Matemática Do Amor
4 - Prós e contras
Notas iniciais
Tá torto, até uma criança da primeira série faz melhor, ponderou Elena.
Ao contrario do que as pessoas achem, é mais difícil do que se parece desenhar um coração reto e todo perfeitinho. Se não fosse pelo devotado barulho no fundo da sala de aula, seu desenho definitivamente teria ficado bem melhor. Os risos e as conversas altas eram a trilha sonora perfeita para Verdade e desafio, que praticamente a sala inteira brincava. Elena até jogaria com eles, mas desde que ela foi obrigada a beijar Carl Thompson na sétima série, foi o bastante para esse jogo a traumatizar para sempre. Além de ele ter um péssimo hálito, ainda ousou em tocar em seus cabelos, ninguém toca em seus cabelos, a não ser ela mesma. A aula estava atrasada, o professor que tanto Elena ouviu comentar, pelo jeito, não era muito pontual. Para a classe, era como se tivessem encontrado o baú de ouro no final do arco-íris. Deu uma olhada em volta, só ela e outros três alunos permaneciam em seu lugar. O que não era muito otimista levando em conta, que eram dois nerds folheando a apostila de álgebra, e uma menina antissocial que lia um livro de romance. Deu uma ultima olhada no espelho de bolso e retocou o blush, depois voltou a desenhar. Desde que Elena resolveu que prestaria mais atenção às aulas, ficou surpresa como pequenas mudanças realmente faziam a diferença. Como sentar na frente, não falar durante as explicações, prestar atenção. E realmente davam resultados, as aulas de geografia e francês foram ótimas. Não teve complicações para entender, por mais que soubesse que na aula de física seria bem mais difícil. Mas se quisesse ir para uma faculdade longe da Virginia, ela teria que fazer um esforço.
Algo estranho aconteceu de repente na sala, alguma coisa estava diferente. Todo o barulho insuportável ocorrente a menos de dois minutos atrás, agora se cessou, todos corriam de volta para seus lugares em uma espécie de desespero, mas um tipo diferente de desespero. Um desespero... submisso e envergonhado. Elena concluiu que provavelmente o professor havia chego à classe, antes que pudesse levantar a cabeça e olhar para cima, o bater alto e forte de uma grande mão em sua carteira, a quase fez saltar. Arrancando a folha do desenho do coração de seu caderno e a jogando ao lixo de alumínio perto da porta após amassar em uma pequena bolinha. Ao menos estaria mais segura no lixo do que na mão dele, pensou Elena.
Quando finalmente Elena o olhou ela entendeu o que Caroline queria dizer quando o chamou de Bela&fera. Ele era lindo. Lindo demais. Vestia-se de maneira comum, como qualquer homem; Calças jeans escuras, o tênis preto e blusa branca. Mais a aparência, definitivamente não era de qualquer um, ele era magnífico. Devia ter entre um 1,77 ou 1,80. Não muito baixo, mas não muito alto, mais ainda sim bem superior comparado a Elena. A pele clara tinha o contraste mais perfeito que já havia visto, lindamente moldados aos olhos azuis claros e aos cabelos pretos, completado com a barba à fazer. O rubro das bochechas era o sonho de qualquer epiderme. Lindo era uma característica fraca demais, anêmica demais, para ele. Era o mais belo homem que já vira na vida.
Mais o lado fera era mais forte, ela estava com medo. Ele olhava para todos ali. Não havia um centímetro da classe que não se tornava vitima daquele olhar, e não era um bom olhar. Havia ódio, raiva, aborrecimento. Todos os sentimentos raivosos e dominantes concentrados naquele par de olhos. Aquele sentimento também era transmissível, não só estava em seus olhos, mas também preso em sua garganta.
— Bom dia – Disse intimidador. Voz aveludada, bonita, sem o sotaque sulista que Caroline e Bonnie tinham.
Se ele possuísse algum sotaque nesse momento seria o de intimidação. Das mais furiosas. Como se fosse pular em cima de todos nós, como uma pantera da noite, pronta para o ataque. – Sou o senhor Salvatore, professor de matemática do segundo e terceiro colegial.
As mãos que há alguns minutos estavam jogando a folha de seu caderno ao detrito, agora apanhavam um pequeno giz branco.
Escrevia seu nome em letra média na parte superior da lousa.
‘’Sr. SALVATORE’’
Elena achou melhor não prender a atenção a outro desenho de coração ou a nada, nem ao mesmo a figura de Caroline mostrando o dedo do meio enquanto o professor escrevia de costas. Ele definitivamente lhe daria dor de cabeça se ela entregasse motivos para qual.
Guardou seu diário no fundo da mochila e voltou a prestar a atenção ao homem à frente.
— Todos aqui já sabem quem sou? Sim? Todos nós já temos o desprazer de nos conhecer ou tem algum azarado novo – Questionou, grosseiramente. Era incrível como aquele tom de raiva na voz não se deixava por calar, nem ao menos uma fração de segundo.
Mas porque se houveste olhos tão pulcros?
Durante as aulas que até o momento assistiu, Elena foi indagada com aquela pergunta em todas, e possivelmente nas próximas a interrogariam do mesmo modo. Mas uma vez a mão direita de Elena se via elevada sozinha, entre tantas outras. Damon sentou-se a carteira destinada ao professor e a encarou por alguns segundos, antes de fazer um sinal com a cabeça para que a menina se apresentasse.
— Sou Elena – Falou tímida, com voz quase inexistente, encarando os próprios sapatos. O que nunca foi normal, Elena poderia ser qualquer coisa menos uma menina tímida. Muito pelo contrário.
— Tem sobrenome, senhorita Elena? Ou é sem família? Até onde eu saiba aqui não é orfanato.
Grosso.
Desta vez ela deu uma olhada ao redor antes de responder. Ninguém sorria. Ninguém ao menos se mexia; Era como se tivessem acostumadas com o jeito com que Salvatore os tratavam que nem se deixavam mais por estranhar, mesmo que o odiassem.
Elena inspirou profundamente e empreitou sua postura. Tinha algo naquele simples ato que a fazia se sentir superior a tudo e a todos, mesmo que há um professor tão idiota e hostil como aquele. Sentia-se dentro de um desses filmes ruins de comedia adolescente dos anos 90 que April tanto ama... Nessas horas, que abençoada seja a tão mente criativa de Woody Allen.
— Sim, senhor. Eu tenho... É Gilbert.
— Ah, sim. Você deve ser Paris Hilton morena. – Disse ele com deboche. – É a socialite, não é? Daqueles comerciais de sapato, roupa maquiagem. Acertei?
— Sim, sou eu.
— É o mundo da muitas voltas – Falou rindo – Um dia aparecendo na TV e em todas as capas de revistas e no outro se mudando pra Mystic Falls. Parabéns pela evolução.
Como era? Aquele rapaz estava a humilhando na frente de tudo e todos sem pudor algum. Ninguém nunca falou com ela assim e porque ele achava que tinha esse direito ?
O professor apanhou, novamente, o giz e se voltou ao quadro. Depois, ela, ainda atordoada pelo tratamento recebido, se sentou de volta em seu lugar
— Sabe copiar, senhorita Gilbert? – Perguntou.
Elena assentiu.
— Ótimo, se sabe copiar já temos menos complicações. Porque vou querer que copie os mandamentos da minha aula com algum aluno.
Prosseguiu em escrever.
Por mais que fosse um idiota, Elena tinha que aceitar além de extremamente lindo, o rapaz sabia explicar muito bem. Ela teve uma leve impressão de já ter visto aquela conta em algum conteúdo perdido do final do ano passado, onde provavelmente não havia entendido. Só que agora, ela não só teve facilidade em compreender, como também, em realizar os exercícios pedidos no caderno, sem a menor dificuldade. A única duvida rondando sua cabeça agora era clara e confusa. Será que havia entendido dessa vez por conta da maneira como ele explicava? Ou por simplesmente estar focada em prestar atenção? Mesmo que ficasse ela balançada com a primeira opção aquele cara era um demônio, parou a aula diversas vezes para discutir com qualquer aluno sobre algo estúpido que ele persistia em dizer que estava acontecendo. Caroline foi expulsa da sala nos primeiros vinte minutos, por falar demais. Não só ela, mas também a menina esquisita que lia aquele livro de romance e Matt, o namorado bonitinho de Rebekah, por mexer no celular. Não seria bem mais fácil tomar o telefone e devolver no final da aula, tirar o livro da garota e fazer o mesmo. E mudar Caroline de lugar, e coloca-la na frente, perto de sua mesa? Pra que complicar a situação? Pra mostrar quem ele tem poder? Quando todos sabem que sim! Homens... E ele ainda brigou com ela por tirar uma duvida depois da explicação, alegando que se houvesse prestado atenção não teria duvidas tão besta como aquela.
Mas Elena pode diversas perceber perante ao modo como ele explicava e o modo culto como ele falava, que o tenebroso Sr Salvatore possuía cultura, mesmo em pouco tempo na presença dele, esse adjetivo já se tornava tão obvio quanto sua beleza, e em graus altamente exagerados. Não era do tipo que conseguisse diferenciar o One Direction do Big Time Rush, mas sim, era um homem de cultura. Ele dava aula de matemática para o segundo ano também, Jeremy provavelmente gastaria seu tempo, assim que chegasse em casa, dizendo o quanto gostou do novo professor. Era sempre assim, seus irmãos eram malucos, tinham adoração por educadores do tipo de Salvatore. Carrancudo, intimidador, aqueles que a maioria considera um pesadelo; Vinham com uma desculpa boba de nerd dizendo que aqueles que são maus são os que explicam melhor, e se importam mais com quem realmente quer aprender e blá, blá, blá, blá...
Elena achou que seria sua imaginação lhe pregando uma peça, quando ao tocar do sinal, ela jurou ter ouço coros de aleluia. Todos saiam correndo, parecia uma cena de seriado policial, onde os prisioneiros encontram uma saída destrancada por conta de um enorme erro do carcereiro que se esquece de trancar a então porta. Antes que Elena pudesse sair e se juntar aos prisioneiros. A voz aveludada do homem sentado à cadeira principal ao meio centro da classe a chamou.
— Senhorita Gilbert, pode vir até minha mesa?
O que esse idiota queria comigo?
Elena esperou até que todos saíssem corredores a fora, para dirigir-se lentamente a mesa de carvalho marrom onde o homem se sentava. Se ele cobiçasse lhe dar uma bronca, ela não iria querer ninguém para presenciar.
— Algum problema, Senhor Salvatore?
— Ah... Não – Disse Damon levantando-se com um papel na mão. Dessa vez ele já falava calmamente, mas ainda sim de maneira fria. – Aqui está uma pequena lista do conteúdo que passei ultimo bimestre do ano passado. Quero que faça um resumo, bem pequeno. No Maximo cinco linhas pra cada um. É um trabalho que eu passo pra todos os alunos novos, saber o nível acadêmico que eles estão.
— Mas é meu primeiro dia...
— Justo – Disse ele franzindo as sobrancelhas. Voltou ao seu lugar. – Seu primeiro dia NA ESCOLA... E o que as pessoas fazem na escola, senhorita Gilbert?
Elena não achou nada para dizer, com cautela ele empurrou o papel em sua direção. Seu subconsciente implorava para não ser muita coisa, mas infelizmente, como Jeremy costumava dizer a sorte não estava com ela. Deve ter uns 10 temas aqui, treze para ser exata.
Sobressaltada, Elena nem percebera que o homem a sua frente continuava a falar, inexpressivo, como um robô sem sentimentos de um filme de ação.
—... Além é claro, que eu sempre acabo sempre voltando em temas antigos e vai ser bom para a senhorita saber, caso ainda não tenha aprendido algumas dessas matérias. Traga-me até o fim dessa semana, tudo bem?
Elena de imediato respondeu com um calmo e seco. ‘’OK’. Na verdade tão calmo, que ela mesma mal ouviu sair por sua garganta. Saiu da classe e acenou com a cabeça ainda desnorteada com o papel dobrado na mão.
O dia ainda nem acabou e ele já me dá um trabalho pra fazer? Que cara imbecil. Se a minha unha quebrar, esse vai ser um dos piores dias da minha vida... Deus me livre tudo menos minha unha.
Só o que bastava para ela fazer era prosseguir para mais uma aula, e torcer para que o próximo professor, ou professora não seja tão idiota como esse. Pelo visto esse ano passaria mais lento do que Elena poderia imaginar.
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