Matemática Do Amor

42 - Conhecendo as consequências.


Notas iniciais
POVOOO me desculpa, n postei semana passada. Advinha o motivo? Fiquei sem internet DE NOVO. Pior que isso só acontece nas vésperas do dias de postagem; Acho que o destino não querem vocês lendo :( fazer o que. Mas hoje, to aqui novamente. Em especial essa semana dedico há giovanna somerhalder, brenda e a cihh9 pelas recomendações. Tbm a maands, leh dobreva, smolderlice, anna, grazi, brenda e giovanna mais uma vez e a sabrina por terem favoritado, e estarem me ajudando a chegar a meta de cem favoritos. Lembrem-se... se essa fic é uma de suas favoritas, mas você esqueceu de favoritar, façam por favor e me ajudem. PS: Pra quem me perguntou no twitter, eu respondo aqui: sim a história da elena com o cabelo e o detalhe de quem tocar é o homem da vida dela kkk etc é sim uma referência ao casal luti e camila de tititi. Que tinha a mesma coisa, nela toda patricinha. Adorava o casal e achei aquilo tão fofo, q até hoje não me esqueço. Agr sem mais delongas, boa leitura moças.

– Não sei pra que sacos de dormir pra Elena. Duvido que ela queira ficar aqui depois do que você contar. DU-VI-DO.

– Rebekah menos. Menos, por favor. – Pediu Bonnie, embora soasse mais como uma ordem. Franziu as sobrancelhas ao atenuar-se nas palavras da loira. – E como assim ‘’você contar’’? Todas nós vamos contar. Nós três: Eu, você e a Caroline.

– Só vou avisando que se ela quebrar um móvel se quer da minha casa, você paga. – A ideia que Bonnie teve de fazer uma festa do pijama para que criassem a ocasião de contar para Elena era de fato brilhante. Mas quando disse que teria que ser na casa de Rebekah, o plano foi de genial para alarmante.

Entedia os motivos de Bonnie; A mansão dos Mikaelson era grande, o quarto de Rebekah também e além de tudo era longe do de seus pais o que deixava ainda mais perfeito para que ninguém ouvisse tão facilmente os gritos de raiva que Elena daria ao contarem.

Já estavam há pouco mais de vinte minutos arrumando o quarto e escondendo objetos cortantes ou na qual ela pudesse quebrar.

Elena terminava de fechar a mochila com o pijama e a roupa para o dia seguinte, além de objetos pessoais como maquiagem e escova de cabelo, de dentes. A mochila da escola, para amanhã, já estava no carro. Fazer uma festa do pijama na casa de Rebekah fora de longe a melhor ideia que Bonnie poderia ter tido.

Divertiram-se tanto no spar no outro sábado. Outro programa de garotas era o que precisava para se divertir e deixar a mente longe do que tanto a atormentava. Chegou a pensar que ela e Damon conversariam após o que aconteceu, mas não. Sentia como se não houvesse restado nada para se dizer. Falou tudo na frente de todos. Palavras não adiantariam mais nada, só restava esperar por ações. E até que alguém tomasse uma atitude às coisas continuariam como estavam.

Um esperando pelo outro e nenhum correndo atrás.

– Já tá indo Elena? – Perguntou Isobel enquanto a filha descia as escadas.

– Já. Eu não vou jantar não; A Rebekah disse que ia ter comida lá e eu não quero chegar muito atrasada. – Rebekah odiava seus atrasos, principalmente aos ensaios e compromissos das lideres. O que menos queria essa noite era ouvir uma gota de reclamação se quer.

– Ok então, divirta-se. – Sorriu a mãe e Elena retribuiu. As coisas entre as duas estavam melhorando. Aos poucos, é claro. Não era a primeira briga que tinham. Na verdade, viveram brigando durante a vida inteira, mas nunca ao ponto de ter a insultado como naquele dia.

Despediu-se de Isobel com um breve aceno e apanhou suas chaves indo para a garagem. Adentrou ao carro e seguiu em direção à casa de Rebekah. Embora que a loira odiasse seus atrasos, preferiu dar a volta pelo bairro e chegar um pouco mais tarde; Em Mystic Falls quando se está de carro, tudo é tão relativamente próximo por ser uma cidade pequena, e ela gostava de dirigir. Por mais horrorosa que fosse ao volante como o próprio Damon a dizia, aos poucos ia aprendendo mais e ganhando pratica. Nunca pensou que fosse gostar tanto.

Já se passavam das 20h30min da noite quando chegou à casa dos Mikaelson. A mesma lhe disse que haveria um dos empregados na fachada a esperando para mostrar onde estacionar seu carro.

Dito e feito, o simpático rapaz a guiou até a garagem, que ficava na parte de trás da mansão sem empecilhos. Já veio outras vezes até a residência de Rebekah, mas era sempre durante o dia, então o deixava estacionado na rua.

Preferiu deixar à mochila da escola no carro, e somente levar a com suas roupas e objetos pessoais.

Tocou a campainha e esperou alguns segundos.

– Até que enfim. – Disse Caroline a abraçando. – Entra... A gente já arrumou o quarto, já tá todo mundo lá.

– Todo mundo? Achei que ia ser só nós quatro.

– Modo de falar Elena. – Exclamou num suspiro tedioso. – Os pais da Rebekah concordaram em irem dormir mais cedo. As empregadas, vão levar o jantar no quarto pra gente daqui a pouco... E é comida japonesa.

– Comida japonesa? – Gritou animada quase a ponto de pular pela ansiedade. – Ai Deus, Tomara que tenha frutos do mar... Que saudades, que saudades, de uma boa lagosta.

Compartilhando de sua felicidade, Caroline sorriu:

– Pois hoje você vai poder comer todas essas coisas chiques que você gostava.

– Não brinca assim comigo, pelo amor de Deus. – Implorou a garota num tom zombeteiro. O objetivo era deixar Elena o mais feliz possível antes de contarem tudo. Por mais que sua intuição gritasse que não adiantaria, Caroline se mantinha calma em seguir tudo que fora planejado entre as três.

– Não to brincando, é serio. – Sorriu à loira, caminhando para trás de Elena. – Vem, deixa que eu levo a sua mochila. – Retirou o objeto das costas dela cuidadosamente. Por mais que tentasse, não conseguia parar de pensar no que aconteceria quando revelassem toda a verdade. Sabia que não seria bonito. – Vamos pro quarto.

Para sua sorte, Elena não parecia perceber sua inquietude. Disfarçava com sorrisos falsos e conversas animadas. Terminaram de subir a larga escadaria e seguiram para o corredor, repleto de portas. A mansão era realmente digna de uma realeza britânica.

Andaram até metade do corredor, parando a frente de uma soleira pintada em creme.

– Advinha quem chegou? – Perguntou Caroline abrindo uma fresta da porta do quarto, colocando somente sua cabeça para dentro. As outras duas garotas riram em respostas e a loira terminou de abrir a porta por completo.

Elena levantou os braços no alto e desfilou até o meio do quarto, onde Bonnie e Rebekah sentavam no chão forrado.

– Surpresa. – Gritou Elena bem humorada sentando-se junto a elas.

Ainda sorrindo, Bonnie a olhou de cima a baixo.

– Porque não tá de pijama? – Franziu a testa.

Em expressão irônica, Elena cruzou os braços.

– Você acha mesmo que eu ia sair de casa e vim pra cá vestida de pijama? Pra alguém me ver toda simplesinha com roupa de dormir? Não mesmo, né queridinha. Nem em um milhão de anos, por favor; Meu pijama tá na minha mochila. Daqui a pouco eu vou no banheiro e me troco lá.

Caroline se sentou junto a elas.

– A gente tem uma surpresa pra você. – Rebekah fez suspense.

– Pra mim? – Confusa Elena questionou o grupo apontando pra si mesma. Juntas as três assentiram alegremente. – O que é? – Perguntou não conseguindo conter seu sorriso.

Rebekah iria falar, mas Bonnie a interrompeu antes disso.

– Primeiro se troca, coloca o pijama. Tira toda essa maquiagem, e ai sim a gente conta.

Contendo um riso de indignação, Elena mordeu o lábio inferior e assentiu de maneira sínica para Bonnie. Esta que a desafiava com o olhar. Preferiu guardar o sarcasmo e a curiosidade dentro de si e fazer o que foi pedido. Queria muito se divertir essa noite. Precisava disso.

– Tá bom então. – Caminhou até sua mochila. – Querem fazer mistérios. Não gostei.

– Vai logo. – Zombou Caroline deitando ao chão.

Retirou o pijama da mochila junto a um creme para pele.

– Rebekah, você tem algodão aqui? Pra tirar a maquiagem.

Ela pensou um pouco.

– Tem no armário do banheiro... Também tem um creminho, pode usar se quiser.

– Precisa não, trouxe o meu creme mesmo. – Balançou o pote roxo até a altura de seu pescoço, mostrando para a amiga.

Preferiu retirar a maquiagem antes de colocar o pijama. Fechou a porta e procurou pelo saco de algodão num armário branco próximo ao vaso. Molhou o objeto com água e em movimentos delicados seguiu o procedimento. Em poucos minutos estava com o rosto limpo.

Não demorou muito até ver-se livre das roupas e colocar o pijama de seda de oncinha. Em grande semelhança com os outros que tinha, era bem curto no short e com um bojo agarrado ao busto na parte da camiseta.

Prendeu os cabelos num coque bem amarrado, deixando algumas mexas soltas na parte da frente. Retirou os anéis e os colares ficando apenas com o pequeno brinco de ouro branco.

Já que não tinha chinelos, ficar descalças era a única opção que lhe restava.

Saiu do banheiro com a roupa que vestia antes na mão, encontrando apenas Caroline no quarto.

– Cadê elas? – Olhou em volta em duvida, caminhando até sua mochila para guardar suas coisas de volta.

– Foram ver um negócio da comida. Pelo jeito nós vamos jantar como rainhas hoje.

– Sabe que se continuar desse jeito a gente vai ter que fazer isso toda semana. Isso e o spar também.

– Nem me fale. – Caroline suspirou inclinando a cabeça para trás.

Atingida pela lembrança, a loira já iria questionar a demora de Bonnie e Rebekah. Ambas saíram no segundo que Elena adentrou ao banheiro.

Antes que pudesse dizer algo, a maçaneta foi girada e elas voltaram com outras duas copeiras atrás.

– COMIDA. – Comemorou Rebekah assim que Bonnie lhe abriu a porta. Depois, direcionou-se para as serviçais. – Vou mostrar onde é pra deixar as coisas. Vem, entrem.

Em pressa, as outras duas levantaram-se. Elena para conferir se havia realmente lagosta e Caroline para ajudar as empregadas com as bandejas.

Uma baixa mesa de madeira foi posta no centro do quarto, para que o grupo pudesse sentar no chão e jantar ao redor do objeto. Mesmo que improvisado, criou um ambiente muito aconchegante quando começaram a refeição.

– Isso tá ótimo. – Gemia Caroline enquanto mastigava.

Elena as ensinava como se comia a lagosta.

– Aperta. – Disse para Bonnie que hesitante segurava o alicate com temor.

– Não vou conseguir, dá muito medo.

– É só apertar... E tem que segurar direito, você não tá segurando direito. Nem tá olhando a comida.

– É fácil Bonnie. – Confortou Rebekah ajeitando o alicate na mão da amiga. Ao contrario de Caroline e da própria Bonnie, Rebekah possuía mais conhecimento, embora segundo ela, fazia anos que não comia frutos do mar e nem comida japonesa.

Cada vez mais Elena pensava o quanto deveria conversar mais com ela; Ambas eram de famílias ricas e saíram de grandes metrópoles para uma cidade tão pequena e calma. Gostaria sim de conversar mais com ela sobre suas próprias experiências.

– AH, CONSEGUI. – O grito comemorativo de Bonnie a expulsou de seus devaneios. Trouxe a concentração de volta para o local e junto às outras garotas, que aplaudiram a menina pelo feito.

Cessaram as palmas e voltaram a comer aos poucos. O trincar do alicate contra o alimento era muitas vezes banhados por gritos de sustos e risadas, na maioria das vezes quando algum pedaço voava para longe. A ideia era divertir-se aquela noite e era um tamanho alívio quando percebia que estava cumprindo sua meta.

– Mudando de assunto. – Entoou Elena preocupada, captando a atenção do grupo, que antes fofocava sobre o possível rumor de traição do diretor Crow com a nova professora substituta de geografia. – Vocês falaram que tinham uma surpresa pra mim... Até agora não me contaram. Quero saber.

Com a volta da recordação, as três formaram uma expressão na qual Elena não conseguiu identificar com muita maestria o que significava. Pela falta de mistérios em seus rostos, exibiam que não se tratava de algo tão importante e sério quanto pensou; O que apesar de desapontá-la um pouco, ao mesmo tempo a deixava, aliviada. Não queria grandes emoções aquela noite.

Tudo que ainda desejava era se divertir.

Encarando-a de modo travesso, Rebekah caminhou até a cômoda ao fundo do quarto. Sem interromper o contato visual com Elena, abriu uma das gavetas retirando um DVD. Sua surpresa por ser tratar de um objeto tão inesperado fora obvia para qualquer um que a olhasse. Sem dar explicações à razão por aquele DVD. Em passos de dança, Rebekah voltou até a mesa balançando o quadril de modo exagerado, cantarolando desafinadamente uma música da Shakira.

– O que acha Elena? To treinando bem a sua coreografia. Olha só. – Apontava intensivamente para sua cintura.

Divertidas, as três riram pelo pequeno espetáculo e a loira sorridente sentou-se ao chão outra vez.

– Que DVD é esse, sua maluca? – Perguntou ainda em descontração. Sem impor muita força, jogou o objeto na direção de Elena que apanhou facilmente. Olhando por toda a extensão da caixa. – Project Runway quarta temporada? – Gargalhou em alto. – É minha temporada favorita. Não acredito nisso; Quem comprou?

– Eu. – Caroline sorriu orgulhosa, levantando o indicador. – Fui com a minha mãe num hipermercado fora da cidade. Tava pra vender e me lembrou de você na hora.

Mesmo que disfarçando a reação, Elena não pôde deixar de se surpreender com o ato. Era como se seu queixo realmente tivesse tocado o chão. Não era normal uma amiga lhe comprar um presente sem que fosse uma ocasião especial, como natais ou aniversários. E o fato dela ter comprado enquanto estava num mercado, gastando um dinheiro que poderia ser para mais comida era sim estranho.

Mas de certo modo, deixou-a agradecida emocionalmente. Demonstrando gratidão, abraçou a amiga e pronunciou em bom som seu sincero, muito obrigada. Quando se mudou, Caroline mostrava-se tão fã, tão admiradora que talvez aquele lado, que fora mais encoberto pela amizade que as quatro garotas desenvolveram... Talvez aquele lado tivesse voltado por um rápido momento.

Ou talvez fosse só o jeito acolhedor dos sulistas.

Em comemoração ao presente, todas concordaram de assistir ao máximo, dois episódios. Terminaram de comer e Bonnie desceu com Caroline para levar o resto dos pratos e alguns vestígios de sujeira. Rebekah ficou para ligar o aparelho de DVD e logo as duas voltaram. Seguindo todas para o banheiro escovarem os dentes e assistirem ao reality.

– Heidi é linda não é? – Comentou Bonnie em algum momento do programa. Elena concordava mais do que ninguém.

– Eu sempre quis ter um programa de moda. Quando eu soube que foi ela que criou o roteiro do Project runway, ela virou minha deusa.

Confusa, Caroline a encarou.

– Você nunca pensou em levar o blog pra TV, Elena? Eu li uma vez, que te ofereceram uma proposta pra isso, mas que você não aceitou. Até negociaram um salário enorme e você não quis. Por quê?

Em condição do inesperado, os olhos de Elena passearam ao redor procurando por algo que pudesse falar. Ainda sem encontrar de imediato, seus lábios abriram e fecharam-se por algumas vezes, sem emitir nenhum som que não fosse restos de soluços.

Até finalmente conseguir uma desculpa.

– Ah Caroline... Por favor. – Gaguejou exaltada. – Vai acreditar em tudo que saía na imprensa? Obvio que era boato falso. – Sua voz saiu intercortada. – Se eu tivesse realmente recebido um convite pra ter meu próprio programa de moda eu aceitaria na hora.

Conformada pelos argumentos, Caroline se calou e todas voltaram a concentrar-se na televisão atentamente.

O fato de ainda ter de continuar mentindo para as pessoas sobre um assunto na qual pensou que fosse passado, a deixava em completo alarme de estresse. Não que odiasse mentir sobre isso, nem fazia mais a diferença. O que realmente adiava era falar naquilo, pensar naquilo. Possuía plena consciência de que nunca conseguiria contar a ninguém a verdade. Não só sobre o programa, mas também ao detalhe de não querer dedicar o resto de sua vida à moda e fingir que via como uma ocupação de adolescente temporária. Mesmo sendo o que realmente amava fazer.

Tinha que ser assim.

Eram seus segredos. Eram seus sentimentos. Era sua vida; E só cabia a ela própria saber.

– Ah não, não só mais um episódio, Bonnie. – Reclamou Rebekah segurando o braço da amiga, tentando a impedir de desligar o aparelho.

– Já foram três. Chega.

Sem exercer muitos esforços, soltou-se das mãos de Rebekah, cambaleando até a prateleira à frente. Por mais que pensasse a cada instante, ainda sim não possuía a mínima de ideia de como introduzir a conversa com Elena. Bonnie não era ingênua o bastante para achar que ela ouviria e já no primeiro argumento, seus gritos e sua raiva cessariam-se. Essa não é nenhum pouco a personalidade de Elena, que de doce, carinhosa e compreensiva não tinha nada.

Era necessário que fosse logo. As circunstancias exigiam que todas estivessem dispostas o bastante para a situação. Olhou ao relógio de seu celular. 23h17min da noite; Assustou-a de inicio, não imaginava que já houvesse passado tanto tempo desde que todas chegaram.

Junto a Caroline e Rebekah, combinaram um tipo de sinal para que todas soubessem que estava na hora. Queria que estivessem prontas. Que pensassem em argumentos. Planejassem o que falar para não haver brechas ou algo sair mal compreendido.

E não poderia haver espaços para erros.

Seguindo o protocolo, Bonnie piscou de maneira sugestiva para Caroline que logo entendeu do que se tratava. De todas, Caroline era a que mais temia por algo de ruim. Não gostava de chamar o que sentia de intuição, apenas um senso crítico de realidade. No entanto, era muito tarde para voltar atrás. Elena observava as próprias unhas deitadas num dos sacos de dormir, enquanto Rebekah prendia o cabelo num rabo de cavalo em frente a um dos espelhos. Dando continuidade ao inicio do plano, Caroline caminhou até a outra loira lhe esfregando os ombros. Esta que após o toque ficou séria. Observando o reflexo das duas pelo espelho e esvaziando o olhar domado pela tristeza e medo do que estaria por vim naquela noite do pijama.

– O CD já ta lá dentro? – Sussurrou para Rebekah, o mais baixo possível. Discreta, a britânica assentiu e a outra respirou fundo e caminhou até a outra ponta do quarto logo em seguida.

A ideia era deixar Elena o mais relaxada possível antes de revelarem a verdade. Seu dedo indicador tremia ao apertar o botão do radio. No primeiro dia de aula, Bonnie e Rebekah fizeram um questionário básico sobre os gostos de Elena. Caroline como acompanhava a carreira da mesma, era conhecedora de praticamente todas as respostas. Mas ficou calada e ouviu, enquanto ela respondia normalmente, afinal devia ser tão acostumada a questionários pela quantidade de entrevistas que devia fazer todos os dias. Numa das perguntas de Rebekah sobre musicas, Elena disse que não era das maiores fãs de musicas mais moderna, mas que havia uma canção pop que sempre a fazia dançar.

Só a Bonnie mesmo com essa genialidade e observação para ser capaz de lembrar-se de detalhes como aqueles.

Devagar, o ritmo calmo da melodia saindo da pequena caixa de som fora atingindo todo o cômodo. Em um leve compasso, Caroline caminhou até o centro do quarto balançando as pernas para frente e para trás, lentamente.

http://www.youtube.com/watch?v=6ge53QaDpKQ

– I hate the world today. – Cantou a primeira frase na voz de Meredith Brooks e Elena reconheceu de imediato. Levantando-se apressada no colchão de ar.

– Adoro essa musica, não tira. Deixa aí. – Ordenou já adentrando ao ritmo, deixando suas mãos adentrarem por seus cabelos já soltos. De olhos fechados, cantarolava baixo. – I know, but i can’t change.

Novamente com o protocolo, Rebekah acelerou o ritmo apanhando em rápido as quatro escovas de cabelo que Bonnie havia pedido que guardasse. Fechou a gaveta com a cintura equilibrando os objetos dois em cada mão. Entregou a Elena uma escova que de olhos fechados a começou a fazer de microfone, repetindo o mesmo processo com as outras e consigo mesmo; Desacompanhadas uma da outra, começaram a cantar e balançar o corpo timidamente, junto à voz ao rádio.

– Yesterday i cry. You must have been relieved to see the softer side. – Em mais contato e intimidade, os movimentos antes recuados e as vozes antes baixas, cresciam em altos uníssonos de canto e danças ostentosas. – I can understand how you’d be so confused. I DON’T ENVY YOU. – Gritando em alto, correram em direção à cama onde os conjuntos de pernas pulavam alto sob o colchão no máximo que podiam, extravasando toda a energia que tinham para a melhor parte: O refrão. – I’M A BITCH. I’M A LOVER. I’M A CHILD. I’M A MOTHER. I’M A SINNER. I’M A SAINT. I DO NOT FEEL ASHAMED. I’M YOUR HELL, I’M YOUR DREAM. I’M NOTHING IN BETWEEN, YOU KNOW, YOU WOULDN’T WANT IT ANY OTHER WAY.

Na continuidade da musica, os pulos iam diminuindo sua altura e um pequeno cansaço e falta de ar também vinham se apresentando. Para Elena era nada do que apenas consequências das risadas altas e das vozes estridentes cantando tão alto. Não era de relaxar e ficar deitada assistindo televisão. Isso poderia fazer em casa, mas também não podia se estressar.

Outro problema para si e mais um pensamento para seu cérebro seriam cruéis a sua sanidade. O que realmente desejava era isso que tinha naquele exato momento. Apenas se divertir com suas amigas em uma noite de garotas, igual ás que fazia aos treze anos.

Pular numa cama grande e confortável ao som de uma musica de infância com uma escova de cabelo a mão direita sendo usada como se fosse um microfone. E era ali naquele microfone/escova na qual Elena poderia gritar. Mesmo que fossem as palavras de uma musica, ainda sim era algo onde poderia ser estridente.

– CHEGA, CHEGA. – Ofegou Caroline correndo até o radio e o arrancando da tomada.

Todas ainda recuperavam o ar perdido.

Rebekah recolheu as escovas as colando no criado mudo, substituindo por garrafinhas d’água postas também ao móvel.

– Acho que a gente tá ficando velha. A música tem nem cinco minutinhos direito e tá todo mundo nesse estado.

Elena de inicio estranhou as águas estarem ali justo quando precisavam. Assim de maneira tão coincidentemente. Preferiu não questionar. Provavelmente as meninas raciocinaram no caso de alguém ficar com sede e não precisar ir até o banheiro no meio da noite.

Sim, foi isso. Pensou Elena bebendo um longo gole.

– Dá uma folga também não é, moça? Faz séculos que eu não faço isso. – Disse ela molhando o rosto com o pouco de água na mão em contato com o plástico.

Bonnie a imitou.

– Mas que foi legal foi. Fazia tempo que eu não ouvia essa musica.

– Já eu... Só podia escutar música assim escondida e olhe lá. – Exclamou Caroline voltando para a cama. – Minha avó só permitia que eu ouvisse música religiosa. Tirando isso ficava de castigo.

Em estranheza, Elena benzeu-se.

– Eu nunca teria sobrevivido sendo neta da sua avó.

– Ninguém teria sobrevivido sendo neta da minha avó. Só eu mesmo.

– Lembra quando ela invadiu o baile? Junto com as outras velhinhas da igreja? – Perguntou Rebekah para o grupo que, exceto por Elena, assentiram em lembrança. – Noite horrorosa. O pior baile que já teve. Um desastre.

De algum modo confuso, Elena não entendeu.

– Mas por que ela fez isso? Não tem sentindo nenhum... Invadir um baile? Pra que?

– É que na época tava em pratica uma lei que impedia os menores de dezoito anos de ouvirem musica que não fosse cristã. Mas ai aconteceu um monte de reclamação na cidade e a lei foi abolida.

A normalidade na voz de Bonnie ao responder aumentava ainda mais o choque na mente de Elena. Era simplesmente uma das coisas mais absurdas que já havia ouvido. Uma lei que proíbe músicas? Já havia ouvido falar que grande parte das cidades do sul possuíam leis muito conservadoras e atrasadas ao tempo. Desde políticos religiosos que queriam a proibição do sexo oral até, novamente, outros políticos religiosos que apoiam a volta da escravidão.

Em momentos assim pensava não em Damon, mas sim em Stefan. Não o conhecia; Viu apenas algumas fotos de infância/adolescência. Imaginar toda uma cidade assinando petições para exigir que fosse expulso da cidade por conta de uma orientação, ou melhor, condição... Se contasse algo assim para um Nova-iorquino sem o mínimo de contato com o mundo mais monarca posto em tempos atuais, ele provavelmente pensaria que você saiu de uma máquina do tempo.

– Isso é completamente doentio. – Concluiu seu pensamento sem pudor.

Bonnie de alguma forma percebeu o quanto aquela simples conversa incomodou Elena. Não sabia identificar a razão. Afinal como ela imaginaria que se tratava da família de Damon? Não havia como; Nem mesmo Bonnie era tão idealizadora assim, por mais esperta que fosse ainda não conseguia entrar na cabeça das pessoas.

Não podia esperar até que ela voltasse ao seu normal e também não seria recomendado continuar aquele assunto e a deixar mais agitada. Não podia mais esperar.

Tentou ao máximo não expressar toda a tensão que seu corpo encontrava-se.

– Elena. – Começou chamando-a. Elena direcionou o olhar para a amiga. – A gente precisava falar uma coisinha com você. Pode ser agora ou você tá com sono e quer dormir?

Sem perceber a gravidade no tom da amiga, ela simplesmente balançou os ombros em resposta.

– Não, eu to bem. Pode falar. É importante?

Silêncio.

– Um pouquinho. – Palpitou Rebekah, pensativa. Elena já conseguia abranger que se tratava de algo sério.

– Tão me deixando preocupada. O que é? Fala logo.

– Só promete pra gente que vai tentar manter o controle... Ficar calma, ouvir... – Disse Caroline, numa imitação perfeita de uma psicóloga. Serena, pacifica, querendo transmitir a mesma tranquilidade para o paciente. Ou no caso, Elena a amiga. – Já é difícil falar e com alguém gritando no nosso ouvido vai ser bem pior.

– Pode falar. Eu aguento. – Garantiu segura de si.

Sem coragem, Caroline se calou e encolheu os ombros para dentro. Rebekah que tentava pensar em algo, poucas vezes viu sua mente tão em branco. Bonnie que sentava ao meio delas parecia mais em alivio. Talvez para não passar nenhuma sensação agitada para Elena, que por dentro já estava numa leve agitação. Ainda estavam na cama; Rebekah do lado esquerdo de Bonnie, Caroline do direito e Elena na frente, de costas para a cabeceira da cama e a parede na qual ficava encostada, bem no meio do quarto.

Posição perfeita. Onde Elena podia observar a expressão e postura das três e as três observar as dela.

Bonnie podia sentir sua garganta fervendo de ansiedade. Desceu uma grossa saliva e apertou um pouco o pescoço massageando a área. Era como se sua voz tivesse se auto impedindo de sair. Só voltou a encarar Elena quando se sentia bem o bastante para continuar e falar.

Mesmo que lenta e hesitante, já agradecia apenas por conseguir dizer algo.

– Já tem um tempinho, mas... A gente já sabe sobre o que você e o Damon tiveram.

Diferente a reação inicial de Damon, o choque, o medo e a negação não estavam expostas ao rosto de Elena. Ela simplesmente arfou o peito e abaixou os olhos por poucos segundos.

– Como descobriram? – Falou seca.

Bonnie tentou não se intimidar.

– O Tyler descobriu e...

– O TYLER? – Gritou em pavor. Agora estava oficialmente com medo. – Como assim o Tyler? O Tyler é irmão do Mason. A família dele odeia o Damon... Vocês tem noção disso? Vocês...

– Elena, Elena calma. – Pediu Caroline. – Já tem um tempo que a gente sabe. O Mason nem desconfia... Nada de ruim aconteceu até agora e nem vai acontecer. Calma, fica calma.

Confortada pelas explicações da loira, Elena acalmou-se. As inúmeras possibilidades que passaram por si quando o nome dos Lockwood foi incluído, se multiplicaram em números fora do controle. Damon estaria arruinado se isso chegasse aos ouvidos de mais alguém naquela família. Se já era assustador para si, não queria nem ao menos imaginar como seria para Damon em caso descobrisse.

A voz intrigante de Rebekah a situou de volta para o assunto.

– Você não parece tão apavora por a gente tá sabendo. Só pelo Tyler, mas por nós... Não. Porque ficou tão tranquila quando a Bonnie contou?

A resposta era muito simples.

– Já faz um tempo eu já tava morrendo de vontade de contar a verdade pra alguém, mas não podia. Não sabia como ia ser a reação de vocês e nem de qualquer pessoa que eu falasse. E agora que vocês sabem; Vocês parecem tão tranquilas com isso e me alivia saber que... Eu posso dividir o que aconteceu com alguém e antes... Eu não podia arriscar.

...Se não eu o perderia. Pensou ela completando seu desabafo. Respirou fundo e fechou os olhos, sentindo-se realmente mais leve por poder ter dito o que estava tão entalado na garganta. Era bom. A sensação era boa; Perguntava a si mesmo se fora o mesmo que Damon sentiu ao contar a verdade para Rose. Se fosse, conseguia entender o porquê dele ter dito. A sensação era ótima. O gosto da verdade nunca lhe fora tão bom.

– A gente entende Elena. Ninguém tá aqui pra julgar você. – Bonnie a assegurou. Estava tão distraída na sensação de desabafo, que não reparava na culpa carregada na fala e expressão da amiga. Não só dela, mas também em Rebekah e Caroline. Mesmo assim, o foco precisava se manter e ainda tinham de contar a verdade. – Só que... Eu não sei se você percebeu, mas eu disse que... Sabia o que você e o Damon TIVERAM. Também já sei que vocês terminaram.

Involuntariamente, aquilo surpreendeu Elena. Não demonstrou, ficou estática apenas analisando. Perguntava-se o que mais elas sabiam. Imaginou que tivessem descoberto tudo ao verem ela e Damon se beijando em algum lugar escondido ou outra coisa no tipo. Mas o fato de saberem de detalhes tão recentes a deixava em alerta.

Havia mais coisas para se contar, sem duvidas.

– E como vocês descobriram isso? Foi o Tyler também? – Sugeriu indelicada, deixando as outras três em nervosismo.

Bonnie continuou:

– É por causa disso que a gente quer conversar com você.

– Pois eu não to gostando nada do rumo dessa conversa.

– Só escuta e se acalma. – Interveio Rebekah, num tom mais paciente do que o normal para ela. Cada vez ficava mais obvio que se tratava de algo muito serio.

Elena começava a questionar as intenções daquela noite do pijama.

– Posso continuar? – Bonnie indagou retoricamente. – Quando a gente descobriu. Quer dizer, quando o Tyler descobriu... Ele foi contar pra nós e todo mundo ficou em choque, depois...

– Calma aí, calma aí... – Confusa Elena a interrompeu. – Além de vocês e do Tyler que mais sabe? O Matt? O Mason?

Rebekah suspirou em tédio.

– Só o Matt. Mason não sabe de nada, esquece o Mason. Presta atenção na Bonnie, na Bonnie.

– Bonn, continua, por favor. – Pediu Caroline tentando disfarçar sua ansiedade.

Bonnie, não respondeu de imediato. Ficou calada com os olhos focados em Elena. Esperava de alguma forma conseguir passar segurança para ela; Elena nervosa poderia agravar as consequências em um nível muito maior e inesperado do que queriam. Não adiantou em nada. Elena fugia de seu olhar como uma presa que corre do caçador; Se queria transmitir segurança teria de ser em sua fala, em sua postura, em sua explicação.

A única coisa para qual rezava era para que nada de trágico acontecesse. Cada vez mais sua intuição via esse desejo como impossível.

– Continuando... – Disse após um alto suspiro de tristeza. – Quando o Tyler contou todo mundo ficou muito chocado e completamente sem saber o que pensar. Até eu que sempre tenho uma resposta pra tudo, fiquei sem reação. Você entende Elena? – A angustia na voz de Bonnie dava força a pensamentos na qual não gostaria de ter. Contrariada por si mesma, Elena assentiu a pergunta da amiga e não disse mais nada; Não queria falar até que possuísse as respostas necessárias. – Então... Depois todo mundo conversou e o que a gente concluiu não foi muito bom. Você deve tá se perguntando o que foi não é? – Dessa vez não assentiu. Era obvia a resposta, bastava olhar sua expressão. – A primeira coisa que veio na minha cabeça e acho que na cabeça de todo mundo foi...: O que vai acontecer quando todo mundo descobrir? E as respostas assustaram... Assustaram muito. O Damon ia poder ser preso, e por causa da sua posição era provável que isso vazasse no mundo todo... Sua carreira ia se encher de escândalos e o Damon ia ser crucificado pelo país inteiro. A gente não queria isso, Elena. Nem pra você, nem pra ele.

– E vocês acham que eu não sei disso? – Gritou Elena, quebrando seu voto de silencio. – Eu pensava nisso o tempo inteiro. Todos os dias... E ele também. Foi uma coisa que aconteceu, não foi planejado, não foi de uma hora pra outra. Só aconteceu.

Ao contrario de Elena, Bonnie não parecia alterada.

– A gente já disse que entende Elena. E ninguém aqui, nenhuma de nós queremos saber como aconteceu ou como começou. – Explicou calmamente. – A questão aqui... É como terminou.

As sobrancelhas de Elena se levantaram.

– Não entendi. Vocês querem que eu conte como a gente terminou? É isso?

– Não. – Interveio Caroline em desespero.

– Bonnie, conta logo. Acaba com isso. – Sussurrou Rebekah com a mão a frente da boca. Apesar de ter escutado, foi da preferência de Elena não insistir por uma explicação.

Qualquer reação exagerada e fora de controle poderia fazer com que Bonnie desistisse de dizer ou até mentisse para si. Apesar de ter um ótimo para mentiras, ainda sim queria a verdade.

Em rendição ao pedido de Rebakah, Bonnie voltou a falar. – Elena o que você tem que entender é que aqui é Mystic Falls. Aqui é a Virginia onde tem as cidades mais tradicionais do país. – Disse ela, completamente focada. Transmitindo toda sua paciência e precisão. – Fofoca sempre é descoberta e todo mundo fica sabendo em menos de um dia; Pra você ter ideia, se uma menina sai de casa usando um short muito curto, ela fica mal falada. É assim que as coisas funcionam aqui. – Aos poucos o nervosismo a tomava outra vez. Era sempre assim quando sentia que estava chegando perto. – E por causa desse medo do que poderia acontecer com vocês... Eu e o pessoal... A gente... A gente bolou um plano.

Plano. Pensou Elena já sentindo todo seu sangue correr de volta para o coração. Somente a introdução das palavras de Bonnie já lhe fez efeito suficiente para que a inspirasse a gigante vontade de pular em cima do pescoço das três e gritasse ameaças para dizerem o que realmente aconteceu. Involuntariamente as reações de seu corpo vieram ao mesmo segundo que ouviu tais palavras. Seus olhos arregalaram-se, sua mão direita tremia levemente e suas sobrancelhas se franziram.

Esforçando-se para não gritar, engoliu em seco cada saliva que sua boca produzia. De novo, não falou nada, apenas deixou claro o que sentia em seus olhos, que agora se familiarizavam a de uma pantera na noite mais escura. Não sabia quanto tempo tinha até que realmente explodisse. A pior parte era que sentia que ainda havia muito que se ouvir.

– O que vocês fizeram? – Foi tudo que falou. Gentileza e paciência eram as ultimas coisas que conseguia transmitir.

Caroline abaixou a cabeça, sussurrando palavras de oração na qual Elena não se concentrava em escutar. Com a agitação presente em si, Rebekah girava o anel de compromisso dado por Matt em um de seus dedos. Sentia-se como um barril já cheio por água; Já era impossível se manter parada e esperando a bomba explodir, se Bonnie não tivesse coragem, ela mesma diria. Não aguentava mais.

Agora era Bonnie que não conseguia encarar os olhos de Elena. De algum modo era como se a amiga já soubesse, apenas precisava ouvir, confirmar realmente e deixar a ficha cair. Qualquer frase batida não era capaz de explicar seu medo. Medo esse que não se vinha em caso de Elena lhe bater ou da fúria e vingança que ela teria depois, quem sabe até com Damon a ajudando. O que engrenava seu medo era a constante sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer por conta do que iria contar.

– O QUE VOCÊS FIZERAM? – Elena perguntou, gritando impaciente. Os olhos fechados já sentindo o salgar das lagrimas o cobrirem.

Bonnie também fechou os seus. Era covarde demais para conseguir a encarar.

– Naquele dia na escola, quando você apresentou a sua coreografia pras meninas, dia que ele terminou com você até. – Os olhos de Bonnie voltaram a se abrir, encontrando os de Elena também abertos e já lacrimejados. – Depois da aula do Damon, na hora do intervalo, a Caroline e a Rebekah disseram que tinha um problema com as posições do time e que queriam você pra ajudar. Lembra, disso? – Mesmo que a memória mais presente daquele dia fosse o termino com Damon e a explosão da noticia de sua falsa mudança na internet, à recordação sobre aquele detalhe ainda era viva em sua memória. – Aquilo era um pretexto que a gente inventou pra... Tirar você de perto e pra mim, pro Tyler e o Matt ficarmos sozinho com ele na sala. Lá a gente contou tudo. Contamos sobre o nosso plano. Contamos que queríamos tira-lo da tua casa e sobre o que cada um fez pra contribuir. Disse a minha parte, da sua, da Caroline, do Tyler... De todo mundo, foi isso.

– Mentira. – Acusou Elena voltando a gritar. – Isso não seria motivo suficiente pra ele terminar comigo. É mentira.

– Você não me deixa terminar. – Rebateu Bonnie ofegante. – Só que, além disso, nós também contamos sobre o seu planozinho secreto, escondido da gente, pra fazer com que ele bebesse de novo e tentar destruir a vida toda do cara. – Disse cética. Todo aquele sarcasmo na voz de Bonnie mesclava com o peso da realidade em suas costas, piorando suas lagrimas.

– Bom plano o seu. Tem mais ou acabou? – Retribuiu a ironia.

Mas para sua surpresa, a resposta fora diferente do que imagina.

– Tem muito mais. – Afirmou de boca cheia. Como se possuísse orgulho pelo fato. O rosto de Elena transformou-se em puro ódio. Era como se Bonnie estivesse embriagada, só que ao invés de álcool era pela vergonha. – Até ai a gente só disse a verdade, mas... A verdade não era o suficiente pra esse relacionamento de vocês, acabar. Você ia dizer o que realmente aconteceu. Que você acabou se apaixonado por ele, contar que tava arrependida e depois de um tempo ia te perdoar. – Mesmo não querendo, Elena tinha de concordar com ela. Contando a verdade para Damon sobre o quanto se arrependeu e sobre estar apaixonada, ele provavelmente poderia a perdoar. Ficaria com um pouco de raiva no inicio e demoraria até reconquistarem a total confiança, mas... Ainda sim, suas chances seriam maiores. Quem sabe ele poderia ter lhe oferecido uma oportunidade para se explicar, ao invés de só a acusar sem a chance que falasse nada, como fez naquele carro. – Eu tinha que encontrar um jeito com que ele não acreditasse no seu perdão, como se ele pensasse que era outra mentira. Foi ai que eu tive essa ideia: O plano era simples. Rebekah e Caroline distrairiam você enquanto eu o Matt e o Tyler, estaríamos na sala do Damon.

– Disso eu já sei. – Elena bufou impaciente.

Sem importar-se com a pressa dela, Bonnie não acelerou seu ritmo. Teria que contar passo a passo.

– Primeiro... A gente contou a verdade, sobre o meu plano, sobre o seu etc.

– Também já sei sobre isso. Você já me explicou, e eu já entendi. O que eu quero saber é depois. O que aconteceu depois?

Olhando para o alto, Bonnie coçou rapidamente a cabeça, voltando os olhos para Elena aos poucos.

–No começo a gente também se fez de desentendidos. Como se já acreditássemos que o Damon soubesse do que aconteceu. Como se pensássemos que ele já tava a par de tudo e que você teria dito a verdade há algum tempo.

– Eu? – Elena apontou para si mesma, com nojo. – Como vocês fizeram isso? Como fizeram ele acreditar nesse absurdo? – Perguntou cada vez mais indignada.

– Quando ele perguntou o que nós queríamos, dissemos que era pra pedir perdão e que eu principalmente queria muito me desculpar pelo meu plano e que foi totalmente incorreto e que estávamos felizes por ele ter nos perdoado. Logicamente, quando nós falamos isso, o Damon não entendeu nada, fez um monte de pergunta, a gente se fez de desentendidos mais uma vez e confessemos que já sabíamos do namoro de vocês dois.

– E ele?

– Ele ficou louco. Todo nervoso, agitado, em desespero. Só se acalmou quando a gente garantiu que não ia contar pra ninguém. Depois disso, nós insistimos em perguntar se ele realmente não sabia de nada sobre o plano, sobre a suas intenções antes de namorarem e ele disse que não tinha nenhuma ideia do que a gente tava falando. O que era obvio porque eu tinha certeza que você não tinha contado nada pra ele.

– Como sabia? – Rosnou em fúria.

– Era obvio. Você ficou toda estranha naquele dia no refeitório quando contou a verdade sobre o seu plano pra gente... E aí quando a Rebekah ficou preocupada sobre o Damon poder descobrir, você praticamente se desesperou com a possibilidade. Eu sou esperta, Elena; Juntei os pontos. Só isso.

Caroline retirou alguns fios de cabelo de seu rosto.

– Elena isso não vem ao caso agora. Continua Bonnie.

De certo modo, tanto Elena quanto Bonnie aos poucos se esqueciam da presença das outras duas ali. Caroline e Rebekah encarregaram-se de distraí-la e não estavam junto ao resto do grupo na sala com Damon. Profundamente, o que Elena se perguntava era sobre Tyler e Matt.

Será que eles sabiam sobre o que tava acontecendo ali?

O retorno das explicações de Bonnie a despertou de sua mente.

– Quando o Damon assegurou que não sabia de nada, eu expliquei pra ele sobre o plano e que eu queria pedir desculpas sobre ele. Mas isso você já sabe. Depois eu falei do seu plano, mas isso você também já sabe. A mentira só começou a acontecer mesmo quando a gente inventou que... Desistimos da ideia toda quando o Tyler descobriu que o Damon foi expulso de casa, não por nenhum escândalo ou segredo dele e sim por que se tratava sobre o irmão mais novo, o Stefan.

– Então não contaram sobre a Rose?

– Não. Se contássemos sobre a Rose ele mataria a gente. Sem chance. – Replicou Bonnie, tão certa e rápida que fez Elena sentir como se houvesse dito um absurdo. – Contamos que quando resolvemos desistir, você ficou muito nervosa e que não concordava de jeito nenhum, mas que de um dia pro outro, de repente, resolveu aceitar.

Outra vez as duvidas atingiram Elena.

– Por quê? – Havia algo que ainda não conseguia compreender completamente.

– Como nós dissemos que pensávamos que você tinha contado toda a verdade pra ele, e revelado pra gente que tinha mudado seus planos, nós meio que... Encontramos um jeito de tentar manipular o Damon pra que ele acreditasse que você só contou a verdade pra nos despistar, inventando que tinha dito tudo pra ele, assim... O Damon acreditaria que...

– Eu ainda estaria com meu plano de pé. – Completou Elena completamente atônita. Não precisava ouvir mais nada. Tudo fazia sentido; Assim Damon acharia que o namoro dos dois era só para que seus ‘’objetivos’’ se concretizassem em algo pior do que somente o fazer voltar ao vicio. Talvez até inventar que havia sido seduzida e abusada por ele de algum modo. Diante a adivinhação de Elena, Bonnie finalmente ficou calada. As palavras principais já haviam sido tiradas de seus lábios. – Vocês são loucas. – Gritou em brasa, levantando-se da cama e carregando toda a sua fúria consigo. – Como vocês puderam fazer isso comigo? Vocês não tinham o direito de se intrometer na minha vida desse jeito. Não só vocês, mas... O Matt... O Tyler.

Apressada, Rebekah a seguiu até o centro do quarto.

– Elena... A gente disse todas as nossas razões, a Bonnie explicou porque fizemos isso, disse tudo. Tenta entender, não foi fácil pra nós também.

– Não foi fácil pra vocês? – Repetiu irônica. – Nem se quer ousem em comparar o sentimento egoísta de vocês com o que eu senti.

Depois, foi à vez de Caroline se aproximar. Em ânsia para que ao menos a ouvisse.

– Nós tivemos medo por você... Tivemos medo por ele também. Só queríamos evitar o pior pros dois, era pra proteger vocês.

– POIS FALASSEM COMIGO PRIMEIRO. – Sentiu como se houvesse explodido. – Nós podíamos ter planejado alguma coisa juntos, mas não. Vocês preferiram destruir o meu relacionamento com o ÚNICO homem que eu já amei na vida.

O silencio se arrastou profundamente. Não havia respostas que pudessem encobrir ou parecer forte o suficiente para derrubar aquele argumento. De certo modo, o remorso e a vontade de ter feito diferente se tornava clara.

– E se tivesse um jeito de você conseguir ele de volta. – Anunciou Bonnie ambiciosa. Sem compreender o sentido daquela frase, os olhares confusos de Elena se voltaram para a menina que andava até o resto do grupo. As outras duas já pareciam entender aonde Bonnie queria chegar com o que articulei. – Se... Eu me comprometesse a contar, tudo que eu te falei agora pro Damon, ele provavelmente iria te perdoar. Vocês conversando direitinho, colocando a verdade em jogo. Ele ia ver que os dois são vitimas disso que aconteceu e pronto... O Damon é seu de novo. – Disse com um sorriso de orgulho nos lábios.

Era como se o queixo de Elena fosse ao chão de tanto nojo e desprezo que sentiu.

– Então calma aí. Primeiro vocês inventam tudo isso. Depois acabam com o meu relacionamento e agora... Querem me chantagear? Que diabos vocês pensam que eu sou?

– Elena... – Caroline tentou a interromper.

– NÃO. Para, não aguento mais ouvir. Aposto que vocês se sentiram culpadas, vieram me contar e pra tentar amenizar a situação depois, inventaram pra me propor um absurdo desses.

Basta. Sua mente inteira berrava. Andou em passos apressados até sua mochila não se atendo em trocar o pijama por uma roupa descente. Iria embora assim mesmo.

Rebekah cruzou os braços, equívoca.

– Aonde você vai? – Perguntou.

– Pra onde você acha? Vou embora. Não aguento ficar mais um minuto aqui.

Caroline preocupou-se.

– Elena para com isso, se acalma primeiro. Espera até amanhã quando você tiver mais calma.

– Amanhã? Como você quer que eu espere até amanhã, Caroline? Não consigo ficar nesse lugar, olhando pra cara de vocês sem sentir nojo. É impossível. – Disse sem poupar escrúpulos. Não sentiu arrependimento em sua fala; Era a mais pura e sincera verdade que poderia expor. Passou a mochila aos ombros apanhando a chave de seu carro em um dos bolsos laterais.

– Fica Elena. – Pediu Bonnie, por incrível que possa parecer se mantinha paciente. – Escuta a Caroline e fica... Se você quiser a gente até vai pra outro quarto. Essa casa é enorme, Elena. Fica aqui.

Não respondeu. Não precisava contestar em palavras, atos era o que necessitava fazer. Sem desviar de sua escolha, apressou-se até a porta ainda ouvinte dos protestos das amigas. Correu em caminho ao corredor tão rápido que as escadas vieram em seu campo de vista no mesmo segundo.

– Elena volta. – Implorou Caroline logo atrás de si a escadaria. Bonnie e Rebekah também vinham atrás, igualmente aceleradas.

Rebekah fez sua ultima tentativa.

– Elena, para. A gente promete mudar de quarto, mas, por favor, fica.

– Já disse que não, me deixem em paz. Que droga. – Desistiram de tentar. Cessaram seus passos e ficaram paradas em meio aos degraus, somente a assistindo ir embora. Elena estava em um ponto onde não ouviria ninguém exceto a si mesma.

Sem deter sua pressa, desceu as escadas e correu até a cozinha em busca de algum empregado que lhe pudesse abrir a porta. Economizou salivas com todos em seu caminho e sabia que futuramente se arrependeria por ter sido grossa com quem não tinha culpa de nada. Era impossível voltar para aquela sala e vê-las ali a esperando; Preferiu optar sair pela porta dos fundos, onde uma simpática faxineira ofereceu sua ajuda até a garagem.

– Tem certeza de que já vai tão cedo? – Perguntou a mulher ao vê-la adentrar ao carro. Elena não atentou em ouvir. Era impossível para ela concentrar-se em algo que não fosse ódio.

– Tenho sim. Preciso ir agora, mas obrigada pela ajuda. – Fora tudo que conseguiu dizer. O portão da garagem se abriu e após alguns segundos, o da frente também.

Não poupou freios e deu a partida tendo a certeza de que marcaria o piso daquele lugar. Burra, burra, burra. Pensava ela enquanto socava seu volante. Considerava-se uma idiota por não ter percebido. Quer dizer, como Damon descobriria todas aquelas informações se não fosse por um deles? Bonnie, Tyler, Caroline ou qualquer um. Estava tão abalada com o que aconteceu que nem fora capaz de pensar mais a fundo.

E se contasse tudo a ele? Damon acreditaria? Voltariam a ficar juntos? Provavelmente duvidaria de sua palavra. Mesmo assim, não iria ceder a ideia de Bonnie. Ainda tinha seu orgulho e se dependesse de si, nunca mais dirigiria uma palavra àquelas pessoas.

Seus olhos afogavam-se em lagrimas. A concentração era focada em seus arrependimentos e não ao volante. Queria tanto voltar atrás e desejar que nada daquilo houvesse acontecido. Queria tanto a chance de poder ter feito diferente; Amado mais, insistido mais, desconfiado mais. Queria ter dito mais eu te amo, queria ter provado mais seu amor ao ponto onde nenhuma simples mentira poderia abalar a confiança que Damon tinha em si.

E vice e versa.

Queria a confiança que ele tinha com Rose. O fato era que mesmo depois de tudo, eles continuavam amigos. Já os dois, com só um boato alheio ele mal a olhava.

Nunca teria com ele o que ela conseguiu. Juntos, sempre seria aquela que ocupa o vazio do amor perdido.

Mais lágrimas.

Não tinha ideia para onde estava indo. Dirigia aleatoriamente apenas seguindo reto sem o mínimo de destino ou intenção para onde iria parar. Casa? Não conseguia ir para casa agora. Desejava que fosse possível haver um portal mágico numa estrada que a levasse a um lugar desconhecido, longe dali. Fugiria até de si mesma se pudesse.

Retirou a mão esquerda do volante e secou as inúmeras lagrimas que a cobriam. No mesmo segundo outras desceram deixando seu ato inútil. Mesmo com a concentração encoberta pelos pensamentos de dor, conseguiu ouvir perfeitamente o grito agudo de alguém. Uma criança. Embora o susto imediato, não olhou para ver do que se tratava. Seus olhos ainda estavam embaçados demais pela água. O pequeno cachorrinho havia fugido dos braços garotinha e corrido em direção à rua. Ao ver a silhueta da sombra preta perante seu farol, Elena usou a mão livre para desviar o caminho para a esquerda numa velocidade absurda, na qual invadiu uma calçada.

Outro grito foi dado. Dessa vez de uma voz mais madura, assustada pelo choque daquele carro desconhecido contra um poste de luz da rua. Fora a ultima coisa que Elena ouviu antes de fechar os olhos e desmaiar para escuridão.

Notas finais
Meninas esse momento delas cantando essa música foi mto especial pra mim, pois lembrou a minha infância. Eu e minhas amigas já cantando muito essa música em situações parecidas com essa. Como podem vê Elena sofreu um acidente de carro... Carro bateu no poste :( vou ser legal com vocês e dá um spoiler. Ou melhor vou colocar as opções do que irá acontecer daqui pra frente e uma delas estará certa, e aí vocês vão ter que adivinhar e esperar pelo próximo, lógico. Ok então: Alternativa - a: Elena perde a memória. Alternativa - b: Elena sofre uma lesão que pode a deixar paraplégica, e tem que voltar a NY para o tratamento. Alternativa - c: Nada de realmente grave acontece com ela, mas Elena descobre que no acidente perdeu um bebê na qual nem sabia que existia. .... Então tentem adivinhar. Até o próximo capítulo; Se a fic é uma de suas favoritas, mas esqueceram de favoritar, lembrem me ajudem a chegar aos 100 favoritos. E se gosta a ponto de recomendar, estamos aí. Vejo vocês quarta :)