Notas iniciais
Gente, mil desculpas!
Fiquei sem internet durante esse fim de semana, e só pude escrever agora.
Em compensação, esse capítulo é maior e acredito que vocês vão gostar tanto quanto eu!
Não deixem de mandar seu comentário e enjoy!
Beijão!

– Ah, copos! Eu havia esquecido dos copos. Será que fica legal se forem de plástico? Os de acrílico desperdiçariam muito. Ah, e ainda tem minha mãe com aquela ideia de "evitar usar produtos descartáveis por causa do meio ambiente", que besteira! Eu poderia dar a sugestão de cada um personalizar o seu copo, o que acha? Jhennifer? Você está me ouvindo?

Jhennifer piscou rapidamente, voltando à realidade. Katie estava ao seu lado, sentada em um dos bancos do pátio da escola com um caderno riscado nas mãos.

– Jhennifer, acorda! O que você tem hoje, hein? Prometeu que iria me ajudar a planejar a minha festa!

Jhennifer balançou a cabeça.

– Ah, claro. O que você disse mesmo?

Katie bufou, revirando os olhos.

– Ah, não acredito. Ainda falta muita coisa, a festa já é no sábado! Deveria ter planejado isso antes...

– Pensei que sua mãe iria organizar a festa.

Katie gargalhou alto, ironicamente.

– Você tá brincando, não é? Minha mãe é louca, ela com certeza faria da festa uma daquelas loucuras dela. Já a despachei há muito tempo, fiz com que ela me prometesse que não iria aparecer lá no dia.

Jhennifer riu.

– Que crueldade, Katie. Não acha que é insensível não deixar sua mãe participar da sua festa?

– Ah, Jhenni, até parece, você conhece minha mãe. Ela entendeu, é uma festa de dezessete anos, não de trinta. Além disso, acho que no sábado é o encontro com o novo namorado dela.

– Claro, claro. — Jhenni sorriu. — E o que falta aí? — Perguntou, olhando o caderno.

– Tudo! — Katie exclamou. — Eu vou ao centro da cidade hoje comprar o resto dos materiais que faltam. — Disse, terminando de anotar a lista. — Espero que não tenha esquecido de nada. Você vai poder ir comigo?

Jhennifer desviou o olhar, fitando o garoto de cabelos ruivos que conversava com outras pessoas ali perto, em um dos corredores. Ele correspondeu seu olhar, piscando um dos olhos. Jhennifer sorriu.

– Claro.


...


Daniel Harris saía do vestuário masculino com os cabelos molhados, balançando-os rapidamente com as mãos, tentando secá-los o mais rápido possível. Aquele tinha sido um dos piores treinos que tivera. Já não bastasse o técnico reclamando milhares de vezes pelo simples fato de não conseguir passar a bola na hora certa.

Não conseguia se concentrar, não entendia o porquê. A única imagem que estava na sua mente, distraindo-o, era a expressão triste de Mary Monroe.

– Katie! — Gritou assim que viu a loira sentada ao lado de sua ex-namorada, no pátio principal da escola. Ela tinha um caderno nas mãos. — Oi Jhenni! — Sorriu para a garota ao lado, que respondera com o um sorriso amarelo. — Katie, posso falar com você?

Katie levantou-se, abraçando o caderno em suas mãos, e caminhando até um canto do pátio.

– O que você quer, Daniel? Eu estou ocupada, tenho uma festa pra planejar, e...

– A Mary! — Daniel a interrompera. — Você sabe se alguma coisa aconteceu com ela?

Katie arqueou uma das sobrancelhas.

– É o quê? Porque eu saberia? — Perguntou, assustada.

– Vocês são primas. — Daniel disse, balançando a cabeça como quem falasse o óbvio. — Ela saiu hoje com uma cara triste, disse que iria pra casa. Aconteceu alguma coisa?

Katie revirou os olhos.

– Pelo amor de Deus, Daniel! Era só o que faltava eu saber o que acontece com sua namorada!

Daniel franziu o cenho.

– O quê?

– Sua namorada! Ela é ou não é sua namorada? — Katie perguntou.

– Quem?

– A Mary, Daniel! Qual é, tá de brincadeira comigo?! — Katie exaltou-se.

– Ah, claro. — Daniel fechou os olhos, balançando rapidamente a cabeça. — Mas, você não sabe se alguma coisa aconteceu?

– Ah, eu não sei de nada, Daniel! Eu não tive nenhuma notícia da Mary depois que eu soube do suicídio, e..

– Suicídio? — Daniel a interrompeu novamente.

– É! Você não sabia? — Katie arregalou os olhos.

– Não, que história é essa? A Mary tentou se matar? — Daniel assustou-se em um pulo.

– Claro que não, você tem o quê na cabeça? Foi o pai dela. Quer dizer, o tio Adam se suicidou.

Daniel levou uma das mãos ao rosto, esfregando rapidamente os olhos.

– Droga, eu sou muito idiota...- Sussurrou para si mesmo.

– Que tipo de namorado é você, hein? — Katie perguntou. — Como não ficou sabendo disso? Que namoro mais estranho, nem parece que tem alguma coisa entre vocês!

Daniel segurou as mãos de Katie Monroe, fazendo-a dar um pulo para trás.

– Katie, eu preciso de um favor. — Daniel falou, olhando-a diretamente nos olhos.

Por um momento, Katie sentiu que seu coração quase iria sair pela boca à medida que sentia as mãos quentes de Daniel Harris em contato com as suas, junto com aquele olhar penetrante que lhe alcançava.

–C-Claro.. — Tremeu ao ver o quão ridícula estava sendo ao gaguejar. — Quer dizer... O que você quer?

Daniel suspirou.

– Eu fiz uma besteira, preciso ir atrás da Mary. Preciso que procure algum jogador do time de basquete e invente qualquer desculpa, qualquer imprevisto para o treinador não contabilizar minha falta, tudo bem? Pode fazer isso, por favor?

Katie respirou fundo, odiando a si mesma por sentir-se tão vulnerável à Daniel Harris.

– Tá. Pode deixar.

Então, ele soltou suas mãos e saiu correndo entre os alunos do corredor rumo à saída do edifício. Katie esfregou uma mão na outra, ainda tonta por aquele simples contato físico com Daniel.

"Para com isso, Katie. Ele é o ex da Jhennifer, não pode ainda estar apaixonada por ele, não pode!"


...


Sentada no banco de madeira daquele imenso pátio, Jhennifer Willis balançava os pés enquanto pensava naquele frio da sua barriga. Criara um carinho especial por aquelas sapatilhas rosas simplesmente por ter as usado no dia em que dera o primeiro beijo em Dylan Patterson.

Jhennifer nunca disse "Eu te amo" para alguém. Na verdade, por mais que sentisse algo especial pelo Daniel no início de seu ensino médio, nunca usara aquelas palavras tão delicadas. Aquelas palavras que só ouvira de uma única pessoa na sua vida: Trish Willis.

Falar "Eu te amo" era lembrar de sua mãe. Muitas vezes vira em filmes descrições do amor. Sabia que sentia o amor, mas apenas o familiar, apenas o fraternal. Jhennifer sempre disse a si mesma que não conhecia o amor. Não sabia qual era o verdadeiro amor de um homem por uma mulher e vice-versa. Pelo contrário, sempre disse a si mesma que tudo o que sentira por algum garoto era paixão, desejo de adolescente.

Mas, com ele, tudo era diferente. Não sabia se aquele sentimento estranho que tomava conta de si mesma era realmente o amor. Aquele desejo incontrolável de estar com ele a cada segundo, de não conseguir tirar a sua imagem da cabeça, a sensação de sentir sua pele, seu cheiro, de ouvir sua voz... Tudo nele era maravilhoso.

– É melhor você parar de distribuir esse seu charme por aí, daqui a pouco eu vou bater nesses caras que ficam olhando pra você.

Jhennifer sorriu, olhando de lado para o garoto ao seu lado.

– Quem diria, desde quando Dylan Patterson é de bater em alguém? — Perguntou, erguendo o rosto.

– Desde quando alguém tentar se aproximar da minha garota. — Dylan respondeu, aproximando seu rosto do de Jhennifer Willis.

Ela sorriu, abaixando a cabeça.

– Sua garota? — Abriu a boca em uma expressão perplexa. — Eu virei um objeto agora?

Dylan aproximou-se mais, fazendo com que Jhennifer sentisse seu perfume.

– Claro que não. Você é a mulher mais linda que já vi.

Jhennifer sentiu seu corpo estremecer, e, se não fosse por toda aquela possível platéia do pátio principal, quase o teria beijado.

– Oi Dylan!

Dylan virou-se rapidamente ao ouvir a familiar voz de Katie Monroe, que estava ali, de pé à sua frente.

– Oi Katie, tudo bom? — Dylan respondeu, levantando-se do banco. — Eu vou nessa. Jhenni, depois a gente resolve aquele negócio, tá bom?

Jhennifer sorriu, acenando para o garoto que caminhava para fora do pátio.

– Desde quando você e o Dylan estão nessa amizade toda? — Katie perguntou, sentando-se novamente ao lado da amiga no banco.

– Ah, não é nada. — Jhennifer respondeu. — O que o Daniel queria?

Katie revirou os olhos.

– Ah, queria saber sobre a Mary. Não entendo aqueles dois, como se eu soubesse mais do que ele, que é o namorado.

Jhennifer riu. Katie encarou-a, com as sobrancelhas arqueadas.

– Você anda muito feliz ultimamente, Jhenni. O que aconteceu?

– Nada, ué. — Jhennifer respondeu, indiferente.

– Ah, fala sério. Quem é o garoto?

Jhennifer arregalou os olhos assustada.

– O quê?!

– Você parece estar apaixonada. Vai me dizer que não está balançada por ninguém. — Katie fez uma pausa, assustada. — Ah, agora sim eu entendi! É por isso que nem ligou quando viu o Daniel com a Mary, não é? Jhennifer Willis, sua cara de pau! Como ousa não me contar nada?!

Jhennifer revirou os olhos.

– Tem um cara...

– Eu sabia! — Katie a interrompeu. — Vamos, me fale dele.

– Não é nada demais... Eu acho que estou gostando de uma pessoa.

– E quem é ele? — Katie perguntou, sorrindo.

– Eu não posso dizer quem é. Não enquanto eu não tiver certeza de que está tudo bem entre nós.

Katie demonstrou estar irritada.

– Tudo bem. Mas, me prometa que vou ser a pimeira pessoa pra quem você vai falar alguma coisa?

Jhennifer sentiu-se a pior pessoa do mundo. Como poderia prometer aquilo enquanto estava apaixonada pelo mesmo garoto que sua melhor amiga?

– Tá, eu prometo.


...


Em seu quarto, Mary Monroe lia pela quinta vez o seu livro preferido de Stephen Chbosky: The Perks of being a Wallflower. Não sabia porque se identificava tanto com o Charlie, o personagem principal. Sempre achou que o título "As vantagens de ser invisível" fosse bastante sugestivo para a sua rotina.

– Mary, tem uma visita para você.

Ao ouvir a voz de sua mãe atrás da porta de madeira, colocou seu marcador de páginas no livro e fechou-o, ao mesmo tempo que perguntava-se quem poderia estar ali, a sua procura.

Desceu as escadas e caminhou até a porta, dando de cara com Daniel Harris.

– D-Daniel? — Sentiu sua voz falhar quando seu coração palpitou pelo simples fato de ver a sua face. — O que você faz aqui? Não está tendo aula agora?

Daniel sorriu.

– Na verdade, é só um treino. Eu resolvo isso depois. Você quer dar uma volta?

Mary olhou para o carro do garoto estacionado na frente da casa, franzindo os lábios.

– Eu só quero andar um pouco. Queria conversar com você, pode ser? — Ele perguntou, esclarescendo.

Mary pegou seu cardigã que estava pendurado no hall de entrada e vestiu-o.

– Claro.

O clima frio de Nova Jersey fazia com que Mary se contorcesse em seu pequeno casaco, esfregando as mãos nos braços. Caminhavam por aquela rua vazia e tranquila, completamente diferente do centro da cidade, com um ar totalmente residencial.

– Então... O que fez você sair do treino para vir até aqui? — Mary perguntou, olhado para a rua à sua frente.

Daniel colocou as mãos nos bolsos.

– Mary, me desculpa. Eu sinto muito pelo seu pai, sei que queria conversar, e quero que saiba que você pode se sentir à vontade pra falar o que quiser comigo! Eu fiquei preocupado com você, não deveria ter ficado com a Taira. Não lá na escola, foi uma besteira minha, me desculpa.

– Você soube do meu pai? — Mary perguntou, abaixando a cabeça.

– A Katie me contou. Eu sinto muito mesmo.

Mary sorriu.

– Tá tudo bem, não se preocupe.

O som da brisa gelada tomou conta do diálogo, tornando óbvio e constrangedor todo aquele silêncio.

– Daniel... — Mary sussurrou. — Se for pra fingir que me namora, eu preciso que você pelo menos demonstre me respeitar. Se alguém souber da Taira, isso vai afetar a mim, e não a você.

Daniel suspirou.

– Eu sei, me desculpa. Não vou fazer mais nada disso na escola, eu prometo.

– Só na escola? — Mary perguntou.

– Sim. É só na escola que figimos nosso namoro, não é?

– Ah, claro. — Mary entrelaçou os dedos, unindo os braços ao tronco.

Daniel sorriu.

– Se você estiver com ciúmes, é só falar.

Mary gelou.

– O quê?

Daniel riu.

– Eu estou brincando, Monroe.

Mary revirou os olhos.

– Ah, Claro. Seu besta. — Mary deu um pequeno sorriso.

Daniel parou de caminhar, ficando de frente para Mary e pegando uma de suas mãos, entrelaçando seus dedos.

– O que você tá fazendo? — Mary perguntou, dando um passo para trás.

– Porque você não gosta de segurar minha mão? — Daniel perguntou, ainda olhando para as duas mãos entrelaçadas. — Quero dizer, você parece incomodada quando faço isso.

Mary sentiu o calor da pele de Daniel em sua mão gelada, junto com o frio que percorria toda sua barriga.

– Eu não estou muito acostumada a isso.

Daniel voltou a caminhar, ainda segurando a sua mão.

– Mas, a gente precisa fazer isso, Mary. Você sabe, namorados dão as mãos.

– Mas eu não via você e a Jhennifer de mãos dadas. Pelo menos não ultimamente.

Daniel sorriu.

– Mas o meu namoro com a Jhennifer era um caso diferente.

Mary estranhou.

– Diferente?

– É. Digamos que não estávamos namorando de verdade há muito tempo. Ela era minha namorada, mas não era minha namorada, entende?

Mary encarou-o, perplexo.

– Não. Não entendi nada.

Daniel riu.

– Deixa pra lá. Só entenda que não éramos felizes juntos.

Continuaram andando, até que Mary se deu conta que ainda estavam de mãos dadas.

– Daniel... — Ela disse, olhando para as mãos.

– O que foi? — Ele parou, olhando-a diretamente para seus olhos.

– Nós não estamos na escola. — Mary disse, balançando a mão e sinalizando para as duas unidas.

Daniel olhou para suas mãos, entrelaçadas naquele gesto de carinho e sorriu.

– É, eu sei. — Ele respondeu, sorrindo e continuando a caminhar daquela mesma maneira, fazendo Mary estremecer por inteiro.

Notas finais
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