Match Point
6 ARCO 1 VOE! - Capítulo 6 - Além da Parede
Notas iniciais
O treino começou em um ritmo frenético, mas desde o primeiro toque na bola, Charlie sabia que algo estava errado. O peso em seus ombros parecia muito mais do que físico. Era como se o ginásio, normalmente um refúgio para ele, agora fosse um lugar sufocante, cheio de olhares que o julgavam. Quando a bola foi lançada para ele no primeiro saque, ele hesitou, os olhos seguindo o movimento da bola, mas suas mãos demoraram um instante a mais do que o necessário. A bola passou, quicando no chão com um som que ecoou mais alto do que deveria, como um lembrete de sua falha.
A treinadora Singh, de postura impecável e olhar aguçado, estava parada no canto da quadra. Ela não gritou, não corrigiu. Apenas observou, os braços cruzados e uma expressão que carregava mais peso do que qualquer reprimenda verbal. Charlie sentiu o olhar dela em suas costas, como se pudesse atravessar suas defesas e enxergar as emoções que ele tentava esconder. Aquilo era pior do que ser chamado à atenção.
Quando os jogadores retomaram a movimentação, ele tentou se focar no ritmo do treino, mas era como nadar contra a corrente. Cristian mergulhava no chão para salvar bolas com uma agilidade impressionante, e Nick, como sempre, parecia liderar a equipe com uma calma inabalável. Mas Charlie? Charlie estava preso em sua própria mente, os ecos das palavras de Ben martelando em seus ouvidos.
Em uma jogada defensiva, a bola veio rápida em sua direção. Ele viu o movimento do atacante adversário, percebeu o ângulo e sabia o que deveria fazer, mas seus pés estavam presos ao chão. Sua hesitação foi suficiente para que a bola passasse direto, atingindo o chão com força e ressoando como uma sentença de derrota. O som arrancou um suspiro coletivo da equipe, mas Cristian foi o primeiro a reagir.
“O que está acontecendo com você hoje, cara?” Cristian perguntou, a preocupação em seu rosto misturada à frustração. Ele se aproximou, a respiração ainda ofegante do último mergulho. “Você não está no jogo. Ta tudo bem?”
Charlie balançou a cabeça, desviando o olhar para o chão. “Tô sim,” murmurou, mas a dor no peito o desmentia. Ele sentia o peso do fracasso acumulando-se, cada erro ampliando a voz cruel em sua cabeça que dizia que ele não era bom o suficiente.
Nick percebeu o silêncio desconfortável que se seguiu e decidiu intervir. Ele caminhou até Charlie, os passos ecoando no ginásio. “Ei,” chamou, a voz mais baixa e gentil. “Que tal tentarmos aquele ataque rápido que você mandou bem no jogo passado? Pode ser uma boa para retomar o ritmo.” O sorriso encorajador de Nick era como um raio de luz tentando atravessar a escuridão que envolvia Charlie.
Mas Charlie apenas deu de ombros, o olhar vazio. “Tanto faz,” respondeu, com um tom que fez Nick arquear as sobrancelhas. Ele esperava que a lembrança do ataque fosse suficiente para despertar algo em Charlie, mas o garoto parecia estar em outro lugar, desconectado de tudo e de todos.
A treinadora Singh observava Charlie à distância, os braços cruzados, a expressão carregada de preocupação, enquanto o resto do time se dispersava para a pausa. Os passos de Charlie eram arrastados, o peso dos últimos dias refletido em cada movimento. Quando todos saíram da quadra, ela bateu palmas, chamando sua atenção.
“Charlie,” sua voz cortou o ar com firmeza, mas sem hostilidade. “Fique.”
Ele parou no meio do caminho, o coração acelerando. Lentamente, voltou-se para ela, evitando o olhar direto. Singh esperou até que o ginásio estivesse silencioso antes de falar novamente, aproximando-se com passos calculados.
“O que está acontecendo com você?” Ela perguntou, sua voz agora mais baixa, mas carregada de significado.
“Nada,” respondeu ele automaticamente, a palavra saindo quase sem vida. Mas a treinadora inclinou a cabeça, analisando-o com um olhar que parecia enxergar mais do que ele queria mostrar.
“Essa não é a resposta que eu quero ouvir,” disse ela, cruzando os braços. “Você está errando jogadas que eu sei que você domina. Sua postura está caída, seu foco está disperso. E seus olhos…” Ela fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente as palavras. “Estão vazios. Isso não é só um dia ruim, Charlie. Algo está te consumindo.”
Ele sentiu um nó na garganta apertar, lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair. “Eu estou bem,” insistiu, mas a voz saiu fraca, rachada.
“Não, você não está,” Singh retrucou, o tom mais suave, mas ainda cheio de autoridade. “E tudo bem não estar bem. Mas fingir que está, não vai ajudar você, nem o time. Obstáculos não podem te parar, Charlie. Se você topar com uma parede, não vire e desista. Descubra como escalá-la, passe por ela, trabalhe nisso.”
Ela apontou para a bandeira preta pendurada no ginásio, onde o corvo de asas abertas parecia vibrar sob as luzes. As palavras “VOE” brilhavam como uma ordem divina.
“Olhe para ele,” Singh disse, a voz ganhando intensidade. “O corvo não teme o céu, não importa o quão alto ele pareça. Ele encontra um jeito de passar por cima de qualquer barreira. Ele voa, Charlie, porque sabe que o mundo lá em cima é onde ele pertence.”
Os olhos de Charlie seguiram o gesto dela, fixando-se na bandeira. O corvo, com suas asas estendidas, parecia quase vivo. Por um instante, ele se perdeu na imagem, sentindo uma mistura de medo e fascinação.
“Você é como aquele corvo,” Singh continuou, com um leve sorriso. “Mesmo que as asas estejam pesadas agora, você tem o que é preciso para voar.”
Charlie engoliu em seco, sentindo o peito apertar, mas dessa vez não era apenas dor. Era como se uma pequena chama tivesse se acendido dentro dele, algo que ele pensou ter perdido para sempre.
“E eu sei que não é fácil,” Singh acrescentou, sua voz ficando mais gentil. “Mas você não está sozinho. O time acredita em você. Eu acredito em você. E você vai encontrar um jeito de passar por essa parede, Charlie. Porque o céu está esperando.”
Ele piscou, os olhos marejados, mas dessa vez não tentou esconder. Sentindo um peso aliviar, ele olhou para a treinadora e murmurou: “Obrigado.”
Singh assentiu, observando-o por mais alguns segundos antes de dizer: “Va para o vestiário lave o rosto e pense no que eu disse, mas acima de tudo, lembre-se: o corvo nunca para de tentar.”
Charlie deixou a quadra, o coração ainda carregado, mas pela primeira vez em dias, algo dentro dele parecia diferente. Enquanto atravessava o corredor em direção ao vestiário, ele repetia em silêncio: Descubra como escalar a parede. Passe por ela. Trabalhe nisso. E voe.
No vestiário, Charlie sentou-se no banco, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos enterradas nos cabelos. A conversa com Singh ecoava em sua mente, mas ele não conseguia encontrar forças para processá-la. Ele estava devastado, não apenas pelo treino ruim, mas pelo peso de tudo o que estava carregando.
Ele se lembrou de quando se assumiu publicamente, das piadas cruéis, dos sussurros que não eram baixos o suficiente para que ele não ouvisse. “Viado.” “Credo, sai de perto dele” Todas as palavras retornavam como fantasmas, assombrando-o. Ele pensava que tinha superado, que era forte, mas as palavras de Ben abriram todas essas feridas novamente. E o pior era que elas vinham de alguém que ele queria acreditar que se importava.
Seus dedos se cravaram no cabelo com uma força quase desesperada, como se a dor física fosse a única âncora que o mantinha na realidade enquanto o abismo em sua mente o puxava para baixo. A dor era uma velha conhecida, indesejada, mas familiar. Estranhamente, naquele momento, ela parecia bem-vinda.
Com mãos trêmulas, ele abriu a mochila e puxou uma navalha de barbear esquecida, herdada de seu pai. O brilho frio do metal reluziu sob a luz fluorescente, e Charlie a encarou por longos segundos, como se aquele objeto pudesse responder às perguntas que ele não tinha coragem de fazer — ou talvez, como se fosse capaz de acabar com elas.
Ele ergueu a barra do short, revelando cicatrizes tênues na parte superior da coxa. Marcas antigas, mas ainda vivas. Cada uma delas era uma lembrança silenciosa das vezes em que ele se sentiu pequeno demais para o mundo. Ali, gravadas em sua pele, estavam as palavras que o feriram, os olhares de julgamento, as piadas cruéis, e o peso imenso da homofobia. Eram memórias que não precisavam ser ditas, porque os cortes já haviam falado por ele.
Charlie fitou as cicatrizes com uma mistura de vergonha e resignação. *É isso que sobrou de mim?* Pensando nisso, ele pressionou levemente a lâmina contra a coxa. O toque frio do metal era quase reconfortante, como se refletisse a frieza que ele sentia por dentro. Mas então, algo dentro dele reagiu. Um lampejo inesperado, um eco que recusava se apagar.
Não. O pensamento emergiu com uma força que ele não sabia que ainda possuía. *Eu não vou carregar o Ben comigo. Não vou marcar minha pele com algo que me destruiu. Ele não merece estar aqui.* Com um gesto abrupto, ele jogou a lâmina para longe. O som dela caindo no chão foi abafado, mas ecoou em sua mente como um grito de libertação.
O peito de Charlie ardia, e cada batida de seu coração era um lembrete cruel de que ele ainda estava ali, preso em um ciclo sufocante, mas ainda respirando. Ele inclinou a cabeça para trás, encarando o teto do vestiário. As luzes implacáveis iluminavam cada vulnerabilidade que ele desejava esconder, expondo-o à própria verdade.
Ele pensou em sair, em fingir que tudo estava bem, mas a ideia de enfrentar os olhares do time — de Cristian, de Nick, de todos que ele sentia ter decepcionado — fez seu estômago revirar. O peso da vergonha e das expectativas parecia colar seus pés ao chão, invisível, mas esmagador.
Ainda assim, mesmo com tudo isso, algo dentro dele se recusava a ceder completamente. A navalha ainda estava ali, jogada no chão. Mas ele sabia que não a tocaria de novo. Não naquela noite. Talvez nunca mais.
Sua respiração era irregular, e os soluços contidos faziam o ar sair em espasmos dolorosos. Ele se obrigou a levantar o olhar para o espelho na parede, mas o que viu fez seu coração afundar. O reflexo era de uma versão distorcida de si mesmo — olhos vermelhos, olheiras profundas, um semblante abatido que parecia à beira de se desmanchar. Não havia força ali, nenhuma fagulha de quem ele queria ser. Apenas a sombra de um garoto que lutava para não desaparecer.
Ele encarou o reflexo por tempo demais, como se esperasse que ele dissesse algo, mas tudo o que viu foi a acusação silenciosa nos próprios olhos. *“Você não é suficiente.”* A voz em sua mente repetia incessantemente, cada palavra cortando mais fundo. As paredes do vestiário pareciam se fechar ao redor dele, transformando o espaço em uma prisão invisível. Por um momento, tudo o que Charlie queria era desaparecer, deixar de sentir, deixar de existir.
E, no entanto, no meio daquela dor sufocante, algo permanecia. Um fio tênue, quase imperceptível, que recusava se romper. Era um murmúrio distante, dizendo que ele precisava resistir, mesmo quando tudo parecia perdido.
Com as mãos tremendo, ele fechou os olhos. E permitiu que as lágrimas caíssem. Cada gota parecia aliviar um peso, como se ele finalmente estivesse permitindo que sua dor tivesse voz. E enquanto chorava, ele percebeu que, mesmo que não soubesse como seguir em frente, ainda estava ali. Ainda tentando. Ainda respirando.
Nick apareceu na porta, hesitante, mas com uma expressão decidida. “Charlie,” chamou, a voz suave, mas cheia de preocupação. “Eu… queria saber se você está bem. Quer conversar?”
Charlie olhou para ele, e por um momento, pensou em descarregar tudo. Mas, em vez disso, apenas balançou a cabeça. “Estou bem,” mentiu, a voz quase inaudível.
Nick suspirou, mas não pressionou. “Tudo bem. Mas… se precisar de alguém, eu estou aqui, tá?” Ele deu um pequeno sorriso antes de sair, deixando Charlie sozinho.
Charlie olhou novamente para o espelho. Talvez fosse verdade o que Singh e Nick diziam. Talvez ele precisasse de ajuda. Mas naquele momento, tudo o que ele conseguia fazer era respirar e tentar não se afogar na própria dor.
Charlie escutou o apito final do treino, ele se sentia mais exausto emocionalmente do que fisicamente, o peso das expectativas se tornando insuportável. Quando todos se dispersaram, Charlie ficou para trás, seguindo com seu trabalho de organizar as bolas e os equipamentos. Ele arrumou tudo mecanicamente, os pensamentos ainda nublados pela frustração. Era como se cada bola guardada fosse mais um lembrete do quanto ele sentia que não estava à altura.
Enquanto levava o último carrinho de bolas para o depósito, ele entrou no vestiário e encontrou Ben parado ali, esperando por ele. O garoto estava com uma expressão que misturava ansiedade e impaciência. Charlie se deteve no mesmo instante, o estômago revirando.
"Charlie," Ben chamou, dando um passo à frente.
Charlie olhou para ele, os olhos cansados. "O que você quer, Ben?" perguntou, com a voz seca.
Sem dizer mais nada, Ben se aproximou, tentando tocar o rosto de Charlie ou beijá-lo, mas Charlie recuou rapidamente, afastando a mão dele de forma brusca. "Não encosta em mim," disse, com a voz tremendo de raiva e dor.
Ben recuou, mas sua expressão mudou para uma mistura de frustração e desprezo. "Qual é o seu problema? Eu só estava tentando ser legal."
Charlie o encarou, sentindo o peito apertar. "Eu não quero mais ver você."
Ben cruzou os braços, o semblante se endurecendo. "Você está brincando comigo, não é? Não acredito em você."
Charlie estreitou os olhos. "O quê?"
Ben deu um passo à frente, a voz baixa e quase venenosa. "Você está só assustado com a ideia de sermos pegos."
Charlie respirou fundo, tentando conter a onda de emoções que subia pela sua garganta. "Por que eu estaria assustado, Ben? Não sei se você percebeu, mas todos na escola sabem que sou gay," disse ele, a coragem crescendo em sua voz. "Você é quem tem medo. Você mal me olha quando tem outras pessoas por perto. E não vamos esquecer de como você foi grosseiro comigo e me humilhou. Você ta cagando pra mim"
Ben bufou, os olhos faiscando de raiva. "Não fique bravo comigo só porque eu ainda não saí do armário."
Charlie balançou a cabeça, sentindo uma mistura de pena e irritação. "Não estou bravo por isso," disse ele, a voz mais firme do que esperava. "Se você ainda está se entendendo, eu entendo. Leve o tempo que precisar. Eu, de todas as pessoas entenderia o que é estar descobrindo sua sexualidade."
Ben o encarou, confuso. "Então por que está tão nervoso?"
Charlie sentiu a garganta apertar enquanto falava. "Estou nervoso porque você não se importa com os meus sentimentos. Nós nos encontramos quando você quer, na hora que você quer, ou quando você está com vontade de beijar um garoto. Você não se importa comigo."
Ben estreitou os olhos, a raiva crescendo. "Até parece que alguém mais nesse mundo se interessaria por você."
As palavras de Ben atingiram Charlie como uma faca afiada, mas ele não permitiu que o medo o paralisasse. Ben deu mais um passo à frente, pressionando-o contra a parede. Charlie se sentiu encurralado, o corpo de Ben se aproximando até que seus peitos estivessem praticamente colados. A respiração de Ben era forte e irregular, e ele começou a beijar o pescoço de Charlie, mas Charlie o afastou com firmeza.
"Não," ele disse, tentando manter a voz firme.
“Eu gosto de você Charlie, mas eu ainda to me resolvendo.” Ben ignorou, pegando Charlie pela nuca e forçando um beijo em seus lábios.
"Para, Ben, por favor," Charlie suplicou, a voz quebrada.
Antes que Ben pudesse reagir, ele foi empurrado para longe e caiu no chão com um baque. Nick estava ali, de pé entre Charlie e Ben, os olhos verdes brilhando com uma fúria silenciosa. "Ele mandou você parar," disse Nick, encarando Ben com uma expressão fria. "Vaza daqui."
Ben se levantou, o rosto ardendo de humilhação e raiva. Ele olhou para Charlie e depois para Nick, mas não disse mais nada. Apenas saiu do vestiário, batendo a porta atrás de si.
Nick virou-se para Charlie, que ainda tremia, os resquícios do confronto estampados em seu olhar inquieto. "Você está bem?" perguntou, a voz baixa e envolvente, carregada de cuidado, como um raio de sol que tenta aquecer depois de uma tempestade fria.
Charlie levantou os olhos, ainda marejados, e encontrou os de Nick. Por um instante, hesitou, as palavras presas na garganta, antes de sussurrar: "Você ouviu tudo?" A pergunta saiu hesitante, quase encolhida, como se temesse a resposta.
Nick assentiu, seu rosto revelando uma mistura de constrangimento e empatia. "Boa parte..." respondeu, com a honestidade que Charlie começava a perceber ser uma marca de Nick. "Eu vi que você estava... distante no treino. Quis saber se estava tudo bem."
Charlie abaixou a cabeça, a vergonha queimando seu rosto. Ele abriu a boca, pronto para pedir desculpas, mas Nick ergueu a mão com suavidade, interrompendo-o antes que pudesse falar. "Ei," disse Nick, a mão pousando gentilmente no ombro de Charlie, o toque firme, mas reconfortante. "Não se desculpe. Você não tem que pedir desculpa por se sentir assim."
"Desculpe," Charlie murmurou automaticamente, o reflexo de uma vida tentando se tornar menor para não incomodar.
Nick riu baixo, mas não de forma sarcástica. Era um som caloroso, como uma onda morna quebrando na areia. "Você pede desculpas demais, sabia?" Ele apertou levemente o ombro de Charlie, um gesto que dizia mais do que qualquer palavra. "Vamos, o ginásio já vai fechar e ficaremos trancados."
Enquanto caminhavam juntos em direção à saída, o som de seus passos ecoando no espaço vazio, Charlie sentiu algo dentro dele mudar, ainda que de forma sutil. O peso esmagador que parecia colar seus pés ao chão há tanto tempo agora dava sinais de alívio. Não era uma libertação completa, mas era um início — um vislumbre de que havia algo além daquele constante sentimento de inadequação.
Ele olhou para Nick ao seu lado, o rosto iluminado pelas luzes restantes do ginásio, e percebeu que havia algo de diferente nele. Nick não era apenas o capitão confiante, o levantador habilidoso. Ele era um sol, alguém cuja luz tinha a capacidade de atravessar até as sombras mais densas. E Charlie, pela primeira vez, deixou essa luz tocá-lo.
As palavras de Ben ainda ecoavam em sua mente, mas elas soavam cada vez mais distantes. Nick não precisou dizer muito, mas a forma como estava ali, presente e disposto, era mais do que Charlie achava que merecia. Mas ele percebeu que talvez fosse hora de deixar de medir seu valor pelos olhos dos outros.
Do lado de fora, o céu estava salpicado de estrelas, a escuridão quebrada por pequenos brilhos que pareciam sussurrar promessas de dias melhores. Charlie respirou fundo, o ar da noite preenchendo seus pulmões, e sentiu algo novo: a possibilidade de recomeçar. Ao lado de Nick, sentiu que, mesmo em meio às tempestades, ele poderia aprender a voar. E Charlie se permitiu acreditar que o horizonte à sua frente era vasto e cheio de possibilidades.
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