Match-Point
5 Quatro
POV KEVIN
— Cara essa festa ta demais, você viu que a metade da escola está aqui dentro? — disse animado ao perceber que a casa do Nathanzinho estava lotada. – essa festa vai ser épica, mas seus vizinhos não vão achar ruim essa barulheira toda em dia de semana? – perguntei a ele enquanto pegava uma cerveja para mim e outra para Gabi que estava comigo em um cooler com gelo próximo da porta.
— Foda-se os vizinhos mano, hoje é meu aniversario porra! – exclamou ele já meio alterado – Não se faz quinze anos todos os dias irmão, eu tenho que comemorar e esse é meu baile.
— Se você diz, mas pelo menos coloca uma música melhorzinha debutante porque hoje eu quero ficar bem louco! — e não demorou muito para que isso acontecesse, não sei se era uma boa ideia misturar cerveja com vodka mas eu ia deixar para pensar nisso amanhã, hoje eu quero esquecer até meu nome.
Acordei no sofá da casa do Nathan agarrado com uma garrafa de algo que não está conseguindo distinguir o que era, e pós esfregar meus olhos percebi que era Gin porra tenho certeza custou os olhos da cara, não sei de onde Nathanael tirava tanta bebida, mas eu só podia agradecer por sempre ser convidado para suas festas. Peguei meu celular no bolso do meu jeans, e pretendia ver as horas, mas puta que pariu sete chamadas não atendidas e dezenas de mensagens da minha mãe, era hoje que eu seria deserdado.
Cheguei em casa tentando disfarçar o quão bêbado ao ainda estava e fui recebido com um olhar de desgosto da minha mãe, mas ela queria que eu fizesse o que, estava aproveitando minha vida como ela sempre dizia para eu fazer. – Bom dia, meu amor, passei aqui só pra você saber que eu ainda estou vivo e tomar um banho rapidão, porque tenho aula hoje – disse dando-lhe um beijo na testa e pegando um pão de cima da mesa.
— Engraçado que ontem não parecia lembrar que tinha mãe – disse ela quando já me encaminhava para o quarto – eu disse para você não ir e agora olha só para você, chegando bêbado em dia de semana, é isso que você quer para a vida? – questionou parecendo preocupada com meu estado.
— Relaxa dona Maria que eu sei o que estou fazendo! – disse ante de fechar a porta do meu quarto. Não deveria ter bebido tanto, agora estou aqui nessa aula com a maior dor de cabeça, e boca seca e vontade de vomitar minhas tripas, devia ter escutado minha mãe pois não estaria assim, sei que a matéria é importante mas, eu tenho certeza que dormi mais da metade acordei com um tapa na nuca de Thiago que me avisou que o sinal já havia batido há uns bons minutos. Eu precisava de uma coca, pelo menos ia aliviar meu enjoo, e a fila até que estava consideravelmente pequena, então resolvi encarar.
— Nossa men, eu to podre, nem sei porque vim para aula hoje. – disse Tiago ao meu lado, colocando óculos escuros que com certeza era por causa da dor de cabeça que sentia – a é lembrei, to pendurado em matemática, não posso mais faltar.
— Se fosse só você, o Rick me disse que se eu tivesse mais alguma falta ia ficar pendurado no time também, e isso eu não quero é a única coisa boa dessa escola — falei enquanto contava meu dinheiro – me empresta cinquenta centavos ai, pra enterar?
— Tem muita coisa boa nessa escola sim mano, você que não presta atenção, olha lá a Gabizinha, toda linda e estava me dando maior mole ontem – disse enquanto procurava o dinheiro nos bolsos
— Respeita minha prima mano, ela não é pro seu bico – ri enquanto o empurrava com os ombros.
— Quando você for rico vai ter que me pagar tudo o que me deve, vai achando que eu não anoto. – Aham ele pode esperar sentado.
— Deixa de ser pão duro mano, deus vai te pagar tudo! – peguei o dinheiro de sua mão rindo e fui fazer o pedido — E eu posso não me lembrar muito da festa de ontem, mas eu tenho a leve impressão que a Gabi estava ficando com o Lipe ontem, não com você.
— Cala boca, você ta falando isso por que ainda ta bêbado e não ta pensando direito. — falou com o cenho franzido, enquanto caminhávamos para um local com menos barulho — Ela tava totalmente afim de mim, e o Lipe foi o maior talarico*
—Sei – respondi rindo enquanto abria a latinha – a única coisa que você beijou ontem foi o litro da garrafa – falei enquanto imitava o jeito ridículo que ele se comportou ontem. Enquanto levava a latinha à boca ele murmurou um “cai fora” ao mesmo tempo que me empurrava para o lado, e não sei se o empurrão foi muito forte, ou se eu estava bêbado ainda, (provavelmente a segunda opção), mas eu só percebi a merda que tinha feito quando encontrei com aquele olhar me fuzilando, agora eu estava fodido.
— Caralho! – foi a única coisa que saiu da minha boca ao ver que tinha derramado quase metade da lata em cima da Ludmila, ótimo! Mais um motivo para ela me odiar pensei enquanto ouvia a risada escandalosa de Tiago. — Me perdoa, de verdade, foi sem querer! – falei rápido enquanto tentava inutilmente limpar o local que atingi com o liquido, e ela me olhava perplexa com a atitude, só percebi que aquilo era inapropriado quando constatei que a coca havia caído em sua blusa branca, mais especificamente na região de seus seios, e agora eu estava tentando limpar, porra limpar a região dos seus seios, como eu sou burro. – desculpa eu realmente não queria fazer isso! — alguém me da um soco por favor!
— EU VOU TE MATAR SEU IDIOTA! – Ela disse enquanto tentava tirar ela mesmo a mancha que se formou em sua blusa, mas só estava piorando a situação. – olha o que você fez, não olha por onde anda, meu deus minha mãe vai me matar – Ela choramingou, eu tentei me pronunciar mas recebi um olhar que fez minha espinha gelar. – Não se aproxima de mim ou eu sou capaz de te socar – por favor faça isso, quase implorei, então ela marchou em direção ao banheiro encontrando com a irmã do Matt no meio do caminho.
Olhei para Tiago que ainda estava rindo da situação, e meu enjoo pareceu piorar – Porra mano você viu o que você fez? Caralho ela vai achar que eu fiz de proposito – falei enquanto dava um pescotapa no idiota.
— Mano, eu posso ter te empurrado mas, MEU DEUS! – eu gritou enquanto se contorcia de rir – você que é podre, caiu de maduro, e ainda por cima pegou nos peitos dela men. – sussurrou a última parte, me fazendo ficar com mais vergonha ainda – Eu sei mano, eu estava aqui e vi a merda que eu fiz! – disse enquanto pensava no que fazer para concertar a situação. Olhei para minha própria blusa e felizmente tinham apenas alguns respingos de coca que logo secaria e não deixariam marcas pois era o moletom preto do uniforme, enfim tive uma ideia só esperava que ela me desculpasse.
Fui até a porta do banheiro feminino e chamei seu nome, na esperança que ela não me batesse. – O que veio fazer aqui, terminar de jogar o refri nela? – perguntou Yvi ao me ver ainda com a lata na mão – ela está muito brava com você no momento acho melhor você nem tentar falar com ela.
— Eu sei, e já pedi desculpas, mas ela nem quis me ouvir – disse enquanto encarava a baixinha em minha frente que apesar da altura me botava um pouco de medo. – Eu, nossa, eu de verdade, por favor acredita em mim, dessa vez não tive a intenção de prejudicar a mel, o Tiago estava falando uma besteira e eu fui zoar dele, e acabei tropeçando, sei lá, mas não tinha visto ela, de verdade, foi sem querer, fala isso pra ela, porque sei que ela nem deve querer ver minha cara tão cedo.
— Dessa vez? Mel? – parece que ela tinha prestado atenção em só um terço do que eu tinha falado – e quanto a parte que você se aproveitou da situação? – A pronto. – Eu não me aproveitei dela, mano foi sem querer eu juro que quando percebi a merda que eu estava fazendo eu parei, de verdade, por favor toma aqui – falei enquanto entregava minha coca para ela segurar e retirava minha blusa – entregar para ela e diz que sei lá, estava para doação na escola, mas por favor me deixa me redimir. – falei entregando a blusa e pegando minha coca de novo.
— Olha dessa vez eu vou deixar passar, mas quero ver se ela vai deixar isso quieto – disse ao trocar o peso das pernas. — Mas você vai passar frio até o meio dia, não?
— Não se preocupe quanto a isso eu tenho outra na mochila – disse mais tranquilo ao ver que ela estava menos relutante em aceitar – E fala para ela passar glicerina ou bicarbonato, que a mancha sai rapidinho.
— Valeu, pela dica e pela blusa. – ela disse e fechou novamente a porta do banheiro. Quando o sinal bateu novamente dei graças a Deus pois estava congelando, mas minha alegria foi por água abaixo quando percebi que não, eu não tinha outra blusa na mochila, merda!
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