Notas iniciais
Oi meninas, era pra mim ter postado ontem mas enquanto estava escrevendo acabei fechando a aba sem querer (não tem nada pior que isso) e não tenho word então dificulta. Espero que gostem, eu particularmente gostei muito do capítulo.

Damon sorriu rapidamente, ainda sem crer no que estava fazendo. Era absurdo, não tinha mais quinze anos para ainda dar-se ao luxo de fazer esses tipos de loucuras. Mas sentia-se bem, estranhamente cheio de vida por dentro e por fora e tudo ganhava mais intensidade com o cenário externo àquele apartamento.

Stefan. Nova York é muito longa e o tempo muito curto para ficar em casa. Desculpe por não te esperar acordar, fui dar um passeio pelo bairro. Não demoro.

Beijos.

Releu o bilhete satisfeito com o que escrevera e grudou com um durex na porta do quarto do irmão, já que em outro local ele não encontraria. Fez um barulho mínimo para que ele não despertasse enquanto caçava suas roupas em procura de algumas peças que fossem ao menos apresentáveis. Não ousou em deixá-la o esperando na sala, afinal alguém poderia levantar e Elena não se incomodou em aguardar no corredor, desde que ele viesse logicamente.

E foi. Encontrou o corpo agachado nos primeiros degraus da única escada do prédio, mirando ao chão. Somente após o bater da porta que ela pôde fixar-se na presença de Damon.

Timidamente, Elena sorriu.

— Até que não demorou tanto. – Disse ela. Calma e feliz. Sentimento que não durou muito, já que em seguida tomou-se pela preocupação, diante da postura hesitante de Damon. – O que houve? – O observou atentamente. Mãos suando.

— É que... – Ele respirou fundo. – Essa cidade é cheia de paparazzi, e... Não sei. Tem certeza que não tem risco?

Elena sorriu voltando a se tranquilizar.

— Já vim prevenida pra isso. Esse detalhe é o de menos agora.

— Como assim? – Perguntou em dúvida.

Elena limitou-se a responder, tudo que falou foi um quase silencioso '' vem comigo'', pegando-o pela mão e o puxando escada a baixo. Tinha que calar-se, ou estragaria a surpresa que preparou. Surpresa que a custou caro, já que teve que suplicar por aquele imenso favor enquanto se deslocava de sua antiga casa até o apartamento aonde Damon fazia de sua temporária locação. Em qualquer outra situação não aceitariam um pedido daqueles tão encima da hora, era incrível o que o dinheiro conseguia fazer.

Quando chegaram a rua, Elena o levou, ainda pela mão, ao interior do mesmo táxi que a trouxe. Damon inicialmente estranhou por não ser nenhum carro particular da rica família Gilbert que os esperavam, mas logo lembrou-se de que provavelmente ninguém do clã dela deveria estar inteirados do paradeiro da adolescente.

— Aonde estamos indo? – Damon inquiriu curioso, sem fazer ideia do local em que ela instruiu o motorista com o endereço.

— Encontrar uns velhos amigos meus. – Avisou, com um toque de travessura na voz. – Você vai gostar.

Outra vez, Damon não pareceu entender.

— Pensei que ia me levar pra conhecer a cidade.

— E vou. – Rebateu, enquanto trocava o penteado de seus cabelos. – Mas não vou te mostrar esses clichês dos filmes de romance. E sim, de uma outra perspectiva.

O corpo dele estremeceu em medo.

— Olha lá heim, Elena. O que você tá armando?

— Não to armando nada. – Deu os ombros, sem se preocupar. – Ao menos nada que você não vá gostar.

Como no dia de sua chegada, Damon se fixou na janela. Talvez assim pudesse esquecer o fato de estar sendo raptado por uma figura de apenas um metro e sessenta e sete de pura artimanha e ousadia. E pior, estar tão a mercê dela. Cada dia mais. Por isso preferia vê-la como seu motivo de manter-se sóbrio, já que os métodos que Elena o submeteu estavam funcionando maravilhosamente. Mas ainda pensava mais de duas vezes antes de se entregar a ela como o amigo que ela queria que fosse. Isso não era fácil, e o mais estranho era que aquele desejo de ser mais do que simples amigos conseguiu ser muito superior ao desejo pelo álcool.

Doía ver, com tamanha nitidez, a decepção e a tristeza que Elena se punha cada vez que se esquivava em voltar com aquela amizade de antes. Em confessar segredos ou até mesmo a se sentir a vontade, mas era diferente agora. A primeira vez que foram amigos não estavam apaixonados, ao menos não ele. Damon conhecia-se plenamente para ter certeza de que se acaso se entregasse mais um pouco que fosse ao chamado de amizade dela, seu corpo pediria outra coisa. Ainda mais agora sem mais nenhum desentendimento entre os dois.

— Damon chegamos. – A voz de Elena o despertou de volta para o carro.

Segundos depois, ele virou-se para trás, encontrando Elena pagando o taxista.

— O que é aqui? – Olhou em volta estranhando o local.

O lugar era aberto, com uma pequena floresta em volta. Floresta, parque... Algo que Damon não conseguiu identificar momentaneamente. Em uma mistura de mini-aeroporto com campo de futebol americano, só que com pistas de pouso incluída e sem muita movimentação em volta.

— Um estacionamento... – Respondeu, sando do carro. Damon continuava dentro do veículo, ainda atento com a vista em sua volta. – De helicópteros. – Sorriu, fechando seu lado da porta.

Lentamente, Damon gargalhou deitando o pescoço no banco de couro daquele ponto amarelo no concreto.

Maluca. Pensou ele, descendo em seguida.

—--x---

Nem em seus sonhos mais loucos poderia imaginar, logo após levantar da cama que em poucas horas estaria vivendo o que estava prestes a viver, Damon colocou aquela espécie de fones de ouvido, pretos, em volta de sua cabeça. Diferente da primeira experiência aérea, dessa vez não temeu nada. Mas mesmo assim fez a questão de obedecer o chamado de sua pele pela da dela, a apanhando pela mão.

— Aí Gilbert, só você mesmo pra me fazer preparar, tão de última hora um helicóptero pra sobrevoar Nova York inteira. – Frank, o piloto, ironizou, enquanto preparava os últimos detalhes para poderem subir.

Elena gargalhou e lhe deu um tapa no ombro.

— Isso é por aquela que você me aprontou no natal, lembra? – Elena fingiu-se de brava. Virando-se para Damon em seguida. – Acredita que esse idiota fingiu um desmaio enquanto tava comigo aqui. Quase infartei naquele dia, isso não se faz.

Damon sorriu sem mostrar os dentes.

— Desde que ele não faça dessa vez, pra mim tá ótimo.

— Não quero correr o risco de ser ameaço com outro processo. – Disse Frank, colocando finalmente seus fones. Mudou a expressão bem humorada em seguida, pondo-se sério. – Tudo pronto por aqui. Podemos ir?

Elena foi a primeira a assentir, sendo imitada por Damon, que parecia um pouco mais ansioso. O som em rodopios, estridente das hélices contra o vento foi amenizado pelo fone. Na qual, Damon entendeu para o que servira.

Como uma espécie de balão eletrônico, sentiu o transporte se elevando do chão de modo lento, diferentemente dos aviões. Acima da mata ao redor, (Damon viu que não era um parque) percebeu verdadeiramente o quão gigante era o estacionamento, como um filho caçula do aeroporto com nome presidencial no qual desembarcaram ontem. Viu cópias daquele caro veículo no qual agora estava montado, espalhados em todas as direções e em variadas cores. Provavelmente um brinquedo muito comum dos multimilionários que os tinham.

Não demorou para que Nova York, por inteira, aquela dos filmes, começasse a aparecer. Primeiro veio Upper east side, o bairro de Elena, com seus apartamentos luxuosos e de aparência tão clássica como um longa metragem de Chaplin. Suficientemente separados dos não tão exclusivos nem ao menos para sonhar em viver ali.

— Aquele é o meu prédio. – A voz de Elena veio quase muda. – Não sei se você vai conseguir ver... Espera. Frank, se aproxima um pouco mais de casa? Pro Damon ver?

Como uma criança exibindo sua tarefa escolar, ou uma nota alta em uma prova, o pequeno dedo indicador de Elena, fez jus ao nome e tentou apontar para a direção do arranha-céu, enquanto sua boca descrevia as cores e outros detalhes até que Damon pudesse encontrar qual era.

Quando ele finalmente encontrou, parecia que a felicidade dela tomou ebulição. Aparentemente por um motivo no qual qualquer um acharia inútil ou infantil, mas que para ele eram encantadores perante tamanho jeito de menina inocente. Sentiu-se imediatamente como um Humbert Humbert da vida real, na saudosa e genial obra de Vladimir Nabokov. Com todos os conflitos internos, dúbia personalidade e uma controversa maneira de amar, no qual mais ninguém além do próprio poderia compreender.

Passaram em seguida pelo estilo anos 50 das casas do Brooklyn, mais para Londres e França que Nova York em si. A famosa ponte já se mantinha acordada como o resto da cidade, transportando turistas e mais turistas de toda parte da terra. Quiçá de outras galaxias, para quem acredita em coisas do tipo. Uma gigantesca bola de metal em forma de um planeta despedaçado, já mostrava a parti dali um lado mais distinto dos outros, principalmente de onde Elena vinha, o queens, trazia junto consigo uma pequena, mas ainda sim existente, pobreza em meio a tanto capital liquido em sua volta.

O Bronx já tinha a imagem mais comum de uma vida mais rotineira e normal. Provavelmente mais vida na parte do subsolo, em seu metrô, do que no céu de onde enxergavam. Pessoas com sacolas vindo de mercado e crianças brincando de amarelinha, como em só mais um dia. Sem imaginar os olhos que o observavam encantados tamanha monotonia.

Enquanto seguiam de volta para Manhattan, aonde ao invés de parar, iriam direto para Long Island. Parou para observar Elena e atender sua curiosidade latejante. Apesar de segurar em sua mão, ela limitou-se em calar-se, enquanto ele fazia sua observação pelos distritos e suas surpresas. Olhava de vez em quando para baixo, sem tanta emoção por uma imagem que conhecia tanto. Mas mesmo assim Damon estranhou, afinal fazia um bom tempo que ela não vinha a sua cidade natal, mesmo já conhecendo suas pontas deveria estar mais feliz por estar de volta, tendo a oportunidade de vê-la outra vez. Mas não. Ela parecia pensativa demais para se fixar em qualquer coisa.

Preocupado, Damon deixou a paisagem de lado, a mirando. Quando Elena percebeu seus olhos postos em seu rosto, correspondeu com um pequeno sorriso.

— Você tava tão feliz quando chegamos... Ficou tão séria de repente. O que tá pensando? – Perguntou de modo carinhoso, dando uma deixa para que ela lhe contasse.

Elena suspirou profundamente.

— Tava tendo uma ideia aqui. Só isso, mas não sei se você vai aceitar.

Damon demorou um tanto em perguntar o que seria, sem a mínima ideia do que poderia estar passando por aquela mente. Pelo tom tão tímido e apagado que ela pronunciou a última sentença deveria ser uma proposta de risco, e isso vindo de Elena nunca era com intenções tão puras assim.

— Pode falar. – Gaguejou, receoso.

Elena mirou os pés e sentiu um suor frio da tensão a invadir, mesmo tendo certeza do não que ele diria era impossível não nutrir uma gota de esperança. Gota essa capaz de fazê-la suar frio como estava naquele momento.

— Bom, estamos indo para Long Island agora e... – Parou por um instante, voltando os olhos nervosos para ele. – Meu pai tem uma mansão aqui, estou com as chaves, e é muito bem cuidada mesmo não morando ninguém, podemos descer e... Se quiser ficar um pouco. Já liguei pra lá e não tem ninguém, a casa tá limpa. O que acha?

Damon engoliu em seco. Houve uma curta pausa, em que ele tentava achar as palavras corretas para respondê-la. Mas não foi preciso usá-las, já que o olhar tristonho que lançou a ela logo em seguida se fez por suficiente.

— Sinto muito. – Disse em sussurros e apertou sua mão. – Eu...

— Tudo bem. – Elena o interrompeu, assentindo em compreensão. – Não consigo cumprir com uma coisa que eu mesma propus, sou uma idiota. – Segurou um choro que estava por vir.

Percebendo o esforço dela em conter as lágrimas, Damon suspirou pesadamente.

— Você provavelmente deve achar que eu... Sou um frio, pelo jeito que eu tenho me comportado. Fugindo de você, das nossas conversas, de tentar ser como os amigos que éramos antes. – A dificuldade em sua fala, exaltava o quão sacrificante estava sendo para ele tentar dizer aquelas palavras. – Eu admiro seu esforço, a sua tentativa. Mas não dá, eu nem sequer tentei porque eu tinha certeza que não ia dar certo. Eu não consigo ser seu amigo, eu não consigo voltar a ser o que era antes, eu não consigo reprimir o que eu sinto e eu não consigo até porque eu não quero. – Confessou aliviado, Elena nem ao menos sentia o impulso mais de chorar. As lágrimas foram embora por tamanha surpresa pelo que ele contava. – Não te disse isso antes porque... Não queria que tivesse a ideia errada. De que eu não queria estar mais perto de você e tava usando isso de desculpa ou que eu sou um negativo, não queria te magoar e acho que não adiantou nada já que com toda essa distancia eu devo ter magoado de qualquer maneira. – Riu sem humor, como se amaldiçoasse a si mesmo. Silêncio, Elena fechou os olhos preparada para o que estaria por vir. Já o conhecia bem o suficiente para saber o que aquela voz, junto a um desabafar, significava. – Você disse que não funcionávamos juntos, mas que dava certo como amigos. Mas... Pra mim nem amigos dá; Ou é completamente junto ou é completamente distante. Você escolhe.

Elena segurou a resposta para a primeira opção em sua garganta. Era mais do que obvio que era o que queria e ele estava lá deixando em suas mãos. Onde o que quer que escolhesse, Damon faria. Mas não pôde. Tinha que ser menos impulsiva ao menos uma vez na vida, principalmente em relação ao amor. Tinha que pensar duas vezes, analisar as consequências e calmamente ver o que seria melhor para os dois. Só que ao mesmo tempo que não poderia dar esse ''sim, voltamos a ficar juntos'' antes de pensar bem, ao mesmo tempo não podia exigir que sua mente raciocinasse tão rápido.

— Frank. – Elena o chamou, ainda abalada. Damon sobressaltou sua respiração, havia se esquecido da presença do piloto ali e havia dito tantas coisas, teve medo que pagasse caro por aquela gafe. – Não precisa ir pra Long Island. Volta pro estacionamento mesmo. O passeio acabou. – Disse gentilmente.

No mesmo instante ele se esqueceu novamente de Frank por não esperar em nada aquela resposta vinda dela. Perguntou-se o que Elena estaria planejando daquela vez, mas nada disse. As próximas palavras que queria era simplesmente sua resposta e não era fácil de se decidir, por isso resolveu deixá-la em silêncio. Ponderando sobre o que faria.

Ambos seguiram até o caminho de volta com isso impregnado na mente.

—-x--

— Não se preocupe. – Elena o tranquilizou, alguns minutos depois de descerem do helicóptero. Caminhavam em direção a saída. – Frank não sabe que você é meu professor, nem muito menos inquilino da minha casa ou que é de Mystic Falls, eu não contei. Por isso deve estar pensando que você é só alguém com quem eu me relacionei, ou me relaciono. Não tem o que se preocupar.

Damon respirou aliviado.

— É que eu me esqueci dele completamente. Não sei o que aconteceu.

Elena sorriu mentalmente com aquilo. Sempre se odiou por nunca ter conseguido fazer com que Damon abandonasse sua ética ou seus medos e se doasse completamente para si, que fosse as vezes tão impulsivo como ela própria. E aquelas palavras era mais um ingrediente que precisava ter para que fortificasse sua confiança de que ele realmente a amava.

Pararam a caminhada perto ao portão de saída, pondo-se frente a frente. Diferente da imagem de homem e mulher o que viam era um espelho. Um espelho que refletia duas pessoas com os mesmos medos, as mesmas angústias, a mesma intensidade e, porquê não, os mesmos problemas.

Sempre se classificaram como tão diferentes um do outro que aquela era a primeira vez que se viam como completos gêmeos. Tudo isso já que Damon esperava uma resposta dela, e Elena também esperava uma resposta de si. Que ainda não fazia ideia da qual.

Respondendo a primeira coisa que lhe passou na cabeça, Elena abriu sua bolsa retirando dois cartões de papel por dentro.

Damon franziu a testa.

— Antes que você pergunte o que é isso. – Começou ela, ao ver a dúvida estampada no rosto dele. – Depois que eu e o Peter te deixamos na casa do seu irmão ele me deu isso. Falou que meu pai tinha pedido que me entregasse; São dois convites, em meu nome e de um acompanhante, pra um coquetel no salão de festas do hotel Hilton. É uma convenção de tecidos pra roupas de alta costura, e como eu voltaria a tempo pra ir... Meu pai não jogou fora. Deixei aqui na bolsa pensando se ia ou não. Mas com isso que aconteceu agora entre a gente, eu vou. – Com sua mudança pra Mystic Falls, todos os convites que recebia para festas ou grandes eventos, John normalmente a avisava mas os despejava ao lixo, já que, por motivos óbvios, Elena não poderia comparecer. – É pra daqui a cinco dias.

A explicação não retirou a ambiguidade de Damon, que não havia captado o ponto para aquilo.

— O que quer dizer com isso?

Ela estendeu a mão, entregando um dos papéis em direção há ele.

— Quero que vá nesse coquetel. Não precisa ser comigo, só quero que vá. – Disse decidida. – E lá eu vou te dar a minha resposta.

—-x--

Ainda com a mesma frustração da primeira vez, Elena revirou os olhos ao olhar novamente a decoração daquela casa. Parecia que cada vez ficava pior a seus olhos.

Retirou as botas, após sentar-se num desses pufes de estampa com todas as cores existentes no mundo, no qual agradavam o gosto perua de Miranda. Nem ao menos alivio de liberar os pés de um salto puderam esvaziar sua mente com o anseio do que aconteceria em cinco dias. Damon simplesmente apanhou o convite e disse que iria tomar um táxi por ali perto. Já ela, após esperar alguns minutos da ida de Damon, fez o mesmo.

Como no dia de sua chegada, avistou uma sombra vindo da sala de jantar prestes a vir para o cômodo onde estava. Rolou os olhos. Aquele não era o corpo de Miranda, e não sabia qual dos dois poderia ser pior para si, e tudo isso com aquela decoração tão horrorosa acrescentada.

Fitou John, desinteressada, encostando suas costas na cadeira. Conhecia aquela expressão, provavelmente alguma advertência sobre seu comportamento com Miranda ou até mesmo com ele.

Bufou em alto. Mas John nada disse, continuando com o olhar sobre Elena, querendo que ela fosse a primeira a se manifestar

— Como você consegue ver esses móveis todo dia e não enfiar uma faca nos olhos? – Perguntou irônica. – Alias como você consegue viver com aquela mulher sem enfiar uma faca na cabeça?

Ele cruzou os braços, sem se afetar pelo que ela disse.

— Porque não ficou ontem pra jantar com a gente?

— Sua esposa não te disse? Ou ela tava tão ocupada falando mal de mim que não deu tempo? Estava cansada, só isso.

Elena não se deixou enganar pelo tom amigável, sabia que John estava apenas preparando terreno.

— Bom, mas... Estava com saudades de você queria te ver.

— Já me viu. – Rebate obviamente.

— E hoje, pra quem tava muito cansada, você acordou bem cedo. – Falou sugestivamente, confirmando a previsão de Elena. – Aonde foi?

Elena riu irônica.

— Desculpa, é que é tão engraçado quando você finge se importar. – Disse ela. – Mas... Pra te ajudar com seu teatro, eu digo. Fui visitar uma amiga.

— E que amiga? – Perguntou de imediato.

— Você não conhece.

— Eu conheço todas as suas amigas.

— Mas essa não. – Esforçou a voz para que não gritasse. Estava claro para John que o que estava dizendo não era verdade e até mesmo ela tinha consciência, mas não o suportava a um ponto em que nem mesmo tinha ânimo para inventar uma mentira bem feita para ele. John não valia nenhum pensamento sequer seu.

O pai respirou fundo, contendo o estresse dentro do seu corpo.

— Elena, para de mentir. Você sabe muito bem que todos os seus amigos estão de férias em Saint-Tropez. Nenhum deles está em Nova York. – Expôs, tentando encurralá-la. – Eu não te proíbo de sair, nunca proibi. Mas não admito que você chegue na cidade depois de um mês sem me ver praticamente, nem ao menos me cumprimente e no dia seguinte saia assim em um horário que sabe que eu não estaria acordado. Isso eu não aceito.

Em fúria, Elena levantou-se do acento caminhando até o pai, sem poupar seus gritos.

— E eu não aceito que você me imponha uma autoridade que você mesmo claramente abdicou. Não aceito que agora tente recuperar uma coisa que você mesmo abandonou só pra satisfazer seu ego de pai autoritário e que exige respeito. E muito menos vou aceitar essa sua tentativa estúpida de tentar virar vítima quando é tão culpado quanto os corruptos que você defende em troca de uns euros. Vossa excelência pode mentir muito bem na frente de um juiz, mas pra mim... Nunca.

Antes da reação de qualquer reflexo, a cabeça de Elena tombou para o lado com o impacto dos dedos do pai contra seu rosto. A parte da frente de seu cabelo, cobriu a outra ponta de sua bochecha pela força com que virou a face. Sem reação elevou a mão para o local aonde o tapa foi direcionado e o fitou através da cascata de chocolate em sua cabeça, John não parecia arrependido. Triste por tomar tamanha atitude, mas não arrependido.

Era a primeira vez que ele a batia, era a primeira vez que alguém a batia.

Não soube identificar o que sentiu, nem ao menos soube definir sua reação pelo choque de seu corpo com aquele ato. Aos poucos e ainda sem acreditar, Elena retirou os cabelos em direção de sua vista podendo vê-lo por completo, mas não se fixou em enxergar emoções. Pelo contrário, manteve-se fria, como se nem ao menos mais um ou mais dois daquele tapa pudesse fazer com que derrubasse uma lágrima se quer.

Não retirou a mão do rosto, recusava-se que ele se vangloriasse por seu hematoma.

— Isso vai ser mais um item da enorme lista de coisas que eu jamais vou perdoar de você. – Disse simplesmente, completamente seca. Sem a necessidade de dizer mais palavras voltou para suas botas e as apanhou, subindo as escadas expondo seu ódio em seus passos fortes e apressados.

Com a ida total dela, John se pôs a chorar.

—-x--

5 DIAS DEPOIS.

A mão passeou delicadamente pela textura aveludada do material, trabalhando o tato a todo vapor. Pensativa, Elena esfregou os dedos mais uma vez do meio ao máximo que eles alcançavam do final.

— 70/30. – Disse ela em dedução para o tecido azul pendurado do teto até o chão.

Em seguida os dois prestigiados estilistas em seu redor repetiram seu movimento e assentiram, ambos.

— Tem razão. Precisamos de pelo menos um 90/10.

— A cor é bonita. – Ela observou outra vez. – E pra confecção tá ótima, boa qualidade. O porém é que pra alta-costura que... Não dá. – Novamente eles pareciam concordar com suas palavras. – Bom, vou dar mais uma volta. Se achar mais um 90/10, aviso vocês.

Cordialmente ela se despediu, caminhando até outra parte distinta do salão. Já perdera a conta da quantidade de vezes que repetira esses passos. Já estava no fim do coquetel, ele não viria. Caso viesse, não teria mais que vinte minutos de atraso, agora duas horas era o mais claro recado de arrependimento.

Em decepção, fechou os olhos apoiando-se em uma das mesas mais próximas. Esses últimos dias tinham sido complicados, nem ao menos se viram ou se falaram por qualquer que fosse a comunicação. Pensou seriamente, no caminho de ida, em envia-lo uma mensagem inquirindo se viria ou não, mas desistiu pelo medo de que Damon pudesse achar que estaria o pressionando.

Agora arrependia-se por tal atitude, ao menos assim não teria que ficar de cinco em cinco minutos perguntando para algum convidado que horas eram.

— Elena? – Uma voz conhecida veio por trás de si, em tom de preocupação. – Está passando mal?

Percebendo a postura ofegante e o fato de que fazia uma mesa de encosto, Elena recompô-se mantendo ereta. Ao virar para reconhecer o rosto de quem lhe falava, sorriu.

— Nicole. – A cumprimentou, normalmente, com um beijo no rosto. – Não. Estou bem. Só estava apoiada mesmo, deve ser o salto. – Como de costume, mentiu sem dificuldades.

— Nem me fale. Eu baixinha como sou, tenho que usar que é o dobro do seu e mesmo assim olha, quase nem chego ao seu tamanho. – Elas riram em baixo. – Mas, mudando de assunto. E você? Sumiu. Tá mesmo morando na Rússia?

Positivamente, Elena assentiu.

— Sim, estou. Vou passar um tempinho aqui nessas férias e logo volto. – Repetiu o mesmo discurso que tivera de dizer desde que chegou no local e os velhos conhecidos a cercaram com a mesma pergunta.

— Podemos jantar juntas. O que acha? – Perguntou Nicole em sugestão.

— Claro, seria ótimo. – Concordou, gostando na ideia. Nicole não era de suas amigas a mais divertida, mas com todos tão distante em férias lhe parecia uma boa opção. – Mas hoje a noite?

— Não, marcamos. O que acha? É que... Eu não vim pro coquetel, eu tava no hotel e minha assistente disse o que tava acontecendo e eu achei interessante cumprimentar uns amigos. Mas não esperava encontrar você.

— Quanto tempo mais fica em Nova York? – Perguntou Elena

— Uma semana, aí volto pra minha casa em LA.

— Tudo bem então. Podemos ir no seu último dia, ai nos despedimos.

Nicole sorriu em resposta.

— Acho ótimo. E você pra Moscou? Quando volta?

— Em 9 dias. – Disse a verdade, mesmo que fosse para Mystic Falls e não para Moscou, ainda sim voltaria em nove dias.

— Entendi. – Assentiu. – Então até mais Elena, me liga e a gente marca horário, lugar, essas coisas todas.

— Ok. – Respondeu educadamente. Se despediram com mais um beijo nas maçãs do rosto e Nicole se foi.

E Elena rapidamente obteve a impressão de que a mesma levara todos os convidados consigo. Quando sua atenção regressou ao salão, nem ao menos a metade do que estavam ali antes continuavam. Perguntou a um dos garçons que horas eram, vendo que já haviam passado dez minutos desde o encerramento do coquetel.

Julgou que seria melhor ir o quanto antes. Não queria revirar o salão na esperança de que Damon estivesse escondido em algum lugar, pronto para sair e atacá-la com beijos quando todos já houvessem ido. Em uma tentativa de se manter feliz, foi até um dos espelhos do salão mirando-se. Estava realmente muito bela, digna dos diversos elogios que recebeu ao longo da noite. O vestido azul escuro um pouco abaixo dos joelhos, mas ainda sim jovial com pequenas pedrinhas de diamante por todo ele, conseguia ser comportado e sexy ao mesmo tempo, pela abertura que tinha no meio dos seios e o laço preto em seus cabelos acrescentavam uma inocência infantil ao look, que era completo por uma sandália preta aberta de saltos medianos e uma maquiagem esfumaçada nos olhos com um batom em tom alaranjado bem claro. Sensualmente inocente era a definição correta para si no momento.

Conhecia o Hilton como sua própria casa, inclusive sua festa de 16 anos havia sido realizada em um de seus muitos salões, encontrou o caminho de volta para o saguão sem dificuldades. Abriu a pequena bolsa prateada em busca de seu celular, queria ligar para Peter para que ele viesse descobrindo-se sem sua bateria.

Droga. Pensou ela, atravessou a porta giratória em estresse pelo azar e chegou finalmente a calçada, tendo sua visão coberta de imediato por luzes na qual a muito tempo não via com tanta intensidade. Rapidamente tapou os olhos e mirou ao chão, enquanto ouvia aquelas incessantes vozes altas a gritando.

Quando chegou mais cedo ao coquetel, teve a surpresa de encontrar dois paparazzi que no mesmo instante sobressaltaram-se ao vê-la. Aquele era um coquetel de estilistas em que tecidos para próximas coleções seriam escolhidos, então a imprensa que teria na porta seria mínima. Mas pelo visto a simples presença daqueles dois fotógrafos de quando entrou, avisaram ao resto da mídia e se multiplicaram em tantos na qual ela não conseguia nem ao menos ver as silhuetas pela quantidade de flash em sua direção.

Elena. Elena. Sorri aqui.

Elena, você voltou quando?

Elena, porque você sumiu?

Elena olha pra cá?

Elena, você volta quando pra América?

Gritaram as poucas vozes que conseguiu identificar com clareza. Ao recuperar os sentidos, Elena virou-se bruscamente para a porta do estabelecimento, sendo atravancada pelo braço de um dos seguranças do Hotel.

— Onde está seu carro, senhorita? Eu a escolto até lá.

Ela demorou a responder, enquanto sua visão ficava mais lúcida.

— Estou sem carro. Quero entrar, por favor. – Para que o homem a ouvisse, em meio a tantas vozes sendo berradas juntas, Elena teve que exclamar com toda sua garganta, sendo ouvida não só pelo segurança, como também pelos que a cercavam.

— Qual foi, Elena? Antes só faltava se jogar em cima das câmeras pra que a gente tirasse suas fotos e agora tá de frescura? – Um deles reclamou, recebendo o aval dos outros.

— Agora deu pra fazer tipo. – Outro disse no mesmo tom do primeiro.

— Deve tá cansada tadinha, ela rala demais. Ganhou fama falando de como se vestir e pra manter essa fama tem que trabalhar se despindo. – Completou o primeiro, sendo aplaudido pelo resto deles.

Elena reconheceu quem era, o timbre pesado carregado pelo sotaque britânico era quase que inconfundível. Um paparazzi chamado Enzo, que sempre que tinha a oportunidade ofendia alguma celebridade com insinuações tiradas do site sensacionalista da mentirosa revista para onde trabalhava. Essa na qual ele se referira, dizia que havia dormido com um importante executivo da internet para que promovesse seu blog em troca, bem no início, antes de todo seu sucesso. Mentira logicamente, mas que lhes venderam muito.

Antes que Elena pudesse ofendê-lo com a resposta que merecia, alguma outra garganta sobrepôs a sua.

— Isso lá é jeito de falar com a moça. – Damon adentrou ao meio do tumulto, se colocando a frente de Elena deixando-os mudo. Por conta de sua atitude, as fotos se cessaram.

Elena manteve a cabeça baixa, contendo sua vontade impedi-lo que fizesse alguma besteira, mas sabia que se por um acaso dissesse algo, aqueles homens perceberiam a intimidade entre eles e suposições nada agradáveis aconteceriam. Era melhor que pensassem que ele era só um alguém, qualquer, que ouvira a confusão e resolveu se compadecer de si.

— Senhor, por favor, não precisa disso. Eu resolvo. – Elena pediu em suplência, dando a entender que ele era um estranho.

Damon agradeceu mentalmente por ela ter captado que não queria que soubesse que se conheciam.

— Não, senhorita. O que eu ouvi não me agradou, foi muito desrespeitoso. – Disse firme, sem retirar os olhos do homem de câmeras.

— Senhor pode sair da frente? Está atrapalhando meu trabalho. – Enzo pediu rudemente.

— E o senhor está atrapalhando a vida da moça. Então eu saio se o senhor sair.

Em coro, a ''platéia'' gritou em provocação, para que atiçasse as coisas.

— Olha aqui, já deu. – Enzo estressou-se, mas ainda falava baixo. – Saia, por favor.

Damon não respondeu, continuando na mesma posição de antes, à frente dela impedindo que qualquer foto a mais fosse tomada.

— Com o maior prazer. – Damon sorriu educadamente, mas logo o riso se foi. – Mas primeiro quero que se desculpe com a moça.

Foi a vez de Enzo gargalhar.

— Ouviram isso? – Ele perguntou para os resto de seus companheiros, que também riram. – Mas tudo bem... Quando a verdade é censurada só faz dela mais verdade ainda. É ou não é?

— Se é ou não verdade isso eu não discuto com você, mas é problema da vida dela. E como qualquer pessoa normal é direito não ter que dever satisfações pra que você ganhe seu dinheiro em custas dos outros.

— Pessoa normal? – Enzo disse com desprezo, rindo novamente. – Pois essa pessoa normal ganha pelo menos sete milhões de dólares em um comercial. Já viu esse dinheiro de perto por um acaso? Qualquer pessoa normal por aqui já viu? Porque eu nunca. – Ironizou, voltando-se para a gente em volta.

Com a postura enrijecida do corpo em sua frente, Elena pôde perceber mesmo com um Damon de costas para si, o quão aos poucos a fúria em seu interior crescia. Ela por sua vez, se via a mercê do desespero e da impotência por não saber como agir perante a situação.

Levemente, tocou os ombros do rapaz.

— Por favor, Damon para com isso. – Sussurrou implorando, baixo para que nenhum abutre ao redor ouvisse.

Mas Damon ignorou. Nem ao menos se atentou em olhá-la, continuava com a visão fixa na expressão de atrevimento do outro homem.

— Ah, a inveja... – Damon suspirou, forçando uma voz doce. – Claro. Já que não pode ter o que ela tem, faz isso... A persegue e ofende. Não só ela, logico. Como também outras pessoas que tiveram a sorte, que você não teve, de ser alguém bem sucedido no que faz. – Enzo abandonou o riso zombeteiro, sendo agora trocado pelo mais puro dos ódios. Mas Damon não se abateu. – Mas diga-me, senhor, é tão ruim assim se sentir tão miseravelmente medíocre?

Com o ego caída ao chão, Enzo não hesitou um segundo que fosse para percorrer os poucos metros que o separavam e o acertar com um primeiro soco, em um rápido flash, Enzo já se encontrou ao chão recebendo de volta, ainda com mais força o mesmo acerto que tinha dado.

— Alguém faz alguma coisa. – Gritou Elena, tentando puxar Damon pela gola da camiseta.

Esse mesmo Damon que imobilizara o corpo do paparazzi com o seu próprio e distribuía sangue pelo rosto dele.

— Não vai pedir desculpas idiota? Não vai pedir desculpas? – Damon gritou entredentes enquanto sua mão se afundava mais contra a face de Enzo.

Com a ida do segurança de volta para dentro do Hotel, provavelmente correndo para chamar reforços, a multidão temeu que a polícia fosse chamada. Em poucos segundos de briga mais da metade dos fotógrafos se tinham ido. A outra metade correu, mais ainda observava de longe.

— Por favor, parem com isso. Parem com isso. – Esbravejou Elena outra vez tentando o tirar de cima de Enzo.

Enquanto tentava o acertar com mais um golpe, Damon sentiu diversos pares de mãos frias e ávidas pousarem por suas costas, fora nítido que nenhuma delas era a de Elena. O mesmo segurança havia regressado com outros cinco junto, no qual com um só puxão o retirou de cima dos joelhos do outro rapaz caído na calçada. Falhadamente, Enzo tentou o atingir com um chute enquanto Damon era arrastado para longe de si.

Elena fechou os olhos em alívio.

— Idiota. – Esbravejou Enzo, ainda sem forças para levantar.

— Por, favor levem ele pra dentro. – Pediu Elena aos seguranças, em desespero. Logicamente se referindo a Damon, já que com tamanho escândalo em frente ao Hotel, seria muito difícil que o deixasse entrar. Tanto ele quanto Enzo na verdade.

— Mas senhorita... – Um segurança, educadamente, tentou argumentar.

— Por favor, senhor. Abra uma exceção pra mim, sou eu quem estou pedindo.

Apesar da má vontade, o homem concedeu a entrada de Elena junto a ele no saguão do Hilton. Tanto quanto lá fora, as pessoas, ricas e elegantes do lado de dentro, punham-se a espreitar pelo vidros e comentavam entre si sobre o quão perdido o mundo estava, mas apesar dos olhares julgadores sobre eles assim que entraram, aquela foi a primeira vez que Elena não se importou com o que os outros pensariam sobre si. Já, Damon estava atordoado demasiadamente para se atentar a alguém.

— Com licença. – Foi até o balcão, onde uma recepcionista a encarava com pasmar, em reação ao momento protagonizado lá fora. – Me consiga um quarto, por favor. – Pediu ofegante.

— Sim, senhora. A forma de pagamento? – Perguntou, voltando a fazer seu trabalho. Elena respondeu aos procedimentos por alguns segundos e conseguiu em seguida uma boa suíte digna para dormir bem como estava acostumada.

— Elena porque pediu um quarto? – Damon inquiriu, enquanto iam para o elevador.

— Dois motivos. Primeiro porque temos que limpar esse seu rosto e segundo porque eu vou passar a noite aqui.

Antes que Damon pudesse dizer mais alguma coisa, o elevador chegou ao andar térreo, aonde mais outras três pessoas além deles também esperavam.

Viu-se obrigado a se calar perante aquelas figuras tão próximas.

Ao estancarem no sétimo andar, Damon agradeceu as portas por se abrirem e poderem sair finalmente. Após tamanho gasto energia precisava de ar e as paredes curtas de um elevador não eram o local mais apropriado para sua busca por oxigênio.

Em silêncio dirigiram-se para a porta que enumerava o escrito no cartão de Elena. 704. Confirmou ela, podendo entrar.

Damon segurou a pergunta na garganta no mesmo instante em que todo aquele quarto se refletiu para seus olhos. Conteve sua reação diante de tamanho luxo; O que para ele era impressionista, para Elena era simplesmente mais um simples aposento de hotel dos muito em que já esteve e talvez até melhores. Os móveis de aparência antiga ao mesmo tempo que esbanjavam idade, brilhavam como verniz. O linho fino do dossel se estendia até o chão, onde até mesmo de longe, já era possível para Damon imaginar o qual macio deveria ser. Se tivesse que imaginar como seria a suíte da rainha Elizabeth, com toda certeza o idealizaria como uma cópia daquela.

Rapidamente, Elena seguiu em direção ao banheiro ao lado voltando com uma toalha de rosto em mãos e alguns centímetros mais baixa pela ida dos sapatos. Em seguida, direcionou-se ao frigobar retirando uma pedrinha gelo que fora enrolada no tecido branco felpudo.

— Você tá com um machucadinho pequeno... No canto esquerdo da boca. – Disse ela, lhe entregando a compressa improvisada.

Damon repousou a toalha no queixo, gemendo rapidamente.

— Pelo menos é pequeno. – Olhou-se no espelho após ir até o toalete. Repreendeu a si mesmo. Até do outro lado do país era capaz de atrair confusões para si. – Sorte a minha que a mão dele era muito leve.

Houve uma curta pausa. Damon, ainda focado no reflexo em sua frente pressionava a pedrinha de gelo em sua pele com um leve empurrão. No batente da porta, em sua esquerda, Elena o fitava fixa. Aonde ao mesmo tempo parecia mais focada do que nunca em seus próprios pensamentos.

Damon não a olhou diretamente, apenas através do refletor.

— O que foi agora? – Reclamou desgostoso.

— Não devia ter feito isso, foi errado Damon.

— Isso é problema meu, Elena. – Retrucou rudemente, preocupando-se em seguida. – Quando essas fotos forem publicadas eu vou arcar com as consequências, pronto.

Elena se aproximou dele, pondo-se completamente ao seu lado. Em seguida, apanhou a toalha das mãos de Damon e imitou os movimentos dele.

— Acho muito difícil que essas fotos sejam publicadas.

A testa de Damon se enrugou.

— Depois de semelhante escândalo? Duvido.

Elena negou com a cabeça.

— Não, Damon não é assim que funciona. Se por um acaso você fosse meu segurança ou alguém que estivesse comigo me acompanhando, publicariam com toda certeza. Mas não... Pensaram que você era alguém na rua que viu a situação e se compadeceu comigo, e pras coisas chegarem ao ponto disso, o público veria que é porque eles fizeram alguma coisa errada. Ou seja...

— ... Prejudicariam há eles próprios. – Completou Damon, pensativo.

— Exatamente. – Exclamou Elena, retirando o gelo e o jogando pelo ralo da pia. – Cicatrizou. Como você disse a mão dele era fraca, nem tão vermelho tá. – Gargalhou levemente ao se recordar de minutos atrás. Apesar de não concordar com a atitude de Damon, algo nisso tudo valera muito a pena. – Ao contrário do Enzo que saiu destruído.

Damon riu também.

— Enzo? Enzo é o nome do desgraçado?

— Sim, eu conheço ele. Já me persegue tem um bom tempo. – Ressaltou Elena, sem parecer se abalar pelas fortes palavras do homem há alguns minutos.

— Eu sei que o que houve foi horrível. – Admitiu envergonhado. – Só não entendo porque isso é motivos pra que você durma aqui, na verdade nem sentido tem.

Elena trincou os dentes.

— Damon, não seja ingênuo. – Disse simplesmente, enquanto saía do banheiro para o quarto. Em passos mais calmos Damon a seguiu e sentou-se a um sofá qualquer entre os muitos ali ficando em silêncio. Elena somente dignou-se a ficar na borda da cama de cabeça baixa e expressão cansada. – Não é porque eles provavelmente não vão publicar que não irão ficar esperando lá fora e sinceramente, prefiro ir embora amanhã.

— E acha que amanhã não estarão mais lá? – Damon não creia muito na hipótese dela.

— Muito difícil, amanhã cedo tem um tapete vermelho de um novo filme grande e todos eles vão estar lá praticamente.

Damon sorriu rapidamente.

— Todo dia tem alguma coisa nessa cidade.

Elena sorriu também, mas não pelo que ele disse e sim por finalmente acalmar seus nervos e poder observa-lo atentamente. Após tantos acontecimentos em poucos minutos, apenas naquele momento tinha se fixado que ele estava de terno. Terno simples preto assim como a gravata e os sapatos sociais, com exceção apenas da camiseta branca por baixo do paletó.

Damon percebeu o olhar dela e se pôs curioso.

— O que foi? – Perguntou preocupado.

— Nada demais. – Disse tranquilamente, o acalmando. – Só to me perguntando a razão para semelhante traje. Que fica muito bem em você a propósito.

Ele abaixou a cabeça um tanto envergonhado.

— É que... Eu iria vim, mas na hora desisti. Você deve ter ficado esperando, não é? Perdão.

— Tudo bem. – Sussurrou despreocupada. – Só não entendo porque estava me esperando se não queria entrar.

— Não. Querer eu queria. Só não tive coragem. – A corrigiu, ou melhor, corrigiu a si mesmo.

Elena não pareceu satisfeita com sua resposta.

— Ainda não respondeu a minha pergunta. Porque estava lá?

Contrariando suas expectativas de que ele ficasse orgulhoso em lhe assumir, Damon nem ao menos aparentou hesitação ou dúvida. Elena teve um flash rápido de um pensamento de que aquela era a hora em que ele estava realmente disposto a se entregar.

— Porque você me deve uma resposta. – Exclamou convicto, em uma confiança que poucas vezes viu nele. – E eu não posso ficar, mais um dia sem saber o que vai acontecer com a minha vida, já que você tem ela nas mãos.

Elena sorriu mentalmente sendo transmitida por aquela mesma certeza que ele irradiava, agora conseguia enxergar qual era a verdadeira vontade dele. Quer tanto quanto eu. Pensou em confirmação.

Estava pronta para lhe informar de sua mais nova decisão decida ali naquele minuto, quando a garganta foi interrompida pelo pensamento.

Elena arregalou os olhos em choque, assustando Damon por sua estranha reação.

— Só um minuto. – Levantou-se apressadamente indo até o telefone do quarto, já que seu celular ainda estava morto. Havia se esquecido de algo muito importante. Discou os números já conhecidos e se deslocou para a varanda. – Oi Peter – Falou após o motorista atender.

Detalhadamente explicou há ele que dissesse a seu pai que dormiria no apartamento do mais novo casal de casados da cidade, Christian e Freddy. Os estilistas organizadores do evento de algumas horas e grandes amigos seus. Não seria complicado convencê-lo de que era verdade, após aquela discussão que terminou com a marca dos dedos de John em seu rosto as coisas estavam ainda mais distantes e frias naquele apartamento, o que não surpreenderia o advogado Gilbert caso sua filha encontrasse a casa de algum dos poucos amigos que estavam na cidade para se encostar, tudo para ficar longe dele.

Quando veio para o quarto, após o fim da ligação Damon continuava sentado no mesmo sofá de antes, a diferença era que agora encarava o teto. Apesar de Elena ter certeza de que não era nas cores da pintura que ele se atentava.

— Demorei? – Perguntou, provavelmente o tirando de seus pensamentos. Damon negou com a cabeça. – Tinha esquecido de ligar pro Peter. A minha bateria acabou bem na hora que eu sai do coquetel.

Ele se ajeitou melhor no acolchoado.

— Perdão outra vez. Por te fazer esperar.

Em passos lentos, Elena seguiu até o sofá em que ele estava e sentou-se ao lado do rapaz, mas uma vez Damon arrumou a postura pela presença dela tão próximo há sua.

— Já disse que tá tudo bem. Além do mais você acabou chegando na hora certa, na que eu mais precisava. – Elena sorriu ternamente.

— Não quero mais falar sobre isso. – Avisou seriamente, encontrando-se com o olhar da menina em seguida. Antes que ela pudesse lhe perguntar sobre o que queria falar, adiantou-se após um suspiro de sofrimento. – Elena eu não quero que você pense que eu to lavando as mãos em deixar com que você decida. Esse não é o objetivo, apesar de nem eu mesmo ter certeza de qual é. – Disse em confusão. – Só acho que essa decisão pode ser mais fácil pra você do que pra mim, por motivos óbvios.

Com o dito por ele, em sua última sentença, Elena indignou-se momentaneamente. Sem acreditar no que seus ouvidos acabavam de escutar, mas controlou suas reações. Não queria que Damon percebesse seu chateamento tão nitidamente.

— Damon eu não sou essa louca impulsiva que você pensa. – Expôs firmemente, mas ainda sim educada e sincera. – Sim, eu admito que talvez me falte um senso de realidade e que eu me ache invencível ou que seja, sim, bem impulsiva. Mas... Eu sei muito bem ser racional quando precisa. – Apesar de sobressaltado pela reação de Elena, ele não a interrompeu. Sentiu que aquele era um momento de grande confissão para ela e não julgou como certo interromper. – Já tomei muita decisão difícil nessa vida, que hoje mesmo você viu que não é só luxo e dinheiro, que tem seu lado ruim. Me mudar para Mystic Falls por exemplo, apesar de não querer foi uma decisão minha. E mesmo que... As escolhas que eu faça derem errado, mesmo assim eu não me arrependeria nunca. Porque eu sei que por outro caminho seria bem pior. – Aos poucos, seu tom de voz se tornava mais agudo sem que percebesse. – E ainda por cima, complica mais porque eu tenho que banir toda essa minha ansiedade, que muitas vezes quer o pior. Ou seja, até contra a minha própria natureza eu tenho que ir. Até a minha natureza eu tenho que enfrentar. – Respirou profundamente, pausando a fala por alguns segundos. – Então não pense que isso é mais fácil pra mim, porque não é.

Silenciosamente, Elena cruzou os braços esperando uma resposta. Seu peito afundou em amargura, aquelas palavras dele haviam sido o bastante para fazer com que duvidasse outra vez do que realmente era melhor para os dois. De repente, não sabia mais o que fazer.

Com olhar frio e estático, Damon prolongou o silêncio para raciocinar cada palavrinha dela. Além de doer por tamanha bronca, também percebia que cada vez mais a conhecia menos.

— Ou seja, estamos vendo isso como uma competição pra ver qual dos dois é mais complicado, qual dos dois sofre mais, qual dos dois é mais infeliz... De novo. Estamos fazendo tudo de novo. – Concluiu em escárnio.

Novamente, ela pareceu não concordar.

— Damon, confessar temores não faz com que a gente esteja competindo um com o outro. E olha que quem tá falando sou eu. Ou você acha que eu me abro fácil com as pessoas?

Em estresse, ele bateu a palma de uma das mãos no joelho e esperou que se acalmasse para poder falar. Não queria agir grosseiramente com ela.

— Não estamos falando das outras pessoas. Olha, Elena eu não tô te acusando de ser fria ou esquiva comigo porque eu também não sou nenhum pouco fácil. E não vou te prometer que vou ficar mais fácil e nem, muito menos, vou pedir que você me prometa que vai ser mais fácil...

— Eu não sei se poderia cumprir. – Ela o interrompeu, apressadamente.

— Esse é o ponto, Elena. Não se pode prometer algo que deve ser espontâneo. – Explicou, em tom de lamento. – E seria ainda mais estúpido da minha parte prometer algo assim, sendo que... Eu nem ao menos sei qual vai ser a conclusão disso tudo. Só você poderia, porque só você sabe o que decidiu.

Elena desviou o olhar, voltando para ele em seguida.

— Esse é o problema, Damon. Eu também não sei. – Choramingou, desencorajada. – Não menti quando disse que não era tão fácil assim pra mim também. Nesses cinco dias tudo o que eu fiz foi pensar, ficar confusa lembrando de antes e pensando no futuro ao mesmo tempo. Não fiz mais nada. – Apesar de perceber que seus olhos estavam marejando, Elena não sentiu vontade de chorar. – Só que... Há alguns minutos atrás, eu tava decidida a tentar de novo, mas esse é o problema porque foi só eu me afastar pra dá um telefonema que eu voltei a pensar. – Sussurrou, tristonha. – A questão Damon... É que eu não consigo ser racional perto de você.

Em seco, ele engoliu as palavras dela sentindo-se culpado pelas suas. Como o cair de uma ficha viu o quanto seu comportamento se fazia cada vez mais errante. Ao menos algo tinha que ser concertado em alguma parte, não podia continuar errando mais com quem menos merecia.

Em seguida a esse pensamento, uma onda de franqueza veio a si. Desmanchou automaticamente a máscara incrédula de seu rosto.

— Então estamos empatados. – Murmurou timidamente. – Porque todas as vezes que estamos juntos, tudo que eu quero é ser mais impulsivo.

Elena suspirou, derrotada.

— Não sei mais o que se pensar. – Elevou as mãos para a testa e apertou a têmpora, mantendo-as por alguns segundos.

Damon deu os ombros, simulando descaso.

— Talvez seja um sinal. Não sei. – Disse, recebendo um olhar confuso de Elena.

Desde quando Damon acreditava em crendice? Pensou ela, mas logo desatentou-se disso.

— Um sinal bom ou ruim? – Riu em ironia.

Mas Damon não estava rindo. Pelo contrário, seu semblante se mantinha sério e tenso, o que fez o sorriso de Elena murcha-se pela dureza com que ele a fitava, sem que ela percebesse o desejo de fera estampado. Fixado, entre o castanho do olhar e o rosado da boca.

Uma estranha timidez coberta de dúvidas o tornava ambíguo para qualquer um que a olhasse.

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Intuindo, que ela logo perguntaria a razão pelo qual parecia tão preocupado, não quis esperar mais. Provou do batom outra vez, a surpreendendo por sua atitude. Elena não reclamou, pelo contrário retribuiu com todo seu desejo em menos de um segundo. Ao sentir o gélido toque das línguas Elena o segurou pelos cabelos o afundando mais, temendo que ele se afastasse arrependido.

E se afastou, mas não arrependido.

— Um bom sinal. – Disse em seus lábios. – Definitivamente um bom sinal. – Endossou, apertando a cintura fina da garota e a trazendo para mais perto.

Imitando seus beijos anteriores, Elena passou a perna pelas dele e subiu em seu colo. Adorava fazer isso e faria todas as vezes, sentia-se tão dele e ao mesmo tempo controlava a situação, provavelmente pelo trauma das vezes no qual Damon costumava fugir de seus lábios. Pressionou os braços em volta do pescoço do homem e intensificou o beijo com volúpia, enquanto Damon passeava a mão esquerda pelo seus ombros e a outra pela borda de suas costas, percebia o quanto ele adorava aquela parte tão particular de seu corpo.

Fechou os olhos ainda mais intensamente, quando ele abandonou sua boca e partiu para a abertura do seios em seu vestido. Agradeceu mentalmente por ter posto aquela roupa. Tentou-lhe retirar o paletó, mas desistiu por fraqueza após a língua dele entrar em contato com o conteúdo daquele decote. Encostou a boca na testa de Damom, descontando toda sua respiração pesada naquele pedaço de pele, ao mesmo tempo que a boca do rapaz trabalhava no lado esquerdo e direito de seu peito.

Em auxilio, Elena elevou a mão até sua nuca encontrando o botão que desabotoasse sua única peça externa do corpo, já que tinha tirado os saltos logo após entrar no quarto. Com esforço desabotoou e guiou as mãos de Damon para cima. Em seguida ele puxou o vestido para baixo, deixando somente até a cintura e tendo o colo exposto para ele e suas ágeis mãos.

Unido seus lábios outra vez, Damon levantou-se ainda com ela presa em seu colo e andaram, com dificuldades, até a cama onde jogou o corpo da menina sob os lençóis assim que ele sentiu a madeira do móvel um pouco acima de seus joelhos.

De pé, parado a borda da cama Damon terminou de abaixar o vestido, até que ele encontrasse o piso do quarto, relevando aos poucos para seus olhos azuis apenas uma única calcinha fio-dental roxa, no que aumentou sua líbido a ponto de não suportar mais o desejo de tocá-la. Esqueceu-se dos jogos de sedução e deitou em cima do corpo que o recebeu com beijos ávidos e arranhões nas costas cobertas por suas intactas roupas.

Em uma nova tentativa, agora bem sucedida, Elena se livrou do incômodo paletó e arrastou a gravata junto. Não esperou para poder tocá-lo por debaixo do tecido da blusa e fincar novamente suas unhas na terra na qual nunca deveria ter partido. Com um beijo mais calmo o cinto era o destino principal na qual ela queria eliminar no momento, por sua dificuldade ele a auxiliou e em poucos segundos mais uma peça foi para um ponto qualquer do quarto.

Em uma pausada troca de olhares para que o ar pudesse ser recuperado, ele sorriu ternamente não só com os lábios, mas também com os olhos. Elena correspondeu do mesmo modo também com as mesmas partes de seu corpo. Conseguiu ver naquela simples mirada muito mais do que em qualquer toque, o quanto ele a amava. Naquele instante qualquer insegurança sua sobre o que Damon sentia se dissipou.

Virou os corpos bruscamente com o impulso de suas pernas, ficando por cima dessa vez. Com a boca caminhando entre o pescoço e a orelha do rapaz que arfava baixo, Elena abriu pacientemente cada botão da camiseta branca que ele usava há alguns minutos e sentiu que valeu a pena quando o abdômen apareceu para sua visão. Em meio a beijos molhados, começou pelo topo do peito e seguiu para todos os lados até finalmente chegar em baixo. Damon a olhou com uma expressão na qual ela não soube identificar qual era, tinha medo de desvendar e que nesse meio tempo seu conto de fadas fosse para o ralo por mais alguma tramoia da vida. Com os olhos fixos na incerteza dele, abriu o zíper e novamente outro botão, dessa vez de uma longa calça preta, mas não a retirou totalmente apenas abaixou o suficiente e levou uma boxe junto. Não aguentaria ter que esperar os dois tecidos deslizarem pelo corpo de Damon para que seu desejo explodisse dentro de seu corpo. Ela queria o quanto antes e pôde ver que por mais que ele se segurasse para não expressar sua vontade na cara, também desejava o mesmo. Como a melhor gênio da lampada de qualquer história infantil, atendeu ao pedido mudo de seu superior e o levou ao paraíso com seus lábios e mãos.

Lamentavelmente, não regressou para beijá-lo mais, já que ainda tinha que se livrar de um obstáculo. Elena terminou a retirada da calça e o apreciou totalmente exposto em sua frente como queria há muito tempo. Antes que pudesse se perder mais pela vista, Damon a puxou pelo coro de seus cabelos e a pôs bruscamente ao meio de suas pernas. Elena gemeu em prazer ao sentir o toque da pele exposta dele embaixo da sua, preenchida apenas com o fino pano da calcinha que já irritava aos dois, uma mordida forte em seu queixo a fez levantar o pescoço para que ele tivesse mais espaço; Entendendo a deixa, Damon a obedeceu e afundou o rosto na curvatura de seu ombro, enquanto a mão se afundava para a uma área bem mais a baixo. Um grito de surpresa escapou dela ao sentir os dedos do rapaz atravessarem a sua única peça de roupa.

Minutos mais tarde foi a sua vez de revisitar o paraíso na qual o tinha levado anteriormente.

Delicado dessa vez, Damon a deitou sob um dos travesseiros, a beijando somente nos lábios que já sentia falta. Afastou-se deixando para trás selinhos lentos e molhados pela boca e mandíbula de Elena.

Ao perceber a vontade dele de imitar o que havia feito, dessa vez com a boca, impediu-o.

— Deixamos isso pro segundo round. – Disse ela, já sem folego pela espera. – Agora eu quero outra coisa. – Ele ia argumentar, só que foi mais rápida. – Por favor. – Murmurou de olhos fechados.

Com a luxuria também já latejando em si, Damon concordou e voltou para cima, sendo acolhido outra vez pela boca que o esperava ansiosa. A mão do rapaz novamente voltou a descer para o mesmo lugar de antes, apertando em seus dedos toda lateral do corpo dela que tinha em seu alcance nesse caminho longo e cheios de torturas. Enrolou os dedos pela alça do pano da calcinha e o abaixou até um certo caminho no qual Elena completou sem ajuda, até finalmente se verem ambos como os filhos de Adão que eram.

Ao fim de mais um beijo apaixonado, ela elevou as mãos até o laço, que havia se esquecido de retirar, do seu cabelo. Tentou inutilmente soltá-lo, quando foi a vez de Damon a interromper.

— Não. – Ele a fitou maliciosamente. – Fica com o laço.

É oficial. Eu sou mesmo Humbert Humbert. Pensou Damon.

Elena o encarou da mesma maneira e obedeceu ao pedido, voltando a sua saturação. Abraçou-o pela perna e se friccionou para baixo de maneira que tentasse entrar nele. Damon soltou um gargalhar perante tamanha impaciência e a beijou dessa vez com mais intensidade; Para a sua surpresa, ele se afundou em si logo em seguida ao encostar de suas bocas, já que podia jurar que Damon a torturaria mais um pouco. Sorriu para ele por tamanha psicologia reversa e esperaram com as testas coladas umas as outras até que os movimentos pudessem se inciar.

Notas finais
'' Besame, sin razon. Porque quiere el corazón... '' Adoro essa música. Então heim? Finalmente, voltaram e dessa vez garanto que é pra valer. A Nicole que aparece aí é a Nicole Richie, uma socialite americana mto famosa lá. O vestido da Elena aqui no coquetel é o mesmo do paley fest de 2014, amo aquele look dela é um dos meus prediletos. E a insistência da Elena pela decoração do apartamento heim kkk tive essa ideia do nada enquanto escrevia, sério mesmo. Bom meninas tenho uma pergunta muito importante: Como vocês sabem as fics daqui quando normalmente tem hot eles são cheio de detalhes e alguns retratam toda a anatomia humana kkk Eu particularmente gosto sim de um bom hot, bem escrito e tal. Só que me incomoda um pouco... quando detalham demais, acho que fica um pouco vulgar, desnecessário e meio que deixa as coisas um tanto até nojentas. Coloquei uma '' cena'' de sexo oral, mas tentei ser o mais sutil possível. Eu, prefiro, algo assim mais sutil, elegante, bonito, romantico e ao mesmo tempo quente e excitante. Bom, escrevam o que acharam do capítulo e se por um acaso alguém preferir alguma coisa mais safadeeenha e bem explícita eu tbm posso fazer da próxima vez, tudo pra agradar vcs. Beijos e espero que tenham gostado. Até semana que vem.