Match Point

16 ARCO 2 DOMINE! - Capítulo 15 - Niko


Notas iniciais
Oi, pessoal! Primeiro, queria pedir desculpas por não ter conseguido postar o capítulo na data que prometi. A universidade começou de verdade, e a correria tem sido intensa! Mas aproveitei o feriado para colocar tudo em dia e finalizar os capítulos que faltam para esse Arco 2, então aguardem muita emoção e reviravoltas nos próximos capítulos! Me desejem sorte e muita inspiração! 💛🏐 Este Capítulo 15 – NIKO marca o início de algo grande. Nick está prestes a ser testado de uma forma que nem ele imaginava, e o Karasuno precisa provar que pode ir além. Espero que sintam cada momento como se estivessem dentro da quadra com eles! Boa leitura! Com carinho, Bia

NICK

O segundo set estava prestes a começar, mas Nick não conseguia respirar direito. Seu coração batia tão forte que ele sentia as pulsações ecoarem em seus ouvidos. O suor escorria pela testa, grudando seus cabelos loiros na pele quente. Suas mãos tremiam. Ele fechou os olhos e tentou respirar fundo. Mas os olhos mel de Oikawa não saíam da sua cabeça. Cada olhar. Cada sorriso. Cada maldita memória. Ele respirou de novo. Mais fundo. Não adiantava. O barulho da torcida, o apito do juiz, os sons abafados do ginásio... tudo desapareceu.

E então ele já não estava mais ali no ginásio.

A calçada fria sob seus tênis parecia mais sólida do que qualquer coisa que ele sentira naquele dia. O ar noturno estava pesado, denso, como se cada partícula de oxigênio fosse difícil de puxar para dentro dos pulmões. As lágrimas começaram a rolar por seu rosto antes que ele pudesse impedir. Elas eram quentes, ardentes, contrastando com o vento gélido que cortava sua pele. Mas nada queimava mais do que o tapa.

Seu rosto ainda latejava, a marca dos dedos do pai pulsando como fogo contra sua pele vermelha. O impacto tinha sido seco, forte, mas não era a dor física que o fazia querer desaparecer. Era a humilhação. O nó em sua garganta apertava, a respiração engasgava no peito, e ele odiava isso.

Odiava se sentir fraco.

"Os últimos de pé são os vencedores. Apenas os mais fortes. Se quer ser um deles, fique forte!"

As palavras do pai martelavam dentro de sua cabeça, afiadas como lâminas. Ele não queria ser fraco. Ele não queria ser aquele garoto que levava tapas e engolia a dor. Que era obrigado a baixar a cabeça, a se segurar para não chorar, a fingir que nada estava acontecendo. Ele estava cansado. Cansado de tudo.

Nicholas respirou fundo, e então correu. Correu com toda a energia que tinha, como se o movimento fosse suficiente para afastar a dor. Os tênis batiam no chão em um ritmo frenético, os músculos queimavam, mas ele não parou. Casas, árvores, postes de luz — tudo passava como um borrão. O mundo ao redor não importava. A única coisa que importava era fugir. E ele sabia exatamente para onde estava indo. O parque. O único lugar onde ele sentia que podia ser livre. Onde não havia gritos. Onde não havia empurrões. Onde não havia palavras que o esmagassem. Ali, ele podia respirar.

O parque parecia retirado de qualquer tumulto do mundo. As trilhas de pedrinhas brancas que cortavam a grama perfeitamente aparada eram ladeadas por árvores que projetavam sombras longas sob a luz dourada do entardecer. O rio próximo murmurava suavemente, suas águas claras refletindo os tons de laranja e rosa do céu, enquanto algumas folhas flutuavam lentamente na superfície. No fundo, havia uma quadra de concreto, suas linhas marcadas pelo tempo, parcialmente apagadas, mas ainda firmes o suficiente para delimitar o espaço de um jogo. Algumas folhas secas se moviam com o vento, espalhando-se pelo chão.

Naquele cenário tranquilo, havia apenas uma pessoa. Um garoto. Ele estava no centro da quadra, jogando uma bola de vôlei para o alto, repetidamente, como se o mundo ao seu redor não existisse. Seus cabelos castanho-claros capturavam a luz do sol, reluzindo como fios dourados a cada movimento. O suor brilhava em sua pele, mas ele não parecia cansado — apenas concentrado.

Nicholas o reconheceu. Era o garoto que tinha se mudado para sua rua na semana passada. O menino saltava continuamente, tentando alcançar a bola no ponto mais alto. Seus braços se estendiam no ar, os dedos quase tocando o alvo. O garoto errava o tempo todo. A bola subia, ele calculava o momento certo, saltava… e errava de novo. Mas nunca parava. Ele pegava a bola rapidamente, girava-a entre os dedos com uma leveza que parecia natural, e lançava para o alto outra vez. Como se cada erro fosse apenas mais uma parte inevitável do processo. Como se falhar fosse algo completamente irrelevante.

Nicholas observava de longe, curioso. O garoto não demonstrava frustração, nem sequer suspirava de cansaço. Em vez disso, ele ria. Um riso leve, espontâneo, como se cada tentativa fosse parte de um jogo que só ele entendia. E aquele sorriso... Aquele sorriso era travesso, meio atrevido, mas ao mesmo tempo cativante. Um sorriso que dizia "eu vou conseguir, cedo ou tarde."

Ele saltava de novo, com os joelhos flexionados e o olhar brilhando com determinação. A bola tocou apenas a ponta dos seus dedos e, mais uma vez, escapou. Ele pousou no chão, os braços ainda estendidos no ar, olhando para cima como se a bola tivesse o traído. Mas, ao invés de xingar ou reclamar, ele soltou um longo suspiro exagerado e jogou a cabeça para trás dramaticamente.

“Talvez eu seja um gênio incompreendido,” murmurou para si mesmo, pegando a bola do chão e a girando nas palmas das mãos. “Ou talvez o vôlei tenha medo do meu talento incontrolável.”

Nicholas piscou, surpreso com a confiança absurda daquele garoto que errava toda hora. Ele parecia tão confortável consigo mesmo, tão despreocupado, que era quase irritante.

O garoto se abaixou e pegou a bola de novo, rolando-a na ponta dos dedos, como se estivesse negociando com ela.

“Se eu acertar dessa vez, é destino. Se eu errar… bom, eu só erro porque gosto de um bom desafio.”

Nicholas cruzou os braços, incapaz de desviar o olhar. O garoto lançou a bola para o alto, saltou com tudo e...

BAM!

A bola saiu completamente torta, indo parar no galho mais alto de uma árvore próxima.

“Droga!” murmurou ele, mas não parecia realmente frustrado. Sua voz tinha um tom quase brincalhão, como se estivesse se desafiando de propósito. Ele riu baixo, sacudindo os cabelos bagunçados, e voltou a jogar a bola que caíra da arvore.

Nicholas observava à distância, o peito ainda subindo e descendo em um ritmo descompassado da corrida até ali. Mas, agora, ele estava imóvel, como se aquele momento não pertencesse a ele. Como se estivesse espionando algo que não deveria. Ele já tinha visto aquele garoto antes, de relance, quando a mudança chegou à vizinhança. Mas ali, sozinho naquela quadra ao lado do rio, ele parecia diferente.

Havia algo nele – algo difícil de descrever. O modo como se movia, a maneira como seus pés deslizavam pelo concreto rachado com uma leveza natural. Como se aquele pedaço de quadra pertencesse a ele. Como se estivesse exatamente onde deveria estar.

Mesmo quando errava. Mesmo quando a bola escapava dos dedos, quando caía longe do que ele pretendia. Ele não parava. Não xingava. Não chutava o chão em frustração como Nicholas faria. Apenas pegava a bola de volta, sorria consigo mesmo e tentava de novo.

A persistência dele não era comum. Não era só teimosia. Era quase um ritual. Como se errar fosse parte do caminho para algo maior. Como se cada erro fosse apenas mais uma peça do quebra-cabeça que ele estava montando.

Nicholas apertou os olhos, tentando entender. Como alguém podia ser assim? Como alguém podia errar tantas vezes e continuar sorrindo? Continuar tentando sem parecer carregar nenhum peso?

Era o oposto dele.

Enquanto Nicholas sentia cada erro como uma pedra amarrada aos tornozelos, aquele garoto parecia desafiá-los, como se estivesse apostando contra o destino. Enquanto Nicholas carregava a raiva e a tristeza que o haviam trazido até ali, aquele garoto parecia flutuar sobre tudo isso, inalcançável. Como se estivesse em um jogo só dele.

Até que, finalmente, ele percebeu Nicholas ali parado.

O garoto segurou a bola e virou-se, os olhos castanho-claros se encontrando com os de Nicholas. Não havia hesitação, nem surpresa. Apenas curiosidade. Como se estivesse tentando decifrar quem ele era, o que fazia ali.

Então, sem aviso, ele abriu um sorriso. Não um sorriso tímido ou educado. Mas um sorriso grande, travesso, cheio de luz e calor. Como se Nicholas não fosse um estranho. Como se estivesse esperando por ele o tempo todo.

“E aí?" O garoto disse isso casualmente, jogando a bola de uma mão para a outra, como se já o conhecesse há anos. Seu tom era leve e despreocupado, como se nada no mundo pudesse perturbá-lo.

A confiança no jeito dele fez algo no peito de Nicholas afrouxar. Nicholas hesitou. Ele não sabia o que responder. Ainda sentia o nó apertado na garganta, ainda sentia o rosto quente e pulsante do tapa, o corpo pesado e cansado. Ele não queria chorar mais. Ele respirou fundo, tentando parecer mais calmo do que realmente estava.

"Oi." Sua voz saiu pequena, meio trêmula.

O garoto franziu o cenho, inclinando a cabeça para o lado, os olhos mel claros analisando Nicholas com atenção. Ele viu. Viu o rosto vermelho.

"Tá tudo bem?" perguntou, a voz suave, mas sincera.

Nicholas tentou mentir. Tentou engolir a resposta, simplesmente virar as costas e ir embora. Mas antes que pudesse se controlar, as palavras saíram sem permissão:

"Posso jogar com você?" Saiu mais rápido do que ele pretendia. Mais desesperado do que ele queria.

Como se não estivesse apenas pedindo para jogar. Como se estivesse pedindo por um pouco de alívio. O garoto não hesitou.

"Claro!" respondeu imediatamente, os olhos brilhando de empolgação. Ele jogou a bola na direção de Nicholas, que a pegou instintivamente, o peso familiar contra seus dedos trazendo uma sensação de conforto que ele não esperava. "É horrível jogar sozinho." O garoto sorriu, colocando as mãos na cintura. "Eu sou Oikawa! O melhor levantador do bairro!"

Nicholas franziu o cenho, segurando a bola com mais firmeza. Pela primeira vez naquele dia, uma faísca de algo diferente se acendeu dentro dele.

"...Mas você acabou de se mudar," apontou ele, ainda desconfiado. "Como sabe que é o melhor?"

Oikawa soltou uma gargalhada. Ele ergueu as mãos para o céu, como se a resposta fosse tão óbvia que nem valia a pena discutir.

"Eu só sei, ué!"

Nicholas piscou. E, pela primeira vez naquele dia, sentiu os cantos da boca se moverem. Ele sorriu. Timidamente. Mas sorriu. Abaixou o olhar para a bola em suas mãos. Depois olhou para Oikawa de novo.

"Eu sou Nicholas."

Oikawa piscou, analisando-o com uma expressão curiosa. Então, inclinou levemente a cabeça para o lado e abriu um novo sorriso.

"Nicholas?" repetiu, como se estivesse experimentando o nome. Então, estalou os dedos e riu. "Hmmm... muito longo. Da onde venho, chamamos os Nicholas de Niko. Pode ser?"

Nicholas piscou. Ninguém nunca o chamou assim antes. Mas, por algum motivo, ele gostou.

"Tá de boa." Ele assentiu devagar.

Oikawa bateu palmas uma vez e correu para o centro da quadra.

"Então, bora jogar, Niko!"

Nicholas segurou a bola, olhou para ele e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu o coração mais leve. E então, ele correu para dentro da quadra.

“Bora jogar!” O grito de Daichi o trouxe de volta à realidade como um soco no peito.

Nick abriu os olhos no exato momento em que o saque do Tokonami cruzava a rede como uma lâmina afiada, cortando o ar e caindo com precisão mortal. Cristian se posicionou, flexionou os joelhos e recebeu o saque com firmeza. O impacto ecoou pelo ginásio, e a bola subiu, girando no ar, uma espiral perfeita — o sonho de qualquer levantador. Mas Nick não se moveu.

"Niko."

O apelido o atingiu como um soco no peito.

"Niko."

Seu estômago revirou violentamente, como se algo dentro dele estivesse se contorcendo, tentando escapar. O peso em seu peito se intensificou, uma pressão sufocante, esmagadora, como se dedos invisíveis estivessem apertando seu coração, drenando lhe o ar, tornando cada batida um esforço doloroso. O ar ficou pesado. Denso. Irrespirável.

Sua respiração ficou curta e irregular. O suor frio escorreu pela nuca. Sua visão oscilou por um instante, não pelo cansaço, mas pelo turbilhão que rugia dentro de sua mente. O ginásio estava desaparecendo. Os sons estavam distantes, abafados, como se ele estivesse submerso. A bola ainda girava no ar. Alta. Perfeita. Suspensa no tempo. Mas, para Nick, parecia estar caindo sobre ele como uma sentença.

"Os últimos de pé são os vencedores. Apenas os mais fortes. Se quer ser um deles, fique forte!"

A voz do pai ressoou como um trovão dentro dele.

"Niko!"

Oikawa.

"Niko!"

O jogo contra o Tokonami.

O peso esmagava seu peito, esmagava seus ombros, esmagava sua mente. A bola girava no ar, suspensa em um instante que parecia durar uma eternidade. Ele deveria estar em êxtase com aquela jogada perfeita. O passe havia sido impecável. A recepção, precisa. Ele estava no lugar certo, na hora certa.

Mas então, por que não conseguia se mover?

O ginásio rugia ao seu redor. O som da torcida, dos tênis rangendo contra o piso encerado, das vozes abafadas dos companheiros chamando por ele. Mas tudo soava distante. Como se ele estivesse debaixo d'água. Como se o mundo ao seu redor tivesse ficado lento e pesado, enquanto sua mente girava rápido demais.

Você precisa agir, Nick. Você precisa levantar essa bola.

Mas para quem?

Seus olhos varreram a quadra num frenesi, tentando encontrar a resposta. Tentando encontrar a segurança. Charlie estava livre na esquerda. Ele era rápido, letal, imprevisível. Mas Nick viu como os bloqueadores do Tokonami já estavam prontos para reagir. Eles estavam esperando por ele. Tsuk estava no meio. Mas algo na postura dele dizia que não era a melhor escolha. Ele não estava preparado. Não estava confiante. Daichi estava posicionado no fundo, mas não era um atacante. Não era o ponto que Nick precisava agora.

E então, havia Asahi.

O Ace.

Asahi estava na direita, os ombros relaxados, mas os olhos afiados. Pronto. Paciente. Nick percebeu a diferença. Charlie e Tsukishima estavam esperando pela bola. Asahi sabia que a bola viria para ele. Não havia dúvida em sua postura. Nenhuma hesitação.

Nick jogou a bola para o Ace. Mas errou. Alto demais. Tão alto que escapou do alcance de Asahi, indo direto para a lateral da quadra e batendo no chão com um estrondo seco.

O som foi como um trovão partindo o ginásio ao meio. Mas para Nick, foi um golpe direto no peito.

Silêncio.

Aquele tipo de silêncio que antecede um desastre.

O barulho da torcida sumiu. O eco das solas de borracha contra o piso encerado desapareceu. Tudo se dissolveu ao redor dele, como se o mundo tivesse se apagado. Só restava o som martelante do seu próprio coração.

Fraco.

A palavra cortou seus pensamentos como uma lâmina.

Fraco. Fraco. Fraco.

A voz do pai.

O peso esmagador desabou sobre ele, mais forte do que nunca. Uma tempestade rugiu dentro do seu peito, cada gota carregada de frustração, vergonha e ódio. Seus músculos se enrijeceram. Sua respiração ficou curta, ofegante, como se estivesse tentando engolir o ar, mas ele escorresse como areia entre seus dedos.

Ele precisava apagar aquela sensação. Ele precisava reagir.

"Desculpa aí," Asahi disse, um pouco sem graça. "Na próxima eu pego."

O estômago de Nick revirou violentamente. Não era sobre Asahi. Não era sobre a bola. Era sobre ele. Ele havia falhado. ELE havia sido o elo fraco. ELE havia deixado todos na mão. Uma onda de raiva subiu dentro dele tão rápido e tão intensa que ele mal percebeu quando sua voz explodiu, feroz e cortante.

"PULA MAIS ALTO ENTÃO!" Sua voz foi um rugido. Um trovão rasgando o ginásio.

As palavras saíram afiadas, cortantes, encharcadas de culpa e desespero. Asahi congelou, os olhos arregalados. O Karasuno inteiro se virou para Nick, surpreso com a explosão. Mas ele não conseguia parar. Os punhos de Nick estavam cerrados, seus ombros tremiam com a fúria que tentava conter. Sua visão estava turva, seus ouvidos zuniam.

Tudo nele queimava. A frustração, a raiva, o medo. Mas, acima de tudo, a culpa. Porque, no fundo, ele sabia. O erro não foi de Asahi. O erro foi dele.

Os jogadores do Karasuno se viraram para ele, surpresos. Nick nunca gritava assim. O ar ficou mais pesado, denso como um campo de batalha antes da guerra começar. Asahi piscou, confuso, e ergueu a mão para Nick, oferecendo um cumprimento casual.

"Calma aí, cara. Desculpa."

Nick deu um tapa seco na mão dele. Sem emoção. Sem palavras. Seus olhos estavam vidrados. Seu corpo tenso. Ele sentia o sangue pulsando na cabeça, nos braços, na ponta dos dedos. Então, ele olhou para a arquibancada.

Para Oikawa.

E lá estava ele. Sentado como se estivesse assistindo a um espetáculo privado. O corpo levemente inclinado para frente. E aquele sorriso. O sorriso que Nick conhecia bem demais. O sorriso que não dizia nada, mas ao mesmo tempo dizia tudo.

Nick sentiu o sangue ferver, a raiva queimando em sua pele. Ele queria que Oikawa desviasse o olhar. Mas Oikawa não desviou. Os olhos de mel encontraram os olhos verdes. E então, lentamente, ele moveu os lábios. Sem emitir som algum. Mas Nick entendeu perfeitamente.

"Niko, O Rei da Quadra."

Boom.

Foi como se algo dentro de Nick tivesse desmoronado e sido reconstruído ao mesmo tempo. O peso nas costas. A respiração pesada. O ódio por si mesmo misturado com orgulho.

Oikawa ainda o via assim.

E, talvez...

Porque no fundo, Nick nunca deixou de ser.


CHARLIE

Charlie se aproximou devagar, o coração martelando no peito. Ele sabia que algo estava errado. Muito errado. Nick estava tenso, os ombros rígidos, o maxilar travado. Suas mãos, que tantas vezes seguraram as dele com cuidado e carinho, estavam frias e suaves, mas havia algo diferente nelas. Algo vazio.

Charlie engoliu seco, hesitando antes de tocá-las. Ele queria sentir Nick de novo, queria o conforto daquele calor que sempre esteve ali. Mas, quando finalmente entrelaçou os dedos aos dele, sentiu um arrepio passar pelo corpo. Nick não apertou sua mão de volta.

"Está tudo bem?" Charlie perguntou baixinho, a preocupação transbordando em cada sílaba.

Nick puxou a mão com um movimento brusco. Rápido demais. Frio demais.

"Agora não, Charlie," disse ele, sem olhar nos olhos dele.

O tom fez o peito de Charlie apertar.

"Qual é o problema?" insistiu, a ansiedade começando a subir por sua garganta.

Nick finalmente ergueu os olhos, mas não era o Nick que Charlie conhecia. Os olhos verdes que sempre foram um refúgio para ele estavam diferentes agora. Havia algo neles que fez Charlie estremecer. Uma mistura de raiva, frustração, medo – mas, acima de tudo, um distanciamento cruel.

"O problema é que temos que ganhar esse jogo!" Nick disse, curto, ríspido. Ele virou de costas e caminhou até sua posição, como se Charlie não estivesse ali. Como se ele não fosse importante.

Charlie congelou. Nick nunca tinha falado com ele assim.

Nunca.

Aquele não era o Nick. Uma imagem atravessou sua mente. Um momento entre os dois, há pouco tempo, que agora parecia tão distante. O treino particular, o calor do sol contra a pele, os sorrisos fáceis e o som da bola ecoando pela quadra vazia.

"Você sabia que eu já fui chamado de 'Rei da Quadra'?" perguntou ele, o tom mais sério do que Charlie esperava.

Charlie ergueu as sobrancelhas, surpreso. "Rei da Quadra? Sério? Parece um título legal."

Nick soltou uma risada amarga, balançando a cabeça. "Não era. Não de onde veio. Na minha antiga escola, eu era... bem diferente. Arrogante, autoritário, o tipo de capitão que ninguém queria por perto. Eu mandava em tudo. Se alguém errasse, eu fazia questão de apontar, e se perdessem um ponto importante, eu fazia parecer que o mundo ia acabar."

Naquele dia, Charlie segurou a mão dele e disse que ele nunca mais precisaria ser assim. Que ele era diferente agora. Que ele não estava sozinho. Mas agora, olhando para Nick ali, tão distante, tão frio, Charlie sentiu um medo sufocante o dominar. Ele não podia deixar Nick voltar a ser aquele garoto. Ele não podia perder Nick para o passado.

Nick segurava a bola com força, os dedos pressionando o couro sintético como se quisesse esmagá-la. Seu olhar estava vazio, escuro. O brilho que Charlie sempre admirava, aquele reflexo de calor e confiança, não estava mais ali.

"Força no saque!" Charlie gritou, tentando alcançá-lo de volta. Outros jogadores do Karasuno seguiram sua deixa, gritando o mesmo, mas com um atraso desconfortável. Por um momento, Nick voltou. Ele olhou para Charlie, e um pequeno sorriso – pequeno, mas real – cruzou seus lábios. Charlie sentiu o alívio bater, mas durou apenas um segundo.

Nick desviou os olhos de Charlie e os fixou na bola de vôlei. Sua expressão endureceu. Seus olhos ficaram afiados. E o Nick que Charlie conhecia desapareceu novamente. Nick lançou o saque com uma força que não fazia sentido. A bola cruzou o ginásio como um míssil, cortando o ar com um som seco e brutal. Muito forte. Forte demais.

O líbero do Tokonami tentou receber, mas a bola explodiu contra seus braços como um tiro, o impacto o derrubando de costas no chão. Ele ficou ali por um segundo, os olhos arregalados, respirando fundo. Seus dedos apertavam o antebraço como se estivesse tentando aliviar a dor da manchete.

Mas Nick não se importou.

Ele já caminhava de um lado para o outro, impaciente, esperando pelo próximo saque, como se o garoto machucado nem estivesse ali.

A treinadora Singh se levantou do banco. "Relaxa, Nick!"

Nick apenas assentiu mecanicamente. Ele esticou o pescoço, o estalando para os lados, e pegou outra bola. O líbero do Tokonami se levantou devagar. Ele flexionou os joelhos e pulou três vezes, tentando se recompor. Seu braço ainda parecia dolorido, mas ele não pediu substituição. Ele queria continuar.

Nick viu isso. Nick sabia disso. E Nick não pensou duas vezes antes de lançar outra bomba diretamente nele. O impacto foi ainda mais forte. Cruel. A bola explodiu contra os braços do garoto e o jogou no chão mais uma vez. Mas, dessa vez, ele não se levantou logo em seguida. Ele ficou ali, respirando fundo, os olhos cerrados em dor.

Daichi se virou para Nick, preocupado. "Troca o receptor, Nick!"

Nick sequer olhou para ele. Seus olhos estavam fixos na quadra adversária, frios e impessoais. "Vou sacar no mais fraco."

O ginásio pareceu congelar por um momento. Charlie sentiu um calafrio subir pela espinha. Isso não era Nick. O silêncio pesou. Ninguém sabia como reagir. A expressão de Daichi se fechou. Cristian desviou o olhar, desconfortável.

Charlie olhou para Nick e percebeu algo que não tinha notado antes. Depois de cada saque, Nick não olhava para a quadra. Ele olhava para a arquibancada. Charlie seguiu seu olhar e encontrou o time do Aoba Jōsai sentado ali, observando tudo.

Foi então que Charlie percebeu.

Aquele garoto bonito do ônibus. O mesmo do celular de Nick. O mesmo que o fez ficar estranho a viagem toda. Nick olhava diretamente para ele. Charlie sentiu o peito apertar. Quem era esse garoto? O que aconteceu entre ele e Nick para que Nick ficasse assim?

Mas antes que pudesse pensar mais, Nick já estava sacando de novo.

O saque foi monstruoso. A bola cortou o ar como uma lâmina afiada. Dessa vez, o líbero do Tokonami não conseguiu reagir a tempo. Mas o capitão do time se jogou na frente, defendendo com dificuldade. A recepção foi instável. Desajeitada. A bola subiu muito alta. Era uma bola morta que voltava para a quadra do Karasuno.

"Minha!" Daichi gritou, levantando as mãos para receber.

Nick já estava se posicionando para o levantamento. Ele queria essa bola. Mas Daichi fez algo inesperado. Ele não tocou na bola. Ele a deixou cair no chão.

O ginásio parou.

Nick girou a cabeça para Daichi, sua respiração acelerada. "O que foi isso?"

"O que foi isso?" Daichi repetiu, cruzando os braços e olhando para a linha do saque.

Nick franziu a testa, se aproximando. "Por que você deixou a bola cair?"

Mas antes que Daichi pudesse responder, o apito soou. A treinadora Singh pediu tempo. Charlie engoliu em seco. O placar marcava 3x10 para o Karasuno. Eles estavam vencendo. Mas, de alguma forma, Nick estava perdendo

NICK

Todos caminharam em direção ao banco, mas o peso do erro ainda pairava sobre a quadra. O Karasuno tentava não demonstrar, mas o impacto era visível em cada expressão carregada, em cada respiração pesada, em cada olhar trocado em silêncio.

Mas ninguém parecia mais afetado do que Nick.

Ele se sentou no banco com os músculos rígidos, a perna inquieta batendo contra o piso de madeira em um ritmo irregular. Seu olhar estava fixo no chão, como se tentasse furar a superfície com o olhar, como se estivesse caindo em um abismo invisível.

Seus dedos cravaram no tecido do próprio uniforme, os nós dos dedos ficando brancos com a força da pressão. Cada batida do coração parecia ecoar em seus ouvidos. Seu corpo inteiro estava tenso, como um fio prestes a arrebentar.

As vozes ao redor dele estavam distantes, distorcidas, abafadas como se ele estivesse submerso em água. A única coisa que ele conseguia ouvir de verdade era o som do erro se repetindo na sua cabeça.

O erro foi meu.

A bola alta demais. O olhar confuso de Asahi. O som seco da bola batendo fora da quadra.

O erro foi meu.

As palavras de desculpa de Asahi. A sua própria explosão. A forma como todos o olharam.

O erro foi meu.

Sua mandíbula estava travada, seus dentes apertados uns contra os outros. Seus ombros subiam e desciam com respirações irregulares, como se estivesse tentando se conter, mas falhando miseravelmente.

A raiva ainda fervia dentro dele. Mas, agora, misturava-se com outra coisa. Algo frio. Algo sufocante.

Vergonha.

Porque ele sabia que o problema não foi a jogada.

Foi ele.

Foi o jeito que ele gritou com Asahi. Foi o jeito que ele perdeu o controle. O jeito que se permitiu ser arrastado para aquele lugar escuro de novo. Seu peito subiu e desceu em uma tentativa frustrada de recuperar o fôlego, mas parecia que o ar não chegava direito.

Ele sentiu um toque em seu ombro.

Nick piscou, como se voltasse à realidade por um segundo.

Era Charlie.

Seu olhar era sereno, mas atento. Ele não disse nada. Só apertou levemente o ombro de Nick.

Nick engoliu seco, desviando o olhar. Ele queria dizer algo. Mas não conseguia. Porque o nó em sua garganta ainda estava ali. E se ele tentasse falar, ele sabia que sua voz iria falhar.

A treinadora Singh estava de pé, as mãos cruzadas, observando cada um deles com um olhar afiado e calculista. Ela não falava, mas o silêncio era mais pesado do que qualquer bronca poderia ser.

Harry, sem saber lidar com a tensão, abriu um sorriso e quebrou o silêncio com sua usual falta de noção. "Por que pediu tempo, treinadora?" Ele abriu os braços, como se fosse óbvio. "Nick tá acabando com eles."

Nick apertou os punhos, sem dizer nada. A treinadora finalmente deu um passo à frente. Seu olhar era frio, calculado, mas, acima de tudo, decepcionado.

"E vocês acham que isso é bom?" Sua voz soou firme, mas não estava gritando. Ela nem precisou. O peso das palavras caiu sobre eles com mais força do que qualquer berro.

Harry piscou, sem entender. "Ué... estamos ganhando."

A treinadora Singh respirou fundo, fechando os olhos por um breve segundo antes de continuar.

"Vocês sabem qual é a diferença entre enfrentar um inimigo fraco e um inimigo forte?"

O time ficou em silêncio.

Ela cruzou os braços e começou a caminhar devagar em frente ao banco. "Quando você enfrenta um inimigo mais forte, a vitória não é garantida. Cada ponto é uma luta. Você precisa dar tudo de si, precisa estar no seu melhor. Você cresce. Você aprende." Ela parou e olhou diretamente para Nick. "Mas quando você enfrenta um inimigo mais fraco?"

Nick engoliu em seco.

"Quando você enfrenta um inimigo mais fraco, a verdadeira luta não é contra ele." Ela apontou para a quadra do Tokonami, onde o líbero ainda estava se recuperando dos saques violentos de Nick. "É contra você mesmo."

A treinadora deixou a frase no ar, deixando que as palavras fossem absorvidas antes de continuar.

"E eu estou vendo alguém aqui perdendo essa luta."

Nick sentiu o sangue ferver. "O que você quer dizer com isso?"

Ela se inclinou levemente para frente. "O que você está tentando provar, Nick?"

Nick trincou o maxilar. Seu peito subia e descia mais rápido.

"Eu não estou tentando provar nada."

A treinadora deu um riso curto, sem humor. "Não? Então por que você está jogando assim?

"Eu estou jogando para ganhar." Nick respondeu, rápido demais.

"Ganhar?" A treinadora ergueu uma sobrancelha. "Isso parece mais vingança do que vôlei."

O silêncio foi cortante. Charlie olhou para Nick, preocupado, mas não teve coragem de falar nada. Ele não reconhecia Nick desse jeito. Ele sempre fora intenso, competitivo, determinado. Mas aquilo? Aquilo era diferente.

A treinadora Singh suspirou, cruzando os braços, estudando Nick por um momento antes de falar. Sua voz não era dura, mas também não era suave. Era o tipo de tom que cortava fundo porque dizia exatamente o que precisava ser dito.

"Nick, você é um excelente levantador. Talvez um dos melhores que eu já treinei." Ela pausou, deixando as palavras assentar. "Mas se continuar assim, você não vai ser lembrado por isso. Vai ser lembrado como alguém que destruiu o próprio time por um orgulho mal colocado."

Nick fechou os olhos com força, os dentes se trincando.

As palavras ecoaram como um soco no estômago. Orgulho mal colocado? Era isso? Ele queria negar, queria justificar, mas não conseguia. Porque sabia que havia verdade naquelas palavras.

"Os fortes não são aqueles que esmagam os fracos." A treinadora continuou, sua voz agora mais baixa, mas ainda carregada de peso. "Os fortes são aqueles que se mantêm firmes contra outros fortes e respeitam a força dos fracos. Contra aqueles que realmente importam."

Nick sentiu o peito apertar, como se um nó estivesse se formando no fundo de seu estômago.

"Alguém que não pode ver o oponente em sua frente, não é capaz de derrotar o oponente que está além disso." Ela disse, e seus olhos se desviaram para a quadra, para Oikawa, para o Aoba Jōsai.

Nick abriu os olhos. E, pela primeira vez, viu. O verdadeiro inimigo sempre esteve ali.

Dentro dele.

A raiva. O orgulho. O medo.

Ele não estava tentando vencer Oikawa. Ele não estava tentando vencer o Karasuno. Ele estava tentando vencer a si mesmo.

Mas vencer o quê, exatamente?

A sensação de que nunca seria o bastante? A voz do pai em sua cabeça, repetindo como um mantra cruel? O peso de saber que já foi alguém de quem ele mesmo se envergonhava?

Porque era isso.

Quanto mais ele tentava enterrar o garoto que foi, mais forte ele voltava.

Ele ainda estava ali.

O mesmo Niko que acreditava que só era digno se fosse o melhor. Que via o vôlei como uma guerra. Que exigia demais dos outros porque exigia demais de si mesmo. Mas o vôlei nunca foi isso.

Nick respirou fundo, os dedos apertando as laterais do banco. Seu peito subia e descia rapidamente, tentando acompanhar o caos dentro dele.

Ele precisava mudar. Ele precisava jogar vôlei.

Ele precisava ser Nick. Não Niko.

Nick ergueu o olhar e encontrou os olhos da treinadora.

"Eu entendi," sua voz saiu mais firme do que esperava.

A treinadora assentiu. Ela não precisou dizer mais nada. Charlie, ao seu lado, sorriu pequeno. Nick fechou os punhos.

Ele estava pronto.

O silêncio pesava no ginásio, até que a treinadora deu um passo à frente e quebrou o momento com sua voz firme:

"Agora vão lá e joguem como o Karasuno." Ela olhou diretamente para ele. "Não como um time de um homem só."

Nick fechou os olhos por um breve instante, absorvendo tudo. E quando os abriu novamente, algo dentro dele tinha mudado. Ele respirou fundo e olhou para seus companheiros de time. Primeiro, para Daichi, que ainda o encarava de maneira séria, mas sem raiva. Apenas esperando. Nick apertou os lábios e assentiu.

"Desculpa," disse Nick, sua voz baixa, mas carregada de sinceridade.

Daichi segurou seu olhar por um segundo antes de dar um pequeno aceno de cabeça.

"Não estrague nosso jogo de equipe de novo," respondeu ele, sem dureza, mas com firmeza suficiente para garantir que Nick entendesse.

Nick então virou-se para Asahi, que estava em silêncio, os braços cruzados, ainda processando o que tinha acontecido.

"Eu fui um idiota," admitiu Nick, forçando um pequeno sorriso culpado. "Você é o Ace. Eu deveria confiar em você."Asahi piscou, surpreso, e então deu um suspiro leve, relaxando os ombros.

"Todo mundo tem seus momentos," disse ele. "Mas não precisa gritar com a gente pra resolver seus problemas."

Nick soltou uma risada curta, quase sem graça. "Eu sei."

E então, Charlie.

Nick se virou para ele por último. Charlie estava ali, perto o suficiente para que Nick visse cada detalhe de sua expressão. Os olhos azuis acinzentados estavam carregados de preocupação, mas agora havia um alívio neles também. Nick hesitou. Ele queria dizer muita coisa. Ele queria se explicar, dizer que não queria ser assim, que não queria magoá-lo. Mas Charlie apenas sorriu para ele.

E aquilo foi tudo.

A tensão no peito de Nick afrouxou. Charlie estava ali. Ainda ali. Nick queria beijá-lo. Ele precisava dele. Mas eles tinham um jogo para vencer antes.

Nick balançou a cabeça de leve e sorriu de volta.

"Vamos ganhar isso," disse ele.

Charlie assentiu.

O Karasuno voltou para a quadra.

O final do set começou com uma energia completamente diferente. O Karasuno estava jogando como um time de verdade novamente. O caos e a tensão do início do jogo deram lugar à harmonia e sincronia. Nick se movimentava com mais fluidez, seus levantamentos saíam com precisão cirúrgica, guiando cada jogada com maestria.

Os bloqueios de Tsuk eram uma muralha intransponível para o Tokonami. Seus olhos calculavam cada ataque adversário com frieza, seus movimentos eram meticulosos. Ele sabia exatamente quando saltar, onde posicionar as mãos, e seu bloqueio era como um golpe de realidade no Tokonami—não importava o que tentassem, ele estava lá.

Asahi era um pesadelo para a defesa adversária. Cada corte dele era um trovão que ecoava pelo ginásio, e os jogadores do Tokonami mal conseguiam reagir antes da bola explodir no chão. Era força pura, crua, avassaladora.

Charlie, por outro lado, era um raio. Rápido, imprevisível, letal. Seus cortes eram certeiros, buscando ângulos impossíveis, furando bloqueios que pareciam sólidos. Ele não apenas atacava—ele desafiava a defesa adversária, obrigando-os a tentar acompanhá-lo, e falhando todas as vezes.

O placar avançava e o Tokonami começava a desmoronar. Eles tentavam, lutavam, corriam, mas a cada jogada perdiam um pouco mais da esperança. O Karasuno era um furacão, e eles estavam presos no meio dele.

Nick sentia cada parte do time funcionando. Cristian, sólido como sempre, defendendo bolas impossíveis. Daichi mantendo a ordem e organizando a recepção. Suga e Tao, do banco, incentivando cada um deles com seu sorriso e confiança.

Nick respirou fundo. Agora, sim. Agora eles eram o Karasuno.

E então, veio o último ponto.

O Tokonami conseguiu armar um ataque, mas a bola subiu um pouco mais do que deveriam. Nick acompanhou o movimento do levantador adversário e viu a jogada acontecer em câmera lenta. Era a última chance deles.

Eles tentaram um ataque forte na paralela. Mas Tsuk estava lá. Ele saltou no tempo exato, como se já soubesse o que ia acontecer. Seu bloqueio não foi espalhafatoso, não foi uma explosão de força. Foi um golpe seco, calculado, simples. E foi o suficiente.

A bola bateu contra suas mãos e caiu no chão do Tokonami.

O apito soou, e por um segundo, houve silêncio. E então, a pequena torcida do Karasuno explodiu.

11x25 para o Karasuno.

Eles estavam na SEMI FINAL!

Nick mal teve tempo de reagir antes de ser cercado por seus companheiros. Asahi erguendo os braços, Daichi gritando algo ininteligível, Harry correndo de um lado para o outro como se tivesse acabado de vencer um campeonato mundial. Charlie rindo, os olhos brilhando, e antes que Nick pudesse pensar, ele sentiu um par de braços ao seu redor.

Charlie o abraçou forte e Nick sentiu que poderia ficar ali para sempre. Mas então, ele olhou para frente. E sentiu o frio na espinha. Do outro lado da rede, perto da saída do ginásio, Oikawa estava indo embora com o Aoba Jōsai. Nick parou. Seu peito subia e descia, a adrenalina da partida ainda pulsando em suas veias. Mas tudo isso pareceu pequeno comparado ao peso que caiu sobre ele. Ele entendeu o que aquilo significava. Eles estavam na semifinal.

E isso significava enfrentar o Aoba Jōsai.

Enfrentar Oikawa.

Seus olhos mel encontraram os dele por uma última vez antes de desaparecerem pela porta. E naquele momento, Nick sentiu algo profundo e esmagador.

Não era medo.

Não era ansiedade.

Era o passado.

Porque, pela primeira vez em anos, ele teria que encarar o que deixou para trás.

Notas finais
Muito obrigada por chegarem até aqui e por acompanharem cada momento dessa jornada comigo! Cada comentário, cada leitura e cada emoção compartilhada fazem essa história ainda mais especial. Estamos entrando na reta final deste arco, e um dos temas centrais que vai guiar os próximos capítulos é a relação complexa entre Niko e Oikawa. Eles são opostos em muitos sentidos, mas também são espelhos um do outro. O talento natural contra o esforço incansável. A genialidade inata contra a obsessão pela perfeição. Trechinho do próximo capítulo: CAPÍTULO 16 – O Que Deixei Para Trás "Mas eu quero jogar vôlei!" Sua voz quebrou no final. "Eu juro que posso ser bom nisso!" O treinador suspirou e apertou os olhos. Quando voltou a falar, sua voz foi ainda mais dura. "Você não tem talento. Nem aptidão. Vôlei não é pra você." Obrigada por acompanharem até aqui! Nos vemos no próximo capítulo! 💛🏐 Com carinho, Bia