Matemática Do Amor
62 - Volta.
Notas iniciais
''Chego na cidade dentro de alguns minutos. Onde está?''
Veio a primeira mensagem causando um estremecer em seu corpo. Estava perto. Estava finalmente perto
'' Já tô onde combinamos e trouxe as coisas. Venha direto pra cá, por favor. Te desejo tanto''
Respondeu sem a mínima gota de timidez. Perguntava a si mesmo se ele tinha o mesmo tremor que ela quando recebia suas mensagens. Apesar de poucas ao longo desses dois meses, eram intensas. O sinal aonde ele estava, no meio aquele acampamento florestal, era bem fraco o que foi a sua tortura.
Mas havia algo divino nisso, no qual não podia negar. Esse meio tempo serviu para ser a taboa de salvação de seus sentimentos secretos. Serviu e serviu muito bem para que coisas desorganizadas por tanto tempo fossem finalmente postas em seu lugar.
A convivência com sua mãe melhorava no passar dos dias. A ausência de outros ao redor, tanto em casa quanto na cidade (o que a fez ficar mais tempo no lar) girou aquele relacionamento frio por completo. Almoçavam juntas, jantavam juntas, assistiam televisão juntas. Conversavam entre risadas e conselhos sobre coisas nas quais nunca nem sequer atreveram a comentar.
Não sentiu-se tão vazia nesse período.
Ousou um pouco mais e contou para ela o significado do quadro na parede de seu quarto, que desde que apareceu sempre causou curiosidade de Isobel. Disse, na primeira vez que a questionou, que o viu em uma loja pelas redondezas de Mystic Falls e comprou. Mixaria. Claro que não mencionou Damon e nem ao menos o motivo real, mas foi só a criação de um possível laço entre as duas reacender para vir junto uma vontade de dizer o que estava tanto tempo preso. Era estranho, normalmente era sempre tão fechada para agora ter essa coragem de dizer seus sentimentos.
Mas não se arrependeu.
A pergunta que perpetuava agora em si era se com a volta de Jeremy e April as coisas regressariam para o passado também. Até porque a conversa de ontem pertencia há ela e sua mãe exclusivamente, não sabia se era de desejo dela que outros se interessassem. Por isso também hesitava se devia ou não dizer para Damon o que houve.
Provavelmente só na hora saberia.
Por agora apenas diria que estava decidida em dar uma oportunidade para a ideia de se tornar uma estilista. Mas iria fazer do jeito certo, não seria mais uma famosa que lança uma grife qualquer de roupas simplesmente por querer ter mais um hobby, quando na verdade a única coisa que faz é assinar seu nome enquanto outros designers de segunda desenham e confeccionam.
Isso seria sério, queria um reconhecimento sério e profissional. Mesmo com a reconciliação feita, ainda tinha muito que provar para as pessoas e, até para si, mesmo.
Eu vou conseg...
Seus pensamentos foram interrompidos por um par de mãos tapando seus olhos. Momentaneamente sentiu um arrepio de medo. Afinal, estava no meio de um bosque sentada em um pano mais parecido com um cobertor velho e não ouviu o barulho do carro de Damon. Ele havia dito que assim que chegasse, pagaria o prius e viria. Aquela altura onde estavam um carro poderia adentrar ao bosque, não havia muitas pedras no caminho, só um pouco de lama em alguns pontos isolados, além de barro.
Mas não demorou muito para aquele receio se esvaziar. Reconhecia aquele toque.
A saudade imensa impediu que aquele jogo continuasse, apanhou as mãos dele e com um sorriso no rosto virou-se ávida, encontrando todo o seu mundo de volta.
– Ai meu Deus. – Um grito agudo escapou, no mesmo instante lançou os braços por volta do pescoço do rapaz. – Tava com tanta tanta saudade.
Antes que Damon respondesse com um '' eu também'', Elena novamente se adiantou e grudou seus lábios nos dele fortemente. Completa, sentiu-se ela. Damon sorriu entre o beijo e mergulhou na loucura de intensidade junto, deitou o corpo da menina no cobertor e se pôs, sem romper o contato, por cima.
– Foi um inferno ficar sem você. – Confessou ele, enquanto afundava o nariz no pescoço dela.
Elena arrepiou-se.
– Não vai mais acontecer, não é? – Perguntou manhosa. Ainda domada pela saudade, o puxou de volta para mais um beijo. Um estalo. Dois. Três. – Não é?
Ele negou rapidamente.
– Só se eu fosse louco. Te amo, te amo muito. – Disse ele, acariciando os cabelos dela. – Senti falta desse seu cheirinho. – Sorriu terno voltando o nariz para o mesmo pescoço branco e delicado. Desceu para um dos braços e acalçou a seguinte mão, depositando um beijo. – Até me inspirou pra escrever a carta. Você escreveu?
Com um sorriso sapeca, Elena impulsou o corpo para cima e sentou-se sobre ele. Só pelo olhar já soube a intensão.
– Depois falamos disso. Fiquei tempo demais sem você a agora eu quero outra coisa.
Damon olhou para os lados, com um riso incerto.
– Elena, estamos em um lugar público. Em um bosque dessa cidade, alguém facilmente pode vir e...
Não ousou deixá-lo terminar aquela sentença, outra vez o interrompeu da melhor maneira que conhecia e a que ele mais gostava. Em outras circunstâncias talvez fosse possível que Damon não houvesse cedido, mas a falta nesse meio tempo era grande. Era grande a ponto de explodir e a tentação pernoitava em si todas as noites, todos os dias e principalmente pelas madrugadas.
Era incrível o poder de sedução que uma simples pele sedosa conseguia obter frente há um homem, até mesmo um homem racional.
Tomando o controle, Damon levantou o tronco da garota para cima e os separou por breves segundos para que desabotoasse o short preto que ela vestia.
– Tá apressado hoje, heim. – Reparou Elena, repleta de malícia. Claramente, aquilo não era uma crítica.
– E a fome de você. – Respondeu, com um das mãos já abaixando a peça para metade das pernas da menina.
Devagar, Elena deitou-se sob o coberto sem se incomodar com as pequenas pedrinhas por baixo daquele pano, que apesar de grosso, não era tão suficiente para poupar por completo um desconforto.
Com os olhares impregnados, Damon terminou de retirar aquela veste e apreciou a renda vermelha da parte de baixo daquela lingerie. Com certeza era nova e estava ali propositalmente. O par de salto altos também logo se foram, quase que no mesmo instante que o short, dando lugar ao rosto do rapaz que se pôs ao meio daquelas pernas para beijar as partes internas das mesmas; Começou pela lateral do joelho e foi subindo até a coxa, junto com a respiração dela que aumentava gradualmente.
Ao alcançar o objetivo, Elena pôde deitar-se e usufruir das caricias da boca que lhe causava aquela sensação. Arqueou o tronco para cima e prendeu os lábios com força pelos dentes. Estava cansada de amá-lo e não poder gemer e gritar o quanto queria pelos mesmos receios de sempre.
Segurou-o pelos cabelos com força o apertando mais contra seu corpo, em um desejo de querer fazer com viesse logo para dentro de você.
– Acho que eu não sou o único com pressa. – Ironizou Damon sentando-se para retirar sua própria blusa. Aproveitando-se da situação, Elena elevou os braços para fazer o mesmo com sua bata, mas ele a interrompeu. – Não. Hoje eu quem te desvisto.
Apesar de seu gênio orgulhoso de líder, Elena não se queixou da vontade dele e obedeceu, enquanto ele terminava de retirar, agora a sua bata, deixando-a por completo com a lingerie recém adquirida.
Na volta Damon pressionou-se em seus lábios acabando com mais um saudade. Com suas mãos, Elena limitou-se em tocá-lo apenas nas costas para que não sucumbisse ao ato de tentar retirar a calça dele para que estivessem finalmente juntos.
Entendendo o recado, Damon alcançou seu cinto com uma das mãos enquanto seus lábios ainda se prendiam nos dela, causando uma certa dificuldade no ato da retirada.
– Por favor. – Pediu, inocentemente. Dessa vez sem forçar um tom sensual e sim como uma menina implorando para a mãe que a deixe comer chocolate antes do jantar.
Em um misto de compadecimento e desejo, Damon atendeu o pedido e retirou sua calça, recebendo o auxílio dela que empurrou o restante com os pés, levando junto uma boxe. Por cima do sutiã, ele lhe acariciou os seios oras com a mão e oras com a boca. Elena simplesmente deixava-o aproveitar-se de matar aquele tempo perdido, contentando-se em permitir que naquela vez ficasse como dominada, e não ao contrário.
Corroendo-se por seu próprio jogo, Damon tampouco podia aguentar o desejo interno, prosseguiu com os beijos pelo pescoço, orelhas e boca da menina até descer novamente até a altura dos seios e dessa vez retirou a pequena peça de renda, que para seu louvor abria na frente. Provavelmente outra coisa que não foi escolhida ao acaso por Elena.
Afundou ele agressivamente a língua em direção ao seio esquerdo dela, deixando uma marca vermelha de seus dentes. Contrariando a regra básica de não fazer barulho, Elena gemeu alto e Damon tapou sua boca com dois de seus dedos. Continuou no local arrepiando-a mais pela barba já predominante que ele carregava.
Feliz, Elena sorriu ao sentir os dedos dele finalmente se enroscando na lateral de sua calcinha, querendo retirar. Não ousou em ajudá-lo, Damon estava falando sério em dizer que hoje ele quem faria aquele trabalho, mas aquilo não significava que não tomaria uma atitude naquele jogo. Trouxe o rosto dele de volta para o seu e mordeu os lábios do rapaz com força, beijando-o antes de qualquer reclamação de dor. Paralelo ao beijo que ocorria, Damon retirou o último tecido de roupa do corpo dela deixando-a totalmente livre de qualquer peça, como um reflexo feminino de si.
Ela pronunciou algo, contra seus lábios, no qual ele não atendeu no mesmo instante que as mãos do rapaz alcançaram o interior de suas pernas para afastá-las mais. Com o corpo já em combustão, Elena se inclinou para baixo com intenção de que conseguisse adentrá-lo onde desejava.
– Calma. – Ele sussurrou, ajeitando-se para mais perto.
Com o olhar firme nos da menina, ela fechou os seus ao senti-lo vir aos poucos para dentro de seu corpo. Pressionava forte, apesar do ritmo lento até que ela se acostumasse. Naquele momento, ambos sentiram a saudade de dois meses morrer.
Quando ele deitou-se por cima de seu corpo, Elena trincou os lábios aprofundando-os contra os ombros dele para que ali pudesse segurar sua vontade de gemer.
– Um dia... – Ela arfou, sem fôlego. – Você vai me amar com liberdade. Eu juro.
–--x---
Em estresse, Giuseppe fez a curva da estrada em direção há sua casa. Em anos de trabalho aquela era a primeira vez que tinha que voltar mais cedo por conta de problemas nos canos d'água ou em qualquer lugar. A velha estrada parecia mais infernal que nunca por conta de alguns cacos pequenos de pedras pela areia. Tudo naquela cidade necessitava de reforma.
Questionou se sua visão também estaria necessitando uma reforma ao deparar-se com um carro estacionado há beira de estrada. Uma imagem comum à primeira vista, mas que bastou apenas um segundo há mais para que a raiva tomasse conta. Reconhecia aquele carro. Aquela parte da estrada pertencia há sua família, então como ele ousava em invadir suas propriedades? Suas terras?
Damon não era bem-vindo e sabia muito bem.
Estacionou seu veículo um pouco depois do dele. Estava vazio, provavelmente deveria estar dentro do bosque, enchendo a cara igual quando menino. Mas agora levaria uma boa surra como homem, havia deixado bem claro que não o queria mais por aquela parte da cidade e ele tinha tido a dignidade de obedecer por anos, mas suas palavras ainda eram válidas.
Adentrou ao bosque em silêncio, apesar da frente ser inteiramente rodeada por árvores e um alto matagal, a parte de dentro, logo após descer uma pequena ladeira, estava parcialmente limpa e visível sendo possível até mesmo andar de carro por ali, se tomasse cuidado, lógico.
Cuidadosamente, se dirigiu pelas partes mais rasas onde era provável que Damon estaria. Diminuiu os passos, ao ouvir um par de vozes perto.
–--x---
Elena sorriu animada ao vê-lo terminar de abrir o pequeno buraco na terra, onde logo enterrariam a capsula. A pá de bico já um tanto velha, agora provava que ainda podia ser útil. Enquanto ele terminava, Elena ia separando as coisas necessárias que iriam para baixo da terra, só agora pôde fixar que Damon havia chego com uma mochila nas mãos.
– Damon, onde você deixou seu carro? – Ela perguntou, ao lembrar-se daquele detalhe.
Ele deu os ombros, sem interromper o trabalho com a pá.
– Não quis entrar com ele aqui. Os pneus não estão muito bons, deixei na estrada mesmo.
O som obtido da pá contra a terra fazia as pálpebras de Elena se remexerem rapidamente em uma sequência de pisco, como se seus cílios dançassem em um movimento de pra cima e pra baixo.
– Pronto. – Ele suspirou exausto e satisfeito ao mesmo tempo, ao terminar de abrir o espaço necessário.
Com as pestanas já aquietadas, Elena foi para mais perto do rapaz com a mochila em suas costas. Sorriu.
– Você acha isso uma besteira? Uma cafonice? – Perguntou ela, abraçando-o e colando as testas um do outro.
Em brincadeira, Damon lhe mordeu o queixo de leve.
– Acho que você meio que se esquece que foi eu quem sugeriu isso. – Ele riu em sua boca.
– Fico preocupada. – Confessou com angústia. – A gente tá fazendo isso por receio, pra ter alguma garantia... De se encontrar de novo. Me dá medo pensar no que tá por vim.
– Já falamos sobre isso também. Na verdade, já falamos muito sobre isso. – Ele a abraçou mais forte. Não tinha porquê Elena estar com aqueles pensamentos, sendo que no fim ela não seria tão atingida quanto ele caso tudo isso viesse à tona.
– Quer sentar? – Soou mais como uma sugestão do que como uma pergunta.
Sem a necessidade de respostas, Damon sentou-se no cobertor e a trouxe pelas mãos para o chão, em seu colo.
– Na mochila tá as coisas que você me pediu. – Ele avisou, enquanto retirava o respectivo objeto dos ombros dela.
Animada, Elena a abriu em seguida encontrando a câmera polaroid que havia pedido.
– Ah, você conseguiu. – Exclamou feliz, com a máquina em mãos. – Onde comprou?
– Em Virginia Beach. Nem usei ainda, mas tá ligada.
Com um ar infantil, Elena esticou os braços levando a câmera para um ângulo acima dos dois e sorriu em seguida indicando que tiraria uma foto. Apesar de não querer de início, ela logo o convenceu em participar.
Em pouco tempo as fotos se multiplicaram para um número de dez, quinze. Ambos juntos, ela sozinha fazendo alguma careta ou ele tentando tapar o rosto alegando uma desculpa de que não queria, o que fazia Elena sorrir mais. Com uma chacoalhada, logo a imagem obtida era posta em um papel próprio. A exigência para aquela câmera foi feita justamente para que pudesse revelar as fotografias na hora.
– Me dá os saquinhos plásticos. Você trouxe? Precisamos de muitos– Elena perguntou e Damon assentiu.
– Tá aqui. O resto tá em uma sacolinha branca– Entregou apenas um saco transparente de tamanho médio para ela, que também estava em sua mochila como uma das coisas que ela havia pedido para trazer.
Logo as mesmas fotografias foram para o lado de dentro daquele plástico e amarradas com um laço vermelho, apenas torceria para que tão bonitas lembranças como aquelas fotos não se deteriorasse por ficar tanto tempo em baixo da terra.
Em outro plástico estavam as fotos de Nova York, no qual ela havia trago.
– Essas fotos a gente coloca aqui. – Disse Damon retirando uma caixinha de madeira escura um tanto rústica, larga mas não tão grande e com um desenho de uma flor na parte de cima.
– Bonita essa caixa. – Ela falou enquanto colocava os plásticos.
– Era da minha mãe. Pedi emprestado, mas ela disse que eu podia ficar. É bem bonita mesmo.
Após mais algumas reviradas na bolsa, Damon alcançou uma corrente com um pingente em cruz de prata que havia ganho quando tinha dez anos de sua avó. Já Elena trouxe três provas de matemática junto, no qual tinha a assinatura dele, e em uma delas a nota dez na qual tinha prometido.
Como mais uma lembrança daquele dia, Damon retirou mais um plástico com uma fotografia dentro. Mais não deles. De Mindy McCready, no qual em uma noite qualquer embalou uma dança, a primeira que tiveram.
Logo esses pertences foram parar em outra caixa, uma de menor tamanho. Com um riso resplandecendo em sua face, Elena surpreendeu-se por encontrar ambiguidade nele.
– O que foi? – Inquiriu preocupada.
Em primeira instância, ele cogitou mentir, mas desistiu. Naquele caso, a opinião dela valia muito mais do que uma suposição sua, além do que também queria saber como ela se sentia em relação há isso.
– Eu trouxe uma coisa. Mas não sei se... Você vai querer que a gente... Lembre.
Ela franziu as sobrancelhas.
– O que? O que você trouxe? – Controlou-se para conter um certo temor em sua voz, embora sua mente tivesse uma pequena desconfiança do que talvez fosse.
Damon preferiu não dizer nada, aquele havia sido um dia difícil e uma lembrança tão complicada que chegava a ser ambígua, pois nunca soube ao certo o que Elena sentia em relação aquele dia.
Apanhou os dois papéis de dentro da mochila e os elevou de maneira que ela conseguisse ler o que era.
Os ingressos do show do three days grace, o dia do então quase... Estupro.
As memórias, nunca esquecidas, atingiram Elena em um baque. Sua suposição foi acertada, fechou os olhos e por mais que não quisesse expôs para ele sua fraqueza em relação há isso, fracassou.
– Ainda sim é uma lembrança, Damon. – Não abriu os olhos. – É uma lembrança nossa, é uma lembrança de um dia que... Querendo ou não, antes de tudo acontecer... Eu me divertir e queria estar contigo.
– Mas Elen...
– Não. – Ela o interrompeu, reabrindo seus olhos. – Eu quero. – Afirmou convicta. – Quero que a gente consiga lembrar de tudo mais pra frente sem incômodos. Não quero fugir de mais nada.
– Mas você nunca gosta de falar disso, eu nem sei como você se sente sobre esse assunto.
– Nem eu sei, Damon. – Rebateu rudemente de maneira confusa e ele se calou frustrado. – Nem eu sei como eu me sinto sobre isso, mas não vai ser dois papéis que me farão descobrir.
Silêncio. Elena desviou o olhar para um ponto qualquer do chão e Damon preferiu optar por embrulhar os ingressos em mais um plástico. Não queria mais discussão sobre aquele tópico, no qual nenhum se sentia a vontade em mencionar.
Para ele também não era fácil, embora quando pensasse a fundo e de cabeça fria, conseguia ver que fora por conta daquele incidente que aceitou namorá-la. Afinal dificilmente teria aceito aquela relação, no início logicamente, se não estivesse sentindo compaixão pelo que ocorreu. Ele havia sido quem a levou até lá e a culpa seria sua se ela tivesse alguma sequela emocional no futuro. Seu pensamento naquela hora foi que não poderia deixá-la sozinha e muito menos com mais um sentimento de decepção amorosa para somar tudo aquilo.
Pensando melhor nunca havia dito isso pra ela. Não julgava como algo grave na qual a mesma poderia deixá-lo ou se pôr furiosa, mas mesmo assim não era um fato qualquer. Deveria ser dito.
Mas definitivamente não agora, não quando o ambiente já estava pesado entre eles.
– Desculpa. – Ela tomou a iniciativa, fitando-o com um olhar pidão. – É que as vezes eu...
Antes que ela terminasse a fala, Damon a abraçou fortemente calando-a. Não era necessário mais palavras.
Desfrutaram um pouco mais o contato da pele através de alguns beijos fortes, mas nada além. Logo voltaram a atenção para o trabalho de antes.
–--x---
– Ufa. – Elena suspirou aliviada ao ver finalmente aquele pedaço aberto de terra desaparecer e ser coberto outra vez.
Ávida pela distância de seu corpo e o dele, correu rapidamente até o homem que acabava de soltar a pá de suas mãos. Em reflexo, Damon a segurou pela cintura enquanto ela tomava impulso com suas pernas ao cruzá-las no quadril dele.
– Te amo. Te amo. – Ele sussurrou ao pé de seu ouvido, em um tom baixo.
Deixando uma trilha de beijos pelo rosto da menina, Damon alcançou sua boca unindo-as de modo violento. Ao terminar de enterrar aquelas caixas, imaginou um futuro. O dia que voltariam aquele lugar, imaginou possibilidades diversas que lhe aterrorizaram.
Talvez ela já casada ou com alguém que amasse. Talvez ele não pudesse estar ali por estar preso ou morto por conta de alguma recaída alcoólica.
Tinha um pensamento em sua mente, uma decisão, que algum tipo de dúvida impedia que fizesse, talvez um lado seu que insistia em ser racional mesmo tendo ciência de que aquilo era o que queria.
Continuou a beijá-la como se fosse a última vez, com desejo fogo, pressa, onde inicialmente aquilo assustou até mesmo a própria Elena, apesar de não se queixar. Quando em sua mente ela nem imaginava que Damon estava no limite de tomar uma importante decisão.
–--x---
Giuseppe adentrou ao carro atônito. Não ficou o suficiente para saber qual o objetivo de ambos estarem ali, quando viu apenas um beijo já foi o bastante para querer ir. Não ficaria ali presenciando contatos amorosos entre duas pessoas.
Mas viu quem era a menina. Sim, menina. Era Elena Gilbert, quem havia feito o trabalho do dia dos fundadores com sua família, que esteve em sua casa e que, acaso forçasse a memória bem, recordava das palavras dela ao dizer que seu filho era seu professor.
Claramente não era um caso de abuso, afinal a garota parecia desfrutar do que acontecia e definitivamente não estava ali contra sua vontade. Mas também não é um namoro público. Pensou Giuseppe em conclusão, afinal se fosse já seria algo comentado por toda a cidade.
Mas seria uma relação consentida pela família dela?
Porque, caso não fosse, isso sim seria era grave. E ele teria que descobrir.
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