Matando a Vida - Diário de 2016

4 Eu não queria ser diferente.


Notas iniciais
Eu não queria ser diferente.

MATANDO A VIDA 4: Eu não queria ser diferente.

Minha irmã mais velha vai se casar daqui a duas semanas. Isso poderia ser um comentário normal, mas não é assim que eu Thunder da Silva comenta sobre seus acontecimentos diários. Eu tenho que refletir, poetizar, e tudo que tenho direito. Se ninguém ler essa porra, esse é o álibi ideal para eu falar qualquer merda sem ter medo de represálias, e comentários críticos. Minha irmã saindo de casa, casando e tudo mais me fez viajar em pensamentos. Caramba! Tudo parecia tão longe! Algo distante sabe? Minha irmã tem vinte e quatro anos. Três anos mais velha que eu, gostamos um do outro, mas nunca fomos super próximos. Escolhemos caminhos diferentes na vida, ocasionando para ela a filha perfeita, ideal, um sonho para todos os pais e eu a ovelha negra, o desertor, o que vai para o inferno.

Eu nasci num lar evangélico nível agressive, minha irmã só podia usar saia, não dançamos, beber jamais, eu era proibido até de ver desenho como Dragon Ball, lembro-me de uma época ficar de castigo mais de dois meses sem assistir televisão e mexer no computador por estar assistindo Naruto.

“Sério, parece piada, mas eu perdi meus dois lazares preferido por dois meses porque gostava de assistir a PORRA DE UM DESENHO”.

Meus pais antes de empregar esse novo castigo vieram até com uma copia impressa sobre o que o anime mostra para as crianças, uma dessas folhas era a descrição da desciclopédia, lembro até hoje do termo que eles usaram “Naruto é uma criança que quando nasceu teve um demônio raposa que enfiaram no cu dele”. Outro castigo foi assistir às fitas de pregações do Silas Malafaia e formular uma resenha de cada uma delas de no mínimo três paginas.

“E tipo, são muitas pregações. Deve ter mais de cem fáceis”.

Eu acordei cedo e fiz essa porra toda em um dia. UM DIA! Eu sou a porra de um cara esforçado. E o que adiantou esses castigos? Porra nenhuma! Eu matava aula para assistir Naruto na biblioteca publica da minha cidade, assistia em legenda em inglês e qualidade de 240p. Eu não conseguia nem ver direito, mas só o gostinho de está fazendo o que eu quero já me deixava feliz. Porra! Não seria mais fácil meu pai assistir comigo me instruindo do que me proibindo? Ao mesmo tempo em que ele me ensinava criava um elo entre nós, caramba! Hoje eu tenho um “neg” filho da puta de falar qualquer assunto com meus pais, porque sei que eles vão julgar entrar no meio e etc.

Ano passado eu estava fazendo academia cabuloso, o objetivo era ficar monstro, então comecei a usar anabolizante, stan, no caso. É o anabolizante mais comum que tem, alguns nutricionistas nem o consideram como droga só para você ter uma idéia. Eu burro velho com vinte anos, meu pai mexendo na porra do meu quarto porque eu não tenho nenhum puto de privacidade achou algumas seringas, veio gritando comigo falando o que era aquilo. Expliquei o que era, ele falou para eu parar de usar, falei que não queria parar de usar, já tinha vinte anos, eu mesmo comprei e já tinha consciência de meus atos. Adivinha o que aconteceu?

Meu pai bravo me deu uma surra, quebrou meu celular e eu fui embora de casa. Mano, eu levei um tapa tão forte na cara que foi digno de filme de cinema, serio mesmo. Foi bonito saporra, chega virei o rosto.

De madrugada, com uma mochila com algumas coisas, e triste pra caralho fui para a casa do Batata, lá seria meu refúgio, nessa época eu não namorava a Ana, estávamos ficando, e quando expliquei para a mesma que fui expulso de casa, ela ficou desesperada, super preocupada, mãezona mesmo.

Hoje atualmente eu sou bem afastado de meus pais, mesmo que eu more na casa deles, e meu pai é meu sócio no ramo da fotografia, eu não tenho liberdade para falar o que penso. Infelizmente a cabeça de minha família é muito limitada a coisas novas, minha irmã é perfeita porque faz tudo que eles querem, eu já não sou assim. Tenho meu próprio modo de pensar, entender a realidade das coisas, EU FAÇO MINHAS ESCOLHAS. E isso acarreta coisas boas como autonomia e coisas runs como, falta de apoio ou interesse por parte de meus velhos.

Estou escrevendo isso tudo aqui no meu computador da minha sala, e caramba! Relembrar os velhos tempos bate uma vibe muito estranha, nossa. Uma vez eu comentei que a ignorância é uma benção, quem é burro sempre vai ser mais feliz do que quem é contestador, que sabe da verdade, que contesta o mundo. Eu tenho certeza que minha irmã vai ser mais feliz do que eu, sabe por quê? Porque ela acomodou, está feliz ganhando dois contos dando aula de musica, está feliz mesmo depois de três anos pagando cursinho e não ter passado em nenhum concurso publico, está feliz na igreja que está, está feliz sendo regente do coral e tendo um monte de adola pagando pau pra ela, minha irmã não precisa de muito, somente um esposo que faça tudo pra ela (CHECK!) ela conseguiu um esposo maravilhoso, e grana para encher a pança.

Eu já sou diferente, eu quero ser grande, quero ser rico, viajar o mundo, ter uma casa top de linha, um carro perfeito. Eu quero sair com minha mulher para comer em todos os restaurantes chiques do mundo, eu quero voltar para a igreja... Mas, como? Eu sei que Deus existe, mas qual é a melhor religião? Eu não sei dizer, queria saber, eu quero acreditar que um dia acharei uma igreja da hora, uma que as pessoas não sejam tão filhas da puta, uma igreja ao quais os pastores não sejam só interessados em roubar o seu dinheiro e status.

Seria muito pedir isso?

Desculpa por esses capítulos recentemente estarem bostas e melancólicos assim, mas vocês sabem que eu escrevo de acordo com a vibe que estou no momento, prometo que isso tudo vai mudar, dias bons chegarão, tenho certeza disso.

Notas finais
Eu não queria ser diferente.