Match-Point

30 Vinte E Oito


POV LUDMILA

[22:40, 03/12] Kevin: minha fisio é de manhã, não precisa faltar aula pra ir junto.

[22:48, 03/12] Eu: q hrs?????

[22:48, 03/12] Kevin: 10:30

Bom amanhã eu teria uma prova no primeiro horário e apresentação de um trabalho no segundo, mas o resto das aula provavelmente seriam revisão de algo ou serão vagas já que no fim do anos os professores não se preocupam muito com aplicar conteúdo novo.

[22:49, 03/12] Eu: me espera q eu vou sim

[22:49, 03/12] Eu: já disse pra sua mãe q ia

[22:49, 03/12] Eu: volto mais cedo

[22:49, 03/12] Eu: n tem nada de importante

[22: 50, 03/12] Kevin: porque não manda as msg todas de uma vez? n precisa mandar várias

[22:51, 03/12] Eu: cuida da sua vida!

[22:51, 03/12] Eu: até amanhã

E aqui estava eu com Kevin esperando um Uber que nos levasse até o local onde ele faria suas seções, que a principio todos os dias.

— Vou deixar minha bolsa aqui, já que vou ter que levar a sua de remédios comigo, posso? – perguntei após olhar no aplicativo e ver que ainda faltavam alguns minutos para chegar. – você sabe andar de muletas? Porque eu não quero ter que ficar te carregando pra cima e pra baixo. – perguntei e ele apenas revirou os olhos.

— Se soubesse que você ia vir só pra me encher o saco nem tinha te avisado. – disse com mal humor se levantando do sofá. – tá pior que minha mãe sabia?

— Tenho certeza que não, agora vamos logo porque até você chegar no portão o carro já chegou! – disse o ajudando a se levantar e alcançando o par de muletas para ele.

Após alguns minutos já estávamos no local indicado, e pude perceber que Kevin estava um pouco ansioso para começar as seções e poder voltar a jogar, e andar normalmente. Tentei então pensar em algo que o pudesse fazer relaxar e esquecer um pouco o motivo de estar ali.

— Sabe, no teste, eu não passei, mas a experiência foi muito boa, achou que ano que vem se eu tentar eu consigo, nós dois no caso, tinha uma menina lá que era realmente boa, tipo em tudo e também era bem alta tenho certeza que ela foi aprovada. – disse a primeira coisa que veio em minha cabeça mas talvez não tenha sido um bom assunto.

— Você ficou com medo? – me perguntou

— Medo? Eu fiquei apavorada, tinha muita gente para poucas vagas, é muita pressão e não sei se ia conseguir passar por isso toda vez que fosse jogar, se fosse subir para um profissional no caso. – disse rindo. – talvez o vôlei seja só um hobbie na minha vida, talvez não seja o certo pra mim.

— Cala a boca que você é incrível nisso só precisa parar de se sabotar – me encarou. – mas se não foi o vôlei vai ser o que? Hm? Eu realmente não sei, não deviam fazer a gente escolher uma profissão tão cedo, e se sei lá daqui uns anos a gente se arrepende? – questionou, e percebi que ainda teríamos muito para falar sobre aquilo pois realmente aos 17 anos é difícil escolher o que quer fazer para o resto da vida, enquanto pensava sobre o assunto ouvi o nome dele ser chamado.

**

— Ludmila, sério desculpa não queria que você tivesse presenciado aquilo – disse pela terceira vez ainda parecendo envergonhado, tateando os bolsos a procura da chave de sua casa.

— Kevin cala a boca, já disse que tudo bem eu também teria chorado se tivesse feito tudo aquilo, imagino a dor que você deve ter sentido pra chorar igual a um bebê. – disse, pois realmente consigo imaginar exercitar um local recém lesionado.

— Eu não chorei igual um bebê idiota! – se irritou, abrindo a porta e sentando-se no sofá – foi foda, se as outras forem assim também eu tô ferrado.

— Tá nada, acostuma, daqui a pouco sou joelho volta a ser como era. – assim espero pelo menos completei mentalmente.

— Fica pra almoçar – me encarou – se quiser é claro – parecia tímido, procurei pelo relógio em sua sala e percebi que faltava pouco para o meio dia e então resolvi aceitar, já que estaria sozinha em casa e ele também. – E então o que você vai fazer pra gente? Porque eu amo macarrão – perguntou debochado.

— Folgado, me chama pra almoçar, eu ainda tenho que cozinhar e fazer seus gostos??? – era só o que me faltava.

— Por favor vai, eu to machucado, se fosse ao contrario eu faria por você, sabe né – eu duvido que faria, mas resolvi deixar de lado. Kevin me ajudou a cortar os temperos pelo menos e alguns minutos mais tarde estávamos os dois em seu quarto (por ser mais confortável para ele) comendo macarrão ao molho branco e mini chicken.

— Mano tá muito bom isso aqui – disse após mais uma garfada – eu poderia comer a panela toda, sério Mel é oficial você vai cozinhar para mim todos os dias agora! Diz ai o que vai fazer de sobremesa?

— Só nos seus sonhos, esse privilégio você teve uma vez só aproveite – disse rindo, era muita folga para uma pessoa só. – ainda quer doce depois de tudo isso que comeu.

— Claro tenho que aproveitar que você está mais suportável, e eu enfermo algo positivo tem que ter.

— Daqui o prato chorão, vou arrumar a cozinha e você vai tomar seu remédio que já até passou da hora, vou preparar uma compressa quente pro seu joelho também e vou pra casa, você vai ficar bem sozinho? Consegue parar quieto pra se recuperar logo? Ou vou precisar cuidar de você o dia todo? – perguntei tudo de uma vez.

— O Tiago vem pra cá depois, pode ficar tranquila – riu – a gente vai jogar alguma coisa sei lá, não se preocupa eu consigo viver sem você por algumas horas.

— Pois não parece, foi só eu ficar longe de você que se machucou – gritei da cozinha, e mesmo sem olhar para ele sabia que revirava os olhos. – Hoje sai mais cedo né, ai o diretor perguntou o porquê ai depois de explicar a situação ele disse que você vai poder fazer suas provas de fim de ano mas vai ser na escola mesmo, e se algum professor quiser pode passar trabalhos pra repor, enquanto você estiver de atestado.

— Que merda, tenho certeza que os professores vão me foder nessa, já não sabia nada indo pra escola imagina agora ficando em casa?

— Bom é que agora você tem um tempão pra estudar né – debochei. – mas se quiser ajuda com alguma coisa é só falar, menos matemática!

— Mel o problema é que eu realmente não gosto de estudar – quase fiquei com pena, mas sabia que era drama. – sei lá demoro muito para entender as coisas ai desisto.

— Olha, sinto muito mas você tem que estudar pelo menos o básico para passar, e é tão bom saber das coisas, vou procurar um jeito para você estudar sem saber que está estudando. – bom pelo menos nas matérias de humanas e biológicas eu poderia dar uma força. – beleza?

— Beleza!

Os próximos dias passaram rápido, ajudei Kevin com as matérias que ele tinha mais dificuldade e por incrível que parece ele me ajudou com alguns exercícios de matemática que eu tinha maior dificuldade, até brinquei que ele poderia se tornar professor dessa matéria, mas ele logo descartou essa possibilidade pois segundo ele se algum dia tivesse um aluno como ele próprio não pensaria duas vezes antes de jogar o apagador nele, ou talvez a carteira. Em relação as suas seções de fisioterapia três vezes na semana, Lipe, Tiago e eu revessamos para leva-lo já que sua mãe trabalhava no período da manhã, e nos dias em que ele estava em casa eu ia até lá para me certificar que ele estava fazendo os exercícios corretamente, obviamente ele não gostava muito disso pois não queria ser tratado igual uma criança que precisava de supervisão, mas não deixaria ele sozinho, enquanto não tivesse certeza sobre seu estado de saúde.

— Chata para caralho em! eu já fiz esse Ludmila – dizia ele deitado de barriga para cima e com os pés apoiado em uma bola de ioga.

— Kevin, são três seções de dez, você só fez duas, vamos logo é a ultima! – consegui convence-lo mas ainda escutei seus resmungos até o fim dos exercícios. – Porque essa cara Kevin, você sabe que tem que fazer, mesmo que doa, se ficar se enrolando vai demorar mais pra sarar esse joelho.

— Você fala isso porque não é em você caralho. – disse irritado, se levantando com ajuda das muletas. – essa merda dói muito e não parece que tá dando resultado.

— Bom você quem sabe, se não quiser fazer não faça, mas não vou ficar aqui igual uma idiota tentando te ajudar. – disse me levantando também.

— Ótimo pois não pedi sua ajuda para começo de conversa, você tá aqui porque quer bancar a babá, mas olha só você não médica, não é minha mãe, não é nada minha e eu não preciso de você! – falou tirando o apoio das muletas e percebi por sua expressão de dor que ele precisava sim, logo em seguida ele apontou em direção a porta pedindo silênciosamente para que eu me retirasse, ridículo, mas se ele não quer minha ajuda não vou ficar fazendo papel de palhaça aqui.

— Já que não precisa de mim para nada então foda-se!

— É foda-se! — o escutei gritar enquanto saia de sua casa batendo a porta

Aqui vemos que ninguém é perfeito não é, até mesmo Kev. Ai ai o que será que vai rolar depois desse desentendimento deles? Vamos esperar para ver nos próximos capítulos!!