Match-Point

27 Vinte E Cinco


Vocês não tem noção o quanto eu amo os POV's do Kev!! E esse apesar de ser curtinho é um dos meus favoritos, espero que vocês também gostem de saber o que se passa na cabeça dele.

POV KEVIN

Puta que pariu não aguento mais treinar, não aguento mais ver uma bola de vôlei na minha frente e principalmente não aguento mais a voz de Ludmila em meu ouvido, caralho sera que ela não tinha nada melhor pra fazer do que ficar me enchendo o saco. Meus braços já estão vermelhos e cheios de vergões, e minhas pernas bambas e essa filha da puta fica falando pra me posicionar de novo.

— Kevin a ultima, você sabe que precisa saber como receber uma bola direito, e que eu preciso treinar todos os tipos de saque – apenas revirei o olho e me posicionei no centro da quadra, obvio que aquela não foi a ultima vez, será que ela não cansa não? Senti um leve incomodo no meu joelho esquerdo, mas se eu falasse para ela com certeza ela culparia minha falta de alongamento.

— Mel já chega, não to nem sentindo meus braços, deu por hoje! – disse saindo de quadra e ouvindo reclamações de que desse jeito nunca que iriamos passar na peneira, que o treino é fundamental para se aperfeiçoar e mas um monte coisa que não prestei atenção. – Ludmila ta tarde, o treino é importante sim, mas a gente precisa descansar também, sei lá dar um tempo se não vai dar merda.

— Mas Kevin! – exclamou ela indignada, mas sabendo que eu estava certo ela continuou. – Pelo menos me ajuda a guardar as coisas antes de sair.

Guardamos tudo em silêncio e nos encaminhávamos para a saída, Mel fechou a quadra com dificuldades, já que tentava equilibrar a bolsa, o celular, e uma blusa com a mão livre, o que custa botar no chão pensei tomando a mochila que parecia pesada de sua mão. Rick tinha deixado a chave com ela para que nos dois pudéssemos treinar, então resumindo agora passava todas as minhas tardes na escola, ou com o time ou com Ludmila, e podia perceber o quanto ela estava nervosa com a peneira que se aproximava.

— Você ta legal? – perguntei para quebrar o gelo já que não tínhamos muitos assuntos em comum. – não sei o que carrega tanto nessa mochila. – então coloque a mochila dela e um dos ombros e entreguei a minha para ela que estava infinitamente mais leve para ela carregar.

— To cansada, ansiosa, com medo, sei lá, de tudo um pouco, porque sabe é uma chance pra vida toda, não sei nem o que faço se não passar nessa peneira. – disse mordendo os lábios – Mas eu tenho conversado com uma amiga do Rick, ela é psicologa, e eu já estou um pouco mais calma do que antes, em relação a entrar em quadra, sabe.

— Não mas eu te entendo, to sonhando com isso todo dia e já acordo nervoso, mas vai dar tudo certo, tem que dar, e se não der a gente tenta ano que vem né – disse tentando acamar não sei se ela ou a mim mesmo. – mas é só relaxar, porque a gente já sabe o que tem que fazer, não tem como dar errado.

— Será mesmo? Tipo muita coisa pode dar errado. – disse ela com um misto de preocupação e humor.

— Cala a boca! – disse de birra – Olha bem pro meu braço, olha o que você fez comigo hoje, certeza que era uma tática para me deixar invalido até a seleção!

— Nossa Kevin, como você adivinhou meu plano, hm? Agora vou ter que pensar em outra coisa pra derrotar você, olha só pra você ta até mancando. – disse rindo do meu joelho dolorido – Deixa eu ver isso! — disse puxando meu braço pra si. – É só fazer uma compressa de gelo e uma massagem seu frouxo, na perna também, não se preocupe seu braço não vai cair por causa disso.

— Ei, presta atenção no modo que fala comigo, já estou fazendo o favor de te acompanhar até em casa, mesmo lesionado, posso muito bem dar meia volta e te deixar fazer o resto do caminho sozinha.

— Nossa isso seria péssimo né – disse debochada – nem sei porque veio, se esta com dor, sua casa é no sentido contrário a minha, sei que minha companhia é maravilhosa mas, – a interrompi com uma gargalhada que a fez parar no meio do caminho. – O que? – perguntou com a cara fechada e cruzando os braços.

— Eu só estou te acompanhando porque já esta tarde e pode ser perigoso sei lá, vai que alguém tenta te assaltar, sequestrar sei lá? – disse a puxando para andar novamente, e dessa vez quem riu foi ela.

— E você ia fazer o que, hm? É mais fácil eu te defender Kevin, e agora são o que, seis horas da tarde? para de frescura e admite que adora minha companhia e pronto. – não admiti, mas também não a desmenti, então resolvi mudar de assunto. Fomos conversando sobre suas duas primeira consultas com a psicóloga e o percurso pareceu durar menos do que cinco minutos.

— Pronto a princesa está entregue, inteira e em segurança. – disse fazendo uma reverência.

— Nossa muito obrigada não sei o que faria sem você para me proteger. – disse rindo da pompa que eu falava com ela

— Olha aqui você para de deboche se não nunca mais te faço companhia em – a ameacei – Bom, então é isso, até amanhã! – disse meio sem jeito, será que me despedia com um beijo, um abraço, um aperto de mão, porra! – Tchau Mel. – no fim decidi não usar nenhum deles. Já estava me afastando de sua casa quando a ouvi me chamando e se aproximando de mim novamente, caralho porque eu to ficando nervoso.

— A mochila, a gente precisa trocar lembra. – Disse com um sorriso brincando em seu rosto.

— Verdade, desculpa! – disse meio sem jeito, e só agora lembrando do peso em minhas costas, trocamos as mochilas, e ela continuou me encarando. – To com mais alguma coisa sua? Se não vou embora – disse apontando pra rua, nossa Kevin como você é delicado, puta merda em.

— Não, pode ir, Tchau Kevin, até amanhã – disse parecendo indecisa, ficamos nos encarando por mais alguns segundos então lembrei que era eu quem deveria ir embora e ela devia estar esperando isso para entrar, idiota pensei me virando para ir embora – Kev? – me chamou outra vez, me virei somente a tempo de perceber que ela estava perto demais, e depositou um beijo em minha bochecha, quer dizer quase no canto da boca. – Obrigada!

Então ela simplesmente se virou e entrou em sua casa e eu fiquei igual um otário encarando o portão de sua casa, despertei apenas quando percebi meu telefone tocando, era Nathan me chamando para mais uma de suas sociais, que eu dispensei, só não tenho certeza se foi para me concentrar na seleção que estava próxima.