Matemática Do Amor

27 - Just give me a reason.


Notas iniciais
Bom mais uma semana, aqui de novo. Muito obrigada aos comentários pelo capitulo passado, feliz por não terem me matado. Agradeço de verdade. Um obrigado em especial para Karen Luanna e para a Katie vtt pelas recomendações incríveis que fizeram. Já somamos 8. Nada mal, certo? Boa leitura.

Um gemido rouco saiu da garganta de Damon, conforme o arrepiante calafrio passava por sua nuca e seus braços. Era a terceira vez que tinha esse calafrio; Não sabia direito, mas desde que Elena saiu ontem tão apressada essa sensação ficava incansável em seu corpo.

Tentando não levantar suspeitas, perguntou a Isobel sobre ela. Disse que Elena havia chegado de manhã para pegar algumas roupas e estava com muito sono para ir à aula e novamente aquela sensação voltou, mas sobre algo estava certo, Jenna estava interessada. Encontraram-se mais uma vez essa manhã no café e conversaram ainda mais. No final, ela, percebendo o interesse também da parte dele, lhe deu um rápido beijo nos lábios. Quase não deu para sentir de tamanha velocidade, mas ainda sim fora um beijo.

Ela, pelo visto era o tipo de mulher que não perdia tempo; Decidida, buscava o que quer e não cria obstáculos. Não podia dizer que aquilo não o deixava feliz, estava ansioso para seguir em frente e parar de sentir todo esse vazio deixado por Rose. A amava, mas é tão horrível sentir-se dessa maneira.

Estava em seu caminho. Voltando para a casa depois do reforço com alguns alunos do segundo e terceiro ano. Exausto. E parecia que hoje o tempo resolvia ir devagar; Essa cidade nunca tinha transito, mas hoje o centro estava cheio. A festa de dia dos fundadores era daqui a quatro dias. Finalmente. Parecia que o tempo parava nessa época e finalmente chegou o dia. O que significava que depois de amanhã era a grande entrega dos trabalhos de Ric. Depois, poderia já passar suas provas sem sofrer das reclamações de país de aluno, dizendo que estávamos ‘’sobrecarregando-os’’.

Graças a deus...

Deu sua partida no carro e violentamente o parou alguns segundos depois. Um amontoado ruivo atravessava a rua com algumas sacolas nas mãos.

Jenna parou para observar quem fora que dera aquela brecada e o viu. Damon apertou sua buzina a chamando e ela sorriu correndo para entrar no automóvel.

– O que tá fazendo aqui? – Perguntou ela felizmente. Ainda com o belo sorriso pregado aos lábios.

– Saí de uma aula. Indo pra casa e te vejo...

– Sorte sua. – Disse ela colocando seu cinto e as sacolas de livros no banco de trás. Deveria estar ocupada com alguma coisa.

– Pra que todos esses livros? Trabalhando em alguma pesquisa ou...? Sei lá.

– Não. Nada disso, são da biblioteca. Essa cidade é muito chata, tenho que ter alguma distração.

– Nisso eu concordo com você. – Disse Damon virando a esquina para a direção do Grill. O carro de Elena não estava estacionado lá. Deveria estar em casa. Virou o rosto rapidamente para Jenna e a olhou. – Talvez eu possa te distrair. – Completou com uma voz e um belo sorriso malicioso. – Se você deixar...

E pelo jeito ela deixaria. Assim que parou o carro em seu lugar na garagem, Jenna agarrou seus lábios sem pudor. Ficaram alguns minutos ali, aos beijos. Aquele não era lugar de ir mais adiante, mas isso com certeza não os impediria. Quando entrou na casa, teve sua decepção, Elena não estava lá.

Onde essa garota se meteu?

–----x-----

Elena rezou o caminho inteiro para que nenhum dos dois desconfiasse. Lembrou-se quando achou que seria fácil engana-los e enganar Bonnie também, mas tudo havia ido por água a baixo (Como Hayley, previu). Era a primeira vez que apareceria na casa dos Salvatore sem a baixinha consigo, mas desde que decidiu dar continuidade nesse plano tinha que ser desse jeito.

Foi aí que lhe ocorreu que nunca havia desistido, quer dizer, nunca havia chegado à conclusão de não continuar, mas poderia dizer que se esqueceu. Envolveu-se tanto na amizade com ele, que esse plano nem passava mais pela sua mente. Era lembrada o tempo inteiro por Bonnie, só que já estava acostumada a enrola-la por motivos bestas. Tudo para que não prejudicasse Damon e tudo para que não o perdesse.

Só que era diferente agora. Estava apaixonada por ele e tinha que esquecer. E como esquecer se ele mora bem em sua casa? Era impossível. Não podia deixar que ele continuasse morando lá; Não era por uma questão de vingança, mas sim porque simplesmente não podia sentir-se assim e o detalhe da divisão de tetos a impedia de esquecê-lo, a impedia de tudo.

Calmamente bateu a porta dos Salvatore, e como de costume foi atendida por Grace. Pelo fracasso do ocorrido de tentar descobrir informações com os dois, resolveriam que seguiriam o plano B e apelar para Rose. Elena sabia que Rose também não ajudaria a tira-lo de sua casa, afinal Damon tinha cancelado o casamento; Não contou para Bonnie e não contaria para ninguém.

O plano da baixinha não iria a lugar algum, mas era pra melhor. Elena tinha que fazer isso sozinha.

Por decisão de Bonnie em esquecer os Salvatore e seguir adiante com Rose. Haviam terminado o trabalho normalmente. Grace e Giuseppe nunca disseram nada que elas já não sabiam nessas ultimas semanas, mas tentaria pela ultima vez.

– Elena? – Disse ela confusa, soando como uma pergunta. – O que está fazendo aqui? Pensei que o trabalho já tinha terminado.

– Sim, Senhora Salvatore terminamos.

– Aconteceu alguma coisa? Onde está Bonnie?

– Não, não se preocupe, nada aconteceu. – Falou Elena a acalmando com aquelas perguntas. Sua cabeça agora só tentava decorar o roteiro planejado para sua mentira. – Bonnie ficou, ela tá preparando a nossa apresentação. Eu vim porque uma das fotos da arvore genealógica ficou muito pequena e precisamos de uma maior. Se importa? – Perguntou apontando para o interior da mansão.

– Não, meu amor. Entra, pode entrar. – Era estranho estar ali sem Bonnie. Aquela casa era enorme e assustadora e sozinha sentia-se... Com medo. – Meu marido não está. Tá trabalhando na fabrica hoje. Vou pegar o álbum de fotos.

– Ah, sim eu espero aqui. – Sentou-se no sofá e cruzou os braços, nervosa. Aos poucos, lembrava-se do que tinha que fazer. Tyler ligou o caminho inteiro. Aproveitou para mandar uma mensagem para ele dizendo que só poderiam se ver amanhã.

Grace voltou carregando dois enormes álbuns de fotografia, um amarelo claro e outro azul do mesmo tom aberto.

– Aqui. – Disse ela sentando-se ao lado de Elena. – Foto de quem você precisa?

– Do Damon.

– Ah, sim. O álbum dele é o azul; Você prefere fotos dele na adolescência? Infância?

– Vou dar uma olhada primeiro, depois eu decido. – Com o estomago agitado pelo nervosismo Elena respondeu. – Mas acho que tenho uma ideia do que eu quero, não se preocupe.

Sem pressa, Grace abriu o álbum, na primeiras páginas as fotografias de um pequeno bebezinho recém-nascido. Vermelhinho e enrugado, nas quatro fotos iniciais ele dormia tranquilamente. Não podia acreditar naquilo se seu cérebro raciocinava, mas aquela criaturinha era a coisa mais linda que já havia visto. Mais belo do que qualquer vestido que possa ter em seu armário.

Algumas paginas a frente, o bebezinho era substituído por um lindo menininho em volta dos três a cinco meses. Já podia identificar alguns traços do rosto de Damon no bebê. As enormes bolas azuis em seus olhos continuavam as mesmas, os cabelos bem escuros do Damon atual, no bebê estavam um pouco mais claros.

Era ainda mais lindo.

– Wow. – Disse ela impressionada, não conseguiu conter seus sentimentos. Na outra vez, Grace havia escolhido as fotos por conta própria. – Ele... Ele...

– Eu sei. – Interrompeu Grace com um sorriso orgulhoso. – Ele é maravilhoso. Eu sei que todas as mães acham os filhos lindos, mas Damon era um bebê realmente lindo. – Sentiu-se estranha falando sobre isso com ela. Grace não era mais qualquer uma; Ela é a mãe do homem que eu amo. Por mais que Grace e Damon não se falassem mais e de que pelo que ele contou, ela errou bastante, ainda não deixava de ser mãe dele. Só que agora deveria ser manter focada.

Passaram-se varias fotos. O primeiro aniversario, vestido com um uniforme de basquete, aos três já de fraldas e de chupeta verde na boca. Aos cinco, fantasiado de super-homem com dois amigos no quintal. Aos oito, no verão, brincando, novamente no quintal, andando de bicicleta e na piscina com outros colegas. Festas infantis na escola, olimpíadas de matemática, empinando pipa, andando a cavalo. Sentia-se como se acabasse de conhecer um lado totalmente diferente dele, que a fez se apaixonar ainda mais.

Eles eram tão diferentes... Toda a vida dos dois era tão distinta. Damon fora criado com toda a liberdade de uma criança do interior; Correndo, brincando, se divertindo, longos verões, longas tardes brincando com os amigos na rua, e ela não. Criada na cidade, no concreto. Se quisesse brincar, teria que ser no quarto, nada de rua, ao menos se quisesse ser atropelada por algum carro naquelas avenidas. Em Nova Iorque, no centro de Nova Iorque aonde foi criada, no meio da Metrópole, tudo aquilo era fantasia sonhada e vista nos filmes e nos desenhos.

Amava Nova Iorque, mas o sorriso no rosto dele e nos daquelas crianças junto a Damon era algo que nunca havia visto na vida.

Nunca.

Ao chegar à fase da pré- adolescência foi vendo aquele sorriso sumindo cada vez mais. Roupas escuras; Cada vez mais parecido com o Damon que conhecia.

– Ele era o garoto mais engraçado da cidade. – Afirmou Grace em voz de choro. Ela olhava aquelas fotografias de uma maneira que fazia Elena sentir um vazio por todo o cômodo. Com todos esses escândalos e o afastamento da família, devia fazer um tempo que não olhava aquilo e ela sentia falta dos filhos, tinha certeza. – Todo mundo adorava ele. Era extrovertido, divertido, as crianças o adoravam, ele fazia mágica pra elas, contava piadas. E era esperto, amava matemática, física, cálculos, álgebras, era inteligentíssimo.

Abaixo, os lábios de Grace se apertavam sobre os dentes e ela segurava as lagrimas. O corpo de Elena martelava tanto que ela mal conseguia controlar a ansiedade, talvez manter o foco fosse algo mais complicado do que havia pensado.

– Você fala de um jeito. Todas essas qualidades dele, mas você fala de uma maneira como se ele tivesse... Perdido tudo isso, entende? Como se ele não fosse mais. Por quê?

A retração de Grace foi instantânea. Elena já estava preparada para aquilo e tentou incentiva-lá a falar com palavras doces. Olhou a foto de Damon em torno de uns treze anos. Em um palco de uma olimpíada de matemática, ao lado a foto dele com uma medalha de prata nas mãos.

Segundo colocado – Olimpíada de Matemática, infanto-juvenil. Avisava a descrição.

– Os pais seguem os exemplos dos filhos, sabe? – Agora Grace chorava. Sem medo de demonstrar emoções; Se Elena soubesse que sem Giuseppe aqui isso aconteceria, haveria planejado há muito mais tempo. – Meu marido bebia demais naquela época. Damon sempre foi muito inteligente e tinha capacidade pra tudo, muito elogiado pelos professores e reconhecido, desde criança como muito precoce... Acho que ele tinha inveja de que Damon o superasse. E ele superava em tudo. – Grace não se interrompeu pelas lagrimas. Seu tom de voz de vez em quanto falhava, mas mesmo assim prosseguia. Delicadamente, Elena retirou o álbum das mãos da senhora e o fechou, colocando-o junto com o amarelo na mesa de centro. – A relação dos dois era horrível. Damon amava demais o pai dele e tentava de algum jeito melhorar e se empenhar em tudo pra... Dar orgulho pra ele, conseguir uma aprovação, mas a inveja às vezes fazia com que o Giuseppe se esquecesse de que era filho dele e não... E não... Um adversário, sabe? Com o tempo, Damon cresceu e desistiu da aprovação do pai, ele nem ligava mais, tava acostumado a ser mal tratado por ele. Eu amo meu marido, mas eu reconheço a verdade. – Elena sentia-se como uma intrusa, se não tivesse tão tivesse se apaixonado por Damon e ainda o considerasse somente um amigo, desistiria naquele momento. – Eles brigavam, brigavam muito. Damon ia ficando adolescente e não levava mais desaforo do pai e pra esquecer, ele... Começou a fazer o que ele tanto via o pai fazer pra esquecer as magoas esquecer os problemas. – Beber, Pensou Elena. Damon devia ter uns 15 anos nessa época. – No começo, ele não bebia que nem o pai, antes era por diversão e só de vez em quando, mas lá pelos... Dezenove, a situação piorou muito. Quando a gente descobriu, levamos pra umas clinicas de reabilitação no Texas. Na segunda vez funcionou; Ele saiu, e tava decido a parar pra sempre. Entrou na universidade de Whitmore e lá ele conseguiu, resistiu a muitas situações, ele realmente queria se formar e não queria que as festas universitárias atrapalhassem tudo. Ele foi forte. – Elena sorriu rapidamente. Tentando imaginar essa etapa da vida dele. Havia tanto que queria saber. Era difícil ter que ouvir da maneira que estava ouvindo, mas sabia que não teria outro jeito. Damon nunca seria seu. Era impossível – Só que aconteceu o incidente do Stefan e por um momento, tudo desandou de novo. Ele voltou a beber, mas quando o Giuseppe o expulsou, um pouco depois de expulsar o Stefan, ele teve que cair na real. O pai parou de pagar o quarto no campus pra ele então, teve que morar na casa de um amigo – Mason. Sentia-se uma expert em cada detalhe da vida de Damon. – E ou ele pagava o campus ou os livros, então... Foi à solução e os pais desse amigo dele eram exigentes então ele sabia que tinha que andar na linha. Pelos boatos, ele voltou a beber... Ocasionalmente, sem exagerar, ele aprendeu a controlar por conta de um tratamento alternativo que ele fez com psicólogos, isso depois dele se estabilizar e conseguir trabalhar. Eu não tinha mais contato com ele nessa época, então não sabia direito. Tudo voltou a desandar, outra vez há pouco tempo. Por culpa daquela mulher maldita. – Rose. Tudo isso que Grace contava, ela sabia. Estava muito familiarizada com essa parte da história, mas havia ter que escutar tudo de novo se quisesse saber coisas novas. Se é que existem coisas novas. Elena suspirou sentindo seus olhos marejarem. As lagrimas não escorriam por seu rosto, como nos de Grace. Que agora, abaixava o rosto nos joelhos soluçando. As mãos tapando a face demonstrando que queria esconder sua fraqueza. Elena delicadamente a puxou pelas mãos e a abraçou pela lateral do corpo, oferecendo seus ombros. Aquilo era estranho. Nunca havia feito isso. Sempre que choravam assim perto de si, saía e ignorava. Cada vez mais tinha certeza de que estava desesperada e cada vez mais tinha certeza de que amava Damon e cada vez mais tinha certeza de chegaria a um ponto onde todos se machucariam. – Eu só quero meus filhos de volta. – Gritou ela chorando alto. Desesperada. Elena a entregou os álbuns e ela abraçou-se a eles, deitada em seus ombros. Por outro lado, a única coisa que Elena tentava fazer era não se sobressaltar durante aquela cena. – Quero ser uma mãe de novo. Eles estão vivos e eu nem tenho chance de ser mãe deles. Eu só quero meus filhos de volta, por favor, meu deus. Só os meus meninos de volta...

Estava prestes a explodir. Encontrou seu limite; Era como se já soubesse a parte principal da história dele e não houvesse mais o que saber. Foi embora algum tempo depois, levou uma foto de Damon quando tinha mais ou menos a sua idade, 16 pra 17 anos...

Não havia mais o que descobrir. Cavou um buraco na qual achou que teria um grande baú de tesouros infinitos, mas ao fim as riquezas eram limitadas.

Amava Damon, e hoje havia visto sua história sendo contado pela perspectiva da mãe dele, o quanto ele sofreu e as razões de tudo. Se o jogasse de volta para a escuridão... Não gostaria nem de pensar o que poderia acontecer, preferia vê-lo com Rose, do que jogado nesse mundo novamente sem ninguém pra se apoiar.

Conviveria com isso.

Chegou em casa em volta das 18:30. Jeremy deveria estar na Anna transando com ela até consegui recuperar os dezesseis anos perdidos de nerd punk sem sexo e sem garotas. E April ajudando no comitê da escola com a Rebekah.

Tudo estava em silencio, beberia uma água e depois um banho de espuma. Quem sabe encontrar-se com Tyler mais tarde. Havia sido bom naquela noite e já estava cansada de se estressar. Nunca se estressou por homens e faria o possível pra não deixar isso acontecer, mesmo morando com Damon, se esqueceria dele.

Ouviu risadas na cozinha conforme se aproximava. Achou que deveria ser April com alguma amiga ou com a tia Jenna, mas a visão que teve foi a pior que poderia ter nesse momento. Ela estava lá, tia Jenna. Alí com Damon, ele com uma panela de molho de carne e uma colher de madeira assoprando e dando nos lábios dela para que pudesse provar a comida.

Jenna gargalhou novamente enquanto provava o molho.

– Uma delicia. – Sussurrou ela depositando um selinho nos lábios dele. – Como você. – Elena molhou a garganta e fez um barulho alto para chamar a atenção dos dois. – Elena, ai meu deus... – Disse Jenna envergonhada. – A gente só tava.

– Não precisa explicar. – Atravancou a tia, entrando no cômodo. Damon a olhou rapidamente e sussurrou com os lábios: ‘’onde você se meteu?’’

Não disse nada, apenas revirou os olhos e continuou a encher seu copo.

– Não foi pra escola hoje, Elena. Por quê? – Disse Damon tentando parecer descontraído, sem que levantasse as suspeitas de Jenna sobre a relação e amizade dos dois.

– Dormir na casa do meu namorado. Tava cansada, não quis ir.

– Namorado? –Disse Damon novamente, confuso. – Você e o Lockwood...

– É nós voltamos.

Novas lágrimas se acumulavam, mas Elena as engoliu. Retirou o copo do bebedouro e bebeu o recipiente até o final.

– Quem é Lockwood? – Perguntou Jenna baixinho no ouvido de Damon.

– Meu namorado, tia. – Respondeu ela o impedindo de falar. Damon voltou a concentrar-se nas panelas, sem humor. – Ele é da escola. Vai gostar dele.

A voz dela tremeu ao terminar de falar. Colocou seu copo na pia e se despediu com boa noite dos dois. Subiu para seu quarto e assistiu a um filme de comedia romântica na TV. Sentia vontade de vomitar na insistência do final feliz que esses filmes tinham, sendo que a ideia de que não teria o seu pendurava-se em sua cabeça durante toda a exibição.

No banho, terminou de chorar tudo que ficou preso. Nunca havia chorado tanto na vida em tão pouco tempo. Era a terceira vez esse mês... Teria definitivamente que dobrar a quantidade de compras de maquiagem a prova d’água. Seu medo era que isso fosse prejudicial a sua pele, seria um pesadelo se sua pele perfeita de pêssego ficasse oleosa.

Iria dormir cedo hoje. Colocou a foto de Damon, que pegara com Grace, em um porta retrato de ouro que tinha. Guardou em uma gaveta de baixo de algumas blusas dentro de seu closet.

Trocou-se por um pijama de seda preto e preparou-se para deitar, quando alguém bateu na porta bem devagar. Pela batida tímida e quase inexistente imaginou quem fosse. Atendeu a porta e rapidamente Damon correu para dentro com medo que alguém o pegasse no corredor.

– O que foi? – Disse ela friamente.

– Vim ver você. O que aconteceu? Saiu correndo que nem louca naquele dia e não voltou pra casa, não foi pra escola e agora tá dizendo que voltou a sair com o Tyler. – Pronunciou tudo aquilo com desdém e confusão.

– Não foi nada demais, tá legal? A gente voltou só isso.

– Sério? Nem percebi pelas mil vezes que você mencionou. – Disse ele em ironia um pouco a cima do tom.

– Olha, isso é assunto meu ok? Não tem nada haver contigo. Minha vida não é assunto seu a partir do momento que eu saio daquela escola.

– Ah, então agora você me diz isso porque há pouco tempo atrás você era quem implorava pra fazer parte da minha vida. – Gritou Damon novamente em voz irônica.

– Talvez as minhas razões sejam diferentes da sua, já parou pra pensar nisso? Ou sua mente só é capaz de pensar nos seus problemas e na sua ignorância e egoísmo?

Agora os dois gritavam. Jeremy dormia no quarto ao lado e no da frente Isobel. Damon pareceu ofendido, mas mesmo assim não se deixou abalar, apenas levantou as sobrancelhas e deu um sorriso zombeteiro.

– O mundo dá voltas mesmo. A pessoa mais egoísta e mais cheia de si que eu já vi na vida tentando dar uma lição de moral sobre a minha personalidade. – Ele inclinou-se em sua direção se aproximando sorrateiramente. Ficando perto novamente como naquela vez no sofá. A diferença de altura fazia com que Elena lentamente levantasse seu queixo e olhasse fundo aos olhos de Damon; Cheios de raiva, de confusão. – Me diz, então. – Sussurrou. – Me dá ao menos uma razão pra mim te ouvir e te compreender. Só uma. Uma razão é tudo que eu preciso agora pra entender, Elena. Ou melhor. – Os olhos antes baixos olhando para seu rosto, se abriram como se tivesse acabado de ter uma ideia. – Me da a sua razão.

Sua mente girava em duvida. Queria contar que o amava, tinha a deixa perfeita para isso, mas diferente do filme que acabou de ver aquilo não aconteceria consigo.

– Como eu disse antes, são minhas razões. – Disse Elena rispidamente e se afastando.

– Covarde. – Voltou a gritar. Dessa vez diferente, soltou toda sua garganta naquelas palavras, esbanjando sua decepção. – É isso que você é, uma garotinha covarde, narcisista que...

– O que tá acontecendo aqui? – Isobel invadiu o quarto com Jeremy. Assustados e confusos. Pôde ver Jenna e April logo atrás, também mantendo a mesma expressão. Os olhos da mãe estavam vermelhos e sua postura corporal indicava o quão cheia de fúria estava. – Anda. Será que alguém pode me dizer? – Disse em voz estridente e sem paciente, exigindo respostas imediatas.

Elena a olhou assustada e abriu a boca tentando articular algo para poder falar. Não pensou em nada. Damon somente fechou os olhos e por mais que não pudesse ler mentes sabia o que ele pensava: O quão ferrado os dois estavam naquele momento.

Notas finais
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