POV KEVIN

Se antes não conseguia tirar essa menina da minha cabeça agora vai ficar praticamente impossível, urgh! E o pior foi ter dito que queria repetir, realmente não sei de onde tirei coragem para fazer aquilo e dou graças a deus por não ter sido impedido. Mas observa-la dançar já estava demais para mim, ela estava perfeita essa noite mano, não consegui tirar meus olhos dela, resolvi então que deveria tomar um ar.

Topei com Lipe no meio do caminho, e ele me ofereceu um baseado que prontamente aceitei, precisava relaxar, levar minha mente para outro lugar que não fosse Ludmila, mas parecia impossível nos últimos dias já que ela fazia questão de ir em minha casa todos os dias me ajudar com os exercícios enquanto a clínica estava em recesso, mesmo eu deixando claro que não precisava de sua ajuda, como eu iria esquecer dela se ela continuava se fazendo presente todos os dias? Parece uma tarefa impossível, era exatamente nisso que estava pensando quando ela me encontrou no jardim da casa de Nathan.

“- Você consegue viver sem mim, mas talvez eu não consiga viver sem você! – brincou, mas para mim essa tarefa estava se tornando mais difícil a cada dia – Ai meu deus eu to atrapalhando alguma coisa? você ta esperando alguém?

—Você – deixei escapar, porra será que ela ouviu? Tentei disfarçar a merda que tinha dito bebendo um gole. – Desculpa por isso, só estou precisando relaxar! – apontei para o beck em minha mão, não queria que ela pensasse que eu era um viciado ou algo assim.

— Tudo bem, já tem um tempo que eu entendi que não sou responsável por você! – lembrei de nossa conversa de um tempo atrás, e quando ela se sentou ao meu lado prendi a respiração instintivamente, caralho Kevin pra que ficar tão nervoso do lado da guria! Me recriminei, é a Ludmila, só isso – Cansou do barulho lá dentro?

— Onde já se viu Kevin Garcia cansar de festas, acho que a idade chega para todos, ou também seja pelo fato de estar misturando um monte de bebida com remédios sei lá – disse fingindo uma tranquilidade e recebi um tapa no ombro um troca, talvez mas só talvez aquele seja um jeito dela de demonstrar carinho. – qual é Ludmila é Reveillon me erra! – e la vem o Kevin grosso outra vez!

— Vai começar com a grosseria? Se sim eu vou pra lá e te deixo falando sozinho. – Porra to fazendo tudo errado, a intenção é só manter ela à uma distância segura, não afasta-la de vez – Ok, então eu fico, isso se você quiser!

— Já disse que estava esperando você, não acho que tenha outra pessoa que eu queira passar a virada de ano Mel. – Disse elevando um pouco o tom de voz, e resolvi ficar quieto pra não falar mais merda. Terminei meu baseado pensando em tudo que ocorreu durante o ano, e se alguém me dissesse que hoje eu estaria aqui ao lado de Ludmila Freduzesck, eu riria da pessoa, e a chamaria de doida, no mínimo. – Quem diria hm? Que eu e você estaríamos assim agora!

— Assim como? Amigos, olha nem eu imaginaria isso, mas você nem é tão chato quando se esforça um pouco.

— Já você é insuportável sempre, mas eu sou muito bondoso – Insuportável, que piada! Agora ficar impregnada em meus pensamentos tem outro nome – olha só falta menos de um minuto pro ano novo, vai lá com suas amigas comemorar! – Disse pois já não aguentava mais ficar no mesmo ambiente que ela, sem querer fazer uma besteira.

— Bem como eu disse, somos amigos agora, não vou te deixar sozinho aqui e você não vai conseguir chegar a tempo lá, então, – ela me encarou e nesse momento a música foi desligada e iniciaram a contagem regressiva, eu não sei se o tempo passou rápido demais ou se eu que estava vidrado nela e perdi a noção – Feliz ano novo! – mas quando ela me desejou feliz ano novo e me abraçou eu gelei, para logo em seguida sentir meu sangue correr mais rápido em minhas veias me esquentando por completo. – dizem que abraçar no primeiro minuto do ano traz sorte! – sussurrou quando nos afastamos um pouco, então tomei coragem para fazer algo que desejava nem sei desde quando.

— Ah é? Então imagino que beijar traga mais sorte ainda! – beijei sem nem dar tempo para que ela reagisse, logo o beijo foi ficando mais intenso e quando sua língua entrou em contato com a minha achei que poderia ter um troço ali mesmo, porra que mina perfeita, pensei apertando ainda mais meus braços ao redor de sua cintura, definitivamente não queria que esse beijo acabasse, então distribui uma linha de beijos em eu pescoço enquanto buscava um pouco de ar — Eu quero muito te beijar de novo quando não estiver chapado, só pra ter certeza que é real mesmo – disse baixo o suficiente para que ela escutasse o que não foi difícil já que estávamos grudados um no outro, percebi que ela ficou arrepiada o que foi ótimo, agora só me resta saber se vou ter coragem de beija-la novamente quando estiver sóbrio – Feliz ano novo Mel!”

Teria sido tão mais fácil, se ela tivesse negado essa aproximação me batido e me recusado meu beijo, mas não a filha da puta não só aceitou como retribuiu e não acho que vou ser capaz de esquecer tão cedo um beijo que me causou tantas sensações, merda achei que depois de beija-la o que eu sinto por ela ficaria esclarecido, mas parece que só causou mais confusão em minha cabeça.

O resto da noite foi tranquila, após o ocorrido alguém nos chamou e ficamos o resto da festa junto com nossos amigos, as vezes eu me distraia lembrando da sensação de seus lábios junto com os meus, mas logo alguém me chamava e eu voltava pra realidade. Em um determinado momento percebi que Brian tinha sumido pra um dos quartos assim como Guga e Gio, então Tiago o mais bêbado entre todos começou a relembrar do passado e de como eramos idiotas, prometi pra mim mesmo que esse ano eu tentaria ser uma pessoa melhor, em todos os sentidos, então meu olhar se voltou pra Ludmila do outro lado da roda e lembrei da primeira vez que brigamos,

— Pessoal hoje vocês vão fazer um trabalho em duplas! – escutei meu professor de geografia falar enquanto fingia prestar atenção. – Mas vocês serão divididos de acordo com a ordem da chamada! — só fui me preocupar com o que ele havia dito quando ele me pediu para fazer dupla com ela, Ludmila Freduzesck, do outro lado da sala ela me encarava e parecia prestes a me matar, me fodi.

— Kevin é simples precisamos só fazer um trabalho sobre o processo de Colonização e Independência no continente americano, não é tão difícil! – dizia enquanto me encarava como se eu fosse um retardado, e talvez eu fosse mesmo pois não tinha ideia por onde começar – Eu faço o trabalho mais difícil se você quiser.

— Beleza, então eu faço a capa! – só quando percebi sua horrorizada é que a questionei sobre o que tinha feito de errado.

— Vai mesmo me deixar fazer tudo sozinha? – se indignou

— Muito ajuda quem não atrapalha, meu pai sempre fala isso! – e então tomei um tapa no ombro, que doeu apesar de sua mão ser pequena – Quer saber faz essa porra sozinha então doida!

— Mas eu não vou conseguir é muita coisa, Kevin, a gente só tem três dias! – puxou meu braço enquanto eu me levantava.

— Então é melhor você começar logo! – tenho certeza que escutei um xingamento mas não pude identificar o que era pois já estava longe dela e da biblioteca.”

Lembrar disso agora me fez me sentir um pouco mal pois o trabalho realmente era grande, e eu a tinha deixado na mão e implicado por burrice, talvez naquela época eu já tivesse um leve crush nela, e achei que daquela forma conseguiria chamar sua atenção, pelo visto deu certo mas não da forma que eu tinha imaginado.

“ – Perdeu algo aqui? – questionei ao ver Ludmila parada igual um dois de paus ao lado de minha carteira.

— Faça a capa e os mapas e eu coloco seu nome, mas você vai estar me devendo até sua alma! – ameaçou.

— Não acho que quero fazer um acordo com o Diabo Mel, não estou vendo vantagem nisso aqui – disse apontando de mim pra ela.

— A vantagem é que você não vai reprovar em mais uma matéria, seu imbecil! – gritou jogando o trabalho em folhas de papel almaço em minha mesa, doida.

Comecei então a pensar em uma capa decente pro trabalho, pois depois de dar uma foleada nele percebi que ela realmente se esforçou pra faze-lo, deixando alguns espaços em branco para que eu desenhasse e também percebi que sua letra era bem bonita. Abri meu livro e comecei a desenhar os mapas nos espaços em que ela tinha deixado marcado o que eu deveria fazer. No fim tiramos a nota máxima no trabalho e ela nunca mais olhou na minha cara e eu também nunca agradeci.”

Talvez eu já estivesse apaixonado naquela época pensei e logo me recriminei, não tinha ninguém apaixonado nem naquela época e muito menos agora, era só uma atração, só isso, pensei comigo, mas ao ouvir sua risada ficou claro que eu estava errado, afinal meu coração nunca disparou apenas ao ouvir a risada de uma mina que eu tava afim.

Meus amores meu pano está pronto para ser passado pro Kev, ele é ou não é um amorzinho?