Match Point
9 ARCO 1 VOE! - Capítulo 9 - O Muro de Ferro
Notas iniciais
O ginásio pulsava com energia. As arquibancadas estavam tomadas por um mar de laranja e preto do Karasuno, enquanto a torcida visitante do Date Tech, menor em número, fazia questão de compensar no volume. Os uniformes brancos com detalhes em verde escuro do time adversário destacavam-se sob as luzes da quadra, mas o que realmente chamava atenção era a presença intimidadora de seus jogadores. O Date Tech não era conhecido por ataques ousados ou jogadas brilhantes — sua força residia na defesa impenetrável que lhe rendeu o título de “Muro de Ferro”.
No centro daquela muralha estava Aone, uma figura que parecia maior do que sua própria altura de 1,93 metros. Com os cabelos platinados e uma expressão estoica, ele quase não falava, mas não precisava. O olhar afiado e a postura sólida como uma rocha diziam tudo. Cada passo de Aone parecia medir o chão, calculando o momento exato de saltar e bloquear, como se fosse capaz de prever o futuro. Mesmo sem dizer uma palavra, ele era o coração do Date Tech.
Ao lado dele estava Kanji, o levantador mais alto do time, com 1,90 metros, mas o que mais chamava atenção não era sua altura — era o topete preto que se destacava contra seus cabelos loiros tingidos. Ele tinha uma energia quase explosiva, sempre gritando para motivar o time ou se desculpando de forma atrapalhada após algum erro. Sua postura agitada era um contraste completo com a calma intimidadora de Aone. Apesar da técnica ainda inconstante, Kanji usava sua altura e entusiasmo como armas, tornando-se uma ameaça imprevisível, especialmente na rede.
Futakuchi, o capitão, completava o trio de destaque. Com 1,85 metros, ele não tinha a imponência física de seus colegas, mas compensava com astúcia e precisão. Seu olhar atento percorria a quadra como um estrategista experiente, sempre à procura de brechas no adversário. Ele era o cérebro por trás da força bruta do Date Tech, garantindo que a muralha funcionasse como uma unidade coordenada.
Enquanto os jogadores do Date Tech se alinhavam, a quadra parecia mudar. Havia algo opressor na maneira como eles se posicionavam na rede, um sentimento de inevitabilidade, como se fosse impossível passar por aquela barreira. A torcida do Karasuno, tão vibrante antes, parecia hesitar por um instante, sentindo a pressão daquela muralha viva.
No vestiário, o clima era diferente. Charlie, sentado em um dos bancos de madeira, ajustava nervosamente o uniforme preto com detalhes laranja do Karasuno. Era a primeira vez que jogaria como titular, e a expectativa parecia pesar como uma âncora. Tao, como sempre, estava ao seu lado, observando cada movimento dele com uma expressão que mesclava apoio e diversão.
Nick, entretanto, estava sem camisa, revelando seu físico definido, com ombros largos e músculos esculpidos de forma sutil, mas impressionante. O brilho de um leve suor em sua pele deixava tudo ainda mais evidente, e os olhos verdes de Nick permaneciam focados em sua tarefa, completamente alheios ao impacto que sua presença causava.
Charlie tentou desviar o olhar, mas parecia impossível. Cada movimento de Nick — o jeito como seus músculos do braço flexionava enquanto ele amarrava os tênis, ou como seus ombros se mexiam levemente enquanto ele inclinava a cabeça para o lado — fazia o rosto de Charlie aquecer. Ele engoliu em seco, sentindo uma gota de suor escorrer pela testa.
“Seca a baba,” Tao disse, jogando uma toalha na cara de Charlie.
“Ai!” exclamou Charlie, surpreso, mas não conseguiu conter um sorriso.
“Dá pra ser menos óbvio?” Tao sussurrou, arqueando uma sobrancelha.
“Não dá. Olha pra aquilo,” Charlie respondeu, gesticulando com a cabeça em direção a Nick, o que fez ambos caírem na gargalhada.
Nick ergueu o olhar, confuso, mas ainda sorrindo. “O que foi?” perguntou, sua voz calma e reconfortante.
“Só... nervoso,” admitiu Charlie, desviando os olhos e ajustando o uniforme com movimentos apressados.
“É normal,” interveio Cristian, colocando uma mão no ombro de Charlie. “Eu também fico nervoso antes dos jogos.”
“É mesmo?” Charlie perguntou, surpreso.
“Sim, mas tenho meu método infalível para aliviar a tensão,” disse Cristian, já se posicionando de frente para o espelho. Ele começou uma dança estranha, balançando os braços como se fosse um pássaro, enquanto murmurava: “Eu sou um corvo, ninguém vai passar por mim!”
O vestiário explodiu em risadas. Tao, claro, aproveitou o momento. “Ah, Charlie, por que você não tenta? Talvez esse seja o seu grande momento de glória.”
Apesar da relutância inicial, Charlie tentou imitar os movimentos de Cristian, balançando os braços de maneira desajeitada. Tao começou a rir alto, inclinando-se para trás como se fosse a coisa mais engraçada que já tinha visto. “Isso, Charlie! Agora você parece uma mistura de corvo e galinha tentando voar! Impressionante!”
“Você podia tentar me ajudar, sabia?” Charlie retrucou, ainda mexendo os braços desajeitadamente.
“E perder essa obra-prima? Nem pensar,” Tao respondeu, piscando para ele.
Enquanto isso, o resto do time estava espalhado pelo vestiário em um caos típico. Cristian, agora sem camisa, ajustava a camiseta laranja de líbero com a confiança de quem sabia o quanto era essencial. Harry, apenas de cueca, penteava os cabelos loiros e contava uma história absurda para Ben, que estava encostado na parede ajustando suas joelheiras com uma expressão de tédio.
Cristian apontou para Harry, rindo. “Você vai jogar assim, só de cueca? Quer distrair o Date Tech com sua bunda?”
Harry revirou os olhos, mas não conseguiu segurar o sorriso. “Eu jogo melhor assim,” respondeu abrindo os braços, provocador.
Cristian puxou Harry para se juntar à dança, enquanto ele reclamava entre risos: “Me deixa, cara! Eu preciso ficar bonito pra torcida!”
Daichi, o equilíbrio do grupo, já estava completamente vestido e ajustava calmamente suas joelheiras, observando a confusão com um leve sorriso.
Tsuk, sentado no canto do vestiário, cruzava os braços e observava tudo com uma expressão cética. “Vocês conseguem ser mais infantis do que eu imaginava,” murmurou ele, com seu típico sarcasmo, antes de colocar os óculos no lugar.
Charlie observou aquele time disfuncional à sua volta. Como eles podiam ser tão diferentes? Tao sempre ao seu lado com seus comentários afiados, Nick exalando uma tranquilidade que contrastava com o caos ao redor, e Cristian mantendo todos energizados com sua espontaneidade. Ainda assim, em quadra, eles eram uma unidade. Eles mostrariam ao Date Tech, ao "Muro de Ferro", o que um bando de corvos era capaz de fazer.
A treinadora Singh entrou no vestiário com passos firmes, carregando uma prancheta repleta de anotações. Sua expressão era séria, o tipo de olhar que exigia atenção imediata.
“Atenção, todos!” Sua voz cortou o burburinho como uma lâmina, e o vestiário mergulhou em silêncio.
“Eles têm o melhor bloqueio sincronizado que vocês já viram. Não é à toa que o nome deles carrega peso. Mas ouçam bem: eles não são invencíveis. O segredo para derrubá-los está na determinação, não na força.”
Ela deu alguns passos para a frente, observando cada jogador como se estivesse avaliando o quanto estavam prontos. “Esses caras são enormes. Vocês sabem disso. No centro dessa muralha está Aone, com 1,93m de altura e uma precisão quase cirúrgica nos bloqueios. Ele é o núcleo da defesa, e sua leitura de jogo vai testar cada um de vocês.”
A treinadora apontou para a prancheta, onde o esquema do Date Tech estava desenhado. “Ao lado dele está Kanji, que sincroniza perfeitamente com Aone, cobrindo qualquer espaço que possa ser explorado. Juntos, eles criam uma barreira quase impenetrável. E na extremidade, temos o capitão, Futakuchi, que além de liderar os ataques, fortalece o bloqueio quando necessário. Esse trio é o coração do Muro de Ferro.”
Ela parou e olhou para os jogadores. “Lembrem-se: o bloqueio deles não é só sobre altura, mas sobre trabalho em equipe. Cada movimento deles é planejado e sincronizado. Nosso trabalho hoje é quebrar essa sincronia. Se conseguirmos tirá-los da posição ideal, o Muro de Ferro desmorona. Eles são fortes, mas até as muralhas têm brechas. Nós vamos encontrar essas brechas. E vamos voar por elas.”
Ela ergueu a prancheta, apontando para os nomes e esquemas táticos desenhados. “Aqui está o plano: forcem a movimentação deles. Não deem tempo para que se organizem. Harry, Ben e Charlie, vocês serão cruciais. Quero ataques rápidos e fortes, variando os ângulos para confundir o bloqueio. Harry, seus saques potentes são nossa arma para desestabilizar a linha de recepção deles. Forcem erros que podemos capitalizar.”
“Sim, senhora!” responderam os três em uníssono, com determinação.
“Nick,” continuou ela, “como nosso levantador, coordene combinações de ataque rápidas e imprevisíveis. Trabalhe em sincronia com Charlie e Ben para executar jogadas que dificultem o posicionamento do Date Tech. Velocidade e surpresa são nossas maiores aliadas.”
“Entendido,” respondeu Nick, sério e focado.
“Cristian e Daichi,” a treinadora prosseguiu, olhando para os dois defensores, “sua defesa precisa ser impecável. Estejam atentos aos ataques adversários e mantenham nossa linha defensiva sempre bem posicionada. Uma defesa sólida não só impede pontos fáceis como também nos dá oportunidades para contra-atacar.”
Os dois trocaram um olhar rápido e assentiram, já entrando no clima de responsabilidade.
“Agora, todos vocês: fiquem atentos ao posicionamento do bloqueio deles. Observem padrões e ajustem os ataques de acordo. Se perceberem que estão deslocando o bloqueio para uma área, direcionem o ataque para a zona livre. Comunicação será essencial. Falem, informem-se sobre os bloqueadores e defensores adversários. Uma equipe que se comunica bem pode se adaptar a qualquer situação.”
A treinadora fez uma pausa, seu olhar passando por cada jogador. “E ouçam bem: se vocês hesitarem, eles vão engolir vocês. Não há espaço para dúvidas hoje. Este é o jogo que vai definir como o Karasuno será lembrado. Vocês são o time que voa. Não deixem que eles nos derrubem antes de mostrar do que somos capazes.”
Ela ajeitou a prancheta e cruzou os braços, sua postura firme e confiante. “Hoje, não é só sobre ganhar. É sobre provar que, não importa quão grande seja a muralha, os corvos sempre encontram o céu.”
O silêncio que se seguiu foi pesado, mas não de medo. Era de foco. Nick foi o primeiro a se levantar. Ele olhou para os companheiros de equipe com uma expressão séria, mas carregada de confiança.
“Vocês ouviram a treinadora,” começou ele, firme. “O Date Tech é grande, mas nós não estamos sozinhos. Juntos, podemos passar por qualquer coisa. Então, o que vamos fazer?”
Ele estendeu a mão ao centro, e um a um, os jogadores colocaram suas mãos sobre a dele.
Nick ergueu a voz, quase um grito: “VOE!”
“VOE!” responderam os jogadores em uníssono, a determinação vibrando no ar.
O ginásio estava vibrando. Cada canto do espaço pulsava com a energia de torcedores apaixonados. Um a um, os jogadores do Karasuno eram anunciados no microfone, e a torcida respondia com entusiasmo crescente. Quando o nome de Nick Nelson foi chamado, o barulho foi ensurdecedor. Aplausos, gritos e até algumas faixas agitadas pelo público mostravam o quanto ele era querido e admirado.
Nick levantou a mão em agradecimento, mantendo sua postura confiante. Charlie, observando do lado, não pôde deixar de admirar como parecia natural para ele estar no centro de toda aquela atenção. Então, o próximo nome ecoou no ginásio:
“Charlie Spring!”
Os aplausos foram modestos, quase tímidos, mas um grupo específico se destacou. Elle, Darcy, Tara e Isaac na arquibancada, gritaram com toda a força de seus pulmões e com cartazes cheio de glitter com apoio para Charlie e Tao.
“Isso mesmo, Charlie! Mostre pra eles!” gritou Darcy, enquanto Elle agitava as mãos no ar. As vozes de seus amigos sobressaíam no meio do barulho geral.
Ao ouvir os gritos, Cristian olhou para Charlie com um sorriso malicioso. “Torcida pessoal, hein? Tá podendo!”
Charlie corou, mas entrou na brincadeira. “Acho que sou famoso em círculos muito específicos,” respondeu, tentando disfarçar o nervosismo que sentia.
Cristian deu um tapinha no ombro de Charlie. “Você vai mandar bem. Confia.”
Os times foram chamados ao centro da quadra para os cumprimentos formais. O ginásio, que segundos antes parecia uma panela de pressão com gritos e cânticos, mergulhou em um silêncio quase reverente. Cada passo ecoava no chão polido, e a tensão era palpável, uma corda esticada prestes a romper.
As fileiras de jogadores se alinharam, a rigidez de suas posturas refletindo o peso do momento. De um lado, o Date Tech, imponente e sólido como uma muralha. Seus jogadores, liderados por Aone, pareciam formar uma linha impenetrável, seus olhares frios e calculados varrendo o adversário. Do outro lado, o Karasuno, seus jogadores carregavam a determinação em seus corpos, apesar de serem visivelmente menores em altura e menos intimidantes.
Quando chegou a vez de Charlie apertar a mão de Aone, ele sentiu o coração pulsar em suas orelhas. O bloqueador central do Date Tech parecia ainda maior de perto, sua presença era sufocante. O aperto de mão de Aone era firme, quase esmagador, e o olhar que ele lançou para Charlie foi breve, mas devastador. Um exame rápido, que começou nos olhos de Charlie, desceu até seus pés e voltou, como se Aone já tivesse decidido: este não era um oponente digno.
O desprezo não dito atingiu Charlie como uma onda gelada, mas, em vez de recuar, algo dentro dele queimou com mais força. Ele apertou os dentes, sentindo os dedos formigarem pelo aperto. Apesar de tudo, manteve o olhar fixo e a cabeça erguida, mesmo que isso significasse encarar o peito de Aone em vez de seus olhos. Ele não se deixaria intimidar. Não hoje.
Tsukishima, ao se aproximar de Aone, encontrou algo diferente. O ar parecia se comprimir ao redor deles. O bloqueador alto do Karasuno manteve sua postura altiva, os lábios curvados em um sorriso irônico, mas havia uma tensão em seus movimentos, como se soubesse que estava diante de um verdadeiro colosso. Aone, em contraste, permaneceu imóvel, como uma montanha. Seus olhos estreitaram levemente, um gesto quase imperceptível, mas que dizia tudo. Ele reconhecia Tsukishima como um desafio – talvez o único.
Ao passar para a próxima fileira, Cristian encontrou o líbero do Date Tech, Sakunami. Embora menor em altura, a postura de Sakunami era rígida, controlada, quase militar. Cristian tentou parecer relaxado, os ombros soltos e o rosto com um leve sorriso, mas havia algo nos olhos de Sakunami que fazia a energia descontraída de Cristian vacilar por um momento. Sakunami o analisava, como se cada movimento de Cristian já tivesse sido previsto, mapeado e neutralizado. O aperto de mão entre eles foi breve, mas carregado de promessas silenciosas.
Quando Harry e Kanji ficaram frente a frente, o ar parecia crepitar com a tensão carregada de pura provocação. Harry, como sempre, não perdeu a oportunidade de transformar o momento em um espetáculo próprio. Ele estendeu a mão com um sorriso exagerado, o tipo de sorriso que irrita antes mesmo de se ouvir o que vem depois.
“Uau, Kanji, adorei esse topete,” disse Harry, inclinando a cabeça com falsa admiração. “Você usa quanto de spray pra manter isso? Deve gastar o salário inteiro.”
Alguns jogadores do Karasuno começaram a rir baixo, tentando disfarçar, mas Kanji não achou graça. Ele segurou a mão de Harry e apertou com uma força que passava longe de amistosa, os olhos semicerrados, avaliando o adversário como quem avalia algo que pretende esmagar.
“Spray? Não preciso disso,” respondeu Kanji, seco, mas carregado de sarcasmo. Ele apertou a mão de Harry um pouco mais, quase o suficiente para fazê-lo recuar. “Agora, você? Esse sorriso aí... é pra distrair o time adversário ou só pra disfarçar a falta de talento?”
Harry soltou uma risada curta, sem recuar, o sorriso se alargando ainda mais – uma mistura de provocação e desafio descarado. “Bom, considerando que tô aqui e você ainda tá falando comigo, acho que funciona, né?”
Kanji estreitou os olhos, o maxilar travando. Harry simplesmente piscou para ele, como se tivesse acabado de vencer uma batalha antes mesmo do jogo começar. Kanji franziu a testa, claramente irritado, mas antes que pudesse responder, o árbitro sinalizou para seguir em frente.
Daichi, ao cumprimentar Futakuchi o capitão do Date Tech, demonstrou uma postura mais séria e respeitosa. Os dois se conheciam de partidas anteriores, e havia um misto de respeito e rivalidade nos olhares que trocaram.
“Futakuchi,” disse Daichi, com um aceno breve.
“Daichi,” respondeu o capitão do Date Tech, com um pequeno sorriso. “Espero que tenham melhorado desde o ano passado. Vamos ver se conseguem passar pelo muro dessa vez.”
“E você, espero que tenha algo além do muro,” respondeu Daichi, a voz firme, mas sem perder a compostura.
Os dois mantiveram o olhar fixo por um momento antes de seguirem em frente.
Ben encontrou-se frente a frente com Obara, o ponteiro do Date Tech. A aura de superioridade que emanava de Obara era quase tangível, amplificada pelo leve arquejo de suas sobrancelhas e o sorriso que mal escondia o desprezo. Quando suas mãos se encontraram para o cumprimento, Ben, já inflamado pela tensão do momento, apertou com mais força do que o necessário, quase como se quisesse transmitir sua determinação por meio daquele gesto simples.
Obara manteve o sorriso, puxando a mão de volta com uma calma que parecia ensaiada, quase zombeteira. Seus olhos percorreram Ben de cima a baixo, avaliando-o com uma tranquilidade calculada que só intensificava a provocação silenciosa. Ben sentiu o calor subir pelo rosto e o coração acelerar, como se aquele simples aperto de mão fosse o início de uma batalha que transcenderia a quadra.
Sem dizer uma palavra, ambos voltaram às suas posições, mas o peso do confronto iminente pairava no ar. Ben podia sentir a adrenalina pulsando em suas veias, enquanto a figura de Obara parecia lançar uma sombra de desafio que ele estava determinado a dissipar.
Os cumprimentos terminaram, mas a tensão continuou pairando no ar. Cada jogador sabia que aquele seria um jogo muito além da técnica – seria uma batalha de vontades e orgulho. O “Muro de Ferro” estava firme, mas o Karasuno não pretendia recuar.
Nick, por outro lado, manteve sua compostura impecável ao se aproximar do capitão do Date Tech. O gesto era simples, mas carregado de respeito: os dois trocaram bandeiras cerimoniais, representando seus times. Nick entregou a do Karasuno com as palavras “VOE” bordadas em branco sobre o fundo negro. O capitão do Date Tech, com uma postura tão sólida quanto seu bloqueio, entregou a bandeira verde escuro com o símbolo do “Muro de Ferro”. Os dois apertaram as mãos firmemente, e, por um instante, os olhos de Nick brilharam com uma determinação calorosa, enquanto o capitão do Date Tech retribuía com um olhar frio e calculado.
Com os cumprimentos encerrados, os times recuaram para suas respectivas quadras. O ar parecia mais pesado agora, carregado de rivalidade, promessas silenciosas de que aquele jogo seria uma verdadeira batalha. Charlie lançou um último olhar para Aone antes de se posicionar. Ele sabia que aquele seria o desafio mais difícil de sua vida, mas, naquele momento, o pensamento de desistir sequer passou por sua mente.
Impressionante, né?” Nick sussurrou para Charlie enquanto voltavam para suas posições. “Aone realmente é um muro. Mas podemos passar por ele”
Charlie assentiu, mas não pôde evitar que a ansiedade crescesse em seu peito.
No fundo da quadra, Harry se posicionou para o saque, claramente adorando o momento. Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os de forma despreocupada, como se estivesse em um comercial de shampoo e não no meio de um jogo decisivo. Com um sorriso travesso, ele ajeitou a postura, olhou para a torcida e fez uma pausa dramática, como se estivesse aguardando o holofote imaginário se acender sobre ele.
Ele ergueu os braços lentamente, como se estivesse comandando uma orquestra, e bateu palmas três vezes – cada batida ressoando no ginásio como um tambor que marcava o compasso da torcida. A resposta foi instantânea e ensurdecedora: “VOE! VOE! VOE!” O coro parecia empurrar o time do Karasuno para frente, alimentando a energia elétrica do momento.
Harry deu um leve giro nos calcanhares, inclinou-se de forma teatral e murmurou para si mesmo, mas alto o suficiente para que os outros ouvissem: “E agora, senhoras e senhores, o espetáculo começa.”
Nick, do outro lado da quadra, balançou a cabeça, segurando o riso. “Harry, acha que esta estrelando um filme.” Ele diz para Charlie
Quando Harry lançou a bola ao ar, o ginásio ficou em silêncio por um instante, como se até o tempo tivesse parado para assistir. Harry inclinou levemente o corpo para trás, seu braço direito tensionado como a corda de um arco prestes a disparar. Então, com uma explosão de força e precisão, ele avançou, girando o tronco enquanto seu braço se movia em um arco perfeito. O som seco do impacto entre sua mão e a bola reverberou pelo ginásio como um trovão. A bola cortou o ar em uma trajetória baixa e poderosa, quase flutuando de tão veloz, enquanto a torcida do Karasuno explodia em gritos de aprovação. O saque era um verdadeiro míssil, forçando o Date Tech a se reorganizar em uma tentativa apressada de recepção.
A bola rasgou o ar em uma trajetória baixa e poderosa, quase flutuando de tão veloz. Sakunami, o líbero do Date Tech, tentou recepcioná-la, mas o impacto foi tão forte que a bola ricocheteou em seus braços e saiu pela lateral.
Um ace! Ponto para o Karasuno!
A torcida do Karasuno explodiu em gritos de euforia, enquanto Harry se virava teatralmente para Tao que estava no banco, um sorriso de pura provocação no rosto. "É assim que se faz," declarou, com uma confiança que transbordava.
Tao, sem perder a chance, mostrou o dedo do meio para ele, arrancando risos abafados de alguns jogadores. Harry, não satisfeito, finge que agarrou o dedo e faz um movimento de boquete, rindo enquanto voltava para sua posição. Tao balançou a cabeça, tentando manter a compostura, mas não conseguiu esconder o canto de um sorriso.
Harry se posicionou para o segundo saque, desta vez ainda mais teatral, como se estivesse desempenhando o papel principal em um espetáculo. Apesar da força, a bola subiu com precisão, girando no ar. Kanji o levantador do Date Tech correu para ajeitar o passe com seu topete balançado, colocando-o exatamente na posição certa.
Futakuchi o ponta adversário veio correndo, e o corte foi rápido e mortal, descendo como uma lâmina. Cristian, com reflexos impecáveis, se jogou no chão e conseguiu salvar a bola. Ela subiu girando, dando tempo para Nick se posicionar.
“Charlie!” gritou Nick, fazendo o gesto do ataque rápido. A bola parecia flutuar por um instante antes de Nick levantá-la com precisão absoluta.
Charlie avançou pela quadra, os olhos fixos na bola enquanto seu coração parecia martelar no ritmo frenético do jogo. O suor escorria pela testa, mas ele não piscava. Era como se o mundo ao redor tivesse desaparecido, deixando apenas o som abafado de sua respiração e o eco distante da torcida. Ele saltou, cada músculo do corpo trabalhando em perfeita sincronia, enquanto o ar ao seu redor parecia congelar. A bola estava exatamente onde ele queria, e, com um golpe cheio de precisão e força, ele a enviou em direção ao espaço vazio na quadra adversária.
Por um instante, o tempo pareceu desacelerar. A trajetória da bola era impecável, um corte que parecia destinado a cravar no chão do Date Tech. Mas então, como uma sombra implacável, Aone se ergueu do outro lado da rede. Sua presença era avassaladora, seus braços estendidos formando uma barreira impossível. O som seco do impacto ressoou pela quadra quando a bola encontrou as mãos firmes do bloqueador. O movimento foi tão preciso e implacável que a bola voltou ao chão do Karasuno com uma força esmagadora.
O som da bola batendo no chão ecoou como um trovão, seguido por um instante de silêncio tão denso que parecia engolir o ginásio inteiro. A torcida do Date Tech, como se despertasse de um transe coletivo, explodiu em gritos e aplausos ensurdecedores. O chão parecia vibrar com a intensidade da celebração, enquanto Charlie permanecia onde estava, ainda sentindo o impacto reverberar em seus ossos.
Ele respirou fundo, tentando apagar a imagem de Aone, gigante e inabalável, mas a sombra daquele bloqueio parecia pairar sobre ele. Charlie apertou os punhos, o olhar já buscando a bola novamente. A frustração queimava, mas era superada por algo maior – a vontade de tentar outra vez, de encontrar uma forma de atravessar aquela muralha impenetrável.
“Ponto para o Date Tech,” anunciou o narrador.
Charlie estava ofegante. A realidade do apelido “Muro de Ferro” nunca foi tão clara. Ele olhou para Nick, que, mesmo diante do bloqueio, parecia calmo.
“Relaxa,” disse Nick, com um leve sorriso. “É só o primeiro ponto. Vamos achar a brecha.”
Cristian se aproximou, pegando a bola para o próximo saque. “Eles são bons, mas a gente é melhor,” disse ele, lançando um olhar confiante para Charlie, que respirou fundo. Apesar do peso do desafio, ele sentia o apoio de sua equipe como uma corrente invisível, algo que o ajudava a permanecer firme.
Daichi enviou um saque rápido e preciso para a quadra do Date Tech. O líbero Sakunami posicionou-se impecavelmente, recebendo a bola com a calma de um veterano. O levantador Kanji, ágil e determinado, fez um levantamento alto para o ponta Futakuchi, que avançou para um ataque fulminante. Ben e Tsuk saltam para fazer o bloqueio, mas ela passa. Daichi tentou mergulhar para salvar a bola, mas o golpe era forte e bem direcionado. Ela bateu no chão da quadra do Karasuno antes que alguém pudesse reagir.
“Ponto para o Date Tech!” anunciou o narrador, e a torcida de verde escuro explodiu em gritos.
Nos pontos seguintes, o Muro de Ferro do Date Tech começou a fazer jus à sua reputação. Aone e Obara se moviam com uma sincronia que parecia coreografada, seus braços erguendo-se como uma barreira intransponível, prontos para esmagar qualquer tentativa de ataque. O Karasuno atacava com intensidade, mas cada tentativa parecia ser antecipada, desmontada, devolvida com uma frieza avassaladora.
Charlie subiu pelo lado esquerdo, seus olhos fixos na bola enquanto o coração batia no ritmo frenético do jogo. Ele saltou com tudo o que tinha, o corpo gritando em esforço, mas a sensação de vitória foi substituída por um choque surdo. Aone estava lá. Sempre estava. O bloqueio foi tão sólido que a bola ricocheteou no chão da quadra do Karasuno com um som que cortou o ar, seguido de um silêncio pesado.
Cada ponto perdido era como um golpe invisível. A torcida do Date Tech rugia a cada bloqueio, sua vibração ecoando como um lembrete cruel de quem estava no controle. Cristian, com seu habitual entusiasmo, tentava manter a moral. Pegou a bola com determinação, mas a tensão já se espalhava entre os jogadores como um veneno silencioso. As expressões ficavam mais carregadas a cada ponto, os ombros começavam a pesar.
Nick fazia o possível para reorganizar o time. Seus levantamentos, normalmente imprevisíveis e precisos, pareciam não ser suficientes contra o Date Tech, que lia cada movimento como se tivesse decorado o manual do Karasuno. Ele levantou para Ben em uma tentativa de surpreender com uma paralela rápida. Ben saltou, seu corte foi poderoso – mas inútil. Aone e Obara já estavam lá, posicionados com uma precisão cirúrgica. O bloqueio foi implacável, e a bola voltou como um raio, cortando o ar antes de atingir o chão do Karasuno com uma força que parecia ecoar nos ossos de cada jogador.
O impacto não foi apenas físico. A quadra parecia afundar em uma espiral de frustração e impotência. Cada bloqueio bem-sucedido do Date Tech era um lembrete brutal de que o Karasuno estava enfrentando algo além de um adversário – era uma força quase inabalável. O placar, que parecia cada vez mais distante, pesava como uma sentença iminente. E, mesmo assim, no meio da tormenta, um fogo começava a crescer em cada jogador. Não era apenas sobre vencer; era sobre resistir, sobre quebrar o muro, não importa o quão impossível parecesse.
“Concentração na defesa!” gritou a treinadora Singh, sua voz cortando o barulho do ginásio como uma lâmina. Ela tentava energizar o time, mas as expressões abatidas começavam a pesar.
Aone avançou com a certeza de que aquele ponto seria dele. A jogada era perfeita, o levantamento impecável, e seu salto parecia carregar o peso de todo o Date Tech. Ele ergueu o braço, preparado para esmagar a bola no chão do Karasuno. Mas, no instante seguinte, o som estridente de um bloqueio perfeito ecoou pelo ginásio.
A bola foi devolvida com uma força devastadora, ricocheteando no chão do Date Tech antes que qualquer jogador pudesse reagir. O ginásio explodiu em gritos ensurdecedores. A torcida do Karasuno, que até então parecia sufocada, liberou uma onda de euforia que reverberou pelas arquibancadas como um trovão. No centro da quadra, Tsukishima permanecia impassível, seu olhar fixo em Aone.
Aone, ainda no ar, piscou, surpreso, antes de aterrissar. Ele olhou para a bola no chão e, em seguida, para Tsuk. A expressão inabalável de Tsukishima transformou-se em algo quase sádico – um sorriso frio e calculado que parecia dizer: *"Você acabou de provar do próprio veneno."*
O embate entre os dois era mais do que técnica; era psicológico. Aone, conhecido como a muralha do Date Tech, agora enfrentava uma força igualmente imponente. Tsukishima não tinha a mesma estatura, mas compensava com inteligência, timing e uma provocação silenciosa que parecia atingir o adversário como uma faca. A cada bloqueio bem-sucedido, ele não dizia uma palavra. Apenas o olhava, os olhos brilhando com um misto de ironia e desafio.
Quando Aone voltou para a rede em outra jogada, Tsuk já estava posicionado, os braços erguidos e o corpo relaxado, mas pronto. O duelo entre os dois bloqueadores era como uma dança tensa e imprevisível, onde cada movimento era meticulosamente calculado. A bola foi levantada para Aone novamente. Ele saltou com tudo, buscando revidar o ponto perdido, mas Tsukishima estava lá, esperando.
Mais uma vez, o bloqueio foi perfeito. A bola voltou para a quadra do Date Tech com um impacto seco, e os gritos do ginásio ficaram ainda mais altos. Tsuk desceu com uma calma irritante, ajustando os óculos como se aquilo fosse rotina. Ele lançou outro olhar para Aone, como se apreciasse a frustração que começava a transparecer no rosto do adversário.
Ainda assim, Aone não recuava. O duelo entre os dois era um espetáculo à parte, uma batalha de força contra estratégia, de instinto contra provocação. E, enquanto o jogo continuava, cada bloqueio de Tsukishima era um lembrete de que o Karasuno também tinha sua muralha – uma que, embora menos imponente fisicamente, era inabalável em espírito e determinação.
O placar avançava a favor do Date Tech. O Karasuno lutava para se ajustar, mas parecia que cada tentativa era frustrada pela defesa impenetrável do adversário. Cristian, em uma de suas atuações brilhantes, mergulhou no fundo da quadra para salvar uma bola impossível. A recepção foi alta o suficiente para Nick armar um ataque rápido.
Charlie, cheio de determinação, correu e saltou com toda a força, o olhar fixo na bola e no espaço que ele acreditava estar livre. Mas, no momento do impacto, Futakuchi e Aone se ergueram como gigantes. Seus braços formaram uma parede sólida, e o bloqueio devolveu o golpe com uma precisão quase cirúrgica, enterrando a bola na quadra do Karasuno.
No último ponto do set, o Date Tech usou sua estratégia característica. Sakunami recebeu o saque com uma manchete impecável, e Kenji armou um ataque perfeito para Onagawa, que cortou a bola com força entre Cristian e Daichi. A torcida de verde escuro explodiu quando a bola tocou o chão do Karasuno.
O placar final piscava em vermelho no painel eletrônico: 25 x 14 para o Date Tech. O som dos gritos e aplausos da torcida adversária era ensurdecedor, enquanto o lado do Karasuno mergulhava em um silêncio constrangedor.
No banco, os jogadores do Karasuno estavam ofegantes e mergulhados em frustração. Nick, o capitão, mantinha os olhos fixos no chão, a mandíbula cerrada. Seus punhos estavam apertados, como se ele tentasse conter a pressão que o jogo impunha. Ao redor dele, o time parecia à deriva, cada um afundado em seus próprios pensamentos – ou culpas.
Harry, com os braços cruzados e o semblante fechado, foi o primeiro a explodir. “Se a defesa tivesse feito o trabalho direito, metade dessas bolas não teria caído,” murmurou, o tom carregado de desdém. Ele lançou um olhar enviesado para Cristian, que apertou os dentes, claramente tentando se controlar.
Cristian, no entanto, não ficou calado por muito tempo. Ele se inclinou para frente, apontando diretamente para Harry, o rosto marcado por irritação. “Ah, claro, porque você só pensa no seu saque perfeito, né? E quando é pra ajudar na defesa? Você nem tenta! Tá sempre fora de posição!” Sua voz estava firme, mas era evidente que a frustração começava a transbordar.
O atrito entre os dois se espalhava pelo banco como uma corrente elétrica, deixando o resto do time ainda mais desconfortável. Ben desviou o olhar, tentando evitar a discussão, enquanto Tao e Tsukishima trocavam olhares cansados. O clima era sufocante.
Foi nesse momento que a treinadora Singh chegou. Ela se aproximou com passos firmes, prancheta em mãos e um olhar que parecia atravessar a alma de cada jogador. Sua presença, como sempre, dominava o ambiente, e o banco ficou imediatamente em silêncio, os olhares voltando-se para ela.
Sem dizer uma palavra, Singh bateu a prancheta contra a palma da mão, o som seco ecoando pelo espaço apertado. “Basta!” Sua voz cortou o ar como uma lâmina, dura e irrefutável. “Vocês querem continuar se culpando ou querem ganhar esse jogo?”
Harry e Cristian imediatamente calaram-se, o peso da reprovação da treinadora caindo sobre eles como uma tonelada. Singh fixou os olhos em cada um deles, um a um, como se quisesse gravar a mensagem em suas mentes.
“Harry, eu não quero ouvir mais nenhuma desculpa sobre a defesa. Sua função é ajudar o time, não apontar dedos. Se você acha que está jogando perfeitamente, está na hora de rever suas prioridades.” Sua voz era firme, mas não havia gritos – apenas autoridade pura.
Ela se virou para Cristian, cuja expressão ainda mostrava resquícios de irritação. “E você, Cristian. Essa atitude de culpar os outros não vai salvar bolas nem mudar o placar. A liderança começa pelo exemplo. Se tem algo errado, corrija. Não adianta reclamar.”
Nick, que permanecia em silêncio, levantou o olhar para a treinadora. Singh percebeu e caminhou até ele, inclinando-se ligeiramente. “Nick, isso começa com você. Organize o time. Eles precisam de direção, não de uma cadeira de terapia.”
Por fim, Singh endireitou a postura, encarando todos com um olhar penetrante. “Lembrem-se: vocês são o Karasuno. Esse time não é feito de perfeição, mas de resiliência. E enquanto continuarem olhando para o próprio umbigo, o Date Tech vai esmagar vocês. Então decidam agora: vocês vão lutar ou desistir?”
O banco inteiro ficou em silêncio, mas havia algo diferente naquele silêncio. Não era mais sufocante. Era carregado de determinação, como se as palavras da treinadora tivessem reacendido uma chama que estava prestes a se apagar. Nick se levantou, respirou fundo e disse, firme: “Vamos lutar.”
A treinadora ergueu a prancheta mais uma vez. “Aqui está o plano para o próximo set. Agora, prestem atenção e mostrem por que vocês merecem estar nessa quadra.”
Os jogadores começaram a se endireitar, a postura mudando à medida que as palavras da treinadora entravam fundo.
“Nick, use levantamentos mais altos e rápidos. Cristian e Daichi, quero que você foque em cobrir as diagonais, que eles estão explorando mais. E Charlie, não hesite. Mesmo se eles estiverem prontos para você, ataque com confiança. Quando você mostrar que está disposto a enfrentá-los, vamos encontrar nossa brecha.”
Ela deu um passo para trás e apontou para a bandeira do Karasuno, pendurada no alto da parede. “Essa não é só uma palavra. ‘VOE’ não é sobre se esconder dos desafios, é sobre enfrentá-los. É sobre trabalhar juntos. Então, parem de se lamentar e comecem a jogar como o time que eu sei que vocês são.”
Nick se levantou primeiro, o brilho nos olhos verdes voltando. Ele estendeu a mão para o centro do círculo, um gesto que todos no time reconheceram. “Ela tem razão,” disse ele, com uma convicção que parecia reacender a energia no grupo. “A gente voa junto. E vamos encontrar um jeito de quebrar esse muro.”
Cristian, ainda com a culpa no rosto, foi o próximo a colocar a mão sobre a de Nick. “VOE,” disse ele, mais para si mesmo do que para os outros, mas a palavra soou forte.
Charlie colocou a mão sobre a de Cristian, sua voz saindo firme. “VOE.”
Um a um, os jogadores restantes juntaram as mãos, até que o círculo estava completo. Nick olhou para todos, e um pequeno sorriso surgiu. “Vamos mostrar a eles como o Karasuno voa.”
Enquanto o time voltava para a quadra a treinadora e Daichi chamam Charlie, Nick e Ben. Daichi esperou que o barulho diminuísse antes de continuar, agora com sua voz carregada de precisão. “Nick, você reparou que, no lado direito do Date Tech, há uma abertura?”
Nick assentiu, franzindo o cenho. “Sim, mas Aone é muito alto. Os braços dele chegam a lugares que parecem impossíveis.”
“Ainda assim, é nossa melhor chance,” disse Singh, olhando para o time. Ela apontou para Ben. “Os 4 pontos que você marcou foram de paralela na direita, certo?”
Ben focou-se por um momento, assentindo lentamente enquanto processava as palavras da treinadora. Singh cruzou os braços, ajustando o tom para algo mais técnico e objetivo.
“Escutem bem. O Date Tech já percebeu que Charlie tem sido nossa principal ameaça ofensiva até agora. Eles vão antecipar que o próximo levantamento do Nick seja para ele. Isso significa que Aone e o bloqueio principal estarão atentos a Charlie, concentrando-se na zona em que ele atacar. É a nossa oportunidade.”
Ela apontou para o esquema tático na prancheta e continuou. “Nick, no último instante, você vai desviar o levantamento para o Ben, que estará posicionado na paralela. O objetivo é aproveitar o deslocamento de Aone e abrir espaço suficiente para que o ataque de Ben passe antes que eles reajam. Ben, o sucesso dessa jogada depende de você atacar com força e precisão. Não hesite.”
Ben assentiu novamente, o olhar mais firme agora. “Entendido.”
Singh olhou para Nick, sua voz firme mas confiante. “Nick, seu levantamento precisa ser rápido e exato. A distração com Charlie será o fator decisivo. Finja até o último segundo que o passe vai para ele, mas faça a mudança de direção no tempo certo.”
Ela voltou-se para Charlie e acrescentou: “Charlie, o seu papel aqui é essencial. Você precisa saltar com convicção, como se fosse realmente atacar. Isso vai puxar o bloqueio para o seu lado e abrir espaço para Ben. Sem hesitação.”
Ben olhou para Nick, seu rosto sério, mas carregado de confiança. “Você consegue?” perguntou, um pouco desafiador, tentando esconder sua insegurança.
“Claro que sim,” respondeu Nick, em um tom seco e firme.
Houve uma pausa tensa antes de Ben oferecer a mão para Nick, algo que ele raramente fazia. “VOE,” disse Ben, com um leve sorriso.
Nick apertou a mão de Ben, respondendo com convicção. “VOE.”
Do lado, Charlie, que ouvia atentamente, fez uma pergunta hesitante. “Eu vou ser uma isca?”
Daichi olhou diretamente para ele. “Exatamente. Você precisa pular como se fosse cortar, Charlie. Não hesite nem por um segundo, ou eles vão perceber.”
Charlie respirou fundo, seus olhos se encontrando com os de Nick por um breve instante. Ali, sem uma palavra, ambos sabiam o que era preciso fazer. O peso da derrota no primeiro set ainda pairava sobre eles, mas agora parecia diferente – não como um fardo, mas como um lembrete do que estava em jogo. Ao seu redor, os jogadores se levantaram um a um, ajustando os uniformes, apertando as faixas de pulso e trocando olhares determinados.
O som dos passos ecoando no vestiário era cadenciado, quase hipnotizante, enquanto eles se dirigiam para a porta que os levaria de volta à quadra. A tensão no ar era palpável, mas havia algo a mais – uma energia latente, como uma tempestade prestes a explodir. Charlie apertou os punhos, sentindo o suor escorrer pelas palmas das mãos, mas, ao mesmo tempo, algo queimava dentro dele. Não era apenas nervosismo. Era vontade.
A porta do vestiário se abriu, e o som do ginásio os envolveu como uma onda – os gritos da torcida, os aplausos, o barulho ensurdecedor das bolas quicando na quadra. Do outro lado, o Date Tech já os esperava, com o “Muro de Ferro” imponente, como uma sombra que ameaçava engoli-los. Mas, dessa vez, havia algo diferente no Karasuno. Não era medo. Era um desafio silencioso, uma promessa de que não seriam derrubados facilmente.
O olhar de Charlie voltou-se para Aone por um instante, e ele sentiu o coração acelerar. O central do Date Tech já estava posicionado, imóvel, mas seu semblante parecia carregado de confiança inabalável. Charlie apertou os dentes. "Eu vou passar por você," pensou, a determinação pulsando em suas veias.
Com os primeiros passos na direção da quadra, cada jogador do Karasuno parecia carregar consigo uma promessa. Não seria fácil. Não seria rápido. Mas eles estavam prontos para lutar até o último ponto.
E então, o apito soou, marcando o início do segundo set.
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