa publicitária, você já deveria saber.
Ela piscou rapidamente, incrédula.
– Você é o presidente da D H Sports?
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