Master Trick
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Pov’s Ally
A conversa com Finn já estava começando a ficar entediante. Tudo o que ele sabe falar era sobre os cassinos e por mais que isso seja o meu foco principal desde última semana ainda assim o que ele fala não é nada relevante. Apenas bobagens que envolvem jogos e bebidas.
—E é por isso que não se deve apostar mais de três vezes em uma noite. -Terminou mais um dos seus chatos discursos sobre apostas dessa noite.
Não vim aqui pra nada, tenho que tirar algum beneficio desse jantar ridículo.
—Nós transamos. -Foi à primeira coisa que pensei e não hesitei em dizer isso em voz alta. Era uma das poucas coisas que eu sabia que iria o fazer mudar o foco do assunto.
—Não sei se significou algo para você, mas espero que saiba que não coloquei este batom apenas para brincar de princesinha. -Dei um sorriso falso para ele de propósito.
—O que pretende fazer depois que pagar a conta?Me levar para um motel qualquer e fazermos sexo novamente?Ou se talvez a sua esposa não estiver em casa?Irá me levar para lá?Não é assim que a banda toca. -Brinquei com a faca de manteiga posta ao lado do meu prato.
Um movimento certeiro e em dois segundos ele para de respirar.
Levantei os olhos e o encontrei me observando assustado.
—Como sabe sobre a minha esposa?-Engoliu em seco.
Terminei meu vinho e foi inevitável não pensar na hipótese de quebrar o cristal em sua garganta. Tenho sérios problemas com objetos e isso não é de agora. Qualquer coisa que esteja ao meu dispor e a presença de alguém indesejável me faz pensar em todas as maneiras de matá-la.
—Tem certeza de que é essa a pergunta que quer fazer?Qualquer mulher que passa a noite com um homem sem o bom senso de ver sua mão para saber se ali existe uma aliança. -Apontei para a jóia em seu dedo anelar.
—Você também esta usando uma aliança. –Disse a primeira desculpa esfarrapada que encontrou no fundo da sua mente doentia.
Já vi que esse é o seu ponto fraco.
—Porque o meu marido esta embaixo da terra servindo de comida para minhocas, qual a sua desculpa?-Cruzei minhas pernas e recostei meu corpo na cadeira.
Estou perto de conseguir o que eu quero. Só preciso fazer com que ele não pense e continue falando.
—O que quer de mim?-Franziu a testa. —Estamos jantando e...
—E você acha que pode me comprar com restaurantes caros, drogas e cassinos.
—Não é nada disso. Eu apenas...
O calei com um olhar.
—Porque não me fala sobre Austin Moon?
Ele levantou os olhos para mim em um instante. Parecia ter enfim se dado conta de onde a nossa conversa iria parar.
Quando o vi entortar o garfo em sua mão tive certeza de que fiz meu trabalho por completo.
—O que sabe sobre ele?-Pela primeira vez desde que nos conhecemos seu tom de voz se tornou algo vazio e seco comigo.
—O que sabe sobre mim?
—Apenas que é uma foragida da policia. O que isso tem a ver com o Austin?-Me respondeu com outro pergunta.
Parecia mais interessado do que nunca em mim.
—Não faço a mínima idéia de quem seja. -Olhei diretamente em seus olhos.
As pessoas realmente acreditam que ao fazer isso é impossível mentir, idiotas.
—O que sabe sobre ele?-Questionou apoiando os cotovelos sobre a mesa. Que mal educado.
Dei uma pequena risada e comecei:
—As noticias correm quando se esta de cidade em cidade tentando manter um disfarce. Ouvi falar sobre ele e sua sede de vingança contra você. –Mordi o lábio.
—O que ouviu falar?Ele esta na cidade?-Franziu a testa.
Parece que ele sabe menos do que o esperado.
—Não sei. -Dei de ombros. —Mas acho bom mudar as senhas dos cofres, ninguém gosta de incidentes, não é mesmo?
Finn passou um tempo calado, tempo o bastante para me fazer pensar se eu já deveria estar no beco ou não.
—Esta do lado dele, não é?-Disse suspirando alto.
—Estou do meu lado. -Sorri.
—Nunca tive o prazer de conhecer o Moon pessoalmente e sei muito pouco sobre você, acho que não tenho motivos para me juntar a ninguém.
—Você sabe de algo que não esta me contando Ally. -Ajeitou a gravata em seu pescoço. Parecia uma pilha de nervos.
—É claro que eu sei, mas não vou entregar tudo o que sei de bandeja, não é mesmo?-Provoquei.
—O que quer de mim?-Arqueou a sobrancelha. —Dinheiro?Segurança?-Chutou.
Ele pensa tão pequeno. Austin ao menos tem planos mais altos do que isso.
—Quero que me responda apenas uma pergunta. -Inclinei um pouco meu corpo em sua direção.
—Diga. -Ele não hesitou por nenhum momento.
—O que aconteceu com a sua família?Estou falando da que te criou. -Perguntei sem qualquer forma de exagero ou sarcasmo. Era apenas uma pergunta como outra qualquer.
—Quase todos morreram em um incêndio. -Sua voz poderia ser confundida com uma navalha se quisesse.
—Tudo bem então. -Batuquei meus dedos por breves segundos na mesa em que estávamos.
—Trato é trato. -Olhei para as pessoas ao nosso redor. Não tinha ninguém nos observando.
—Então temos um acordo?-Estendi minha mão para ele.
Finn a encarou por longos segundos e logo sua mão se juntou a minha.
—Ele pretende te falir. -Falei um pouco mais baixo do que o normal.
Finn não disse mais nada. Apenas continuei com os olhos fixos no prato vazio a sua frente. Não parecia surpreso apenas pensativo e não o incomodei mais com isso.
Senti meu celular vibrar sobre a mesa e quando desbloqueei a tela pude ver uma mensagem da loira burra. Esse havia sido o apelido carinho que eu havia dado a Austin no inicio da semana.
‘’Anda logo caralho, já se passaram dez minutos. ’’ Às vezes o vocabulário do Austin consegue ser de um nível mais baixo que ele próprio.
—Acho que já esta tarde. -Olhei a mensagem deixada por Austin no meu celular. —É melhor eu ir embora. -Pus minhas mãos sobre a mesa para poder me equilibrar ao levantar.
—Tudo bem. Eu te levo. -Ameaçou levantar e o parei com uma mão.
—Não será necessário. –Dei um pigarro. —Meu carro esta estacionado aqui perto, mas de qualquer forma obrigada pelo inesquecível jantar.
Consegui manter seus olhos nos meus por tempo o suficiente para conseguir remover o chip do seu celular.
—Digo o mesmo. -Me abraçou e sem que percebesse revirei os olhos.
—Até o próximo. -Peguei minha bolsa e sai do restaurante a passos calculados, finos e cuidadosos.
Continuei o caminho até estar cercada por caçambas de lixo e gatos amedrontados. Austin não estava ali o que me fez bufar.
O idiota deve nem ter se dado o trabalho de sair de casa. Filho da puta.
Revirei os olhos e me pus a andar novamente até sentir alguém me agarrando por trás e tapando a minha boca.
Eu estava sem armas. Pensei que Austin as traria para mim então nem dei muita importância na hora de me vestir o que foi um erro.
Finquei o meu salto agulha contra seu pé.
Ele deu um gemido baixo e quando me virei Austin estava com o rosto contorcido em uma expressão de dor.
—Como foi burra ao ponto de vir desarmada?-Perguntou apoiando o corpo em um pé só.
—Porque sou esperta o bastante para fazer isso.
Sem hesitar deixei que meu rosto colidisse com o seu rosto. Quando dei por mim Austin já estava levantando o rosto o máximo que podia para tentar fazer com que o sangue parasse de escorrer.
—Guarde sua força para mais tarde amor. -Deu um sorriso debochado para mim.
Parecia que aquilo não havia sido nada demais para ele. Ou deve estar acostumado com lutas o que é muito provável ou o soco foi leve demais.
—Então sugiro que corte o pacote de entradas dramáticas do seu cérebro. -O empurrei fazendo com que soltasse meu braço.
Ajeitei minha postura e olhei em volta de nós dois. Aquele lugar estava me dando agonia.
—O que esta esperando?Vamos logo. -Comecei a caminhar para fora do beco e ele ameaçou tocar em mim novamente.
Sem nem piscar agarrei sua mão e a apertei forte contra a minha.
—Olha aqui eu acho bom você manter esse seu objeto de masturbação longe de mim. -Torci o seu polegar. —Você já chegou perto o bastante por hoje Austin. -Estralei seu indicador e o soltei antes que viesse a arrancar uma de suas unhas.
—Acho bom você não repetir isso. -Deu outro dos seus muitos sorrisos psicopatas. —Talvez um dia ela seja muito útil para você.
Porque eu aceitei tudo isso meu Deus?Eu podia simplesmente ter ganhado dele no cassino e ter ido embora. Talvez até estivesse em Roma neste exato momento, mas a realidade não é tão desejável quanto meus pensamentos.
—Vamos falar sério agora Austin. -Me aproximei dele. —Temos vinte e quatro anos e ainda assim a nossa ficha criminal é maior do que o seu apartamento. -Cutuquei seu peito com meu dedo indicador deixando uma marca profunda em sua camisa.
Ele não estava usando terno como de costumo.
—Tenho os meus contatos e você tem os seus. -Subi meu dedo até a altura do seu maxilar. —E acho que estamos velhos demais para implicarmos um com o outro igual dois pirralhos do colegial. -Pus meu dedo sobre seus lábios.
—Não vamos tornar mais entediante do que já esta. Podemos simplesmente roubar a merda desses três cassinos, dividirmos a fortuna e esquecermos que um dia precisamos dormir na mesma cama. -Dei meu melhor sorriso para ele.
O loiro não moveu um músculo.
—Então se você realmente esta disposto a ser meu parceiro acho bom começar a agir como tal porque já tenho problemas demais para lidar e não quero te colocar no topo da lista, esta claro?
Dei espaço entre nós dois para que eu pudesse ver seus olhos. Eles pareciam serenos e frios, mas ao revirar os olhos eu soube que finalmente havia lhe acertado em cheio.
—Sim. -Respondeu com nojo.
—Bom. -Voltei a sorrir. —Então para onde vamos?-Perguntei animada.
Ele me deu uma última olhada e deu um sorrisinho de canto ao voltar a caminhar, mas não falei mais nada sobre o assunto.
—Como você mesma falou temos vinte e quatro anos.
—Somos jovens. -Apontou para nós dois. —Mas ainda assim vivemos como dois adultos chatos que não tem nada melhor pra fazer do que fazer da vida dos outros um inferno.
Cruzei os braços e apoiei meu corpo em minha perna direita. Austin não é o tipo de cara que vai direto ao assunto e eu odeio isso, é irritante e desnecessário para nós dois.
—Então pensei que se fosse um adolescente a vitima da noite talvez as coisas se tornassem um pouco mais divertidas para a gente.
—E isso inclui irmos aonde?-Tentei ser o menos agressiva possível em meu tom de voz porque começar outra discussão com ele será inútil.
Mas minha paciência já estava começando a acabar. Austin e Finn são dois desocupados que se odeiam por sabe se lá o que e isso esta me cansando.
Acho que terei mesmo que jogar no time dos dois para no final dar uma rasteira nesses idiotas.
—Um lugar aonde jovens vão para se divertir, namorar e perder o foco do mundo ao seu redor. Será fácil de matar pessoas ali.
O olhei de cima a baixo. Ele não estava usando terno, sapatos de grife ou relógios de marca. Era apenas uma camisa azul, calça jeans rasgada e um all star.
—Você esta ridículo. -Tentei prender um riso.
—E quando você colocar sua peruca estará quase tão esquisita quanto eu.
Abriu o zíper da minha bolsa e de lá tirou a peruca loura. Não tentei impedi-lo, chega de esquentar os neurônios com ele hoje.
Com cuidado a ajeitou em minha cabeça, não deixando escapar nenhum fio ruivo em meio aos claros.
—Agora podemos ir. -Estendeu o braço para mim e depois de entrelaçar o seu ao meu enfim começamos a caminhar.
Quando colocou sua mão direita dentro do bolso da calça pude ouvir um apito e quando levantei a cabeça havia uma moto em frente ao beco. Eu nem tinha a notado quando entrei aqui.
—Não queremos incidentes. –Levantou o assento daquela coisa e jogou um capacete em minha direção.
Só então percebi que eu nunca andei em qualquer tipo de veiculo apenas com Austin. Sempre foram limusines e motoristas. Ele realmente sabe dirigir essa coisa?
Subiu em cima do monstrinho de ferro e em segundos o ronco pesado da moto soou em meus ouvidos.
—Acho melhor você subir logo, a sessão para o filme que iremos assistir deve estar prestes a acabar. –Com as mãos no acelerador fez com que poeira se misturasse ao ar que eu respirava. Se não fosse o tripé provavelmente ele teria voado. —E não quero precisar matar ninguém antes que estejamos dentro da sala.
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